segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Profundamente consolada

«Um dia, ao recitar o ‘Quicumque vult’*, foi-me revelado de maneira tão clara que existe um só Deus e três pessoas em Deus, que fiquei toda maravilhada e profundamente consolada. Resultou para mim num maior proveito para melhor conhecer a grandeza de Deus e as suas maravilhas. Assim, quando penso neste mistério ou quando ouço falar dele, parece-me entender como isso pode ser; e isto é para mim uma viva consolação.»


Santa Teresa de Ávila



Ainda inspirado do passado fim-de-semana mariano, onde o mistério do Deus-Trindade, revelado e contemplado em Fátima, foi celebrado com a dedicação da nova Igreja na Cova da Iria, é bom relembrar, neste dia da memória litúrgica de Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja e reformadora da Ordem do Carmelo, esta meditação sobre a sua experiência trinitária, mistério central da nossa fé, inefável para a nossa razão mas tão consolador para quem o experimenta.
É também uma boa maneira de falar da experiência do pastorinho Francisco que, segundo a sua prima Lúcia, “ficava absorvido por Deus, pela Santíssima Trindade, nessa luz imensa que nos penetrava no mais íntimo da alma. Ele dizia: Nós estávamos a arder, naquela luz que é Deus, e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer! Isto sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste! Se eu O pudesse consolar!...”, “Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!”
O nosso pequeno pastorinho não só é consolado pela luz divina como deseja consolar a Deus. O amor recebido suscita um amor retribuído. O Francisco revela-se assim o mais contemplativo entre as três crianças.
A oração ensinada pelo Anjo, a experiência de fé dos pastorinhos na luz transmitida por Nossa Senhora, ou a teofania à Irmã Lúcia a 13 de Junho de 1929, em Tuy (Espanha), faz da mensagem de Fátima, uma mensagem profundamente marcada pelo mistério do Deus Único, Pai, Filho, Espírito Santo. A nova igreja vem afirmar, e para muitos revelar, a importância da Trindade na mensagem revelada em 1917.
Segundo o 'Quicumque vult', “a Fé Católica é esta: que adoremos um Único Deus em Trindade e a Trindade em Unidade.”
Então, Adoremo-l’O! Adoremo-l’O! Adoremo-l’O!



*Quicumque vult, Credo de Santo Atanásio

sábado, 13 de outubro de 2007

Há 90 anos

Há 90 anos, Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, aparecia uma última vez na Cova da Iria, a três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
À volta dos pequeninos, uma multidão à chuva esperava por um milagre anunciado…e aconteceu! O sol bailou nos céus!
Mas Maria, antes da despedida, deixou palavras fundamentais às três crianças:
“Quero dizer que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dia.”
“Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.”
Duas frases que sintetizam a mensagem da Mãe de Jesus em Fátima: Oração e Penitência…rezar, arrepender-se, converter-se, fazer o que Deus quer...amá-l'O!
Assim, Maria, a Senhora do Rosário, convida a humanidade, por meio daqueles três pastorinhos, a voltar-se toda para Deus, na intimidade da relação com o seu Senhor e no cumprimento da sua vontade.
“Rezar todos os dias” é viver uma relação de amor com Deus.
“Não ofender a Deus Nosso Senhor” é fazer o que Ele quer de nós por amor.
Maria, a humilde serva do Senhor, é assim o instrumento de comunhão amorosa entre Deus e os homens.
Toda relativa a Deus, ela vive só d’Ele e para Ele.
Por isso, em 1917, preocupada com o mundo que se afastava d’Aquele por Quem ela vive, Deus, ela agiu! Ela foi ter com os homens...foi mensageira da necessidade de voltar-se para Deus, de amá-l'O na oração e no cumprimento da sua vontade.

Graças Te dou, Senhor, por Maria, Mãe atenta às necessidades dos homens!
Graças te dou, Maria, Senhora do Rosário, por mostrares aos homens a necessidade de Deus e do seu amor nas suas vidas!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A fé sem obras está morta

«De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé. (…)
Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta.»


Tg 2, 14-17.26

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A fé é simples

Ontem, as leituras da Eucaristia convidavam os ouvintes a meditar sobre a fé.
Muitos têm fé, outros não.
Mas o que é a fé? O que é preciso para ter fé?
A fé pode ser definida simplesmente como o facto de acolher no seu coração e viver na verdade o que Deus revelou ao homem. Mas é antes de tudo uma confiança total para com alguém: Deus.
Muitos têm fé, mas nem todos da mesma forma. Existem diferentes graus de qualidade na fé, isto é, tudo depende da plenitude da revelação e o grau de adesão que a pessoa tem para com esta mesma fé.
Muitos não a têm porque ninguém lhes falou dela, outros porque dela lhes falaram mal, e alguns endureceram os seus corações quando dela se lhes falou.
A fé é um dom gratuito de Deus…ela é solicitada pelo homem; e como uma planta que precisa de ser tratada, a fé também tem que ser cuidada para crescer. A oração, a leitura da Palavra de Deus, os sacramentos desenvolvem a fé.
Como os apóstolos, devemos pedir constantemente ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”
Que Maria, feliz porque acreditou no que lhe foi dito, interceda por nós.

" A fé é a garantia dos bens que esperamos, a prova das realidade que não vemos.”
Carta aos Hebreus 11.1

“A fé é o único meio pelo qual Deus se manifesta à alma naquela divina luz que ultrapassa todo o entendimento. Assim, mais a alma tem fé, mais ela está unida a Deus.”
São João da Cruz

“A fé é uma adesão do coração à verdade eterna, apesar de todas as demonstrações dos sentidos e da razão.”
J-B Bossuet

“A fé é o face a face nas trevas.”
Beata Isabel da Trindade

“A fé é a virtude sobrenatural pela qual a vida eterna já começou em nós .”
São Tomás de Aquino

“Ter verdadeiramente a fé, a fé que inspira todas as acções, esta fé no sobrenatural que despoja o mundo da sua máscara e mostra Deus em todas as coisas; que faz desaparecer as impossibilidades; que faz com que as palavras de inquietação, de perigo, de medo, não fazem mais sentido; que faz caminhar na vida com calma, paz, alegria profunda, como uma criança segurando a mão da mãe (…) esta fé que faz ver todas as coisas à luz de outro dia (…) que deixa despontar a grandeza de Deus e nos revela a nossa pequenez; que nos impele sem hesitação, sem vergonha, sem medo, sem nunca recuar, a tudo o que é agradável a Deus…ai, esta fé é rara!
Meu Deus, dai-me esta fé!
Meu Deus, eu creio mas aumentai a minha fé!
Meu Deus, fazei-me acreditar e amar, peço-Vos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amen.”
Beato Carlos de Foucauld

“A fé é simples. Cremos em Deus, princípio e fim da vida humana. Cremos nesse Deus que entra em relação connosco, seres humanos, Ele que é nossa origem e nosso futuro. Assim, ao mesmo tempo, a fé é sempre esperança, é certeza que temos um futuro e que não cairemos no vazio. A fé é amor, porque o amor de Deus quer contagiar-nos. Eis a primeira coisa: cremos simplesmente em Deus, que abraça também a esperança e o amor.”
Bento XVI

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.
Peço-Vos perdão, para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”
O Anjo aos pastorinhos de Fátima

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Materna intercessão

«Em apoio da oração que Cristo e o Espírito fazem brotar no nosso coração, intervém Maria com a sua materna intercessão. ‘A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria’. De facto, se Jesus, único Mediador, é o Caminho da nossa oração, Maria, pura transparência d'Ele, mostra o Caminho, e ‘é a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios’. Nas bodas de Caná, o Evangelho mostra precisamente a eficácia da intercessão de Maria, que se faz porta-voz junto de Jesus das necessidades humanas: ‘Não têm vinho’ (Jo 2, 3).
O Rosário é ao mesmo tempo meditação e súplica. A imploração insistente da Mãe de Deus apoia-se na confiança de que a sua materna intercessão tudo pode no coração do Filho.»


João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae




Salve,
Senhora santa Rainha,
santa Mãe de Deus,
Maria, virgem convertida em templo,
e eleita pelo santíssimo Pai do céu,
consagrada por Ele
com o seu santíssimo amado Filho
e o Espírito Santo Paráclito;
que teve e tem
toda a plenitude
da graça e todo o bem!
Salve, palácio de Deus!
Salve, tabernáculo de Deus!
Salve, casa de Deus!
Salve, vestidura de Deus!
Salve, mãe de Deus!
E vós, todas as santas virtudes,
que pela graça e iluminação
do Espírito Santo
sois infundidas no coração dos fiéis,
para, de infiéis que somos,
nos tornardes fiéis a Deus.


São Francisco de Assis

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O Poverello e a oração

“Sim, amemos a Deus e adoremo-lo com um coração puro e alma simples, porque é isso o que ele mais que tudo deseja quando afirma: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4, 23).
Porque todos os que o adoram, devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4, 24).
Dia e noite lhe dirijamos louvores e preces, dizendo: 'Pai nosso, que estais nos céus', porque importa orar sempre e sem cessar (Lc 18,1).




“Tu és santo, Senhor Deus único, o que fazes maravilhas.
Tu és forte, tu és grande,
tu és altíssimo, tu és rei omnipotente,
tu, Pai santo, rei do céu e da terra!
Tu és trino e uno, Senhor Deus, todo o bem.
Tu és bom, todo o bem, o soberano bem,
Senhor Deus, vivo e verdadeiro!
Tu és caridade, amor!
Tu és sabedoria! Tu és humildade!
Tu és paciência! Tu és formosura!
Tu és mansidão! Tu és segurança!
Tu és descanso! Tu és gozo e alegria!
Tu és a nossa esperança! Tu és justiça e temperança!
Tu és toda a nossa riqueza e saciedade! Tu és beleza!
Tu és mansidão! Tu és o protector!
Tu és o nosso guarda e defensor!
Tu és fortaleza! Tu és consolação!
Tu és a nossa esperança! Tu és a nossa fé! Tu és a nossa caridade!
Tu és a nossa grande doçura. Tu és a nossa vida eterna,
o Senhor grande e admirável, o Deus omnipotente,
o misericordioso Salvador!”


São Francisco de Assis

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Flores e rosas


"Sim, meu Bem-amado!
Assim se consumirá a minha vida...
Não tenho outro meio de Te provar o meu amor,
senão o de lançar flores, isto é,
não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício,
nenhum olhar, nenhuma palavra;
aproveitar todas as mais pequenas coisas
e fazê-las por amor...
Quero sofrer por amor e gozar por amor.
Assim lançarei flores diante do teu trono.
Não encontrarei nenhuma sem a desfolhar para Ti..."

"Depois de minha morte, farei cair uma chuva de rosas."

"Vou passar meu céu fazendo o bem na terra."


Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face