sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Toda a nossa glória está na cruz

«Antes, a cruz simbolizava o desprezo, mas hoje ela é algo de venerável;
antes, era sinal de condenação, hoje ela é esperança salvadora.
Ela tornou-se verdadeiramente a fonte dos bens eternos;
ela libertou-nos do erro, dispersando as trevas, reconciliou-nos com Deus;
de inimigos de Deus ela converteu-nos na sua família,
de estrangeiros ela fez de nós vizinhos.
Esta cruz é a destruição da inimizade, a fonte da paz, o escrínio do nosso tesouro.»

São João Crisóstomo
De Cruce et latrone I, 1, 4


«Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo,
n’Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição.
Por Ele fomos salvos e livres.»

Gal 6, 14



Adoramus Te, Christe, et benedicimus tibi;
quia per sanctam crucem tuam, redemisti mundum.


Nós Te adoramos e bendizemos, ó Cristo;
que pela tua santa cruz remiste o mundo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Se tu dizes Maria

«Sempre que tu glorificares e louvares Maria, Maria glorificará e louvará por ti o Senhor. Maria é toda relativa a Deus, e eu tenho tanto prazer em apelidá-la ‘a pura relatividade de Deus’, ou seja, que não existe senão em relação a Deus, o eco de Deus, que não pronuncia e não repete senão Deus. Se tu dizes Maria, ela repete Deus.
Quando Santa Isabel louvou Maria e lhe chamou bem-aventurada por ter acreditado, Maria, o eco fiel de Deus, entoou: 'Magnificat anima mea Dominum, a minha alma glorifica ao Senhor'. O que Maria fez nessa ocasião, repete-o todos os dias. Sempre que é louvada, amada, honrada ou se lhe oferece algo, é Deus que é honrado, é Deus que recebe pelas mãos de Maria e em Maria.»


São Luís Maria Grignion de Montfort,
Tratado sobre a verdadeira devoção



Hoje, festa litúrgica do Santíssimo Nome de Maria.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Tomar a cruz

«No Evangelho, Jesus nos recorda qual o ponto de referência e o sinal do amor autêntico: ‘Tomar a sua cruz’.
Tomar a sua cruz não significa procurar os sofrimentos. Jesus também não foi procurar a sua cruz; Ele tomou-a sobre si, em obediência à vontade do Pai, a mesma que os homens carregaram os seus ombros. Pelo seu amor obediente, Ele fez deste instrumento de suplício um sinal de redenção e de glória.
Jesus não veio aumentar as cruzes humanas…mas dar-lhes um sentido.
‘Quem procura Jesus sem a cruz, encontrará a cruz sem Jesus’, isto é, encontrará a cruz mas sem a força para levá-la.»


Pe. Raniero Cantalamessa OFM Cap,
Pregador da Casa Pontifícia

sábado, 8 de setembro de 2007

Uma renúncia radical…uma preferência absoluta

Naquele tempo,
seguia Jesus uma grande multidão.
Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo,
sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos,
aos irmãos, às irmãs e até à própria vida,
não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não pode ser meu discípulo.
Quem de entre vós, que, desejando construir uma torre,
não se senta primeiro a calcular a despesa,
para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces,
se mostre incapaz de a concluir
e todos os que olharem comecem a fazer troça,
dizendo:‘Esse homem começou a edificar,
mas não foi capaz de concluir’.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei
e não se senta primeiro a considerar
se é capaz de se opor, com dez mil soldados,
àquele que vem contra com ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe,
manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens,
não pode ser meu discípulo».


Lc 14,25-33




Jesus não se impõe a ninguém. Cada um deve decidir se deseja segui-Lo ou não.
Mas que escolha? Ele pede uma renúncia radical…uma preferência absoluta!
Mais do que aos pais, à esposa, aos filhos, à família, até à própria vida, Jesus deve ser preferido.
Preferir Cristo é talvez a melhor maneira de amar verdadeiramente aqueles que nos são caros. Porque há amor e amor. Muitas vezes é a nós próprios que amamos no outro e então o próximo torna-se um meio para o nosso próprio culto.
Por isso não se trata de escolher entre Jesus e aqueles que amamos, mas de escolher entre um amor verdadeiro e um amor falso. E este amor verdadeiro é Deus porque Ele próprio é amor.
Só que este amor autêntico custa. É preciso renunciar, aceitar de perder, como Cristo, para aprender que Deus é amor.
Preferir Cristo é descobrir um caminho, inventá-lo, cada um à sua maneira e ao seu ritmo. É ser chamado a escolher…a nós de pensar e ver se somos capazes.
Mas este passo nem sempre é feito francamente porque temos medo de perder, de nos perder, porque não confiamos suficientemente em Deus.
Ora acreditar é confiar, fiar-se na Palavra de Deus, o próprio Jesus; é apostar tudo em Cristo. Este é o belo desafio da fé.


Senhor eu creio em Ti, amo-Te,
mas aumenta a minha fé e o meu amor!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A noite de Madre Teresa

«Sinto que Deus não é Deus, que Ele não existe verdadeiramente.
É para mim horríveis trevas. É como se tudo estivesse morto em mim, pois tudo é frio.
É unicamente a fé cega que me encaminha, porque na verdade, tudo é obscuro em mim.
Às vezes, a agonia da desolação é tão grande e, ao mesmo tempo, a viva esperança do Ausente tão profundo, que a única oração que consigo ainda dizer é: ‘Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Ti. Saciarei a tua sede de almas.’
Hoje, senti uma grande alegria, porque, como Jesus não pode mais viver directamente a agonia, Ele deseja vivê-la através de mim. Abandono-me n’Ele como nunca.»

Beata Madre Teresa de Calcutá



Madre Teresa viveu o que muitos outros místicos experimentaram antes dela: a noite espiritual, a noite escura, uma longa e penosa travessia do deserto na aridez e escuridão total, isto é, a alma já não encontra o gozo para nada, para os bens espirituais que outrora faziam sua delícia…é a ausência total da consolação espiritual, um sentimento de ausência de Deus, acompanhado de um desejo de amá-Lo sempre mais e mais.
Deus está presente mas não é sentido dentro de si.
São João da Cruz reconhece que, dolorosamente, a noite escura purifica a alma, leva a crescer no amor, prepara a união com Deus. A provação pode ser a prova da revelação do coração.
Não é um castigo, Deus não procura provar sadicamente, mas fortalecer a fé.
Viver a noite escura não significa não ter fé, como muitos pensam.
A fé não é sentir Deus, mas acreditar n’Ele e ser-Lhe obediente.
Ao sentir este vazio, Madre Teresa não perdeu a fé, mas guardou a fé apesar dos seus sentimentos, apesar das dúvidas, humanamente compreensível…quem nunca as teve?
A vida do cristão, como não poderia ser de outra forma, é feita de mistério pascal, decalcada na vida do seu Senhor.
«Assim unido a Cristo, o cristão resistirá, inabalável, na noite escura, subjectivamente vivido como um afastamento e abandono de Deus. Mas é talvez a Providência divina que faz dessa sua provação, um instrumento de libertação de um ser objectivamente prisioneiro. Digamos também nós: ‘Seja feita a tua vontade’, mesmo na mais profunda escuridão da noite.» (Santa Teresa Benedita da Cruz)
Na noite, o homem sabe que o dia, mesmo demorando em vir, chegará.
Com Cristo, as trevas convertem-se em luz... a aridez em fogo ardente.

«Do profundo abismo, eu clamo a Ti, Senhor!
Senhor, ouve a minha prece!»
Sl 130 (129)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Caminhai contra-corrente

“Caminhai contra-corrente: não escuteis as vozes interesseiras e insinuantes que hoje, de muitas partes, propagandeiam modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso a qualquer preço, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser.”

“Não tenhais medo, caros amigos, de preferir as vias alternativas indicadas pelo amor verdadeiro: um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afectivas sinceras e puras; um empenho honesto no estudo e no trabalho; profundo interesse pelo bem comum.
Não tenhais medo de parecer diferente e de ser criticado por aquilo que pode parecer desfavorável ou fora de moda: os vossos coetâneos, e até os adultos, e particularmente os que parecem mais afastados do espírito e dos valores do Evangelho, têm uma profunda necessidade de ver alguém que ousa viver segundo a plenitude da humanidade manifestada por Jesus Cristo.”

“Nenhuma vida é sem importância e sem sentido; pelo contrário, senti-vos todos verdadeiramente importantes, protagonistas, porque estais no centro do amor de Deus.”



“Devemos ter o coração aberto pela presença de Deus. A celebração litúrgica e o diálogo aberto com Cristo são momento de força na fé e onde Deus se revela.”

“A nossa fé não propõe um conjunto de proibições morais, mas sim um caminho jubiloso à luz do sim de Deus.”

“Seguir Cristo significa sentir-se membro vivo do seu Corpo que é a Igreja. Não é possível dizer-se discípulo de Jesus se não se ama e não se segue a Igreja. A Igreja é a nossa família, na qual o amor é para o Senhor e para os irmãos, sobretudo na participação da Eucaristia, que faz experimentar a alegria de poder provar desde já a vida futura que será toda iluminada do Amor.”


Bento XVI,este fim-de-semana em Loreto (Itália), diante de 500 000 jovens.

sábado, 1 de setembro de 2007

Humildade

«Filho, em todas as tuas obras procede com humildade
e serás mais estimado do que o homem generoso.
Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te
e encontrarás graça diante do Senhor.
Porque é grande o poder do Senhor
e os humildes cantam a sua glória.»
Sir 3,19-21

«Quem se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado.»
Lc 14, 11



Ser humilde significa assumir com simplicidade o nosso lugar, pôr a render os nossos talentos, mas sem nunca humilhar os outros ou esmagá-los com a nossa superioridade.
Significa pôr os próprios dons ao serviço de todos, com simplicidade e com amor.

Jesus, manso e humilde de coração,
faz o meu coração semelhante ao teu!