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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lê! Medita! Ora!

«Abre a Bíblia e lê o texto. Não escolhas nunca à sorte, porque a Palavra de Deus não é para paparicar. Obedece ao leccionário litúrgico e aceita o texto que a Igreja te oferece hoje, ou então lê um livro da Bíblia do início ao fim, fazendo uma leitura cursiva. (…)
Lê o texto não somente uma vez, mas várias, e até em voz alta. (…)
Se conheces bem o trecho, e que és tentado em lê-lo demasiado rápido, não temas em recorrer a métodos que te impedirão uma leitura rápida e superficial; escreve e recopia o texto. Não lê somente com os olhos, mas procura imprimir o texto no teu coração. (…)
Que a tua leitura seja escuta/audição (audire), e que a escuta se torne obediência (oboedire). Não te apresses. É necessário ler devagar (lectioni vacare), porque a leitura faz-se pela escuta. A Palavra deve ser escutada!



O que significa meditar? Não é fácil dizê-lo. Significa antes de tudo analisar a mensagem que leste e que Deus quer comunicar-te. Por isso exige um esforço, um trabalho, porque a leitura deve transformar-se em reflexão atenta e profunda. (…)
Deves dedicar-te a esta reflexão, segundo a tua cultura, as tuas capacidades e segundo os teus meios intelectuais. (…)
Orígenes dizia: ’ A escuta não é recepção passiva de um determinado texto, mas esforço da parte do cristão em penetrar sempre mais no sentido inesgotável da Palavra divina segundo as suas capacidades pessoais e a perseverança com que ele o faz.’
Este esforço pessoal deve procurar o “cume espiritual” do texto; não a frase que se destaca, mas a mensagem central que transporta para o acontecimento da morte e ressurreição do Senhor. (…)
Tem a humildade de às vezes reconhecer que não entendeste grande coisa ou até nada. Mais tarde o entenderás. (…)
Se percebeste algo, rumina as palavras no teu coração e aplica-as a ti próprio, à tua situação, sem cair em psicologismos, introspecções e acabando por fazer o teu exame de consciência. É Deus que está a falar contigo, contempla-O a Ele e não a ti próprio. Não te deixes paralisar por uma escrupulosa análise das tuas limitações e deficiências perante as exigências divinas que a Palavra te revelou.
Certo, a Palavra é também julgamento, ela perscruta o teu coração, ela manifesta o teu pecado, mas lembra-te que Deus é maior do que o teu coração (cf Jo 3,20) e que esta ferida no teu coração vem de Deus, e que Ele a fez sempre com verdade e misericórdia. (…)
Encanta-te com Aquele que te fala ao coração, pelo alimento que Ele te dá, mais ou menos abundantemente, mas sempre salutar. Encanta-te pela Palavra que se estabeleceu no teu coração, sem a teres procurada no céu ou para além dos mares (cf Dt 30,11-14). Deixa-te seduzir pela Palavra que te transforma em imagem do Filho de Deus sem saberes como. A Palavra que recebeste é para ti vida, alegria, paz e salvação! (…)
A meditação, a "ruminatio" deve fazer com que sejas a morada do Pai, do Filho e do Espírito.


Agora, fala com Deus, responde-Lhe, responde aos seus convites, aos seus apelos, às suas inspirações, aos seus pedidos, às suas mensagens que Ele te dirigiu por meio da Palavra entendida no Espírito Santo. (…)
A “meditação” tem por objectivo a oração. Chegou o momento. Por isso, não faças grandes discursos espirituais; fala-Lhe com segurança, com confiança e sem medo, longe de qualquer olhar sobre ti mesmo, mas arrebatado pelo seu rosto que se revelou no texto em Cristo Senhor.
Dá graças a Deus pela Palavra oferecida, por aqueles que a anunciaram e ta explicaram, intercede pelos irmãos que o texto te recordou, das suas virtudes e das suas quedas, procura unir o alimento da Palavra e o alimento eucarístico.
Guarda o que viste, ouviste, saboreado na Lectio; guarda-o no teu coração e na tua memória, e vai com os homens, no meio deles, e dá-lhes humildemente esta paz e esta bênção que recebeste. Terás a força de agir com eles, afim de realizar na história a Palavra de Deus, pela tua acção social, política, profissional.
Deus necessita de ti como instrumento no mundo para fazer “novos céus e nova terra”. Outro dia espera por ti, um dia em que, vendo Deus face a face na morte, mostrarás se foste uma “carta viva” escrita por Cristo, Lectio divina para os irmãos, verdadeiro Filho de Deus.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


Este texto é a conclusão dos últimos 3 posts publicados neste blog, sobre a Lectio Divina pelo prior Enzo Bianchi, do Mosteiro Ecuménico de Bose.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Invocar o Espírito Santo

«Toma a Bíblia, coloca-a diante de ti com reverência porque ela é corpo de Cristo, faz a epiclese: a invocação ao Espírito Santo. Foi o Espírito que orientou a geração da Palavra, foi Ele que a fez palavra falada ou palavra escrita pelos profetas, os sábios, Jesus, os apóstolos, os evangelistas, foi Ele que a ofereceu à Igreja e a fez chegar intacta até ti.
Inspirada pelo Espírito Santo, só este mesmo Espírito pode torná-la compreensível. Predispõe tudo para que o Espírito Santo desça sobre ti (Veni Creator Spiritus) e que com a sua fortaleza, a sua dynamis, tire o véu dos teus olhos para veres o Senhor (cf Sl 118,18; 2 Cor 3,12-16). É o Espírito que dá a vida, enquanto a letra mata. Este Espírito que desceu sobre a Virgem Maria, que estendeu sobre ela a sua sombra com poder para gerar nela o Verbo, a palavra feita carne (Lc 1,34), este Espírito que desceu sobre os apóstolos para guiá-los para a verdade total (Jo 16,13), deve fazer o mesmo em ti: Ele tem de gerar em ti a Palavra, Ele deve introduzir-te na totalidade da verdade. A leitura espiritual significa leitura no e com o Espírito Santo, das coisas inspiradas pelo Espírito Santo.
Ora como podes, e como o Senhor to conceder. (…)
Ajuda-te do salmo 118 (119), é o salmo da escuta da Palavra. É o salmo da Lectio divina, a conversa do Amado com o Amante, do crente com o seu Senhor.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina



«Envia agora sobre mim o teu Espírito Santo
para que Ele me dê um coração capaz de escutar (1Rs 3,5);
que Ele se me revele nas Sagradas Escrituras
e gere em mim o Verbo.
Que o teu Espírito Santo tire o véu dos meus olhos (cf 2Cor 3,12-16),
que Ele me conduza à verdade total (Jo 16,13),
que Ele me dê inteligência e perseverança.
Peço-Te por Jesus Cristo, nosso Senhor,
bendito pelos séculos dos séculos!
Ámen.»


Enzo Bianchi

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um lugar para a Lectio divina

«Tu, porém, quando orares,
entra no quarto mais secreto e,
fechada a porta,
reza em segredo a teu Pai,
pois Ele, que vê o oculto,
há-de recompensar-te.»


Mt 6,6





«Quando queres entrar nesta leitura orante, procura primeiro um lugar de solidão e de silêncio onde possas orar ao Pai no segredo até à contemplação.
A cela, o quarto são lugares privilegiados para saborear a presença de Deus, nunca o esqueças (cf Mt 6,5-6). (…)
Que o teu quarto, ou outro lugar solitário, seja para ti o santuário onde Deus te humilha para te provar pela sua Palavra, mas também para te ensinar, te consolar e te alimentar.
Sentirás certamente a presença do Adversário, que te convidará a fugir, que te tornará pesada a solidão, que te distrairá por meio dos teus hábitos e das tuas preocupações, que procurará seduzir-te por inúmeros pensamentos mundanos.
Não te deixas abater, não desespera e resiste nesta luta corpo a corpo com o demónio, porque o Senhor não está longe de ti. Ele não olha somente para o teu combate, mas Ele próprio luta em ti. Ajuda-te, se quiseres, com um ícone, uma vela acesa, um crucifixo, um tapete sobre o qual te ajoelharás para rezar. Não temas – sem ceder à moda e à estética – de utilizar estes meios, que poderão recordar que não estás somente ali para estudar a Bíblia ou ler algumas palavras, mas que estás diante de Deus, disposto a escutá-l’O, em diálogo com Ele!
Se surgir a tentação de fugir, resiste, mesmo que tenhas de permanecer calado, em silêncio, mas resiste. Deves habituar-te aos tempos de solidão, de silêncio, de desapego das coisas e dos irmãos, se quiseres encontrar Deus na oração pessoal.»

Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


«O que mais importa antes de tudo,
é de entrar em nós mesmos
para aí permanecer a sós com Deus.»

Santa Teresa de Jesus (de Ávila),
O caminho da perfeição

domingo, 14 de setembro de 2008

Fá-lo bem feito

«Se fazes o sinal da Cruz, fá-lo bem feito.
Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma autêntica cruz, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro.
Sentes como ela te envolve todo?
Recolhe-te bem. Concentra neste sinal todos os teus pensamentos e todos os teus afectos, à medida que o vais traçando da testa ao peito e dum ombro ao outro. Senti-lo-ás então a penetrar-te todo, corpo e alma. A apoderar-se de ti, a consagrar-te, a santificar-te. Porquê?
É o sinal do Todo, o sinal da Redenção. Nosso Senhor remiu todos os homens na cruz. Pela cruz santifica o homem todo até à última fibra do seu ser.
Por isso o fazemos antes da oração para que nos componha, recolha e fixe em Deus o nosso pensamento, coração e vontade. Depois da oração, para que nos fortaleça; no perigo, para que nos proteja. Ao benzermo-nos, para que a plenitude da vida divina penetre na alma e fecunde e consagre quanto nela há.
Pensa nisto sempre que fazes o sinal da cruz. É o sinal mais santo que existe. Fá-lo bem: devagar, rasgado, com atenção. Envolver-te-á assim todo o ser, corpo e alma, pensamentos e vontade, sentidos, potências e acções e tudo nele ficará fortalecido, assinalado pela virtude de Cristo, em nome de Deus uno e trino.»

Romano Guardini, Sinais Sagrados



Pelo sinal da santa cruz,
livra-nos Deus, nosso Senhor,
dos nossos inimigos;
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Amen!


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trazei a vossa paz ao nosso mundo violento

Deus de amor, compaixão e cura
olhai o povo de muitos credos
e tradições diferentes,
que se reúne hoje neste lugar,
cenário de violência e dor indizíveis.



Pedimos-vos na vossa bondade,
que concedais luz e paz eternas
a todos aqueles que morreram aqui
àqueles que foram os primeiros
a responder heroicamente:
os nossos bombeiros, policiais,
agentes do serviço de emergência,
funcionários da Autoridade portuária,
juntamente com todos os homens
e mulheres inocentes,
vítimas desta tragédia
somente porque o seu trabalho e o seu serviço
os trouxeram aqui
no dia 11 de Setembro de 2001.

Pedimos-vos, na vossa misericórdia,
que concedais a consolação a quantos,
por causa da sua presença aqui naquele dia,
sofrem por feridas e doenças.

Curai também a dor das famílias
ainda em luto
e de todos aqueles que perderam
os seus entes queridos
nesta tragédia.

Dai-lhes a força para continuar a viver
com coragem e esperança.

Recordamos também
quantos padeceram a morte, prejuízos e perdas
nesse mesmo dia no Pentágono
e em Shanksville, na Pensilvânia.

O nosso coração está unido ao seu,
enquanto a nossa oração
abraça a sua dor e o seu sofrimento.

Deus da paz, trazei a vossa paz
ao nosso mundo violento:
paz ao coração de todos os homens e mulheres
e paz entre as Nações da Terra.

Orientai para o vosso caminho de amor
quantos têm o coração e a mente
consumidos pelo ódio.


Deus de compreensão,
esmagados pela enormidade desta tragédia,
procuramos a vossa luz e a vossa guia,
enquanto enfrentamos acontecimentos terríveis
deste tipo.

Fazei com que aqueles, cuja vida foi poupada,
possam viver de tal modo
que as vidas perdidas aqui
não tenham sido em vão.

Confortai-nos e consolai-nos,
revigorai-nos na esperança
e concedei-nos a sabedoria e a coragem
para trabalhar incansavelmente por um mundo
onde reinem a paz e o amor verdadeiros
entre as Nações e no coração de todos.

Oração de Bento XVI
no Ground Zero, Nova Iorque
20/04/2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sim, devemos todos dizê-lo!

«A minha alma tem sede de Vós.
Alguns têm sede, mas não de Deus.
Aquele que deseja alcançar alguma coisa arde de desejo.
O desejo é a sede da alma.
E vede quantos são numerosos os desejos do coração humano.
Um deseja ouro;
outro, deseja riqueza;
outro, as terras,
outro, as heranças.
Outro, deseja muito dinheiro;
outro, admiração;
outro, uma grande casa;
outro, uma mulher;
outro, as honras;
outro, filhos.
Vede então todos estes desejos que enchem o coração humano.
Todos os seres humanos têm desejos que ardem como fogo.
Mas é raro encontrar um só que diga: ‘A minha alma tem sede de Vós’.
Os seres humanos têm sede das coisas do mundo.
Eles não percebem que estão no deserto de Judá.
Eles estão neste lugar onde a alma deve ter sede de Deus.
Por isso devemos dizer: ‘A minha alma tem sede de Vós’,
sim, devemos todos dizê-lo!»


S. Agostinho




A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.
Senhor, sois o meu Deus, desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,como terra árida, sequiosa, sem água.
Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais que a vida;
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.
Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.


Salmo 62 (63), 2-5

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Salve Rainha

A "Salve Rainha" é uma das orações mais populares na Igreja.
Quem compôs a prece teve uma experiência muito viva das misérias da vida humana.
Nesta oração “bradamos” como “degredados”, “suspiramos gemendo e chorando”, vemos o mundo como “um vale de lágrimas”, como um “desterro”...
Mas desta visão amarga da vida aparece uma doce esperança que a ultrapassa e domina.
Se ao considerar a condição humana, o autor só vê motivos de tristeza, ao fixar a sua atenção naquela a quem a dirige, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela, a Virgem Maria, é “mãe de misericórdia”, “vida, doçura, esperança”, “advogada” de “olhos misericordiosos”!


A “Salve Rainha” é atribuída ao monge Herman Contrat que a teria escrito por volta de 1050, no mosteiro de Reichenau, na Alemanha.
Eram tempos terríveis na Europa central: sucessivas calamidades naturais, más colheitas, epidemias, miséria, ameaças contínuas de povos bárbaros, fome e morte por toda parte.
Frei Contrat tinha consciência da infortunada época em que vivia, mas além das agruras da vida de seus contemporâneos, ele nascera raquítico e deforme; adulto, mal conseguia andar e escrevia com dificuldade.
Foi no fundo de todas estas misérias, as próprias e as alheias, que a alma de Frei Contrat elevou à Rainha do céu a sua prece, carregada de sofrimento e de esperança: a “Salve Rainha”.
Quando a “Salve Rainha” veio a ser conhecida pelos fiéis, a oração teve um sucesso enorme e logo foi rezada e cantada por toda parte.
Um século mais tarde, ao ser cantada na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado e a do famoso São Bernardo, conhecido como o “cantor da Virgem Maria” (um dos primeiros a chamar a Mãe de Deus de “Nossa Senhora”), dizem que foi naquele dia e lugar que, ao concluir o canto da “Salve Rainha”, cujas as últimas palavras eram “mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre”, no silêncio que se seguiu, ouviu-se a voz de São Bernardo clamar sozinho em plena catedral: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”... e desde então estas palavras foram incorporadas à “Salve Rainha” original.
Em 1221, os dominicanos começaram a utilizar a oração nas Completas (na Liturgia das horas, antes de deitar); em 1251, os cistercienses; e os cartuchos cantam-na à hora de Vésperas desde o século XII.
Lutero, pai da Reforma Protestante, não gostava da oração, sobretudo das palavras do princípio; os jansenistas quiseram mudar a letra, e conta-se que Cristóvão Colombo a cantava com os índios. O Papa Leão XIII prescreveu a sua recitação.
Um uso litúrgico tradicional quer que se incline a cabeça ao pronunciar o nome de Jesus, em sinal de respeito.
Nos quase mil anos que passaram desde que Herman Contrat compôs a “Salve Rainha”, uma multidão incontável de fiéis se identificou com os sentimentos que ela exprime, vivendo a aflição com doce esperança sob o olhar amável da Mãe do Salvador.

sábado, 2 de agosto de 2008

Nossa Mãe para a Eucaristia

«A Santíssima Virgem tinha uma atracção tão grande pela Eucaristia, que ela não podia se separar dela; ela vivia do Santíssimo Sacramento. Ela passava os dias e as noites aos pés do seu divino Filho. Ó Maria, ensinai-nos a vida de adoração! Ensinai-nos a encontrar como vós todos os mistérios e todas as graças na Eucaristia; a fazer reviver o Evangelho, a lê-lo na vida eucarística de Jesus. Lembrai-vos, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que sois a Mãe dos adoradores da Eucaristia!
Onde encontraremos a Jesus na terra senão nos braços de Maria? Não foi ela que nos deu a Eucaristia! Foi o seu consentimento, na Encarnação do Verbo no seu seio, que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união connosco que Jesus cumpriu durante a sua vida mortal e que Ele continua no Santíssimo Sacramento. Nunca se deve separar Maria de Jesus: não saberíamos ir a Ele sem passar por ela. Até digo que mais se ama a Eucaristia, mais devemos amar Maria…
Maria tem a missão de nos tomar pela mão para nos conduzir ao sacrário. A Santíssima Virgem torna-se então nossa Mãe para a Eucaristia; ela é incumbida de nos encontrar o nosso Pão da vida, de no-lo fazer saborear e desejar; ela recebe a missão de nos formar na adoração. Ó Jesus, não sei adorar; mas ofereço-Vos as palavras, os anseios de vossa Mãe, que é minha também; não sei adorar, mas repito a sua adoração pelos pecadores, pela conversão do mundo e as necessidades da Igreja.
É Maria que conseguirá a Jesus Eucarístico a sua corte de honra. Não duvideis, se tendes a felicidade da conhecer, amar e servi-l’O no Santíssimo Sacramento, é a Maria que o deveis; é ela que vos requisitou junto do Pai celeste para a guarda de amor do Deus da Eucaristia. Agradecei a esta boa Mãe, vós que lhe deveis todas as graças da vossa vida, a maior de todas, a de amar e servir, consagrando-lhe toda a vossa vida, o Rei dos reis no seu trono de amor!»



São Pedro Juliano Eymard


Nascido em França no século XIX, São Pedro Juliano Eymard marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. Foi à luz da Eucaristia que o jovem Pedro descobriu a sua vocação para o sacerdócio, apesar da oposição do pai. Ordenado sacerdote, entrou mais tarde na Congregação dos Maristas, mas percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado no exemplo de Nossa Senhora, fundou o Instituto do Santíssimo Sacramento. "É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como o grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real no meio de nós". Exímio apóstolo do mistério eucarístico, criou congregações de religiosos e de religiosas, para se consagrarem ao culto eucarístico, e tomou muitas e excelentes iniciativas entre as pessoas de todas as condições para promover o amor para com a Eucaristia. Morreu no primeiro dia de Agosto de 1868, na sua cidade natal.
A sua memória litúrgica é a 2 de Agosto.
Bendito seja Deus nos seus santos!




Foto: Ícone-Ostensório da Comunidade Eucaristein

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tomai, Senhor...

Tomai, Senhor,e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória,
o meu entendimento
e toda a minha vontade,
tudo o que tenho e possuo;
Vós mo destes;
a Vós, Senhor, o restituo.
Tudo é vosso,
disponde de tudo,
à vossa inteira vontade.
Dai-me o vosso amor e graça,
que esta me basta.


Santo Inácio de Loyola


domingo, 27 de julho de 2008

Tu és o tesouro das nossas vidas...

«O reino dos Céus é semelhante
a um tesouro escondido num campo.
O homem que o encontrou tornou a escondê-lo
e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía
e comprou aquele campo.»


Mt 13, 44



Senhor,
o essencial permanece invisível aos nossos olhos…
O teu reino, que está entre nós,
não cativa o nosso olhar
e demasiadas vezes o procuramos nos bens deste mundo,
estes bens que passam sem nos preencher …

Senhor, tu és o tesouro das nossas vidas…
Em todos aqueles que Te encontraram
exerces uma atracção irresistível
que faz desaparecer o vão apego
que mata o sabor das nossas primeiras afeições.

Faz, Senhor,
que nos deixemos encantar pela beleza do teu reino
e a abundância dos bens celestes que nos são destinados.
Despidos de tudo o que nos incomoda,
desejamos correr alegremente para Ti,
único tesouro das nossas almas,
Filho primogénito de uma multidão de irmãos…

terça-feira, 22 de julho de 2008

Na força do Espírito

«No entanto esta força, a graça do Espírito, não é algo que possamos merecer ou conquistar; podemos apenas recebê-la como puro dom. O amor de Deus pode propagar a sua força, somente quando lhe permitimos que nos mude a partir de dentro. Temos de O deixar penetrar na crosta dura da nossa indiferença, do nosso cansaço espiritual, do nosso cego conformismo com o espírito deste nosso tempo. Só então nos será possível consentir-Lhe que acenda a nossa imaginação e plasme os nossos desejos mais profundos. Eis o motivo por que é tão importante a oração: a oração diária, a oração privada no recolhimento dos nossos corações e diante do Santíssimo Sacramento e a oração litúrgica no coração da Igreja. A oração é pura receptividade à graça de Deus, amor em acto, comunhão com o Espírito que habita em nós e nos conduz através de Jesus, na Igreja, ao nosso Pai celeste. Na força do seu Espírito, Jesus está sempre presente nos nossos corações, esperando serenamente que nos acomodemos em silêncio junto d’Ele para ouvir a sua voz, permanecer no seu amor e receber a “força que vem do Alto”, uma força que nos habilita a ser sal e luz para o nosso mundo. (…)


A força do Espírito Santo não se limita a iluminar-nos e a consolar-nos; orienta-nos também para o futuro, para a vinda do Reino de Deus.(…)
Uma nova geração de cristãos, revigorada pelo Espírito e inspirando-se a uma rica visão de fé, é chamada a contribuir para a edificação dum mundo onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente, e não rejeitada nem temida como uma ameaça e, consequentemente, destruída. Uma nova era em que o amor não seja ambicioso nem egoísta, mas puro, fiel e sinceramente livre, aberto aos outros, respeitador da sua dignidade, um amor que promova o bem de todos e irradie alegria e beleza. Uma nova era na qual a esperança nos liberte da superficialidade, apatia e egoísmo que mortificam as nossas almas e envenenam as relações humanas. Prezados jovens amigos, o Senhor está a pedir-vos que sejais profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade.(…)


O mundo tem necessidade desta renovação. Em muitas das nossas sociedades, ao lado da prosperidade material vai crescendo o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, uma oculta sensação de desespero.(...)
Também a Igreja tem necessidade desta renovação. Precisa da vossa fé, do vosso idealismo e da vossa generosidade, para poder ser sempre jovem no Espírito.(…)
Que o fogo do amor de Deus desça sobre os vossos corações e os encha, a fim de vos unir cada vez mais ao Senhor e à sua Igreja e enviar-vos, como nova geração de apóstolos, para levar o mundo a Cristo.»

Homilia de Bento XVI nas JMJ, 20/07/2008




As próximas Jornadas Mundiais da Juventude em 2011
...mais perto de nós...Madrid!



As palavras do Santo Padre durante as Jornadas Mundiais da Juventude 2008 de Sydney são de particular interesse. Merecem ser impressas, lidas e meditadas…excelentes catequeses de um Papa professor.

sábado, 12 de julho de 2008

Padroeiros das JMJ 2008

Como já é tradição, dez santos e beatos foram escolhidos como padroeiros das Jornadas Mundiais da Juventude 2008 de Sydney.
Segundo a organização das JMJ, estes foram escolhidos como modelo...inspiração para os jovens; uns, ainda em via de canonização, outros mais relacionados com a história da Austrália e da Oceânia…mas todos, pessoas comuns que com o Espírito de Cristo cumpriram coisas extraordinárias.
Bendito seja Deus nos seus Santos!



Santa Maria, Nossa Senhora da Cruz do Sul, Auxílio dos Cristãos; rogai por nós.
Santa Teresa do Menino Jesus, testemunha da confiança e da simplicidade; rogai por nós.
Santa Faustina, testemunha da misericórdia e da compaixão de Deus; rogai por nós.
Santa Maria Goretti, testemunha da castidade e do perdão; rogai por nós.
São Pedro Chanel, testemunha pacífico da fé até à morte; rogai por nós.
Beato Pedro To Rot, testemunha da família e da fé; rogai por nós.
Beata Maria Mac Killop, testemunha dos jovens e dos marginalizados; rogai por nós.
Beato Pedro Jorge Frassati, testemunha da justiça e da caridade; rogai por nós.
Beata Teresa de Calcutá, testemunha dos pobres e dos moribundos; rogai por nós.
Servo de Deus, João Paulo II, Pai das Jornadas Mundiais da Juventude; rogai por nós.
Santos e Santas de Deus; rogai por nós.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Retemperar

Com o Mês de Julho, inicia-se o período das férias das sociedades ocidentais.
Só depois das Jornadas Mundiais da Juventude, que decorrerão de 15 a 20 de Julho em Sydney (Austrália), que Bento XVI gozará as suas férias de verão (de 28 de Julho a 11 de Agosto), na localidade tirolesa de Bressanone, da região italiana de Trentino-Alto Adige.
Para quem parou neste blog, de férias ou esperando por elas, uma palavra do Santo Padre sobre este período de descanso estival.

«No mundo em que vivemos, torna-se quase uma necessidade poder-se retemperar no corpo e no espírito, especialmente para quem vive na cidade, onde as condições de vida, muitas vezes frenéticas, deixam pouco espaço ao silêncio, à reflexão e ao contacto descontraído com a natureza.

Além disso, as férias são dias durante os quais nos podemos dedicar mais prolongadamente à oração, à leitura e à meditação acerca dos significados profundos da vida, no contexto sereno da própria família e das pessoas queridas. O tempo das férias oferece oportunidades únicas para parar diante dos espectáculos sugestivos da natureza, maravilhoso "livro" que está ao alcance de todos, grandes e pequeninos. No contacto com a natureza, a pessoa reencontra a sua justa dimensão, redescobre-se criatura, pequena mas ao mesmo tempo única, "capaz de Deus" porque interiormente aberta ao Infinito. Estimulada pela busca de sentido que se torna urgente no seu coração, ela percebe no mundo que a circunda a marca da bondade, da beleza e da providência divina e quase naturalmente se abre ao louvor e à oração.»

Bento XVI, Angelus no Vale de Aosta, 17 de Julho de 2005

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Credo do Santíssimo Sacramento"

Nesta semana do Congresso Internacional Eucarístico no Quebec, convido cada um a ler e a meditar a célebre obra de São Tomás de Aquino (1225-1274): “Lauda, Sion, Salvatorem”, sequência litúrgica para a missa de Corpo de Deus.
São Tomás é o autor do “Ofício do Santíssimo Sacramento” e de algumas orações e cânticos relativos à Eucaristia, também muito famosos, como o “Pange língua/Tantum ergo”, “Panis Angelicum”, "Adoro Te devote", etc…
Verdadeiro hino de louvor e de amor à presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento, o “Lauda, Sion, Salvatorem” define clara e rigorosamente o que devemos acreditar do mistério eucarístico. É um hino catequético que podemos muito bem apelidar de “Credo do Santíssimo Sacramento”.


Sião louva o teu Salvador,
louva o teu chefe e pastor
com os teus cânticos e hinos.

Não temas em fazê-lo,
pois nunca é demais louvá-l’O,
Ele que excede todo o louvor.

O Pão vivo que dá vida,
é para nós, hoje, apresentado
como digno de ser louvado.

É o Pão que, na verdade,
na mesa da Ceia Sagrada,
aos doze foi distribuído.

Louvemo-l’O com júbilo,
com alegria do coração,
com amor e devoção.

Neste tão solene dia,
celebremos com alegria,
a instituição do banquete divino.

Na mesa do novo rei,
a Páscoa da nova Lei
à Páscoa antiga põe fim.

Cede ao novo, o velho rito,
o oculto é revelado,
a noite tornou-se dia.

O que Cristo fez na Ceia,
mandou que em sua memória
pelos tempos se fizesse.

Seguindo o seu mandamento,
consagramos pão e vinho
em vítima de salvação.

É dogma para o cristão,
que em Corpo, torna-se o pão,
e que em Sangue, torna-se o vinho.

Para além da ordem natural,
o que não se entende e não se vê,
o proclama a nossa fé.

Os dois humildes sinais
escondem uma realidade
de sublime divindade.

No Corpo que nos alimenta,
no Sangue que nos sacia,
está Cristo por inteiro.

Todo inteiro se recebe.
Não O quebra, nem O divide,
todo aquele que O consome.

Come-O um, comem-n’O mil,
tanto este como aquele
mas nem por isso O aniquilem.

Para desigual sorte,
para a vida ou para a morte,
bons e maus O consomem.

Que efeitos diferentes,
para o mesmo alimento:
para os maus, ele é a morte,
para os bons, ele é a vida!

Não duvidas, acredita!
Que na hóstia repartida
em diversos fragmentos,
está Cristo completo.

Nada em Cristo é dividido,
nem sequer diminuído,
nem em forma, nem em estado,
somente a hóstia é quebrada.

Eis aqui o Pão dos anjos,
pão do homem no caminhar.
Dos filhos pão verdadeiro,
que aos cães não se pode dar.

Desde há muito prefigurado,
em Isaac sacrificado,
no pascal cordeiro imolado,
no maná aos nossos pais doado.

Bom Pastor, pão verdadeiro,
de nós, tende piedade!
Alimentai-nos e protegei-nos.
Os bens eternos revelai-nos.

Tudo sabeis e tudo podeis,
Vós que na terra sois alimento.
No banquete celeste aceitai-nos
na companhia dos vossos eleitos.
Ámen.


A tradução do hino é minha.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Centenário do Francisco

«O Francisco era de poucas palavras; e para fazer a sua oração e oferecer os seus sacrifícios, gostava de se ocultar até da Jacinta e de mim. Não poucas vezes o íamos surpreender, de trás duma parede ou dum silvado, para onde, dissimuladamente, se tinha escapado, de joelhos, a rezar ou a pensar como ele dizia, em Nosso Senhor triste por causa de tantos pecados. Se lhe perguntava:
- Francisco, por que não me dizes para rezar contigo e mais a Jacinta?
- Gosto mais – respondia – de rezar sozinho, para pensar e consolar a Nosso Senhor que está tão triste.
Um dia, perguntei-lhe:
- Francisco, tu, de que gostas mais: de consolar a Nosso Senhor ou converter os pecadores, para que não fossem mais almas para o inferno?
- Gostava mais de consolar a Nosso Senhor. Não reparaste como Nossa Senhora, ainda no último mês, se pôs tão triste, quando disse que não ofendessem a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido? Eu queria consolar a Nosso Senhor e depois converter os pecadores, para que não O ofendessem mais.»


Memórias da Irmã Lúcia



Oração para pedir a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e agradeço-Vos as aparições da Santíssima Virgem em Fátima.
Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus
e por intercessão do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos que,
se for para vossa maior glória e bem das nossas almas,
Vos digneis glorificar diante de toda a Igreja
os bem-aventurados Francisco e Jacinta,
concedendo-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos pedimos.
Ámen.


Imprimatur: Fatimae, 13 Maii 2003
+Serafim, Episc. Leir.-Fatimensis

terça-feira, 3 de junho de 2008

Eu vos convido

«Cada pessoa precisa de um “centro” na sua vida, de uma fonte de verdade e de bondade à qual recorrer na sucessão das diferentes situações e no cansaço da vida quotidiana.
Cada um de nós, quando se recolhe, precisa sentir não somente o palpitar do coração, mas, de maneira mais profunda, o palpitar de uma presença fiável, perceptível com os sentidos da fé e que, no entanto, é muito mais real: a presença de Cristo, coração do mundo.
Eu vos convido, portanto, a renovar no mês de Junho a vossa devoção ao Coração de Cristo, valorizando também a tradicional oração de oferecimento do dia e tendo presentes as intenções que proponho a toda a Igreja.»

Bento XVI, Ângelus 01/06/08

Ofereço-Vos, ó meu Deus,
em união com o Santíssimo Coração de Jesus,
e por meio do Imaculado Coração de Maria,
as orações, os trabalhos,
as alegrias e os sofrimentos deste dia,
em reparação de todas as ofensas
e por todas as intenções
pelas quais o mesmo Divino Coração
está continuamente intercedendo
e sacrificando-se nos nossos altares.
Eu vo-las ofereço de modo particular
pelas intenções do Apostolado da Oração
neste mês e neste dia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mensagem tão maternal e ao mesmo tempo forte e decidida

Chegado Maio, eis que a comunicação social se interessa de novo no fenómeno “Fátima”: peregrinos a pé, futura canonização dos Pastorinhos, sentimentalismos e opiniões populares…e parece que ninguém fala, nem os próprios cristãos, do essencial da Mensagem da Mãe de Deus na Cova da Iria.
Porque não recordar, com palavras muito melhores do que as minhas, a homilia de João Paulo II a 13 de Maio de 1982 no Santuário de Fátima?


“À luz do amor materno, nós compreendemos toda a mensagem de Nossa Senhora de Fátima.
Aquilo que se opõe mais directamente à caminhada do homem em direcção a Deus é o pecado, o perseverar no pecado, enfim, a negação de Deus.
A programada supressão de Deus do mundo do pensamento humano.
A separação d'Ele de toda a actividade terrena do homem.
A rejeição de Deus por parte do homem.
Na verdade, a salvação eterna do homem somente em Deus se encontra.
A rejeição de Deus por parte do homem, se se tornar definitiva, logicamente conduz à rejeição do homem por parte de Deus , à condenação!
Poderá a Mãe, que deseja a salvação de todos os homens, com toda a força do seu amor que alimenta no Espírito Santo, poderá ela ficar calada acerca daquilo que mina as próprias bases desta salvação? Não, não pode!
Por isso a mensagem de Nossa Senhora de Fátima, tão maternal, se apresenta ao mesmo tempo tão forte e decidida. Até parece severa. É como se falasse João Baptista nas margens do rio Jordão. Exorta à penitência. Adverte. Chama à oração. Recomenda o terço, o rosário.
Esta mensagem é dirigida a todos os homens.
O amor da Mãe do Salvador chega até onde quer que se estenda a obra da salvação.
E objecto do seu carinho são todos os homens da nossa época e, ao mesmo tempo, as sociedades, as nações e os povos. As sociedades ameaçadas pela apostasia, ameaçadas pela degradação moral."




"Sejam benditas,
todas as almas
que obedecem à chamada do Amor eterno!
Sejam benditos aqueles que,
dia após dia, com generosidade inexaurível
acolhem o vosso convite, ó Mãe,
para fazer aquilo que diz o vosso Jesus,
e dão à Igreja e ao mundo
um testemunho sereno
de vida inspirada no Evangelho."



Acto de entraga de João Paulo II,
13 de Maio de 1982, Fátima

domingo, 11 de maio de 2008

À medida que me renovas

Espírito Santo, de que forma desces sobre a Igreja,
senão da mesma maneira que desces sobre mim?
De que forma santificas a Igreja,
senão da mesma maneira que me santificas a mim, pecador?
De que forma vivificas a Igreja,
senão da mesma maneira que dás vida àquilo que está morto em mim?
Porquê descer sobre a Igreja,
senão porque ela precisa de Ti como eu preciso de Ti?
Porquê santificar a Igreja,
senão porque ela é feita de pecadores como eu?
Porquê vivificar a Igreja,
senão porque, como eu, sem Ti, ela não seria mais do que lenho seco?
Vem Espírito de Deus, renova a Igreja à medida que me renovas!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Unidos em Igreja e com Maria

“E todos unidos pelo mesmo sentimento,
entregavam-se assiduamente à oração,
com algumas mulheres,
entre as quais Maria, mãe de Jesus,
e com os irmãos de Jesus.”
Act 1, 14



Neste primeiro dia de Maio, mês consagrado a Maria, mãe de Jesus, que também este ano coincida com o primeiro dos nove dias que antecedem a festa do Pentecostes, em que Maria permaneceu com os discípulos no Cenáculo, à espera do Espírito Santo; quem melhor do que ela para nos encorajar na oração? Quem melhor do que ela para interceder os dons do Espírito Santo sobre nós e a Igreja?


Vem Espírito Santo!
Vem renovar os nossos corações
com um novo Pentecostes!
Unidos em Igreja, e com Maria, to pedimos!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Bento XVI aos jovens norte-americanos...e do mundo

«E hoje? Quem leva o testemunho da Boa Nova de Jesus às ruas de Nova Iorque, nos subúrbios inquietos às margens das grandes cidades, aos lugares nos quais os jovens se reúnem em busca de alguém em quem confiar? Deus é a nossa origem e o nosso destino, e Jesus é o caminho. Esta viagem se articula – como a dos nossos santos – entre alegrias e provações da vida quotidiana: nas famílias, nas escolas e nos colégios, durante as actividades do tempo livre e nas comunidades paroquiais. Todos estes lugares são marcados pela cultura na qual cresceis. A vós, jovens americanos, são oferecidas muitas possibilidades para o vosso desenvolvimento pessoal, e fostes educados num espírito de generosidade, serviço e imparcialidade. Mas não precisais que eu vos diga que existem também dificuldades: comportamentos e modos de pensar que sufocam a esperança, caminhos que conduzem à felicidade e à satisfação, mas que conduzem também à confusão e angústia. (…)


Vós notastes quantas vezes a reivindicação da liberdade é feita, sem jamais referir-se à verdade da pessoa humana? (…)
Mas qual é o objectivo da "liberdade" que, ignorando a verdade, persegue o que é falso ou injusto? A quantos jovens foi oferecida uma mão que, em nome da liberdade ou da experiência, os guiou ao vício da droga, à confusão moral ou intelectual, à violência, à perda de respeito por si mesmos, ao desespero, e até, tragicamente, ao suicídio?
Queridos amigos, a verdade não é uma imposição. Nem é simplesmente um conjunto de regras. É a descoberta de alguém, que nunca nos trai; de alguém no qual podemos sempre confiar. Ao procurar a verdade, chegamos a viver apoiados na fé porque, definitivamente, a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo. É esta é a razão pela qual a autêntica liberdade não é uma escolha em “libertar-se de algo”, mas uma decisão em “empenhar-se por”, nada mais do que sair de si mesmo e deixar-se envolver no "ser pelos outros" em Cristo (Spe salvi, 28). (…)





Por vezes, porém, somos tentados em fechar-nos sobre nós mesmos, duvidar da força do esplendor de Cristo, limitar o horizonte da esperança. Tomai coragem! Fixai o olhar nos nossos santos! A diversidade das suas experiências da presença de Deus nos incita a descobrir novamente a grandeza e a profundidade do cristianismo. Deixai que as suas ideias se alarguem livremente à vossa vida cristã. Por vezes, somos consideradas pessoas que falam apenas de proibições. Nada pode ser mais distante da verdade! Uma autêntica vida cristã é caracterizada pela sensação de surpresa. Estamos diante daquele Deus que conhecemos e amamos como um amigo, diante da vastidão de sua criação e da beleza de nossa fé cristã.
Queridos amigos, o exemplo dos santos nos convida também a considerar quatro aspectos essenciais do tesouro de nossa fé: a oração pessoal e o silêncio, a oração litúrgica, a caridade praticada e as vocações.(…)
Amigos, não tenhais medo do silêncio e da quietude, escutai a Deus, adorai-O na Eucaristia! Deixai que a sua palavra modele o vosso caminho como crescimento da santidade.»


Bento XVI aos jovens norte-americanos, 19/04/2008