domingo, 31 de maio de 2009

Como crianças que procuram a proximidade de seus pais

Com a Solenidade de Pentecostes termina o Tempo Pascal.
O tempo para o encontro com o Ressuscitado não é de uma única época do ano, pois podemos encontrá-l'O todos os dias na Eucaristia, quando adoramos a sua presença viva neste “tão grande sacramento”.
Nós também, como os discípulos de Emaús, reconhecemos o Senhor na “fracção do pão”, pela acção do Espírito Santo nos nossos corações.
Mais se acredita em Jesus, mais o seu Espírito cativa a nossa existência, mais a sua inspiração enche o nosso pensamento, mais o seu amor nos leva a agir.
Sem o Espírito, não se pode fazer nada de sobrenatural, ou mesmo rezar, porque Ele é o único que eleva o nosso espírito e o nosso coração para Deus.




Tudo o que é verdadeiro na vida da Igreja e na vida de cada um, é reduzido à sua acção.
Não há nada que uma alma possa fazer em nome de Jesus, sem a cooperação do Espírito Santo.
Pensa-se muito pouco sobre a necessidade de o Espírito Santo na vida da Igreja e na nossa.
Recordamo-l’O apenas em momentos precisos, mas, na realidade, devíamos invoca-l’O ao longo do dia, como crianças que procuram a proximidade de seus pais para serem fortalecidos da sua força, tranquilizados pela sua presença.
É isso mesmo que a sequência do Pentecostes nos recorda: “Vinde Espírito Santo, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações!”
Quem são estes pobres senão cada um de nós, rico de si mesmo, mas tão necessitado deste Espírito divino?

domingo, 24 de maio de 2009

Este santo dia luminoso

Hoje, «o nosso Salvador subiu aos céus: vamos, não nos abalemos nesta terra.
Que a nossa alma esteja onde Ele está, e desde já descansaremos.
Subamos de coração com Cristo, aguardando o dia prometido em que o seguiremos também de corpo. Mas deveis saber que nem o orgulho, nem a avareza e a luxúria, sobem com o nosso Médico.
Por isso, se queremos seguir o Médico na sua Ascensão, devemos deixar o fardo dos nossos erros e os nossos pecados…
Subamos com Ele e elevemos os nossos corações, enlaçados ao Senhor.
A Ressurreição do Senhor é a nossa esperança…a Ascensão do Senhor, a nossa glorificação!
Por isso celebremos a Ascensão do Senhor com rectidão, fidelidade, devoção, santidade e piedade, e subamos com Ele, elevando os nossos corações».



S. Agostinho, Sermão sobre a Ascensão






Optátus votis ómnium
Sacrátus illúxit dies,
Quo Christus, mundi spes,
Deus, Conscéndit cælos árduos.

Nunc, Christe, scandens ǽthera
Ad te cor nostrum súbleva,
Tuum Patrísque Spíritum
Emíttens nobis cǽlitus.



Proclamamos de viva voz
este santo dia luminoso,
em que Cristo Deus, esperança do mundo,
se eleva ao mais alto dos céus.

Para Vós, ó Cristo que agora ascendeis,
elevai os nossos corações,
e sobre nós derramai dos céus
o Espírito que é vosso e do Pai.


do Hino de Laudes
Optátus votis ómnium Sacrátus illúxit dies

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Felizes de imitar

A imitação é a mais delicada homenagem que podemos dar-lhe; é proclamar, não só com palavras, mas também com acções, que ela é um modelo perfeito de que estamos muito felizes de imitar.
Já dissemos como Maria, sendo uma cópia viva de seu Filho, é para nós o exemplo de todas as virtudes. Aproximar-nos dela é aproximar-nos de Jesus, por isso não podemos fazer melhor do que estudar as suas virtudes, meditá-las muitas vezes, e esforçar-nos em reproduzi-las. Para conseguir, devemos realizar todas e qualquer das nossas acções por Maria, com Maria e em Maria.
Por Maria, isto é, pedindo por meio dela as graças que necessitamos para imitá-la, indo por ela até Jesus, ad Jesum per Mariam.
Com Maria, ou seja, considerando-a o modelo e a colaboradora, perguntando-se muitas vezes: “O que Maria faria se estivesse no meu lugar?”, rezando-lhe humildemente para nos ajudar a conformar as nossas acções aos seus desejos.
Em Maria… depender desta boa mãe, entrar no seu parecer, nas suas intenções, fazendo as nossas acções, tal como ela, para glorificar a Deus: Magnificat anima mea Dominum.



Adolphe Tanquerey (1854-1932),
Padre, Professor e Doutor em Direito Canónico e Teologia Dogmática,
in Compêndio de Teologia Ascética e Mística

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Atender ao único necessário, ao inteiramente simples

«Através dos dois grandes sinais de Lurdes e de Fátima, ela está connosco, como Mãe de Misericórdia e nos exorta. Não precisa de muitas palavras, pois tudo está dito, naquela sua palavra essencial toda impregnada de solicitude materna: "fazei tudo o que Ele vos disser".
Devemos notar também que Maria falou aos pequeninos, aos menores, aos sem voz, aos que não contam neste mundo iluminado, cheio de orgulho de saber e de fé no progresso, o qual é, ao mesmo tempo, um mundo cheio de destruições, cheio de medo e cheio de desespero: porque, de facto, eles já não têm vinho, mas só água.
Ó quanto isto tem aplicação hoje!
Maria fala aos pequeninos, para nos mostrar o que é preciso saber, isto é, atender ao único necessário, ao inteiramente simples, ao que para todos é igualmente importante e igualmente possível: crer em Jesus Cristo, o bendito fruto do seu ventre.
Nós lhe agradecemos esta sua presença maternal e por nos falar, como Mãe clementíssima e misericordiosa, aqui neste lugar, e dum modo tão vivo e tão expressivo. E é, por isso, que, com toda a Igreja, louvando a Mãe de Deus e nossa Mãe celeste, com as palavras da "Salve Rainha, Mãe de Misericórdia", lhe pedimos:
"e depois deste desterro nos mostrai Jesus,
ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria".
Amen.»


Cardeal Ratzinger (Bento XVI),
13/10/1996, Fátima

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Como peregrino da paz!

«Caros amigos, nesta sexta-feira deixarei Roma para a minha Visita Apostólica à Jordânia, Israel e Territórios Palestinianos.
Nesta manhã, através da rádio e da televisão, gostaria de aproveitar a oportunidade para saudar todos os povos desses países. Estou ansioso por estar convosco, e partilhar as vossas aspirações e esperanças, sofrimentos e lutas.
Venho entre vós como peregrino da paz!
A minha primeira intenção é visitar os locais tornados santos pela vida de Jesus e, rezar neles pelo dom da paz, da unidade para as vossas famílias, e para todos quantos têm a Terra santa e o Médio Oriente como sua casa.
Entre os inúmeros encontros religiosos e civis, que se realizarão durante a semana, haverá uns com os representantes das comunidades judaica e muçulmana, com as quais se têm feito grandes progressos no diálogo e no intercâmbio cultural.
Saúdo com especial afecto os católicos da região, e peço-lhes para se juntarem a mim em oração, para que a visita seja fecunda para a vida espiritual e civil das pessoas que vivem na Terra Santa.
Louvemos todos a Deus pela sua bondade!
Possamos todos ser pessoas de esperança!
Possamos todos ser perseverantes no desejo e nos esforços para a paz!»



Bento XVI,
Audiência Geral 06/05/2009


A Terra Santa é como um quinto Evangelho disse Paulo VI.
Os locais onde Deus falou aos profetas e onde Jesus caminhou permanecem lugares importantes para a fé, de Belém a Jerusalém, passando por Nazaré ou o Lago da Galileia.
De facto, o Verbo encarnou. Ele escolheu ser um homem em determinado época "na plenitude dos tempos" (Gal 4, 4), no meio de um povo eleito, numa terra de fé.
Esta peregrinação do Papa Bento XVI convida-nos a redescobrir a terra das promessas… o lugar do dom de Deus.
A Terra Santa alimenta a fé porque coloca em contacto vivo com os dois Testamentos da Sagrada Escritura. Mas esta peregrinação é também um teste de fé nesta terra das grandes religiões monoteístas. Como dizer que Jesus é o Salvador dos homens?
Num lugar onde há tantas denominações cristãs diferentes, como afirmar que a Igreja é una? Seguindo a peregrinação de Bento XVI, viveremos em comunhão com os cristãos da Terra Santa, mas também com todos os habitantes, judeus e muçulmanos, desta terra que Deus ama.
Boa Viagem Santo Padre!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em primeiro lugar, ele deve ser

Na véspera da sua viagem para África, o Papa Bento XVI fez um discurso perante a sessão plenária dos membros da Congregação para o Clero. Esta congregação se reúne uma vez por ano a fim de abordar um tema específico. Este ano, o tema era: "A identidade missionária do sacerdote na Igreja."

O Santo Padre aproveitou a ocasião para fazer um anúncio: «em vista de favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério, decidi proclamar um especial "ano sacerdotal", que irá de 19 de Junho próximo ao dia 19 de Junho de 2010. Efectivamente, celebra-se o 150º aniversário da morte do Santo Cura d'Ars, João Maria Vianney, verdadeiro exemplo de Pastor ao serviço da grei de Cristo».
O "ano sacerdotal" terá por tema: "Fidelidade a Cristo, Lealdade do sacerdote."
Começará com as Vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e terminará um ano mais tarde com um encontro mundial de sacerdotes em Roma. Neste ano dos sacerdotes, São João Maria Vianney será proclamado padroeiro de todos os sacerdotes.



Este “ano sacerdotal” será muito importante para cada sacerdote, mas também para todos os fiéis, na percepção do que é verdadeiramente um padre...uma concepção deste ministério muitas vezes distorcida, desarticulada.
Julga-se frequentemente as acções de um sacerdote pelo exterior:
quantas comunidades paroquiais assiste;
como é capaz de coordenar as suas acções, organizar-se;
quantos colaboradores tem;
quantos compromissos tem na sua agenda;
quantas igrejas renovou;
quantos fiéis convenceu em participar na vida da paróquia etc…
Tudo isto é bom. É positivo ver um padre lutar pelo Reino de Deus, pela sua comunidade.
Mas o"agir" é apenas um aspecto.
Há outro aspecto, mais importante, e que é a causa de qualquer acção externa, é o "ser"…é a identidade do sacerdote.
A identidade é como a resposta do jovem debaixo da árvore a quem é perguntado: "O que estás a fazer?" E ele responde: "Eu sou".
É a esta resposta que é chamado o padre, porque, em primeiro lugar, ele deve ser:
ser sacerdote;
ser um “homem de Deus";
um “homem pelo qual vem a graça”;
ser aquele que é chamado e enviado;
ser um sacerdote com todo o coração e com alegria;
ser um servo de Deus, que não se produz a si mesmo,
mas que, como o Profeta Jeremias, faz suas as palavras do Senhor.
Um homem que, com todo o seu ser, orienta os homens para Deus.

domingo, 3 de maio de 2009

Nos seus passos, como Ele

«Jesus Cristo quer apascentar na pessoa dos pastores, e os pastores na pessoa de Jesus Cristo. Os pastores glorificam-se, mas quem se gloria deve gloriar-se em Jesus Cristo.
Apascentar por Cristo, apascentar em Cristo e apascentar com Cristo, não é apascentar para si mesmo senão para Cristo. (...)
Todos os pastores devem por isso o ser num só Pastor, todos devem senão fazer ouvir a voz d'Ele às ovelhas, para que as ovelhas sigam o seu único Pastor, e não este ou aquele; todos devem ter n’Ele o mesmo discurso sem pronunciar ensinamentos distintos.»


S. Agostinho, Padre e Doutor da Igreja
Sermão XLVI. O único Pastor.




O 4º Domingo da Páscoa é tradicionalmente chamado “Domingo do Bom Pastor”, pois o Evangelho deste dia convida-nos a reflectir de modo particular na imagem do Pastor que dá a sua vida pelas suas ovelhas. Jesus quis que nos seus passos, como Ele, houvesse uma multidão de pastores, que, por sua vez, desse a sua vida para guardar as ovelhas e trazer de volta aquelas que se perderam.
Ele quis que cada sacerdote se assemelhasse com Ele, cumprisse com a sua graça a tarefa de conduzir o seu rebanho para as pastagens do Céu...os Sacramentos da Igreja são feitos para isto.
O “Domingo do Bom Pastor” é por isso um dia especial para os homens que se colocaram ao serviço exclusivo do Bom Pastor que é Cristo. Rezemos fervorosamente pelos exigentes e difíceis desafios e responsabilidades da cada pastor, e que no mundo haja muitos e santos sacerdotes!