sexta-feira, 13 de julho de 2007

Ele ensina sem ruído


«Compreendo e sei por experiência ‘que o reino de Deus está dentro de nós’. Jesus não precisa de livros nem de doutores para instruir as almas; Ele, o Doutor dos doutores, ensina sem ruído de palavras… Nunca O ouvi falar, mas sei que está em mim, a cada instante, Ele me guia e inspira o que devo dizer ou fazer. Descubro exactamente na hora em que preciso das luzes que nunca antes vira, mas não é habitualmente durante a oração que são mais abundantes, é sobretudo no meio das ocupações do dia…»




Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Os instrumentos para fazer o bem segundo São Bento


OBEDECER AOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS

Primeiramente,
"Amar o Senhor Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças".
Depois, "Amar ao próximo como a si mesmo".
Em seguida, não matar.
Não cometer adultério.
Não furtar.
Não cobiçar.
Não levantar falso testemunho.
Honrar todos os homens,
e não fazer a outrem o que não queres que te seja feito.

RENUNCIAR E AMAR O PRÓXIMO

Renunciar a ti mesmo para seguir a Cristo.
Disciplinar o corpo.
Não ser guloso.
Amar o jejum.
Ajudar os pobres.
Vestir os nus.
Visitar os enfermos.
Sepultar os mortos.
Socorrer na tribulação.
Consolar os que sofrem.
Afastar-se das coisas do mundo.
Nada preferir ao amor de Cristo.
Não satisfazer a ira.
Não reservar tempo para a cólera.
Não guardar malícia no coração.
Não conceder paz simulada.
Não se afastar da caridade.
Não jurar para não vir a perjurar.
Dizer a verdade de coração e de boca.
Não retribuir o mal com o mal.
Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que te são feitas.
Amar os inimigos.
Não retribuir maldição aos que amaldiçoam, mas antes abençoá-los.
Suportar a perseguição pela justiça.
Não ser soberbo.
Não ser dado ao vinho.
Não ser glutão.
Não ser apegado ao sono.
Não ser preguiçoso.
Não ser murmurador.
Não dizer mal dos outros.

GUARDAR O CORAÇÃO PURO PARA DEUS

Colocar toda a esperança em Deus.
O que encontrares de bem em ti, atribuí-lo a Deus e não a ti mesmo.
Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra tua, e a ti mesmo atribuí-lo.
Temer o dia do juízo.
Ter pavor do inferno.
Desejar a vida eterna com todo o fervor espiritual.
Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreender-te.
Vigiar a toda hora as acções da tua vida.
Ter a certeza que Deus te vê em todo o lugar.
Destruir logo contra Cristo os maus pensamentos que chegam ao coração
e revelá-los a um conselheiro espiritual.
Guardar a tua boca da palavra má ou perversa.
Não gostar de falar muito.
Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso.
Não gostar do riso excessivo ou ruidoso.
Ouvir de boa vontade as santas leituras.
Entregar-se frequentemente à oração.
Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos,
as faltas passadas e daí por diante emendar-se delas.
Não satisfazer os desejos da carne.
Odiar a própria vontade.

OBEDECER E VIVER NA VERDADE

Obedecer em tudo as ordens do abade, mesmo que este, esperemos que não, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor:
`Fazei o que dizem, mas não o que fazem'. (Mt 23, 3)
Não querer ser considerado santo antes de o ser,
mas primeiramente sê-lo,
para depois corresponder à verdade.
Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus.
Amar a castidade.

AMAR A TODOS

Não odiar a ninguém.
Não ter ciúme. Não cultivar a inveja.
Não amar a rixa.
Fugir da vanglória.
Venerar os mais velhos.
Acarinhar os mais novos.
Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos.
Reconciliar-te, antes do pôr do sol,
com aqueles com quem tiveste desavenças.
E nunca desesperar da misericórdia de Deus.

Eis os instrumentos da arte espiritual.
Se forem postos em prática por nós, dia e noite, sem cessar, e oferecidos no Dia do Juízo, seremos recompensados pelo Senhor com o prémio que Ele mesmo prometeu:
"O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, isto preparou Deus para aqueles que o amam". (1 Cor. 2, 9)
Os claustros do mosteiro onde permanecemos em comunidade são a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.




Capitulo IV da Regra de São Bento

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Rosto de: Agostinho Zhao Rong

Nos últimos dias de Junho , o Papa Bento XVI mandou uma carta aos católicos da China, que, infelizmente, segundo algumas associações de defesa dos direitos humanos e organizações católicas, foi censurada na Internet pelas autoridades chineses, e que agora circula “discretamente”, de mão em mão, entre os membros das comunidades cristãs daquele país.
Segundo as mesmas fontes, logo a seguir à divulgação da carta do Santo Padre, de manhã cedo, o governo chinês convidou os bispos da Igreja "oficial" a uma sessão de esclarecimento da leitura que devia ser feita do documento papal.
Para saber mais sobre a situação da Igreja Católica na China,
clique aqui.

Hoje, a liturgia faz memória de Santo Agostinho Zhao Rong e companheiros mártires, recordando assim aos cristãos espalhados por todo o mundo, o anúncio do Evangelho na China, proclamado muitas vezes com o sangue daqueles que escolheram seguir a Cristo e a sua Igreja.

Agostinho Zhao Rong era um soldado chinês que escoltou Monsenhor Dufresse até a cidade de Beijin e o acompanhou até sua execução por decapitação. Ele ficou muito impressionado com a serenidade e a força espiritual de Defresse que, apesar de torturado, não renegou a fé em Cristo. Foi assim que Agostinho se viu tocado pela luz da fé e rogou para que Defresse o convertesse. Depois, foi baptizado e enviado ao Seminário de onde saiu ordenado sacerdote diocesano. Quando foi reconhecido como cristão, ele também sofreu terríveis suplícios antes de morrer decapitado, em 1815. ..mas nunca renegou a sua fé em Cristo.

Após a II Guerra Mundial ocorreu a revolução comunista chinesa, provocada por motivos políticos reprimidos há anos, com novas ondas de perseguições aos cristãos. Porém, o motivo foi exclusivamente religioso, como comprovaram os documentos históricos. Desde então uma sangrenta exterminação aconteceu matando um número infindável de catequistas leigos, chineses convertidos, sacerdotes chineses e igrejas. Todos os nomes não puderam ser localizados, porque a destruição e os incêndios continuaram ao longo do novo regime político chinês. A última execução em massa de cristãos na China, que se tem notícia, foi em 25 de Fevereiro de 1930.

No ano do Jubileu de 2000, o Papa João Paulo II canonizou Agostinho Zhao Rong e 119 Companheiros Mártires da China. Eles passaram a ser venerados no dia 09 de Julho, pois constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos os cristãos do mundo.

domingo, 8 de julho de 2007

Eu vos envio...

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles:
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.»


Lc 10, 1-9



Com o envio dos 72 discípulos, Jesus revela a nossa responsabilidade de cristãos.
É muito frequente pensar que anunciar a Boa Nova é trabalho para os sacerdotes e agentes pastorais. Mas hoje, no Evangelho, Jesus nos diz que cada um é responsável no anúncio do reino de Deus…
Para Jesus e os evangelistas, todos os discípulos de Cristo devem proclamar a Boa Nova. Mas devem proclamá-la muito mais pelo modo de vida do que pela palavra. Jesus não diz praticamente nada da mensagem a transmitir, Ele não fala do conteúdo da fé mas dos comportamentos concretos dos mensageiros: pobreza, humildade, paz.
Não é fácil agir cristãmente num mundo secularizado e materialista, onde muitos vivem como se Deus não existisse. Por isso entendemos as palavras de Cristo: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Vivemos hoje o mesmo problema que os cristãos dos primeiros tempos viveram, eles que formavam uma pequena comunidade no meio de um mar de paganismo, superstição e fatalismo.
Devemos transmitir o Evangelho às famílias, nos locais de trabalho, no mundo da economia, da política, da cultura…
Porém, não somos enviados para converter, fazer proselitismo, mas para mostrar às pessoas que Deus as ama e que também nós as amamos, que desejamos trazer-lhes a paz…e Deus fará o resto.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sem ela, a nossa religião desabaria inteiramente

«Cada um de vós sabe que a Caridade é a base fundamental da nossa religião; sem ela, a nossa religião desabaria inteiramente, porque não seremos verdadeiramente católicos enquanto não realizarmos, isto é, enquanto não conformarmos toda a nossa vida com os dois Mandamentos em que está a essência da Fé Católica: amar a Deus com todas as nossas forças e amar o próximo como a nós mesmos… Com a Caridade, semeia-se nos homens a verdadeira paz que só a fé de Jesus Cristo nos pode dar, irmanando-nos uns com os outros. Sei que esta vida é escarpada, difícil e cheia de espinhos, enquanto a outra parece, à primeira vista, mais bela, mais fácil e mais agradável; mas, se pudéssemos sondar o íntimo daqueles que desgraçadamente andam pelos caminhos perversos do mundo, veríamos que neles nunca há a serenidade que provém de quem enfrentou mil dificuldades e renunciou a um prazer material para seguir a lei de Deus.»

Beato Pedro Jorge Frassati

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O homem das oito bem-aventuranças

Hoje é dia de Santa Isabel de Portugal, mas prefiro falar de um jovem italiano do início do século XX, que no 4 de julho de há 82 anos, regressou para a casa do Pai, deixando um exemplo de entrega ao próximo por amor de Deus.

Natural de Turim, Pedro Jorge (Pier Giorgio) Frassati nasceu em 6 de abril de 1901, de pais ricos, mas quase sem vida religiosa. A mãe, Adelaide Ametis, era pintora; o pai, Alfredo Frassati, fundou o jornal “La Stampa” e destacou-se como senador e embaixador da Itália na Alemanha.
Espontaneamente o pequeno Frassati absorveu os ensinamentos do Evangelho mergulhando, por escolha pessoal, numa fé viva ao descobrir a força da presença de Jesus na Eucaristia. Passava horas em adoração diante do sacrário, ali encontrando sentido para sua vida.
Contra a vontade da família, o rapaz se inscreveu na Acção Católica. Um dia, na universidade onde estudava Engenharia de Minérios, perguntaram-lhe se ele era beato… “Não, sou cristão!”, respondeu ele com bondade. Em 1918, Pedro Jorge, dono de bela aparência e de físico de atleta – ele praticava alpinismo – inscreveu-se na Conferência de São Vicente de Paulo. Foi logo considerado um dos melhores confrades, o mais generoso nas ofertas, o que visitava mais famílias, o mais ponctual e o que mais observava a regra.
Luciana, sua irmã e confidente, revelou que o rapaz decidira viver no mais absoluto desprendimento. Em casa, ele era tido como um tolo por ser visto sempre com poucas liras no bolso porque, pensava, para ajudar as pessoas pobres devia dar, não o supérfluo, mas o necessário. Procurava convencer os outros a fazer o mesmo. Um amigo contou que Frassati o convidara para ser vicentino. Ele, porém, lhe disse que sentia dificuldade de entrar nas casas dos pobres, pois temia contrair doenças. Pedro Jorge, com muita simplicidade, respondeu-lhe que visitar os pobres era visitar Jesus.
Entre os sofrimentos de Pedro Jorge, merece ser lembrado o seu amor profundo por Laura Hidalgo, uma jovem de condição humilde, sentimento que ele teve de renunciar pelos preconceitos da família.
No fim de junho de 1925, quando começa a sentir enxaqueca e falta de apetite, ninguém lhe dá atenção porque a sua avó estava agonizante e ele parecia um rapaz robusto. Atingido por poliomielite fulminante, os pais, apavorados, perceberam a gravidade da doença mas já tarde.
Antes de morrer, Frassati pediu à irmã para buscar na escrivaninha uma caixa de injecções que não tinha conseguido entregar a um dos seus pobres e quis escrever um bilhete com as instruções e o endereço. Tentou, mas devido à paralisia só saiu um rascunho de letras quase incompreensível. É o seu testamento…as últimas energias para a última caridade. Faleceu em 4 de julho de 1925, aos 24 anos de idade.
Chamado de “O homem das oito bem-aventuranças” por João Paulo II durante a cerimónia da sua beatificação, em 20 de maio de 1990, o saudoso Papa fez uma tocante confissão: “Frassati era um jovem de uma alegria transbordante, uma alegria que superava também muitas dificuldades da sua vida porque o período juvenil é sempre um período de prova de forças... Também eu, na minha juventude, senti a influência de Pedro Jorge e, como estudante, fiquei impressionado com a força do seu testemunho cristão”.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

As duas Igrejas na China

No passado fim-de-semana, Bento XVI enviou uma carta ao Governo da China a pedir o respeito de uma autêntica liberdade religiosa, rejeitando a ideia de uma Igreja submissa às autoridades chinesas e independente do Vaticano.
Neste documento, o Santo Padre apelou à hierarquia e aos fiéis das duas Igrejas católicas chinesas a uma maior aproximação, rumo à unidade.
Antes de o mundo conhecer o conteúdo da carta, Bento XVI encomendou a várias congregações religiosas, uma oração especial para o bom acolhimento das suas palavras pelas autoridades políticas e pelos fiéis católicos daquela região do mundo.
Façamos também nós uma união espiritual com o Santo Padre, através da nossa oração pessoal, para que a sua carta dê muitos frutos nas terras de Cantão.


A fé cristã foi introduzida pela primeira vez na China na dinastia dos Yaun, no século XIII, mas só começou a desenvolver-se em 1582 com o missionário jesuíta Matteo Ricci.
O Catolicismo é uma das cinco religiões autorizadas na China do século XXI, e é vigiada por uma “associação patriótica”.
A Associação Patriótica Católica da China (APCC) foi criada na controvérsia e no conflito, aquando da chegada ao poder do marxista Mao Tsé Tung, nos anos 50 do século XX.
A controvérsia resulta na “política da tripla autonomia”, que obriga as organizações religiosas chinesas a serem independentes nos planos administrativo, financeiro e de propagação da fé.
Esta política religiosa da China comunista criou a divisão entre a Igreja “oficial”, autorizada pelo Governo chinês e pela APCC, e a Igreja Católica, “clandestina”, fiel a Roma.
Apesar de não haver grandes divergências entre as duas maneiras de viver o catolicismo, só os fiéis da Igreja clandestina reconheçam a autoridade do Vaticano e recusam o controlo político da fé. Nalgumas áreas, as duas Igrejas estão muito divididas, noutras, colaboram abertamente. É também sabido, que alguns membros da Igreja “oficial” (APCC) fizeram secretamente a paz com Roma.
Neste clima de falsa liberdade religiosa, as autoridades chinesas continuem hoje a perseguir os fiéis católicos da Igreja clandestina. Ameaças, multas, prisões e às vezes o martírio (camuflado pelas autoridades), podem ser o resultado de uma fé fiel a Cristo e à sua Igreja, porque fiel ao Santo Padre.
A nossa oração pelos cristãos perseguidos, da China ou de outra parte do mundo, não pode cessar!