quarta-feira, 26 de agosto de 2009

“Também vós quereis ir embora?”

«Escandalizados pelas palavras do Senhor, (…) muitos, depois de tê-lo seguido exclamam: “Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?”.
E a partir daquele momento, “muitos dos discípulos afastaram-se e já não mais andavam com Ele”.
Jesus, no entanto, não modera as suas afirmações; mas pelo contrário dirige-se directamente aos doze, dizendo: “Também vós quereis ir embora?”.
Esta pergunta provocadora não se dirige somente aos ouvintes da altura, mas é dirigida aos crentes e aos homens de todas as épocas.
Também hoje, não são poucos aqueles que ficam escandalizados diante do paradoxo da fé cristã. O ensinamento de Jesus parece duro, demasiado difícil de acolher e de pôr em prática. Há então quem o recusa e abandona Cristo; há quem tenta adaptar a sua palavra às modas do tempo desnaturando-lhe o sentido e o valor.
“Também vós quereis ir embora?”
Esta inquietante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal.
Jesus não se conforma com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente a adesão inicial entusiasta. É necessário, ao contrário, partilhar durante toda a vida do seu pensamento e do seu querer. Segui-lo enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas comporta dificuldades e renúncias, pois com muita frequência é preciso nadar contra a corrente.
“Também vós quereis ir embora?”
À pergunta de Jesus, Pedro responde em nome dos apóstolos: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”.»



Bento XVI, Angelus 23/08/2009

sábado, 15 de agosto de 2009

A Vida em pessoa não a recusou

A Assunção é o coroar da vida daquela que chamamos Mãe de Deus, porque ela é de facto Mãe de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Ele também se elevou ao céu, no entanto, uma distinção importante existe entre a Ascensão de Cristo e a Assunção de Maria.
Enquanto Jesus subiu pelo seu próprio poder, a Virgem Maria foi elevada ao céu pelo poder divino. Estamos aqui, como na Ascensão do Senhor, diante de um mistério.
O nosso entendimento bloqueia, só podemos simplesmente afirmar:
Maria, no final da sua vida terrena, entrou na glória de seu Filho.
Ela entrou em corpo e alma.
Toda a sua humanidade - uma alma separada do corpo não é um ser humano completo - foi glorificada.
Ela está noutra dimensão da existência que nos é actualmente inacessível.
Neste mistério da Assunção fazem todo o sentido as palavras que ela proferiu no seu cântico de acção de graças, o “Magnificat”: “O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas... Ele levanta os humildes”.
Como Maria, mulher de nossa raça, estamos destinados à mesma glória.



«Hoje, a Arca santa e animada do Deus vivo, que concebeu o seu Criador, repousa no templo do Senhor, que não foi construído pela mão do homem.
O seu pai David exulta, e com ele, os Anjos fazem coro: os Arcanjos a celebram, as Virtudes a glorificam, os Principados a exaltam, os Poderes se alegram, os Tronos a enaltecem, os Querubins a louvam, os Serafins proclamam a sua glória.
Hoje, o Éden recebe o paraíso espiritual do novo Adão, onde a nossa condenação foi revogada. A árvore da vida foi plantada, a nossa nudez foi restituída.
Hoje, a Virgem Imaculada, que não foi manchada por nenhuma paixão terrena, mas formada no pensamento celeste, não foi devolvida à terra, mas colocada viva nas mansões celestes. Como poderia estar sujeita à morte aquela que foi para todos a fonte da verdadeira vida? Embora tenha sido sujeito à lei estabelecida pelo seu próprio Filho, como filha do velho Adão, ela enfrenta a velha condenação. O seu Filho, que é a Vida em pessoa, não a recusou, mas como Mãe do Deus vivo, foi apenas elevada ao seu lado.»


Sermão de São João Damasceno sobre a Dormição da Bem-aventurada Virgem Maria

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se tivéssemos os olhos dos Anjos

«Se tivéssemos os olhos dos Anjos, olhando Nosso Senhor presente aqui no altar que olha para nós, como O amaríamos! Não quereríamos mais deixá-l’O, mas antes permanecer a seus pés; seria um antegosto do Céu; tudo se tornaria insípido. Mas a fé nos falta. Somos cegos miseráveis com névoa diante dos olhos. Só a fé poderia dissipar esta névoa.»

«Nosso Senhor está aí como vítima. Uma oração muito agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem de oferecer ao Pai Eterno o seu divino Filho, ensanguentado e ferido pela conversão dos pecadores que somos. É a melhor oração que podemos fazer porque todas as orações são feitas em nome e pelos méritos infinitos de Jesus Cristo. Todas as vezes que alcancei uma graça, pedi-a desta forma, nunca foi declinada.»

«Quando comungardes, deveis ter sempre uma intenção, e na hora de receber o Corpo de Nosso Senhor, dizer:
“Ó meu bom Pai que estais nos céus,
ofereço-Vos agora o vosso Filho,
tal como foi retirado e descido da Cruz,
depositado nos braços da Santíssima Virgem,
e que ela Vos ofereceu em sacrifício por nós.
Ofereço-Vos o seu Santíssimo Corpo,
por intercessão de sua Santíssima Mãe,
pedindo-Vos a remissão dos meus pecados,
para fazer um boa comunhão,
e alcançar a graça… (da fé, da caridade, da humildade)”.»


S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars