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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Rosto de: Lourenço da Ressurreição

Há pessoas que nos dizem muito. Se calhar, não dizem nada ao resto do mundo, mas para nós, elas são fonte de inspiração. Num post anterior, já tinha partilhado convosco a minha admiração pelo irmão universal, o Beato Carlos de Foucauld...hoje, apresento-vos um irmão carmelita, Lourenço da Ressurreição, que experimentou a Presença de Deus na vida do dia a dia. Ele fez dos pequenos actos e pensamentos quotidianos um encontro com o seu e meu Senhor.



Nicolau Herman (Lourenço da Ressurreição), nasceu em 1614, em Hériménil, Lorena (actual região do mesmo nome do Nordeste Francês), numa família profundamente cristã.

Aos 18 anos, num dia de Inverno, olhando a natureza despojada, pensando que dentro de pouco tempo as árvores desfolhadas voltariam a florescer, Nicolau é iluminado por uma evidência e uma simplicidade imediatas, percebendo que na base desse processo anual, existe um Ser pessoal, inteligente e cheio de amor. Então, a sua fé em Deus se personifica, recebendo essa graça da Providência e do poder de Deus, que admitirá mais tarde, nunca se ter apagado de sua alma.

Este mesmo ano, a Lorena era ocupada pela França, e o Duque Carlos IV, expulso do seu país, juntou tropas para reconquistar as suas terras. Nicolau alistou-se no exército do Duque de Lorena. Nessa Guerra de Trinta Anos, tristemente célebre pela crueldade desumana, os soldados não recuavam diante de pilhagens ou qualquer género de violência. Mais tarde, Nicolau lastimará o seu passado, deplorando os seus pecados diante de Deus. Se ignoramos naquilo que consistiam verdadeiramente, o que é certo é que a precedente graça tinha desaparecido da sua vida. Duas vezes se encontrará diante da morte; finalmente uma ferida o obrigará a deixar as armas aos 21 anos.

O tempo da cura para o corpo, foi-o também para a alma; e a experiência vivida aos 18 anos voltou à tona. Então resolveu entregar-se a Deus e mudar a conduta passada. Adoptou algum tempo a vida de eremita com outro companheiro. Mas, desconcertado ao ver que ele passava da alegria à tristeza, da paz à tribulação, do fervor à ausência de devoção, não perseverou neste caminho. Foi então para Paris onde foi mordomo na casa do senhor Fieubert, onde ele dirá ter sido “um pesadão que quebrava tudo.”

É aí que o Convento dos Carmelitas da rua Vaugirard (hoje, Instituto Católico) começou a atraí-lo; e mais, um dos seus tios era da Ordem. Nicolau decide aos 26 anos pedir a entrada como irmão converso (não sacerdote), e tomou por nome Irmão Lourenço da Ressurreição. Lourenço era o nome do santo patrono da sua paróquia natal; Ressurreição lhe recordara talvez o renascimento da árvore despojada a quando dos seus 18 anos.

Primeiro, foi cozinheiro ao longo de 15 anos, depois sapateiro do seu convento; após dez anos de penosa caminhada, num sentimento doloroso por causa dos seus pecados, um acto de abandono determinante o liberta, e pouco a pouco, faz-o encontrar o seu próprio caminho espiritual: viver o trabalho como tempo de oração, as tristezas, como as alegrias, na “Presença de Deus”; transformando todas as suas ocupações à “maneira de pequenas conversas com Deus, sem prever, como calhar…sem necessidade de delicadezas, estar com bondade e simplicidade.” O único método da vida espiritual do Irmão Lourenço foi de certo modo o exercício da Presença de Deus que consistiu em “agradar e acostumar-se na divina companhia, detendo-se amorosamente com Ele em todo o tempo.” Assim, a alma é conduzida “insensivelmente a este simples olhar, a esta visão amorosa de Deus em tudo, que é a mais santa e mais eficaz maneira de oração.” “Na via de Deus, os pensamentos são tidos em conta como pouco, o amor faz tudo.” O encanto do Irmão Lourenço atrai numerosas pessoas que lhe vem pedir conselhos: é assim que as suas cartas ou notas dados oralmente chegaram até nós.

No início de 1691, o Irmão Lourenço adoece. Como o seu mal aumentava, deram-lhe o Sacramento dos Enfermos. A um religioso que lhe perguntara o que ele fazia e com que ocupava o seu espírito, ele respondeu: “Faço o que farei na eternidade, bendigo a Deus, louvo a Deus, adoro e amo-O de todo o coração, eis o nosso trabalho, meus irmãos, adorar a Deus e amá-l’O, sem se preocupar do resto.” Depois, com a paz e a tranquilidade de alguém que adormece, o Irmão Lourenço morre em 12 de Fevereiro de 1691, aos 77 anos.

Pouco tempo depois, o abade José de Beaufort, vigário geral do cardeal de Noailles, e amigo do carmelita sapateiro ao longo de um quarto de século, fez conhecer a mensagem de Lourenço em duas obras biográficas que, em 1991, foram publicadas numa edição crítica. Selado com o selo da simplicidade e da verdade, essa mensagem não envelheceu em três séculos.

A prática da Presença de Deus, como maneira orante, aconselhada pelo Irmão Lourenço, valeu-lhe uma irradiação inter-confessional. A sua espiritualidade do dever de estado faz com que todos os estados de vida nele se encontrem. Se a sua insistência sobre as virtudes teologais, fé, esperança e caridade, lembram os ensinamentos de São João da Cruz, a locução de Lourenço denuncia uma familiaridade com Santa Teresa de Jesus, recordando em particular a “oração recolhida, de meditação”. Enfim, o quietismo não teve nenhuma influência nele: o seu abandono confiante inscreve-se na colaboração da alma à obra divina, e, a ascese como meio de dispor o corpo e o espírito ao encontro do Deus vivo.


Tradução da biografia de Lourenço da Ressurreição - Site do Carmelo de França



Irmão Lourenço da Ressurreição,
encontraste Deus no trabalho da tua cozinha.
Fostes para quem te conhecia
uma testemunha luminosa de Deus vivo e próximo.
Intercede (pela graça),
e roga ao Senhor para que, como tu,
eu toma consciência da sua Presença amada,
fazendo as pequenas coisas do meu dia
no seu amor e por aqueles que me rodeiam.
Ámen.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Rosto de: Joana Beretta Molla


Nasceu em Magenta perto de Milão em 4 de Outubro de 1922.
Joana (Gianna) era a décima de 13 filhos e foi educada por pais piedosos que a ensinaram que a vida era um grande presente de Deus para ser abraçado.
Na adolescência e depois adulta, foi membro da Sociedade São Vicente de Paulo e voluntária no trabalho com pobres e idosos. Estudou e conseguiu formar-se em medicina e cirurgia na Universidade de Pávia em 1949. Especializou-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952, e atendia com especial atenção mães, crianças, idosos e pobres.
Alguns pensavam que tão boa cristã iria entrar para um convento, mas após varias reflexões, Joana viu que a sua vocação era o casamento, cooperando com Deus em “formar uma verdadeira família cristã”.
Em 24 de Setembro de 1955, casou-se com Pietro Molla. Joana não era uma santa comum. Alegremente abraçou o casamento e soube lidar com as suas obrigações de mulher de carreira, esposa e mãe. Em Novembro de 1956 , deu à luz ao Pierluigi , em Dezembro de 1957, à Mariolina, e em Julho de 1959, à Laura.
Em Setembro de 1961, no segundo mês da quarta gravidez, descobriu-se que ela tinha um fibroma no útero. Era necessária uma cirurgia e como médica, ela estava perfeitamente consciente dos riscos de continuar a sua gravidez, mas ela pediu ao cirurgião para salvar o filho que ela carregava e entregou-se nas mãos de Deus. Passou os sete meses seguintes na alegria dos seus afazeres de mãe e médica, mas também preocupada com o bebé que podia nascer com problemas. Para prevenir isso, orou muito a Deus.
Alguns dias antes da criança nascer, embora confiante na Divina Providencia, Joana estava decidida a dar a sua vida para salvar a da criança. “Se precisarem decidir entre mim e a criança, escolham a criança”, insistiu ela ao seu médico.
Assim nasceu uma menina, Gianna Emanuela, na manhã de 21 de Abril de 1962. Apesar de todos os esforços para salvar a mãe, Joana veio a falecer uma semana depois, com horríveis dores. Adormeceu no Senhor no dia 28 de Abril dizendo: “Jesus, Jesus, eu amo-te, eu amo-te”. Ela tinha apenas 39 anos de idade.
Seu funeral foi ocasião de grande tristeza, fé e oração. O seu corpo está no cemitério de Mesero perto de Magenta.
Joana Berreta Molla foi beatificada a 24 de Abril de 1994 e canonizada a 16 de Maio de 2004 pelo Papa João Paulo II.


Na homília da beatificação, afirmou o Papa João Paulo II:
“Joana Beretta Molla, coroando uma existência exemplar de estudante, de jovem comprometida na comunidade eclesial e de esposa e mãe feliz, soube oferecer em sacrifício a vida, a fim de que pudesse viver a criança que trazia no seio e que hoje está aqui connosco! (Uma salva de palmas coroou estas palavras do Papa) Ela como médica e cirurgiã, estava bem
consciente daquilo de que ia ao seu encontro, mas não recuou diante do sacrifício, confirmando desse modo a heroicidade das sua virtudes”.

Honrar Santa Joana Beretta Molla é convidar os cristãos a tomar o seu exemplo na defesa da vida, ela que, como mãe deu a vida para que sua filha mais nova nascesse.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Rosto de: Madalena Hutin

Madalena Hutin nasceu em Paris, no dia 26 de Abril de 1898.Desde jovem, desejava consagrar a sua vida a Deus. Aos 23 anos, descobriu a vida de Carlos de Foucauld, e nos seus escritos, reconheceu o ideal de vida com que sempre sonhara: "O Evangelho vivido, a pobreza total e, sobretudo, o amor."

Depois de vinte anos de espera, pôde finalmente caminhar nas suas pegadas, seguindo Jesus de Nazaré. Foi viver para a Argélia e, no dia 8 de Setembro de 1939, fez a sua profissão religiosa, fundando assim a Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus.

Nas suas intensas meditações sobre a infância humilde, frágil e vulnerável de Cristo, pareceu-lhe apropriado Jesus Menino ser a inspiração e o modelo daqueles que desejariam testemunhar o amor divino entre os mais pobres do mundo.

Para a congregação ser reconhecido inteiramente por Roma, foi necessário superar muitas dúvidas e críticas que se levantavam devido à originalidade da visão de vida consagrada que Madalena tinha. As “irmãzinhas” não eram nem contemplativas reclusas, nem estavam ligadas a actividades tradicionais de apostolado. Viviam em “pequenas fraternidades”, algumas com somente um par de irmãs, mantinham um compromisso intenso de oração contemplativa, e esforçavam-se em participar inteiramente na vida e na cultura do meio onde elas estavam inseridas, isto é, no meio dos mais pobres. Isto também significou o uso de um hábito simples de ganga adornado com uma cruz.
Quanto aos malentendidos, Madalena dizia que “o mundo procurava mais a eficiência do que o discrição de uma vida escondida”, assim, “Belém e Nazaré permaneceriam sempre um mistério.”


No começo, seguindo literalmente o exemplo do irmão Carlos de Foucauld, Madalena concebia a missão das irmãzinhas exclusivamente entre os muçulmanos da África do Norte. Foi lá que a congregação deitou raiz e floresceu. Mas gradualmente, Madalena ampliou a sua visão para uma missão universal, e assim as fraternidades espalharam-se por todo o mundo, atraindo mulheres de todas as nacionalidades.
Antes da sua morte havia 280 fraternidade com 1400 irmãzinhas de 64 países diferentes. Estas irmãzinhas viajavam com as caravanas dos ciganos na Europa, viviam com os grupos nómadas do circo. Existiam comunidades entre os pigmeus de República dos Camarões, em vilas esquimós no Alasca, entre povos do Sudeste Asiático, nos subúrbios de Londres, de Beirute e de Washington. Mais tarde, Madalena sentiu-se chamada também em testemunhar o Evangelho nos países comunistas do bloco oriental. Numa carrinha, adaptada em “rolote” percorreu a Europa Oriental e a Rússia. Quietamente pode estabelecer fraternidades em muitos destes países. O objectivo das irmãzinhas não era evangelizar num sentido formal mas servir modestamente no meio do mundo num espírito de amor.

Em 1949 a irmãzinha Madalena abandonou formalmente a liderança da congregação. Preferiu ter um papel informal, e ser mais “mãe” das suas irmãs, viajando constantemente, confiando a outros a administração de um família religiosa em expansão.
Embora fosse mais vulnerável na sua juventude, permaneceu notavelmente robusta na sua velhice, continuando a fazer bem o seu trabalho manual, e viajando muito, até foi à China, mas as suas deslocações desgastaram-na, e após visitar em 1989 a União Soviética com 91 anos, morreu mais tarde nesse ano no dia 6 de Novembro
.

Hoje, a Irmãzinha Madalena de Jesus é um exemplo de oração, serviço, amor e concórdia para a humanidade.
Em Portugal existem 3 Fraternidade de Irmãzinhas (Fátima, Chelas, Prior-Velho).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Rosto de: Carlos de Foucauld

Todos temos referências, modelos, pessoas de quem nos inspiramos…homens ou mulheres que nos dizem muito.
Para mim, um deles é o Beato Carlos de Foucauld, um francês que viveu nos finais do século XIX até ao inicio do século XX…uma verdadeira testemunha de fé.
O carisma do Irmão Carlos resume-se nas duas palavras do seu lema «Jesus-Caritas».
De facto, Jesus Cristo foi o grande Amor do Padre Foucauld.
Procurou imitá-Lo na vida oculta de Nazaré, contemplou-O na adoração eucarística na humilde capelinha do deserto escaldante de Tamanrasset, na Argélia, terra muçulmana.
Em 1908, escreveu ao seu bispo: «Os meios que Jesus nos deu para continuar a obra de salvação no mundo, os meios de que Ele se serviu no Presépio, em Nazaré e sobre a Cruz são: pobreza, humilhação, abandono, perseguição, sofrimento, cruz. Eis as nossas armas».
A forma como o Irmão Carlos imitou Jesus ainda seduz muitos jovens e menos jovens em todo o mundo, procurando seguir o exemplo deste padre, vivendo pobres no meio dos pobres, em pequenas fraternidades de irmãozinhos ou irmãzinhas de Jesus, dispostos a viver no silêncio, escondidos, partilhando a vida dos mais desprezados. São contemplativos no meio do mundo, dão testemunho do amor de Deus entre os pequeninos de que Jesus nos fala no Evangelho.
O carisma de Foucauld dirige-se também a qualquer pessoa…afinal, este carisma não é outra coisa senão a humilde vivência da vida de Jesus em Nazaré, uma vida escondida, na oração íntima com Maria e José, uma vida de trabalho e de contacto simples com o próximo, tudo no abandono e na confiança em Deus.
Hoje celebra-se a memória deste beato.