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domingo, 20 de julho de 2008

Oblação e inspiração

«Crucificado, sepultado e ressuscitado dentre os mortos, restituído à vida no Espírito e sentado à direita do Pai, Cristo tornou-se nosso Sumo Sacerdote, que intercede eternamente por nós. Na liturgia da Igreja, e sobretudo no sacrifício da Missa consumado sobre os altares de todo o mundo, Ele convida-nos a nós, membros do seu Corpo místico, a partilhar a sua auto-oblação. Chama-nos, enquanto povo sacerdotal da nova e eterna Aliança, a oferecer, em união com Ele, os nossos sacrifícios de cada dia pela salvação do mundo.»


Bento XVI ao clero australiano, 19/07/2008



«Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus. Deixai que os seus dons vos plasmem. Assim como a Igreja realiza a sua viagem juntamente com a humanidade inteira, assim também vós sois chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso. Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.
E agora, enquanto nos preparamos para a adoração do Santíssimo Sacramento, em espera silenciosa repito-vos as palavras pronunciadas pela Beata Mary MacKillop quando tinha precisamente vinte e seis anos: ‘Acredita naquilo que Deus sussurra ao teu coração!’ Acreditai n’Ele! Acreditai na força do Espírito do amor!»

Bento XVI, Vigília com os jovens, 20/07/2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Retemperar

Com o Mês de Julho, inicia-se o período das férias das sociedades ocidentais.
Só depois das Jornadas Mundiais da Juventude, que decorrerão de 15 a 20 de Julho em Sydney (Austrália), que Bento XVI gozará as suas férias de verão (de 28 de Julho a 11 de Agosto), na localidade tirolesa de Bressanone, da região italiana de Trentino-Alto Adige.
Para quem parou neste blog, de férias ou esperando por elas, uma palavra do Santo Padre sobre este período de descanso estival.

«No mundo em que vivemos, torna-se quase uma necessidade poder-se retemperar no corpo e no espírito, especialmente para quem vive na cidade, onde as condições de vida, muitas vezes frenéticas, deixam pouco espaço ao silêncio, à reflexão e ao contacto descontraído com a natureza.

Além disso, as férias são dias durante os quais nos podemos dedicar mais prolongadamente à oração, à leitura e à meditação acerca dos significados profundos da vida, no contexto sereno da própria família e das pessoas queridas. O tempo das férias oferece oportunidades únicas para parar diante dos espectáculos sugestivos da natureza, maravilhoso "livro" que está ao alcance de todos, grandes e pequeninos. No contacto com a natureza, a pessoa reencontra a sua justa dimensão, redescobre-se criatura, pequena mas ao mesmo tempo única, "capaz de Deus" porque interiormente aberta ao Infinito. Estimulada pela busca de sentido que se torna urgente no seu coração, ela percebe no mundo que a circunda a marca da bondade, da beleza e da providência divina e quase naturalmente se abre ao louvor e à oração.»

Bento XVI, Angelus no Vale de Aosta, 17 de Julho de 2005

sábado, 5 de julho de 2008

Uma fé que irradia, comove, impressiona

Ingrid Bettancourt…há 6 anos que este nome começou a soar familiar aos nossos ouvidos, quando foi noticiado o rapto desta franco-colombiana por guerrilheiros das FARC, na Colômbia, em 2002.
Hoje, Ingrid está livre e o seu testemunho é esse: ao longo do seu cativeiro, foi a fé que a conduziu.
É essa mesma fé que a faz dizer aos jornalistas e ao mundo inteiro “graças a Deus” pela sua libertação.
Outro facto que marca…logo à descida do avião que a tinha arrancada das mãos dos seus algozes, Ingrid ajoelhou-se com a sua mãe ao lado e alguns reféns. Fizeram o sinal da cruz, recitaram 3 avé-marias e uma glória. Um padre estava lá, vestido de alva e de estola, e os abençoou.
“Quero primeiro dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia” dizia ela, alguns minutos antes, agradecendo também a oração de todos aqueles que se lembraram dela ao longo dos anos, “é um milagre”. A fé foi sem dúvida o que permitiu à Ingrid sobreviver a 6 anos e 4 meses de cativeiro.


Numa carta tornada pública no último mês de Dezembro, ela confidenciava que a Bíblia era o seu “único luxo”; que “cada dia, comunico com Deus, Jesus, a Virgem (…). Aqui, tudo tem duas faces, a alegria vem, e depois a dor. A alegria é triste. O amor pacifica e abre novas feridas…é viver e morrer de novo.”
O seu testemunho continua assim: “Durante anos, pensava que enquanto estivesse viva, enquanto continuaria a respirar, deveria continuar a ter esperança. Já não tenho as mesmas forças, é-me difícil continuar a acreditar.” Mas desejava: “que Deus nos venha em auxílio, nos guie, nos dê paciência e nos preencha. Para sempre e até sempre.”
Na passada Quinta-feira 3 de Julho, ela também teve algumas palavras para com os seus antigos sequestradores: “Vi o comandante, que durante tantos anos foi responsável por nós, e que ao mesmo tempo foi tão cruel connosco. Vi-o no chão, os olhos vendados. Não penseis que estava contente, tive pena por ele, porque é necessário respeitar a vida dos outros, mesmo se eles são nossos inimigos.”
Ingrid falou no passado, e fala hoje de paz e não de vingança.
Esta mulher é habitada, inspirada por Alguém que a ultrapassa.
Na próxima semana ela irá até Roma ver o Santo Padre.
A fé de Ingrid irradia, comove, impressiona.
Louvado seja Deus.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Centenário do Francisco

«O Francisco era de poucas palavras; e para fazer a sua oração e oferecer os seus sacrifícios, gostava de se ocultar até da Jacinta e de mim. Não poucas vezes o íamos surpreender, de trás duma parede ou dum silvado, para onde, dissimuladamente, se tinha escapado, de joelhos, a rezar ou a pensar como ele dizia, em Nosso Senhor triste por causa de tantos pecados. Se lhe perguntava:
- Francisco, por que não me dizes para rezar contigo e mais a Jacinta?
- Gosto mais – respondia – de rezar sozinho, para pensar e consolar a Nosso Senhor que está tão triste.
Um dia, perguntei-lhe:
- Francisco, tu, de que gostas mais: de consolar a Nosso Senhor ou converter os pecadores, para que não fossem mais almas para o inferno?
- Gostava mais de consolar a Nosso Senhor. Não reparaste como Nossa Senhora, ainda no último mês, se pôs tão triste, quando disse que não ofendessem a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido? Eu queria consolar a Nosso Senhor e depois converter os pecadores, para que não O ofendessem mais.»


Memórias da Irmã Lúcia



Oração para pedir a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e agradeço-Vos as aparições da Santíssima Virgem em Fátima.
Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus
e por intercessão do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos que,
se for para vossa maior glória e bem das nossas almas,
Vos digneis glorificar diante de toda a Igreja
os bem-aventurados Francisco e Jacinta,
concedendo-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos pedimos.
Ámen.


Imprimatur: Fatimae, 13 Maii 2003
+Serafim, Episc. Leir.-Fatimensis

domingo, 13 de janeiro de 2008

Na água do Jordão


Na água do Jordão, João convida os que procuram a paz do coração a lavar as suas faltas. Ele convence aqueles que o procuram a fazer penitência. Ele usa uma linguagem bem rude para sublinhar que não é pêra doce chegar à conversão…há muito trabalho a fazer!
Mas eis que Jesus chega e se mistura com a multidão de pecadores para pedir o baptismo de João.
Ele não tem nenhum pecado para perdoar…Ele não tem necessidade deste processo de purificação. Mas ao entrar na água, Ele, inteiramente puro de pecado, sai de lá “portador” do pecado do mundo. Objectivo? Expiar o mal que existe em nós e no mundo. Jesus, por amor, mergulha assim no mais profundo da condição humana: o pecado e a miséria do homem.
Mas o baptismo cristão é exactamente o contrário. Ele mergulha cada um de nós no amor de Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo. Ele nos introduz numa grande família que é a Igreja. Sinal da nossa adopção filial por Deus, somos nova criação e não novas criaturas. Permanecemos homens e mulheres mas participamos no mistério divino, pela graça que devemos confirmar sempre. Esta boa nova que dá sentido à nossa vida, não pode ser só nossa. O baptismo cristão é o ponto de partida de uma nova etapa; é um compromisso no seguimento de Cristo, um apelo à missão. É um presente de Deus, uma luz que deve ser comunicada por nós para iluminar o mundo inteiro.



«No baptismo do Jordão, Senhor,
manifestou-se a adoração da Trindade.
A voz do Pai deu testemunho
ao chamar-Te Filho Muito Amado,
e o Espírito, na forma de pomba,
confirmou esta palavra inabalável.
Cristo Deus,
que apareceste e iluminaste o mundo,
glória a Ti!
Vieste, apareceste, ó luz inacessível.»


Liturgia bizantina

sábado, 1 de dezembro de 2007

A imitação é inseparável do amor

“A imitação é inseparável do amor. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida: perdi o meu coração por este Jesus de Nazaré crucificado há 1900 anos e passo a minha vida a procurar imitá-l’O.”


“Segui-l’O é imitá-l’O, é imitar Jesus em tudo, partilhar a sua vida como o faziam a Santíssima Virgem, São José, os apóstolos, isto é, por um lado, conformar como eles a nossa alma à d’Ele, convertendo o mais possível a nossa alma à sua alma infinitamente perfeita; por outro lado, conformar como eles a nossa vida exterior à d’Ele, partilhando como eles fizeram, a sua pobreza, a sua humilhação, os seus trabalhos, os seus cansaços, enfim tudo o que foi a parte visível de sua vida. Unamo-nos, sejamos um com Jesus, e por isso, amemo-l’O, obedeçamo-Lhe, imitemo-l’O.
Na dúvida de fazer ou não alguma coisa, perguntar-se o que teria feito Jesus em nosso lugar e fazê-lo. Não imitar tal ou tal santo, mais só a Jesus. Agradecer a Jesus a vida de Nazaré que eu levo, o que me é dado de conforme com Ele, e pedir-Lhe que aí me deixe enquanto isso O glorificará. Ler e meditar os santos evangelhos, os livros santos que falam de Jesus, tudo o que nos pode fazer conhecer Jesus e o seu Espírito: pedir-Lhe para conhecê-l’O e ter o seu Espírito. Fazer todos os possíveis pela oração e as outras obras para ser semelhante a Jesus no interior e no exterior, n’Ele, por Ele e para Ele. Amen.”


Beato Carlos de Foucauld

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ser pobre e servo, Irmão de Jesus

Hino ao Beato Carlos de Foucauld

Amar como Ele nos amou,
e por amor, escolher o último lugar,
ser pobre e servo, Irmão de Jesus.

Procurar como Ele a vida escondida,
e por amor, partir para onde o Espírito chama,
ser somente um viajante passando na noite.

Orar longamente o Bem Amado,
e por amor, abrir-se ao maior silêncio,
adorar Jesus Salvador na Eucaristia.

Levar o Evangelho aos famintos,
e por amor, colher todas as palavras de um povo
onde o Verbo também habita e germina sem ruído.

Dar até ao fim a sua vida oferecida,
e por amor, morrer oferecendo ao Pai
o abandono que jorrou de um coração livre ao infinito.





Oração para obter uma graça por intercessão do Padre Carlos de Foucauld

Deus nosso Pai,
que chamastes o Beato Carlos de Foucauld, sacerdote,
a viver do vosso amor na intimidade de vosso Filho, Jesus de Nazaré,
fazei-nos encontrar no Evangelho o fundamento de uma vida cristã cada vez mais radiante
e na Eucaristia a fonte de uma verdadeira fraternidade universal.
Nós Vos pedimos particularmente, por intercessão do beato Carlos de Foucauld, e se assim for a vossa vontade, a graça de… em favor de…, que recomendamos ao vosso coração de Pai.
Nós Vos pedimos por Jesus, vosso Filho bem amado, nosso Senhor.



Imprimatur : Viviers, 14 Setembro 2006
+ François Blondel, Bispo de Viviers


Memória litúrgica: 1 de Dezembro


Ler biografia do Beato Carlos Foucauld (Site da Santa Sé)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Olhar da fé fixado


A contemplação, ensina o Catecismo,
é o olhar da fé, fixado em Jesus.




« Nos primeiros tempos que eu estive em Ars, havia um homem que nunca passava diante da igreja sem entrar nela. De manhã quando ia trabalhar, ao anoitecer quando regressava, ele deixava à porta a pá e a picareta, e ficava longamente em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Eu apreciava isto. Perguntei-lhe uma vez o que ele dizia a Nosso Senhor durante as longas visitas que ele fazia. Sabeis o que ele me respondeu ? ‘ Senhor abade, eu não Lhe digo nada. Eu o vejo e Ele me vê, olho para Ele, Ele olha para mim!’»

Santo Cura d'Ars

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Deus enclausurou Maria

Hoje, a Igreja celebra a “Apresentação da Virgem Maria ao Templo”, recordando também todos os consagrados contemplativos.
Segundo os evangelhos apócrifos do pseudo Tiago e do pseudo Mateus, Maria foi levada ao templo pelos pais, Ana e Joaquim, com três anos de idade e ali permaneceu.
Celebrada desde o século VI no Oriente, e a partir do século XIV no Ocidente, a “Apresentação de Nossa Senhora” é, apesar de pertencer à lenda e não à história, rica em ensinamentos espirituais.

“Deus enclausurou Maria do mundo e consagrou-a ao seu templo, como marca e figura que em breve será consagrada ao serviço de um templo maior e mais sagrado do que este. Ali, na solidão, Ele a protege, a envolve do seu poder, a anima do seu Espírito, a sustenta da sua palavra, a educa com sua graça, a ilumina com suas luzes, a abrasa do seu calor, a visita pelos seus anjos, esperando que Ele mesmo a visite com a sua própria Pessoa; e Ele torna a sua solidão tão ocupada, sua contemplação tão elevada, sua conversa tão celeste, que os anjos a admiram e reverenciam-na como um ser mais divino que humano.
Deus é, e age nela, mais do que ela própria. Ela não pensa mais do que pela sua graça, não se move mais do que pelo seu Espírito, não age mais do que pelo seu amor. O correr da sua vida é um movimento perpétuo que, sem impedimentos, sem relaxamentos, tende para Aquele que é a vida do Pai e que será em breve sua vida, e cujo nome é Vida nas Escrituras (Jo 14, 6). Este termo aproxima e o Senhor está com ela, a enche de Si mesmo e a estabelece numa graça tão rara, que só a ela se lhe ajusta; porque esta Virgem, escondida num canto da Judeia, desconhecida do universo, faz coro a parte na ordem da graça, tão singular ela é.”


Cardeal Bérulle, século XVII






Glória a Ti, Senhor,
neste dia que me é dado para enriquecer a minha vida
e embelezar a dos outros.
Senhor, ajuda-me a viver este dia
em comunhão com os meus irmãos e irmãs contemplativos,
que consagram a vida a louvar e cantar tua Pessoa,
a orar por nós,
a sacrificar-se por nós,
a suplicar por nós,
pelo nosso mundo que luta
esquecendo muitas vezes
que só Tu és a única Fonte de Vida
e o Autor de todo o Bem.
Com estas pessoas consagradas
que vivem constantemente unidos a Ti no claustro,
quero dar graças por tudo o que vem de ti,
ó Deus todo-poderoso.


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Em solidão face ao Deus amado

No próximo 21 de Novembro, festa da Apresentação de Nossa Senhora ao Templo, a Igreja comemora o dia dos consagrados contemplativos; «muito devemos a estas pessoas que vivem do que a Providência lhes concede mediante a generosidade dos fiéis. O mosteiro, como oásis espiritual, indica ao mundo de hoje o mais importante, mais ainda, a final a única coisa decisiva: existe uma razão última pela qual vale a pena viver, que é Deus e seu amor insondável» (Bento XVI no Ângelus 18/11/07)
Monges, monjas, religiosas contemplativas…homens e mulheres fascinados pelo absoluto do Amor, foram um dia atraídos por Cristo que os convida a deixar tudo para segui-Lo, e assim vivem só para Deus, numa comunidade vinculada pela caridade, através de uma vida quotidiana ritmada pela oração, a escuta da Palavra de Deus e o trabalho.
Misteriosamente, no coração da Igreja e do mundo, eles participam nas alegrias e nas penas dos homens… na luta diária do homem.
Absorvidos por uma vida activa, os cristãos que permanecem no mundo, podem também eles procurar cada dia um tempo de recolhimento para se afastar das suas preocupações e actividades, e colocar-se em solidão face ao Deus amado. Pela contemplação e na caridade, eles entrarão nesta corrente incessante de louvor e de súplica que se eleva até Deus, em comunhão com os irmãos e as irmãs retirados nos seus mosteiros.





“E agora, homem do nada, foge por um momento das tuas tarefas, esconde-te dos teus pensamentos tumultuosos. Afasta agora as tuas pesadas preocupações, e põe para mais tarde as tuas tensões laboriosas. Vai ter um pouco com Deus, descansa um pouco n’Ele. Entra na cela da tua alma, tira de lá tudo, fica com Deus e aquilo que te pode ajudar a encontrá-l’O; porta fechada, procura-O. Diz agora de todo o coração, diz agora a Deus:

‘Procuro a tua face,
a tua face, Senhor, eu procuro.
Tu, Senhor meu Deus,
ensina o meu coração onde e como Te procurar,
onde e como Te encontrar.
Senhor, se não estás aqui,
onde Te procurarei ausento?
E se estás em todo o lugar,
porque não Te vejo presente?
Mas certamente habitas a luz inacessível.
Onde está a luz inacessível?
Como alcançarei a luz inacessível?
Quem me conduzirá e me introduzirá nela para eu Te ver?
Com que sinais, qual face devo procurar? (…)
Ensina-me a procurar-Te,
mostra-Te a quem Te procura,
pois não posso procurar-Te se não me ensinas,
nem Te encontrar se não Te mostras.
Que eu Te procure desejando,
que eu deseje procurando.
Que eu encontre amando,
que eu ame encontrando'.”


S. Anselmo de Cantuária

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Vou dar-lhe o meu “segredo”


"Não sabeis que sois templos de Deus
e que o Espírito de Deus habita em vós?"

1 Cor, 3, 16



«Vou dar-lhe o meu “segredo”: pense neste Deus que a habita e de que é o templo; é São Paulo quem assim fala, podemos acreditá-lo. Pouco a pouco a alma habitua-se a viver na sua doce companhia, começa a compreender que traz em si um pequeno Céu em que o Deus de amor fixou a sua morada. Então, é como que uma atmosfera divina na qual respira, diria mesmo que só o corpo é que fica na terra, mas a alma habita acima das nuvens e dos véus, n’Aquele que é Imutável.»


Beata Isabel da Trindade


Santíssima Trindade,
eu Te adoro no meu coração
e na minha vida.




Ler biografia de Isabel da Trindade, hoje, dia de memória litúrgica desta beata.

domingo, 4 de novembro de 2007

Eu hoje devo ficar em tua casa

«Desce depressa, Eu hoje devo ficar em tua casa.
O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

Lc 19,5.10



«Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, concede tudo. Quem se dá a ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo e encontrareis a verdadeira vida»

João Paulo II


«Abri o vosso coração a Deus. Deixai-vos surpreender por Cristo. Dai-lhe o "direito de vos falar". Abri as portas da vossa liberdade ao seu amor misericordioso. Apresentai as vossas alegrias e as vossas penas a Cristo, deixando que ele ilumine com a sua luz a vossa mente e toque com a sua graça o vosso coração.»

«Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo.»
Bento XVI

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Somos obrigados a ser santos como Ele é santo

«Todos nós, que fomos baptizados em Cristo e “assumimos em Cristo” uma nova identidade, somos obrigados a ser santos como Ele é santo. Somos compelidos a viver vidas justas, e as nossas acções devem dar testemunho da nossa união com Ele. Ele deve manifestar a sua presença em nós e através de nós. (…)
Se devemos ser “perfeitos” como Cristo é perfeito, devemos lutar para sermos tão perfeitamente humanos como Ele, de modo que Ele possa unir-nos com o seu divino ser e partilhar connosco a sua filiação do Pai do Céu. Assim a santidade não é uma questão de ser menos humano, antes de ser mais humano do que os outros homens. (…)
O santo procura, portanto, a glória de Deus e não a sua própria glória. E para que Deus possa ser glorificado em todas as coisas, não deseja ser senão um puro instrumento da vontade divina. Quer ser uma simples janela, através da qual a misericórdia de Deus resplandeça sobre o mundo. Por isso, luta para ser santo. Luta para praticar a virtude de modo heróico, não para ser conhecido como um homem virtuoso e santo, mas para que a bondade de Deus nunca possa ser obscurecida por qualquer acto egoísta da sua parte.
Por conseguinte, aquele que ama a Deus e busca a Sua glória, procura tornar-se, pela graça de Deus, perfeito no amor, como o “Pai do Céu é perfeito”.»


Thomas Merton, Vida e Santidade




Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Todos os santos Anjos e Arcanjos, rogai por nós.
São João Batista, rogai por nós.
São José, rogai por nós.
Todos os santos patriarcas e profetas, rogai por nós.
São Pedro e São Paulo, rogai por nós.
Todos os santos apóstolos e evangelistas, rogai por nós.
Todos os santos discípulos do Senhor, rogai por nós.
Todos os santos inocentes, rogai por nós.
Todos os santos mártires, rogai por nós.
Todos os santos pontífices e confessores, rogai por nós.
Todos os santos doutores, rogai por nós.
Todos os santos sacerdotes e levitas, rogai por nós.
Todos os santos monges e eremitas, rogai por nós.
Todas as santas virgens e viúvas, rogai por nós.
Todos os santos e santas de Deus, rogai por nós.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Profundamente consolada

«Um dia, ao recitar o ‘Quicumque vult’*, foi-me revelado de maneira tão clara que existe um só Deus e três pessoas em Deus, que fiquei toda maravilhada e profundamente consolada. Resultou para mim num maior proveito para melhor conhecer a grandeza de Deus e as suas maravilhas. Assim, quando penso neste mistério ou quando ouço falar dele, parece-me entender como isso pode ser; e isto é para mim uma viva consolação.»


Santa Teresa de Ávila



Ainda inspirado do passado fim-de-semana mariano, onde o mistério do Deus-Trindade, revelado e contemplado em Fátima, foi celebrado com a dedicação da nova Igreja na Cova da Iria, é bom relembrar, neste dia da memória litúrgica de Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja e reformadora da Ordem do Carmelo, esta meditação sobre a sua experiência trinitária, mistério central da nossa fé, inefável para a nossa razão mas tão consolador para quem o experimenta.
É também uma boa maneira de falar da experiência do pastorinho Francisco que, segundo a sua prima Lúcia, “ficava absorvido por Deus, pela Santíssima Trindade, nessa luz imensa que nos penetrava no mais íntimo da alma. Ele dizia: Nós estávamos a arder, naquela luz que é Deus, e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer! Isto sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste! Se eu O pudesse consolar!...”, “Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!”
O nosso pequeno pastorinho não só é consolado pela luz divina como deseja consolar a Deus. O amor recebido suscita um amor retribuído. O Francisco revela-se assim o mais contemplativo entre as três crianças.
A oração ensinada pelo Anjo, a experiência de fé dos pastorinhos na luz transmitida por Nossa Senhora, ou a teofania à Irmã Lúcia a 13 de Junho de 1929, em Tuy (Espanha), faz da mensagem de Fátima, uma mensagem profundamente marcada pelo mistério do Deus Único, Pai, Filho, Espírito Santo. A nova igreja vem afirmar, e para muitos revelar, a importância da Trindade na mensagem revelada em 1917.
Segundo o 'Quicumque vult', “a Fé Católica é esta: que adoremos um Único Deus em Trindade e a Trindade em Unidade.”
Então, Adoremo-l’O! Adoremo-l’O! Adoremo-l’O!



*Quicumque vult, Credo de Santo Atanásio

sábado, 13 de outubro de 2007

Há 90 anos

Há 90 anos, Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, aparecia uma última vez na Cova da Iria, a três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
À volta dos pequeninos, uma multidão à chuva esperava por um milagre anunciado…e aconteceu! O sol bailou nos céus!
Mas Maria, antes da despedida, deixou palavras fundamentais às três crianças:
“Quero dizer que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dia.”
“Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.”
Duas frases que sintetizam a mensagem da Mãe de Jesus em Fátima: Oração e Penitência…rezar, arrepender-se, converter-se, fazer o que Deus quer...amá-l'O!
Assim, Maria, a Senhora do Rosário, convida a humanidade, por meio daqueles três pastorinhos, a voltar-se toda para Deus, na intimidade da relação com o seu Senhor e no cumprimento da sua vontade.
“Rezar todos os dias” é viver uma relação de amor com Deus.
“Não ofender a Deus Nosso Senhor” é fazer o que Ele quer de nós por amor.
Maria, a humilde serva do Senhor, é assim o instrumento de comunhão amorosa entre Deus e os homens.
Toda relativa a Deus, ela vive só d’Ele e para Ele.
Por isso, em 1917, preocupada com o mundo que se afastava d’Aquele por Quem ela vive, Deus, ela agiu! Ela foi ter com os homens...foi mensageira da necessidade de voltar-se para Deus, de amá-l'O na oração e no cumprimento da sua vontade.

Graças Te dou, Senhor, por Maria, Mãe atenta às necessidades dos homens!
Graças te dou, Maria, Senhora do Rosário, por mostrares aos homens a necessidade de Deus e do seu amor nas suas vidas!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O Poverello e a oração

“Sim, amemos a Deus e adoremo-lo com um coração puro e alma simples, porque é isso o que ele mais que tudo deseja quando afirma: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4, 23).
Porque todos os que o adoram, devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4, 24).
Dia e noite lhe dirijamos louvores e preces, dizendo: 'Pai nosso, que estais nos céus', porque importa orar sempre e sem cessar (Lc 18,1).




“Tu és santo, Senhor Deus único, o que fazes maravilhas.
Tu és forte, tu és grande,
tu és altíssimo, tu és rei omnipotente,
tu, Pai santo, rei do céu e da terra!
Tu és trino e uno, Senhor Deus, todo o bem.
Tu és bom, todo o bem, o soberano bem,
Senhor Deus, vivo e verdadeiro!
Tu és caridade, amor!
Tu és sabedoria! Tu és humildade!
Tu és paciência! Tu és formosura!
Tu és mansidão! Tu és segurança!
Tu és descanso! Tu és gozo e alegria!
Tu és a nossa esperança! Tu és justiça e temperança!
Tu és toda a nossa riqueza e saciedade! Tu és beleza!
Tu és mansidão! Tu és o protector!
Tu és o nosso guarda e defensor!
Tu és fortaleza! Tu és consolação!
Tu és a nossa esperança! Tu és a nossa fé! Tu és a nossa caridade!
Tu és a nossa grande doçura. Tu és a nossa vida eterna,
o Senhor grande e admirável, o Deus omnipotente,
o misericordioso Salvador!”


São Francisco de Assis

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sem ela, nenhum bem pode ser feito

«Agradece a Deus, irmão querido, porque Ele te revelou uma atracção invencível em ti para a oração interior perpétua.(…)
Muitos cometem um grande erro quando pensam que os meios de preparação e as boas acções geram a oração, quando na realidade é a oração que é a fonte das boas obras e das virtudes. Eles consideram erroneamente os frutos ou as consequências da oração como meios de chegar até ela e assim diminuem a sua força. Trata-se de um ponto de vista completamente oposto à Escritura, pois o Apóstolo Paulo assim fala da oração: ‘Eu vos recomendo antes de tudo rezar’ (1Tm 2,1).
Assim o Apóstolo coloca a oração acima de tudo: Eu vos recomendo antes de tudo rezar. Muitas boas obras são pedidas ao cristão, mas a obra da oração está acima de todas as outras, pois, sem ela, nenhum bem pode ser feito. Sem a oração frequente, não se pode achar o caminho que conduz ao Senhor, conhecer a Verdade, crucificar a carne com as suas paixões e desejos, ser iluminado no coração pela luz de Cristo e unir-se a Ele na salvação.
Eu digo frequente, pois a perfeição e a correcção da nossa prece não dependem de nós, como diz ainda o Apóstolo Paulo: ‘Nós não sabemos o que pedir como convém' (Rm8,26). Somente a frequência foi deixada em nosso poder como meio de atingir a pureza da oração, que é a mãe de todo o bem espiritual. ‘Adquire a mãe e tu terás uma descendência’, diz Santo Isaac o Sírio, ensinando que, em primeiro lugar, é preciso adquirir a oração para poder pôr em prática todas as virtudes.(…)
A interior e constante oração de Jesus é a invocação contínua e ininterrupta do nome de Jesus, com os lábios, com o coração e com a inteligência, no sentimento de sua presença, em todo o tempo, em todo o lugar, mesmo durante o sono. Essa oração se exprime pelas palavras: Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim! Aquele que se habitua a essa invocação sente uma grande consolação e a necessidade de rezar sempre essa oração; depois de algum tempo, ele não pode passar sem ela e por si mesma a oração brota nele.»



Relatos de um peregrino russo
(Obra clássica sobre a vida espiritual)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Se tu dizes Maria

«Sempre que tu glorificares e louvares Maria, Maria glorificará e louvará por ti o Senhor. Maria é toda relativa a Deus, e eu tenho tanto prazer em apelidá-la ‘a pura relatividade de Deus’, ou seja, que não existe senão em relação a Deus, o eco de Deus, que não pronuncia e não repete senão Deus. Se tu dizes Maria, ela repete Deus.
Quando Santa Isabel louvou Maria e lhe chamou bem-aventurada por ter acreditado, Maria, o eco fiel de Deus, entoou: 'Magnificat anima mea Dominum, a minha alma glorifica ao Senhor'. O que Maria fez nessa ocasião, repete-o todos os dias. Sempre que é louvada, amada, honrada ou se lhe oferece algo, é Deus que é honrado, é Deus que recebe pelas mãos de Maria e em Maria.»


São Luís Maria Grignion de Montfort,
Tratado sobre a verdadeira devoção



Hoje, festa litúrgica do Santíssimo Nome de Maria.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Tomar a cruz

«No Evangelho, Jesus nos recorda qual o ponto de referência e o sinal do amor autêntico: ‘Tomar a sua cruz’.
Tomar a sua cruz não significa procurar os sofrimentos. Jesus também não foi procurar a sua cruz; Ele tomou-a sobre si, em obediência à vontade do Pai, a mesma que os homens carregaram os seus ombros. Pelo seu amor obediente, Ele fez deste instrumento de suplício um sinal de redenção e de glória.
Jesus não veio aumentar as cruzes humanas…mas dar-lhes um sentido.
‘Quem procura Jesus sem a cruz, encontrará a cruz sem Jesus’, isto é, encontrará a cruz mas sem a força para levá-la.»


Pe. Raniero Cantalamessa OFM Cap,
Pregador da Casa Pontifícia

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A noite de Madre Teresa

«Sinto que Deus não é Deus, que Ele não existe verdadeiramente.
É para mim horríveis trevas. É como se tudo estivesse morto em mim, pois tudo é frio.
É unicamente a fé cega que me encaminha, porque na verdade, tudo é obscuro em mim.
Às vezes, a agonia da desolação é tão grande e, ao mesmo tempo, a viva esperança do Ausente tão profundo, que a única oração que consigo ainda dizer é: ‘Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Ti. Saciarei a tua sede de almas.’
Hoje, senti uma grande alegria, porque, como Jesus não pode mais viver directamente a agonia, Ele deseja vivê-la através de mim. Abandono-me n’Ele como nunca.»

Beata Madre Teresa de Calcutá



Madre Teresa viveu o que muitos outros místicos experimentaram antes dela: a noite espiritual, a noite escura, uma longa e penosa travessia do deserto na aridez e escuridão total, isto é, a alma já não encontra o gozo para nada, para os bens espirituais que outrora faziam sua delícia…é a ausência total da consolação espiritual, um sentimento de ausência de Deus, acompanhado de um desejo de amá-Lo sempre mais e mais.
Deus está presente mas não é sentido dentro de si.
São João da Cruz reconhece que, dolorosamente, a noite escura purifica a alma, leva a crescer no amor, prepara a união com Deus. A provação pode ser a prova da revelação do coração.
Não é um castigo, Deus não procura provar sadicamente, mas fortalecer a fé.
Viver a noite escura não significa não ter fé, como muitos pensam.
A fé não é sentir Deus, mas acreditar n’Ele e ser-Lhe obediente.
Ao sentir este vazio, Madre Teresa não perdeu a fé, mas guardou a fé apesar dos seus sentimentos, apesar das dúvidas, humanamente compreensível…quem nunca as teve?
A vida do cristão, como não poderia ser de outra forma, é feita de mistério pascal, decalcada na vida do seu Senhor.
«Assim unido a Cristo, o cristão resistirá, inabalável, na noite escura, subjectivamente vivido como um afastamento e abandono de Deus. Mas é talvez a Providência divina que faz dessa sua provação, um instrumento de libertação de um ser objectivamente prisioneiro. Digamos também nós: ‘Seja feita a tua vontade’, mesmo na mais profunda escuridão da noite.» (Santa Teresa Benedita da Cruz)
Na noite, o homem sabe que o dia, mesmo demorando em vir, chegará.
Com Cristo, as trevas convertem-se em luz... a aridez em fogo ardente.

«Do profundo abismo, eu clamo a Ti, Senhor!
Senhor, ouve a minha prece!»
Sl 130 (129)