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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Símbolo precioso da nossa fé

«Caros jovens, confio-vos um tesouro, o mistério da Cruz. (…)
Muitos de vós trazem ao pescoço um fio com uma cruz. Eu também trago uma, como aliás todos os bispos. Não é um adorno, uma jóia. É o símbolo precioso da nossa fé, o sinal visível e material da adesão a Cristo. (…)
Para os cristãos, a Cruz simboliza a sabedoria de Deus e o seu amor infinito revelado no dom salvífico de Cristo, morto e ressuscitado para a vida do mundo, para a vida de cada um e cada uma de vós em particular.
Que esta descoberta arrebatadora possa convidar-vos a respeitar e a venerar a Cruz! Ela é, não só o sinal da vossa vida em Deus e da vossa salvação, mas ela é também – isso o entendeis – a testemunha silenciosa do sofrimento dos homens e, ao mesmo tempo, a expressão única e preciosa de todas as suas esperanças. Caros jovens, sei que venerar a Cruz também suscita por vezes o escárnio e até a perseguição. A Cruz compromete de certa forma a segurança humana, mas ela consolida, também e sobretudo, a graça de Deus e confirma a nossa salvação. Nesta noite, a vós confio a Cruz de Cristo.
O Espírito Santo vos ajudará a entender os mistérios de amor e proclamareis então como São Paulo: “ Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal 6,14). Paulo tinha percebido a palavra de Jesus – aparentemente paradoxal – segundo a qual, só dando (negando) a própria vida, podemos encontrá-la (cf Mc 8,35; Jo 12,24) e daí concluiu que a Cruz exprime a lei fundamental do amor e a expressão perfeita da verdadeira vida. Que a meditação do mistério da Cruz revele a alguns de vós o apelo a servir totalmente a Cristo na vida sacerdotal ou religiosa!»


Bento XVI aos jovens de Paris e de França,
12/09/2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trazei a vossa paz ao nosso mundo violento

Deus de amor, compaixão e cura
olhai o povo de muitos credos
e tradições diferentes,
que se reúne hoje neste lugar,
cenário de violência e dor indizíveis.



Pedimos-vos na vossa bondade,
que concedais luz e paz eternas
a todos aqueles que morreram aqui
àqueles que foram os primeiros
a responder heroicamente:
os nossos bombeiros, policiais,
agentes do serviço de emergência,
funcionários da Autoridade portuária,
juntamente com todos os homens
e mulheres inocentes,
vítimas desta tragédia
somente porque o seu trabalho e o seu serviço
os trouxeram aqui
no dia 11 de Setembro de 2001.

Pedimos-vos, na vossa misericórdia,
que concedais a consolação a quantos,
por causa da sua presença aqui naquele dia,
sofrem por feridas e doenças.

Curai também a dor das famílias
ainda em luto
e de todos aqueles que perderam
os seus entes queridos
nesta tragédia.

Dai-lhes a força para continuar a viver
com coragem e esperança.

Recordamos também
quantos padeceram a morte, prejuízos e perdas
nesse mesmo dia no Pentágono
e em Shanksville, na Pensilvânia.

O nosso coração está unido ao seu,
enquanto a nossa oração
abraça a sua dor e o seu sofrimento.

Deus da paz, trazei a vossa paz
ao nosso mundo violento:
paz ao coração de todos os homens e mulheres
e paz entre as Nações da Terra.

Orientai para o vosso caminho de amor
quantos têm o coração e a mente
consumidos pelo ódio.


Deus de compreensão,
esmagados pela enormidade desta tragédia,
procuramos a vossa luz e a vossa guia,
enquanto enfrentamos acontecimentos terríveis
deste tipo.

Fazei com que aqueles, cuja vida foi poupada,
possam viver de tal modo
que as vidas perdidas aqui
não tenham sido em vão.

Confortai-nos e consolai-nos,
revigorai-nos na esperança
e concedei-nos a sabedoria e a coragem
para trabalhar incansavelmente por um mundo
onde reinem a paz e o amor verdadeiros
entre as Nações e no coração de todos.

Oração de Bento XVI
no Ground Zero, Nova Iorque
20/04/2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Natividade da Virgem Maria

O vosso nascimento, ó Virgem Mãe de Deus,
anunciou a alegria ao mundo inteiro:
de vós nasceu o Sol da justiça, Cristo, nosso Deus,
que destruiu a maldição e nos trouxe a benção,
e, triunfando sobre a morte,
nos deu a vida eterna.

Antífona do Benedictus
da Festa da Natividade da Virgem Maria


«Conscientes do papel importante que Maria tem na existência de cada um, enquanto filhos fiéis, celebramos hoje o seu nascimento. Este acontecimento constitui uma etapa fundamental para a família de Nazaré, berço da nossa redenção; um acontecimento que se refere a todos nós, porque cada dom de Deus concedido a ela, sua Mãe, foram concedido pensando também em cada um de nós, seus filhos. Por isso, é com grande reconhecimento, que pedimos a Maria, Mãe do Verbo encarnado e Mãe nossa, de proteger cada mãe sobre a terra, as que, com seu marido, educam seus filhos num contexto familiar harmonioso, e as que, por numerosos motivos, se encontram sós para enfrentar um papel tão árduo. Que todas possam exercer com entrega e fidelidade o serviço quotidiano na família, na Igreja e na sociedade. Que a Virgem sejam para todas amparo, conforto e esperança!»

Bento XVI,
Angelus no Santuário de Nossa Senhora de Bonaria,
Sardenha, Itália
07/09/2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Guiou a barca de Pedro em anos tempestuosos

Hoje, 6 de Agosto, completam-se os 30 anos da morte do Servo de Deus, Paulo VI.
Giovanni Battista Montini nasceu na região da Lombardia, norte da Itália, a 26 de Setembro de 1897.
Foi papa de 21 de Junho de 1963 até à sua morte aos 81 anos, no dia da Festa da Transfiguração do Senhor de 1978.
“Como supremo Pastor da Igreja, Paulo VI guiou o povo de Deus à contemplação do rosto de Cristo Redentor do homem e Senhor da história. Esta amorosa orientação da mente e do coração para Cristo foi precisamente um dos pontos fulcrais do Concílio Vaticano II, uma atitude fundamental que o meu venerado predecessor João Paulo II herdou e relançou no grande Jubileu do ano 2000. No centro de tudo, sempre Cristo: no centro das Sagradas Escrituras e da Tradição, no coração da Igreja, do mundo e de todo o universo”. (Bento XVI, 03/08/2008)
“Fidem servavi” …”Conservei a fé”…nesta expressão paulina pronunciada poucos dias antes de sua própria morte, está condensado todo o pontificado de Paulo VI. Um Papa sereno e firme, apaixonado pela Verdade, que guiou a barca de Pedro em anos tempestuosos para a Igreja e para o mundo.
Eleito a 21 de Junho de 1963, o Papa Montini confrontou-se desde logo com um grande desafio: levar a cabo o Concílio Vaticano II convocado pelo Beato João XXIII, mas que após um entusiasmo inicial corria o risco de afundar-se. Seguindo com cuidado os trabalhos conciliares, intervindo nas questões mais delicadas, este Papa soube “fazer aterrar este grande avião que era o Concílio como mais ninguém o poderia fazer.” (Jean Guitton)
Com o Concílio, a Igreja actualizou-se, fez o seu “aggiornamento”, renovou-se, mas existiram turbulências que fizeram sofrer muito Paulo VI. Algumas palavras do Papa mostraram graves inquietações sobre os frutos do Concílio:
“A Igreja está a passar por uma hora inquieta de autocrítica, que melhor se chamaria de autodestruição, como um problema agudo e completo que ninguém esperaria após o Concílio. A Igreja parece suicidar-se, matar-se a si mesma.” (07/12/1972)
“Esperava-se que depois do Concílio houvesse um período resplandecente de sol para a história da Igreja. Pelo contrário, vieram nuvens, tempestade e trevas!” (18/08/1975)
“Neste momento há na Igreja uma grande inquietação. O que está em questão é a fé! O que me perturba quando penso no mundo católico é que, dentro do catolicismo, algumas vezes, parece dominar um pensamento não-católico; pode acontecer que este pensamento não-católico, dentro do catolicismo, amanhã seja a força maior na Igreja, mas nunca será a Igreja!” (08/08/1977) Preocupante…sobretudo na boca de um papa…
No 15º ano de pontificado, Paulo VI empenhou-se na pacificação do mundo. Institui um Dia mundial da Paz no 1º de Janeiro de cada ano, e fez-se apóstolo da paz em 9 viagens apostólicas internacionais, que passaram por Portugal, e que o levaram assim a todos os continentes. “Nunca mais a guerra, numa mais a guerra! É a paz, é a paz que deve guiar a sorte dos povos e de toda a humanidade!” (04/10/1965 nas Nações Unidas). Paulo VI é o 1º Papa que viajou de avião.
O Papa Montini preocupou-se também com o sofrimento das nações africanas dilaceradas pela miséria. Em 1967 publicou a encíclica “Populorum progressio”. “O desenvolvimento é o novo nome da paz”. Mas há-de ser um “desenvolvimento integral”, visando “a promoção de cada homem e do homem todo.”
A publicação em 1968 da “Humanae vitae”, centrada sobre o amor conjugal responsável, publicada em pleno ano de contestação nas sociedades ocidentais, fez do Santo Padre objecto, até no interior da Igreja, de críticas cáusticas, que por vezes degeneraram em insultos. O Papa Montini que tomava uma posição pesada e longamente meditada com esta encíclica, exprimia-se assim: “A nossa palavra não é fácil, não é conforme a um uso que hoje em dia se vai difundindo como cómodo e aparentemente favorável ao amor e ao equilíbrio familiar. Queremos recordar que a norma por nós reafirmada não é nossa, mas é própria das estruturas da vida, do amor e da dignidade humana.” (04/08/1968)
Promotor da “civilização do amor”, Paulo VI empenhou-se no diálogo ecuménico, na convicção de que, só unidos, os cristãos poderiam ser factor de reconciliação entre os povos. Histórico é o seu encontro em Jerusalém com o Patriarca de Constantinopla em 1964. No ano seguinte é revogada a excomunhão que as duas Igrejas tinham cominado uma à outra em 1054. Passos em frente se deram também no diálogo com os anglicanos. Em 1966, Paulo VI encontrou-se com o arcebispo de Cantuária. Três anos depois, em Genebra, visitou o Conselho Ecuménico das Igrejas.Em 1978, nos últimos meses de sua vida, o Papa Montini viveu momentos dramáticos com o rapto e assassinato de seu amigo Aldo Moro pelas “Brigadas Vermelhas”, bem explícitos nas palavras trágicas que Ele proferiu numa oração de sufrágio pela alma do político italiano: “Meu Senhor, escutai-nos; quem pode ouvir o nosso clamor senão Vós, ó Deus da vida e da morte? Vós não atendestes as nossas súplicas para o salvamento de Aldo Moro, este homem, bom, humilde, prudente, inocente e amigo.”
De entre muitos frutos do seu ministério petrino, recorda-se a reforma litúrgica na sequência do Concílio Vaticano II, a reforma da Cúria Romana e a celebração do Ano jubilar de 1975. A 29 de Junho de 1978, a pouco mais de um mês de sua morte, Paulo VI afirmava como São Paulo, ter combatido o bom combate do Evangelho:
“O nosso ofício é o mesmo de Pedro, ao qual Cristo confiou o mandato de confirmar os seus irmãos: é o ofício de servir a verdade da fé… Eis, irmãos e filhos, o desejo incansável, vigilante, esgotante, que nos moveu nestes quinze anos de pontificado. ‘Fidem servavi’!...'Conservei a fé!' podemos dizer hoje, com a humilde e firme consciência de nunca ter atraiçoado a santa verdade”.


Quando penso no pontificado do Papa Paulo VI, penso sempre no peso…no fardo…que deve ser, ser Sucessor de São Pedro, Vigário de Cristo na Terra…
Tenhamos sempre presente nas nossas orações o Santo Padre!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Na força do Espírito

«No entanto esta força, a graça do Espírito, não é algo que possamos merecer ou conquistar; podemos apenas recebê-la como puro dom. O amor de Deus pode propagar a sua força, somente quando lhe permitimos que nos mude a partir de dentro. Temos de O deixar penetrar na crosta dura da nossa indiferença, do nosso cansaço espiritual, do nosso cego conformismo com o espírito deste nosso tempo. Só então nos será possível consentir-Lhe que acenda a nossa imaginação e plasme os nossos desejos mais profundos. Eis o motivo por que é tão importante a oração: a oração diária, a oração privada no recolhimento dos nossos corações e diante do Santíssimo Sacramento e a oração litúrgica no coração da Igreja. A oração é pura receptividade à graça de Deus, amor em acto, comunhão com o Espírito que habita em nós e nos conduz através de Jesus, na Igreja, ao nosso Pai celeste. Na força do seu Espírito, Jesus está sempre presente nos nossos corações, esperando serenamente que nos acomodemos em silêncio junto d’Ele para ouvir a sua voz, permanecer no seu amor e receber a “força que vem do Alto”, uma força que nos habilita a ser sal e luz para o nosso mundo. (…)


A força do Espírito Santo não se limita a iluminar-nos e a consolar-nos; orienta-nos também para o futuro, para a vinda do Reino de Deus.(…)
Uma nova geração de cristãos, revigorada pelo Espírito e inspirando-se a uma rica visão de fé, é chamada a contribuir para a edificação dum mundo onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente, e não rejeitada nem temida como uma ameaça e, consequentemente, destruída. Uma nova era em que o amor não seja ambicioso nem egoísta, mas puro, fiel e sinceramente livre, aberto aos outros, respeitador da sua dignidade, um amor que promova o bem de todos e irradie alegria e beleza. Uma nova era na qual a esperança nos liberte da superficialidade, apatia e egoísmo que mortificam as nossas almas e envenenam as relações humanas. Prezados jovens amigos, o Senhor está a pedir-vos que sejais profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade.(…)


O mundo tem necessidade desta renovação. Em muitas das nossas sociedades, ao lado da prosperidade material vai crescendo o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, uma oculta sensação de desespero.(...)
Também a Igreja tem necessidade desta renovação. Precisa da vossa fé, do vosso idealismo e da vossa generosidade, para poder ser sempre jovem no Espírito.(…)
Que o fogo do amor de Deus desça sobre os vossos corações e os encha, a fim de vos unir cada vez mais ao Senhor e à sua Igreja e enviar-vos, como nova geração de apóstolos, para levar o mundo a Cristo.»

Homilia de Bento XVI nas JMJ, 20/07/2008




As próximas Jornadas Mundiais da Juventude em 2011
...mais perto de nós...Madrid!



As palavras do Santo Padre durante as Jornadas Mundiais da Juventude 2008 de Sydney são de particular interesse. Merecem ser impressas, lidas e meditadas…excelentes catequeses de um Papa professor.

domingo, 20 de julho de 2008

Oblação e inspiração

«Crucificado, sepultado e ressuscitado dentre os mortos, restituído à vida no Espírito e sentado à direita do Pai, Cristo tornou-se nosso Sumo Sacerdote, que intercede eternamente por nós. Na liturgia da Igreja, e sobretudo no sacrifício da Missa consumado sobre os altares de todo o mundo, Ele convida-nos a nós, membros do seu Corpo místico, a partilhar a sua auto-oblação. Chama-nos, enquanto povo sacerdotal da nova e eterna Aliança, a oferecer, em união com Ele, os nossos sacrifícios de cada dia pela salvação do mundo.»


Bento XVI ao clero australiano, 19/07/2008



«Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus. Deixai que os seus dons vos plasmem. Assim como a Igreja realiza a sua viagem juntamente com a humanidade inteira, assim também vós sois chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso. Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.
E agora, enquanto nos preparamos para a adoração do Santíssimo Sacramento, em espera silenciosa repito-vos as palavras pronunciadas pela Beata Mary MacKillop quando tinha precisamente vinte e seis anos: ‘Acredita naquilo que Deus sussurra ao teu coração!’ Acreditai n’Ele! Acreditai na força do Espírito do amor!»

Bento XVI, Vigília com os jovens, 20/07/2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A tarefa de testemunha não é fácil

«Queridos amigos, em casa, na escola, na universidade, nos lugares de trabalho e de diversão, recordai-vos que sois criaturas novas. Não vos limiteis a viver cheios de assombro na presença do Criador, alegrando-vos pelas suas obras, mas tende presente que o alicerce seguro da solidariedade humana está na origem comum de toda a pessoa, o cume do desígnio criador de Deus sobre o mundo. Como cristãos, encontrais-vos neste mundo sabendo que Deus tem um rosto humano: Jesus Cristo, o “caminho” que satisfaz todo o anseio humano e a “vida” da qual somos chamados a dar testemunho, caminhando sempre na sua luz.
A tarefa de testemunha não é fácil. Hoje, há muitos que pretendem que Deus deva ficar de fora e que a religião e a fé, embora aceitáveis no plano individual, devam ser excluídas da vida pública ou então utilizadas somente para alcançar determinados objectivos pragmáticos. Esta perspectiva secularizada procura explicar a vida humana e plasmar a sociedade com pouco ou nenhum referência ao Criador. Apresenta-se como uma força neutral, imparcial e respeitadora de todos e cada um. Na realidade, porém, como qualquer ideologia, o secularismo impõe uma visão global. (…)
A experiência demonstra que o afastamento do desígnio de Deus criador provoca uma desordem com inevitáveis repercussões sobre o resto da criação. Quando Deus fica eclipsado, começa a esmorecer a nossa capacidade de reconhecer a ordem natural, o fim e o «bem». (…)

Queridos amigos, a criação de Deus é única e é boa. As preocupações com a não-violência, o progresso sustentável, a justiça e a paz, o cuidado do nosso ambiente são de importância vital para a humanidade. Tudo isto, porém, não pode ser compreendido prescindindo duma reflexão profunda sobre a dignidade congénita de cada vida humana desde a sua concepção até à morte natural, uma dignidade que lhe é conferida pelo próprio Deus e, por conseguinte, inviolável. O nosso mundo está cansado da ambição, da exploração e da divisão, do tédio de falsos ídolos e de respostas parciais, e da mágoa de falsas promessas. O nosso coração e a nossa mente anelam por uma visão da vida onde reine o amor, onde os dons sejam partilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu próprio significado na verdade, e onde a identidade seja encontrada numa comunhão respeitosa. Esta é obra do Espírito Santo. Esta é a esperança oferecida pelo Evangelho de Jesus Cristo. Foi para dar testemunho desta realidade que fostes regenerados no Baptismo e fortalecidos com os dons do Espírito no Crisma. Seja esta a mensagem que de Sydney levareis pelo mundo!»


Bento XVI na festa de acolhimento dos jovens, 17/07/2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Retemperar

Com o Mês de Julho, inicia-se o período das férias das sociedades ocidentais.
Só depois das Jornadas Mundiais da Juventude, que decorrerão de 15 a 20 de Julho em Sydney (Austrália), que Bento XVI gozará as suas férias de verão (de 28 de Julho a 11 de Agosto), na localidade tirolesa de Bressanone, da região italiana de Trentino-Alto Adige.
Para quem parou neste blog, de férias ou esperando por elas, uma palavra do Santo Padre sobre este período de descanso estival.

«No mundo em que vivemos, torna-se quase uma necessidade poder-se retemperar no corpo e no espírito, especialmente para quem vive na cidade, onde as condições de vida, muitas vezes frenéticas, deixam pouco espaço ao silêncio, à reflexão e ao contacto descontraído com a natureza.

Além disso, as férias são dias durante os quais nos podemos dedicar mais prolongadamente à oração, à leitura e à meditação acerca dos significados profundos da vida, no contexto sereno da própria família e das pessoas queridas. O tempo das férias oferece oportunidades únicas para parar diante dos espectáculos sugestivos da natureza, maravilhoso "livro" que está ao alcance de todos, grandes e pequeninos. No contacto com a natureza, a pessoa reencontra a sua justa dimensão, redescobre-se criatura, pequena mas ao mesmo tempo única, "capaz de Deus" porque interiormente aberta ao Infinito. Estimulada pela busca de sentido que se torna urgente no seu coração, ela percebe no mundo que a circunda a marca da bondade, da beleza e da providência divina e quase naturalmente se abre ao louvor e à oração.»

Bento XVI, Angelus no Vale de Aosta, 17 de Julho de 2005

sábado, 28 de junho de 2008

Ano Paulino

«Desde o início, a tradição cristã considerou Pedro e Paulo inseparáveis um do outro, embora cada um tenha tido uma missão diferente a cumprir: Pedro, em primeiro lugar, confessou a fé em Cristo, e Paulo obteve o dom de poder aprofundar a sua riqueza. Pedro fundou a primeira comunidade dos cristãos provenientes do povo eleito, e Paulo tornou-se o Apóstolo dos pagãos. Com carismas diversos trabalharam por uma única causa: a construção da Igreja de Cristo. (…)
Queridos irmãos e irmãs, como nas origens, também hoje Cristo precisa de apóstolos prontos a sacrificar-se a si mesmos. Precisa de testemunhas e de mártires como São Paulo: outrora violento perseguidor dos cristãos, quando no caminho de Damasco caiu no chão fulgurado pela luz divina, passou sem hesitação para o lado do Crucificado e seguiu-O sem titubear. Viveu e trabalhou por Cristo; por Ele sofreu e morreu. Como é actual, hoje, o seu exemplo!
E exactamente por isso, estou feliz por anunciar oficialmente que ao Apóstolo Paulo dedicaremos um especial Ano jubilar, desde 28 de Junho de 2008 até 29 de Junho de 2009, por ocasião do bimilenário do seu nascimento, inserido pelos historiadores entre os anos 7 e 10 depois de Cristo.»


Bento XVI,
Homilia das primeiras vésperas de São Pedro e São Paulo,
28/06/2007

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Tesouro da Igreja

«”A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo”…
A Eucaristia é o nosso mais belo tesouro. Ela é o sacramento por excelência; ela nos introduz por antecipação na vida eterna; ela contém todo o mistério de nossa salvação; ela é a fonte e o cume da acção e da vida da Igreja, como recorda o Concílio Vaticano II. Por isso é particularmente importante que os pastores e os fiéis aprofundem permanentemente este grande sacramento. Cada um poderá assim confirmar a sua fé e cumprir sempre melhor a sua missão na Igreja e no mundo, lembrando que há sempre uma fecundidade da Eucaristia na vida pessoal, na vida da Igreja e do mundo. (…)


“Mistério da fé”: eis que o proclamamos em cada missa. Desejo que cada um se compromete em estudar este grande mistério, de modo particular, lendo e estudando, individualmente ou em grupo, o texto do Concílio sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium, para testemunhar com coragem este mistério. Cada um conseguirá assim perceber melhor cada um dos aspectos da Eucaristia, entendendo a sua profundeza e vivendo-a com maior intensidade. Cada frase, cada gesto tem o seu significado e esconde um mistério. Espero de todo o coração que este congresso servirá de apelo aos fiéis a tomar este compromisso para a renovação da catequese eucarística, afim de que eles próprios tomem plenamente consciência do que é a Eucaristia e ensinem por sua vez as crianças e os jovens a reconhecer o mistério central da fé e a construir suas vidas à volta deste mistério. Encorajo especialmente os sacerdotes a dar a devida honra ao rito eucarístico, e peço a todos os fiéis de respeitar o papel de cada um, tanto o do sacerdote como o do leigo, na acção eucarística. A liturgia não nos pertence: é o tesouro da Igreja.»


Bento XVI, Homilia "via satélite" no Congresso Eucarístico Internacional

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Evangelização

Depois do post "Internet, um novo continente a evangelizar", os comentários e as perguntas que dele surgiram, veio outra interrogação…e se calhar aquela pela qual deveríamos todos começar por colocar antes de qualquer discussão sobre a presença dos cristãos na Internet: “O que é evangelizar?"
Quase como um desabafo e ao mesmo tempo um convite feito a cada um de vós que parastes neste blog, a uma reflexão colectiva sobre o que é a evangelização, confesso que estes dias serão de meditação pessoal sobre este tema.
Neste momento, parece-me necessário parar, perguntar, para saber o porquê daquilo que me parece tão óbvio e natural como o desejo de partilhar e anunciar a minha fé em Cristo.
O Ano Paulino que Bento XVI convocou para toda a Igreja ,e que começa no fim deste mês de Junho, é mais um motivo para reflectir sobre o papel de cada um no anúncio do Evangelho nas suas várias formas.
Uma coisa é certa, aos meus ouvidos ecoa a voz de Cristo, que como outrora aos discípulos, me diz: ““Ide e anunciai o Evangelho a todo o mundo” (Mc 16,15)...e hoje também na Internet.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Eu vos convido

«Cada pessoa precisa de um “centro” na sua vida, de uma fonte de verdade e de bondade à qual recorrer na sucessão das diferentes situações e no cansaço da vida quotidiana.
Cada um de nós, quando se recolhe, precisa sentir não somente o palpitar do coração, mas, de maneira mais profunda, o palpitar de uma presença fiável, perceptível com os sentidos da fé e que, no entanto, é muito mais real: a presença de Cristo, coração do mundo.
Eu vos convido, portanto, a renovar no mês de Junho a vossa devoção ao Coração de Cristo, valorizando também a tradicional oração de oferecimento do dia e tendo presentes as intenções que proponho a toda a Igreja.»

Bento XVI, Ângelus 01/06/08

Ofereço-Vos, ó meu Deus,
em união com o Santíssimo Coração de Jesus,
e por meio do Imaculado Coração de Maria,
as orações, os trabalhos,
as alegrias e os sofrimentos deste dia,
em reparação de todas as ofensas
e por todas as intenções
pelas quais o mesmo Divino Coração
está continuamente intercedendo
e sacrificando-se nos nossos altares.
Eu vo-las ofereço de modo particular
pelas intenções do Apostolado da Oração
neste mês e neste dia.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Todos querem ser jovem

«No nosso coração devemos todos permanecer jovens! É belo ser jovem e hoje todos querem ser jovem, permanecer jovem, e mascaram-se de jovem, mesmo se a juventude passou, visivelmente passada. E pergunto-me, porque é belo ser jovem? Porquê o sonho da eterna juventude? Parece-me que há dois elementos determinantes. A juventude tem ainda à sua frente todo o futuro diante dela, tudo é futuro, tempo de esperança. O futuro está cheio de promessas.
A ser sincero, devemos dizer que para muitos o futuro é obscuro, cheio de ameaças. Não se sabe: encontrarei trabalho? Encontrarei casa? Encontrarei o amor ? Qual é o meu verdadeiro futuro ? E diante destas ameaças, o futuro pode até parecer um grande vazio. Por isso, hoje, não poucos querem parar o tempo por medo de um futuro vazio. Querem consumir na hora todas as belezas da vida. E assim, o azeite da lamparina é gasto logo no início da vida.

Por isso, é importante escolher as verdadeiras promessas que abrem ao futuro, até com renúncias. Quem escolheu Deus, radica a sua velhice num futuro sem fim e sem ameaças diante de si. Portanto, é importante escolher bem e não destruir o futuro. E a primeira escolha fundamental deve ser Deus, Deus que se revelou no Filho, Jesus Cristo, que à luz desta escolha, nos oferece sua companhia no caminho, uma companhia digna de confiança, que não abandona nunca; e onde à luz desta escolha se encontram os critérios para as demais opções necessárias. Ser jovem implica ser bom e generoso. E de novo, a bondade em pessoa é Jesus Cristo. Este Jesus que conheceis ou a quem o vosso coração procura. Ele é o Amigo que nunca trai, fiel até ao dom da sua vida na cruz! Rendei-vos ao seu amor!»


Bento XVI aos jovens de Génova, 18/05/2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

Bento XVI aos jovens norte-americanos...e do mundo

«E hoje? Quem leva o testemunho da Boa Nova de Jesus às ruas de Nova Iorque, nos subúrbios inquietos às margens das grandes cidades, aos lugares nos quais os jovens se reúnem em busca de alguém em quem confiar? Deus é a nossa origem e o nosso destino, e Jesus é o caminho. Esta viagem se articula – como a dos nossos santos – entre alegrias e provações da vida quotidiana: nas famílias, nas escolas e nos colégios, durante as actividades do tempo livre e nas comunidades paroquiais. Todos estes lugares são marcados pela cultura na qual cresceis. A vós, jovens americanos, são oferecidas muitas possibilidades para o vosso desenvolvimento pessoal, e fostes educados num espírito de generosidade, serviço e imparcialidade. Mas não precisais que eu vos diga que existem também dificuldades: comportamentos e modos de pensar que sufocam a esperança, caminhos que conduzem à felicidade e à satisfação, mas que conduzem também à confusão e angústia. (…)


Vós notastes quantas vezes a reivindicação da liberdade é feita, sem jamais referir-se à verdade da pessoa humana? (…)
Mas qual é o objectivo da "liberdade" que, ignorando a verdade, persegue o que é falso ou injusto? A quantos jovens foi oferecida uma mão que, em nome da liberdade ou da experiência, os guiou ao vício da droga, à confusão moral ou intelectual, à violência, à perda de respeito por si mesmos, ao desespero, e até, tragicamente, ao suicídio?
Queridos amigos, a verdade não é uma imposição. Nem é simplesmente um conjunto de regras. É a descoberta de alguém, que nunca nos trai; de alguém no qual podemos sempre confiar. Ao procurar a verdade, chegamos a viver apoiados na fé porque, definitivamente, a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo. É esta é a razão pela qual a autêntica liberdade não é uma escolha em “libertar-se de algo”, mas uma decisão em “empenhar-se por”, nada mais do que sair de si mesmo e deixar-se envolver no "ser pelos outros" em Cristo (Spe salvi, 28). (…)





Por vezes, porém, somos tentados em fechar-nos sobre nós mesmos, duvidar da força do esplendor de Cristo, limitar o horizonte da esperança. Tomai coragem! Fixai o olhar nos nossos santos! A diversidade das suas experiências da presença de Deus nos incita a descobrir novamente a grandeza e a profundidade do cristianismo. Deixai que as suas ideias se alarguem livremente à vossa vida cristã. Por vezes, somos consideradas pessoas que falam apenas de proibições. Nada pode ser mais distante da verdade! Uma autêntica vida cristã é caracterizada pela sensação de surpresa. Estamos diante daquele Deus que conhecemos e amamos como um amigo, diante da vastidão de sua criação e da beleza de nossa fé cristã.
Queridos amigos, o exemplo dos santos nos convida também a considerar quatro aspectos essenciais do tesouro de nossa fé: a oração pessoal e o silêncio, a oração litúrgica, a caridade praticada e as vocações.(…)
Amigos, não tenhais medo do silêncio e da quietude, escutai a Deus, adorai-O na Eucaristia! Deixai que a sua palavra modele o vosso caminho como crescimento da santidade.»


Bento XVI aos jovens norte-americanos, 19/04/2008

sábado, 19 de abril de 2008

Existe uma sede profunda de Deus

«Para uma sociedade rica, outro obstáculo ao encontro com o Deus vivo é a subtil influência do materialismo, que, infelizmente, pode facilmente concentrar a atenção no “cêntuplo” prometido por Deus nesta vida, à custa da vida eterna que Ele promete para o tempo que virá (Mc10,30).
As pessoas precisam hoje ser recordadas do objectivo último da existência.
Precisam reconhecer que dentro delas, existe uma sede profunda de Deus.
Precisam ter a oportunidade de se saciar à fonte de seu amor infinito.
É fácil ser seduzido pelas possibilidades quase ilimitadas que a ciência e a técnica nos oferecem.
É fácil cometer o erro de pensar conseguir, com os nossos próprios esforços, a realização das nossas necessidades mais profundas. Isto é uma ilusão.
Sem Deus, que nos dá aquilo que não podemos alcançar sozinhos (Spe salvi 31), as nossas vidas são, afinal de conta, vazias.
As pessoas precisam ser continuamente convidadas a cultivar uma relação com Ele, que veio para que tenhamos vida em abundância (Jo10,10).
O objectivo de todas as nossas actividades pastorais e catequéticas, o propósito da nossa pregação, o próprio centro de nosso ministério sacramental deve ser ajudar as pessoas a estabelecer e alimentar uma relação viva com “Jesus Cristo, nossa esperança”(1Tm1,1)

Bento XVI ao bispos dos E.U.A, 16/04/2008




No 3º aniversário de pontificado de Bento XVI

Ó Jesus cabeça invisível da Santa Igreja,
que a fundastes sobre uma firme pedra,
e prometestes que as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela,
conservai, fortificai e guiai
aquele que lhe destes por cabeça visível.
Fazei que ele seja o modelo do vosso rebanho,
assim como é o seu pastor.
Seja ele o primeiro por sua santidade, doutrina e paciência,
assim como o é por sua dignidade;
seja ele o digno Vigário de vossa Caridade,
assim como o é da vossa Autoridade.


de uma oração pelo Sumo Pontífice

terça-feira, 15 de abril de 2008

U.S Church

Esta semana é marcada na actualidade pela viagem pastoral de Bento XVI aos Estados Unidos da América.
Neste país, 1 em 4 habitantes é católico (65 milhões). A Igreja Católica é assim o grupo religioso mais importante em terras do Tio Sam, ocupando o terceiro lugar no catolicismo mundial, atrás do Brasil e do México, em igualdade com as Filipinas, e à frente dos países europeus. Conta com 14 cardeais, 300 bispos, 45 000 sacerdotes, 197 dioceses e 20 000 paróquias. No entanto, o seu peso não se faz sentir no governo da Igreja ou na teologia, nem nas orientações políticas, sociais ou económicas dos Estados Unidos.
Abalada pelo “annus horribilis” de 2002, em que foram revelados casos de abusos sexuais por sacerdotes, abafados pela hierarquia ao longo de anos, a Igreja Católica Norte-Americana conhece porém uma progressão constante que a faz ocupar um lugar central na cena social e política americana. Cada vez mais aculturada, a Igreja Norte-Americana tende em afastar-se da influência de Roma e da velha Europa.
No passado Domingo, referindo à sua viagem aos Estados Unidos como uma "experiência missionária", Bento XVI afirmava: «Minha intenção é compartilhar a palavra de vida de Nosso Senhor com os diferentes grupos que encontrarei».
Escolhendo como lema da peregrinação: «Cristo, nossa esperança!», o Santo Padre quer assim transmitir aos norte-americanos que «Cristo é o fundamento da nossa esperança, da paz, da justiça e da liberdade que procede do cumprimento da lei de Deus em amar-nos mutuamente» (Regina Caeli 13/04/2008).
O Papa pediu as orações dos crentes «pelo êxito de minha visita de maneira que seja um momento de renovação espiritual para todos os americanos».




Santos Norte-Americanos:

Santa Rosa Filipa Duchesne (1769 -1852), de origem francesa, religiosa, co-fundadora da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus com Madeleine-Sophie Barat, canonizada em 1988 por João Paulo II.

Santa Isabel (Elisabeth) Ann Seton (1774-1821), convertida do Anglicanismo ao Catolicismo, fundadora das Irmãs da Caridade. Primeira cidadã natural dos Estados Unidos da América a ser canonizada. Beatificação por João XXIII e Canonização por Paulo VI.

São João (John) Newman (1811-1860), de origem checa, naturalizado norte-americano, bispo de Filadélfia (Pensilvânia), beatificado e canonizado por Paulo VI.

Santa Francisca (Frances) Xavier Cabrini (1850 - 1917), de origem italiana, conhecida por Madre Cabrini, é a 1ª santa naturalizada norte-americana, co-fundadora do Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, beatificada e canonizada por Pio XII.

Santa Catarina Drexel (1858-1955), fundadora da Irmãs do SS. Sacramento, beatificada e canonizada por João Paulo II.

terça-feira, 4 de março de 2008

Reconciliar-se

«Queridos irmãos e irmãs, para uma profunda celebração da Páscoa, a Igreja pede aos fiéis que se aproximem nestes dias do Sacramento da Penitência, que é como uma espécie de morte e ressurreição para cada um de nós.(…)
Preparar-se para a Páscoa com uma boa confissão continua a ser um dever que se deve valorizar plenamente, porque nos oferece a possibilidade de recomeçar a nossa vida e ter realmente um novo início na alegria do Ressuscitado e na comunhão do perdão que Ele nos concede.
Conscientes de ser pecadores, mas confiantes na misericórdia divina, deixemo-nos reconciliar por Cristo para gozar mais intensamente a alegria que Ele nos comunica com a sua ressurreição.»

Bento XVI, Audiência Geral 12/04/2006



Compadecei-vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Desviai o vosso rosto das minhas faltas
e purificai-me de todos os meus pecados.
Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido:
não desprezareis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.


Estes poucos versículos do salmo 50(51) são dos meus predilectos...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O mundo promete

A Quaresma é tempo para voltar ao essencial, de libertação…de regresso a Deus.
Uma oportunidade para ler algumas frases da Irmã Lúcia, que faleceu por estes dias há 3 anos, e que certamente nos ajudarão nesta caminhada quaresmal.
«O mundo promete facilidades e prazeres e rodeia-nos de muitas tentações aliciadores, mas falsas e nascidas da ignorância, porque o mundo ou, antes, os que seguem as máximas do mundo desconhecem o bem que rejeitam e perdem, quando se afastam de Deus. Todos correm em busca da felicidade, mas não encontram, porque a procuram onde ela não existe, e assim, como é errada a estrada, quanto mais a seguem mais se afastam da felicidade.
Deus é o único Ser onde está a felicidade, para a qual, aliás, nos criou. Mas Deus não está na satisfação dos prazeres sensuais da carne, dos sentidos, nem das paixões, do orgulho, da soberba, da cobiça, etc.
Deus encontra-Se nas almas puras, nos corações humildes e nas consciências rectas, livres do apego às coisas da terra, como sejam honras, prazeres, riquezas, etc. É que as pessoas assim libertas identificam-se com Deus, e a vida de Deus nelas; e Ele comunica-lhes uma participação sempre crescente nos Seus dons.»



Irmã Lúcia, Apelos da Mensagem de Fátima



Ontem, o Cardeal Saraiva Martins, em Coimbra, anunciou a antecipação, por decisão de Bento XVI, do início do processo de beatificação da mais velha dos pastorinhos de Fátima.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Onde estava Deus naqueles dias?

A alguns meses do fim da II Guerra Mundial, a 27 de Janeiro de 1945, perto de 7500 prisioneiros, pesando entre 23 e 35 kg, foram libertados pelo Exército Vermelho, do Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau (Polónia).
Estima-se que entre um milhão e um milhão e meio de pessoas morreram lá, na grande maioria judeus, mas muitos cristãos também sucumbiram em Auschwitz, principalmente padres polacos.
São Maximiliano Kolbe, um sacerdote que deu a sua vida afim de salvar a de um prisioneiro; Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), uma brilhante filósofa nascida na Alemanha, convertida do judaísmo ao catolicismo, que abraçou a vida religiosa no Carmelo, fazem parte das vítimas desta autêntica fábrica de morte da Alemanha Nazi.
Os homens não podem esquecer esta triste página da história da humanidade.

«Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal? (…)
Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus, vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos juízes de Deus e da história. Não defendemos, nesse caso, o homem, mas contribuiremos apenas para a sua destruição. Não em definitiva, devemos elevar um grito humilde mas insistente a Deus: Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem! (…)
Nós gritamos a Deus, para que impulsione os homens a arrepender-se, para que reconheçam que a violência não cria a paz, mas suscita apenas outra violência uma espiral de destruição, na qual todos no fim de contas só têm a perder. (…)
A humanidade atravessou em Auschwitz-Birkenau um "vale escuro".
Por isso desejo, precisamente neste lugar, concluir com a oração de confiança com um Salmo de Israel que é, ao mesmo tempo, uma oração da cristandade:
"O Senhor é o meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me fez descansar
e conduz-me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma
e guia-me por caminhos rectos,
por amor do seu nome.
Ainda que atravesse vales tenebrosos,
de nenhum mal terei medo
porque Tu estás comigo.
A tua vara e o teu cajado dão-me confiança...
habitarei na casa do Senhor para todo o sempre"
(Sl 23, 1-4.6)



Bento XVI, na visita ao Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau, 28/05/2006




Em Auschwitz, um soldado polaco, Stefan Jasienski, gravou uma imagem do Sagrado Coração de Jesus nas paredes de sua cela. Retratou-se a si próprio nesta gravura, olhando para o Coração trespassado de Cristo e com os braços à volta da cintura de Jesus. Provavelmente foi morto no acampamento.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Versus ad Orientem

Desde a nomeação de um novo cerimonário, Monsenhor Guido Marini, as celebrações em Roma têm cada vez mais elementos tradicionais litúrgicos pré-conciliares. Tronos, candelabros, crucifixos, paramentos de outros tempos voltaram nas celebrações papais. Atitudes, colocação dos celebrantes e acólitos também recordam um certo passado da Igreja.
No último domingo, na Missa da Solenidade do Baptismo do Senhor que ocorreu na Capela Sixtina, foi usado o altar encostado à parede do fundo do edifício. Por isso, o Santo Padre, que seguia o Missal de Paul VI (o actual), celebrou “em alguns momentos, de costas para os fiéis, com o olhar voltado para a Cruz, orientando assim a atitude e disposição de toda a assembleia”.
Algo de pouco habitual… e que não vai contra o Concílio Vaticano II, uma vez que os textos conciliares nunca fazem menção de altar voltado para o povo. Também a reforma litúrgica de Paulo VI não mudou a posição do sacerdote durante a Missa mas permitiu celebrar o Santo Sacrifício versus ad populum, virada para o povo.


Alguns analistas comentam esta escolha de Bento XVI como um desejo de mostrar que o Concílio Vaticano II e a Liturgia renovada não se inscrevem na ruptura mas na continuidade da Tradição litúrgica. Assim, para estes, a introdução de elementos da Missa Tridentina (que nunca foi revogada pelos Padres Conciliares) na Missa segundo o Missal de Paul VI, ajudariam a marcar melhor o carácter sagrado da Eucaristia e a evitar abusos nas celebrações, desejos e preocupações já referidos pelo Santo Padre na exortação apostólica “Sacramento da caridade”.
Missa de costas para o povo ou Missa versus ad Orientem, voltada para o Oriente?
Prefiro a segunda terminologia, pelo significado cristológico (Cristo =Oriente, Sol nascente).
Nos nossos dias, já não será bem assim por causa da construção das igrejas, cujo altar já não está obrigatoriamente dirigido para Leste.
Destas escolhas litúrgicas do Santo Padre, como o “Motu proprio” que liberaliza o Rito Tridentino, o mais difícil para mim é mesmo distanciá-los daqueles que defendem a superioridade da Missa de São Pio V, condenam Vaticano II e defendem o rosto de uma Igreja majestosa e poderosa. Por isso, ao princípio, fiquei um pouco perplexo com as mudanças papais, mas procurei aprofundar o tema e, realmente, não há nada de polémico, como fiéis de extremos (tradicionalistas e progressistas) o desejariam.
Mas a grande questão litúrgica é a beleza.
O Papa Bento XVI tem razão quando diz que a beleza litúrgica pressupõe arquitectura, textos e música de qualidade para exprimir a fé de uma comunidade… não para dar um espectáculo, mas para criar um clima de oração e transformar a vida.

Mas será para isso necessário ir buscar aos armários paramentos e atitudes de outro tempo, que não tem tanto a ver com a tradição litúrgica mas mais com estilos de época?


Ó Cristo,
Sol nascente do Oriente ,
conduz os fiéis da tua Igreja
à unidade da fé,
na celebração dos teus mistérios divinos.