quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Imagem límpida de Deus, Beleza exemplar

«O homem reconhece dentro de si o reflexo da luz divina: purificando seu coração, volta a ser, como era no início, uma imagem límpida de Deus, Beleza exemplar. Deste modo, o homem, purificando-se, pode ver Deus, como os puros de coração (Mt 5, 8). (...)


O homem tem como fim, portanto, a contemplação de Deus. Só nela poderá encontrar sua plenitude. Para antecipar em certo sentido este objectivo já nesta vida, tem de avançar incessantemente a uma vida espiritual, uma vida de diálogo com Deus.
Por outras palavras – e esta é a lição importante que São Gregório de Nisa nos deixa – a plena realização do homem consiste na santidade, numa vida vivida no encontro com Deus, que deste modo se torna luminosa também para os demais, também para o mundo.»



Bento XVI, audiência geral de 28/08/2007,
catequese sobre São Gregório de Nisa

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Se vês a caridade, vês a Trindade

«Que ninguém diga : Não sei o que amar.
Que ele ama o seu irmão e assim amará o próprio amor.
De facto, ele conhece melhor o amor que o faz amar, do que o irmão que ele ama.
Ele pode então conhecer Deus melhor do que o seu irmão; muito melhor, porque Deus é mais presente; muito melhor, porque é mais íntimo; muito melhor, porque está mais certo.
Abraça o Deus de amor, e abraçarás Deus por amor.
É este amor que liga todos os bons anjos e todos os servos de Deus pelo laço da santidade, que nos liga a eles e entre nós, e nos une todos a ele.
Por isso, quanto mais formos isentos da voracidade do orgulho, mais seremos repletos de amor e do que, senão de Deus, está cheio aquele que está repleto de amor?
Mas, dirás tu: vejo a caridade, descubro-a quanto me possibilitam os olhos do espírito, e creio na Escritura que me diz: ‘Deus é caridade, e quem permanece na caridade permanece em Deus (Jo 4, 16); mas se vejo a caridade, não vejo nela a Trindade.
Porém, digo-te, se vês a caridade, vês a Trindade.»


Santo Agostinho, De Trinitate, VIII, 8,12

sábado, 25 de agosto de 2007

Não há privilégios

Naquele tempo,
Jesus dirigia-Se para Jerusalém
e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.
Alguém Lhe perguntou:
«Senhor, são poucos os que se salvam?»
Ele respondeu:
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
porque Eu vos digo
que muitos tentarão entrar sem o conseguir.
Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,
vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo:
‘Abre-nos, senhor’;
mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’.
Então começareis a dizer:
‘Comemos e bebemos contigo
e tu ensinaste nas nossas praças’.
Mas ele responderá:
‘Repito que não sei donde sois.
Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’.
Aí haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes no reino de Deus
Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas,
e vós a serdes postos fora.
Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,
e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus.
Há últimos que serão dos primeiros
e primeiros que serão dos últimos».

Lc 13,22-30



Neste 21º domingo do Tempo comum, o texto do Evangelho, mais uma vez, vem incomodar-nos.
Estávamos tranquilos, seguros de progredir no bom caminho, e eis que Jesus nos obriga a repensar a nossa fé, explicando-nos que para fazer parte do banquete do Reino, o que interessa, não é tanto de fazer parte de uma ou outra instituição, mas de seguir fielmente o seu ensinamento.
Eis-me, firme na minha pertença à Igreja Católica. Tento viver honestamente, participo na Missa, colaboro nas despesas do culto, confesso-me regularmente, sou membro activo da minha paróquia, pertenço a um ou outro movimento, e eis que o Senhor me pode dizer: “Não sei donde és”.
O facto de ser membro da Igreja, o novo povo de Deus, não é para mim nenhum privilégio, mas sim, uma responsabilidade, uma missão. Trata-se de ser um autêntico discípulo de Cristo, logo, de caminhar seguindo-O, vivendo segundo o seu Evangelho…vivendo segundo os valores humanos e espirituais pelos quais Jesus viveu e morreu. O que não é sempre fácil…
Mas todos podem tomar parte no banquete.
Só é exigido uma coisa: a riqueza do amor …lembrai-vos do Evangelho segundo São Mateus (cap. 25)
Só assim nos sentaremos à mesa do reino de Deus.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O reino de Maria

Quando chegará esse tempo abençoado, em que Maria reinará como Senhora e Soberana dos corações, para submetê-los inteiramente ao império do seu grande e único Jesus?
Quando chegará aquele tempo em que as almas respirarão Maria como os corpos respiram o ar?
Quando esse tempo chegar vão acontecer coisas maravilhosas neste pobre mundo, porque o Espírito Santo, encontrando nele a sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, descerá sobre elas com a abundância e a plenitude dos seus dons – de maneira particular com o dom da Sabedoria –, para nelas realizar maravilhas de graças.(…)




'Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae’
Para que venha o vosso reino, seja implantado o reino de Maria!



São Luís de Montfort,
Tratado da Verdadeira Devoção à SS. Virgem

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Razão de amar a Deus

«Perguntas-me porque se deve amar a Deus e como?
Respondo-te: a razão de amar a Deus, é o próprio Deus!
A medida deste amor, é amá-lo sem medida.
Não é o suficiente?
Seguramente que sim, mas somente para um sábio.
Porém, falo também para os ignorantes (Rom 1, 14). (…)
Penso que é necessário dizer que há duas razões de amar Deus por Ele mesmo: primeiro, nada é mais justo, depois, nada pode ser mais benéfico para nós.
É o que vem ao pensamento quando se pergunta: ‘Porque amar a Deus?’
Esta questão pode significar duas coisas: Deve-se amar a Deus porque o merece, ou porque ganhamos algo com isso?
Só darei uma resposta para estas duas perguntas: de facto, não vejo nenhuma outra razão de amar a Deus do que Ele próprio.»



São Bernardo de Claraval, Tratado sobre o amor de Deus.
Hoje é a festa litúrgica deste monge e reformador da Ordem de Cister,
Doutor da Igreja,
autor de muitíssimas obras espirituais,
da oração “Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria”
e possivelmente da “Salve Rainha”.

sábado, 18 de agosto de 2007

Perseguição e divisão

«Pensai n’Aquele que suportou contra Si
tão grande hostilidade da parte dos pecadores,
para não vos deixardes abater pelo desânimo.» Heb 12, 3

«Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra?
Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.» Lc 12, 51


Jesus é o Príncipe da Paz, Paz que Ele leva aonde Ele está…mas Ele é também sinal de contradição (Lc 2, 34), dividindo aqui na terra, aqueles que se reclamam d’Ele e aqueles que romperam com Ele.
Desde os princípios, a Igreja foi perseguida, e ainda o é hoje, por aqueles que são incomodados por Cristo e o seu Evangelho.
Os discípulos de um Crucificado têm que esperar por isso.
Não desanimemos quando todos nos abandonam.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Assunção

Quem é essa que desponta como a aurora,
bela como a Lua,
fulgurante como o Sol,
terrível como as coisas grandiosas?
Ct 6, 10


Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente…
Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu.
Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante,
ela é sinal de consolação e esperança
para o vosso povo peregrino.
Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo,
aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida,
vosso Filho feito homem.


Prefácio da Solenidade da Assunção.