quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nesta Quaresma, esforcemo-nos

«Que cada um se examine agora para saber em que estado está, e esforcemo-nos em progredir todos os dias, porque é avançando na virtude que veremos o Deus dos deuses, na Sião celeste. É sobretudo neste tempo que nos devemos aplicar em viver na pureza; durante este tempo, digo, em que é concedido à fragilidade humana um número de dias certos mas curtos, para que ela não desanime. Porque se nos é dito a toda a hora: 'levai uma vida pura', quem não se desencorajaria de a conseguir? Ora, somos convidados neste tempo de pouca dura a reparar as negligências do resto do ano, e a viver de maneira a que no resto do tempo, se veja brilhar as marcas desta santa quarentena na nossa conduta.
Esforcemo-nos então, meus irmãos, em passar este tempo em exercícios piedosos, e em restaurar as nossas armas espirituais. De facto, nesta época do ano, parece que todo o universo, com o Salvador à frente, caminha como um exército contra o diabo.
Bem-aventurados os que terão combatido com valentia sob tal governo.»


São Bernardo, 7º sermão para a Quaresma





Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso,dai-me a fé recta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.


Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.


Santo Anselmo (1033-1109), Oratio X

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Santa Face

A Basílica de São Pedro em Roma não possui somente a preciosidade que é o túmulo do Chefe dos Apóstolos, como, ao longo dos séculos, enriqueceu o seu tesouro com importantes relíquias, como um pedaço do madeiro da Cruz, trazido de Jerusalém pela imperatriz Santa Helena; um fragmento da lança do centurião que trespassou o lado de Cristo morto; ou o véu da mulher que, no caminho do Calvário, enxugou a Face ensanguentado de Jesus.
Este véu foi apelidado de “verónica”, contracção e latinização da palavra grega: “veron ikon”, isto é, “verdadeira imagem”.
Conta-se que o imperador Tibério tinha ouvido algumas coisas sobre Jesus, que para além da morte, ajuntava discípulos e operava milagres. O governante romano, doente e diante da incapacidade dos médicos em curá-lo, soube da existência de uma imagem milagrosa de Cristo, que pertencia a uma cristã. Mandou-a trazer até ele, ouviu o relato da Paixão de Jesus da boca da mulher, e recuperou a saúde contemplando a “veron ikon”, cujo nome acabou por ser dado à proprietária do véu, que tinha conseguido o milagre.
O véu milagroso permaneceu e ainda está em Roma, mas não está exposto à veneração dos fiéis desde há 50 anos.

A 6 de Janeiro de 1849, na Basílica Vaticana, na ostentação das Relíquias Maiores, a multidão pôde ver que na “verónica”, a imagem pouca nítida do véu tornou-se aos poucos o rosto vivo de Cristo, a Face do Homem das dores descrita pelo profeta Isaías.
Naquela época e naquele dia da Epifania do Senhor aos Magos, os peregrinos não tinham evidentemente máquinas fotográficas ou telemóveis com câmara, para captar esta teofania, esta manifestação de Deus. O único meio de guardar na memória tal acontecimento foi a gravura, e assim, reproduzida a imagem que apareceu no véu, estampas foram distribuídas pelos cónegos da Basílica de São Pedro com um selo de autenticidade.
No centro da França, o Sr. Leão Papin Dupont, conhecido como o “santo homem de Tours”, recebeu do Carmelo da sua cidade uma destas gravuras, e colocou-a na sua sala de estar, que logo se transformou num oratório. Graças físicas e espirituais, alcançadas diante da imagem da Santa Face de Jesus, multiplicaram-se rapidamente, confirmando as revelações que, anos antes, nesta cidade de Tours, uma carmelita, Irmã Maria de São Pedro recebeu do próprio Senhor.
A imagem da Santa Face é reproduzida aos milhares, e em 1885, a arquiconfraria da Santa Face é reconhecida pelo Papa Leão XIII.
A 26 de Abril de 1885, a Família Martin, a família da Santa Teresinha, é inscrita na confraria. Desde então, a estampa da Santa Face de Tours acompanhará a santa, colocada no seu breviário, na sua cela ou nos últimos dias de vida, na cortina da enfermaria.
A devoção à Santa Face era tão importante para Teresinha, que a 10 de Janeiro de 1889, aquando da sua tomada de hábito, ela assinou pela primeira vez um bilhete com o nome de : “Irmã Teresa do Menino Jesus e da Santa Face”.


Hoje, terça-feira de Carnaval, é também em muitas igrejas a festa da Santa Face de Jesus.
Por isso, em vez de camuflar a nossa face ou olhar para faces mascaradas, porque não nos voltar para aquela Face que nos salva? (cf salmo 8)


Ó Jesus Salvador,
vendo a vossa Santíssima Face desfigurada pela dor,
vendo o vosso Sagrado Coração cheio de amor,
clamo com Santo Agostinho:
«Senhor Jesus,
imprimi no meu coração as vossas Santas Chagas,
para que eu leia ao mesmo tempo a vossa dor e o vosso amor;
a vossa dor, a fim de sofrer por Vós qualquer dor;
o vosso amor, a fim de desprezar por Vós qualquer outro amor!»

Ó Face adorável de Jesus,
inclinada misericordiosamente na Árvore da Cruz,
no dia da Paixão,
para salvação do mundo,
hoje ainda, piedosamente,
inclinai-Vos sobre nós, pobres pecadoes;
voltai para nós um olhar compassivo
e recebei-nos no ósculo da paz.
Ámen.


Venerável Leão Papin Dupont


Foto: reprodução da Santa Face, venerada pelo Sr. Leão Papin Dupont e Santa Teresinha.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Que vais fazer no Céu?

«Nas vésperas de morrer, (Francisco) disse-me:
- Olha; estou muito mal; já me falta pouco para ir para o Céu.
- Então vê lá: não te esqueças de lá pedir muito pelos pecadores, pelo Santo Padre, por mim e pela Jacinta.
- Sim, eu peço. Mas olha: essas coisas pede-as à Jacinta, que eu tenho medo de me esquecer, quando vir a Nosso Senhor! E depois antes O quero consolar.»

Jacinta, «que vais fazer no Céu?
- Vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria; pedir muito por ti (Lúcia), pelos pecadores, pelo Santo Padre, pelos meus Pais e irmãos, e por todas essas pessoas que me têm pedido para pedir por elas.»


Memórias da Irmã Lúcia




Oração para pedir a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e agradeço-Vos as aparições da Santíssima Virgem em Fátima.
Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus
e por intercessão do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos que,
se for para vossa maior glória e bem das nossas almas,
Vos digneis glorificar diante de toda a Igreja
os bem-aventurados Francisco e Jacinta,
concedendo-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos pedimos.
Ámen.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória


Imprimatur: Fatimae, 13 Maii 2003
+Serafim, Episc. Leir.-Fatimensis



É difícil separar os dois irmãozinhos Francisco e Jacinta, pensar num sem recordar o outro. Por isso, a Igreja celebra a memória dos dois pastorinhos de Fátima a 20 de Fevereiro, dia em que partiu para o Céu a pequena Jacinta no ano de 1920.
Lá, ela e o seu irmão, falecido a 4 de Abril de 1919, contemplando a Deus, intercedem pela Igreja e a humanidade.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Àqueles que sofrem e a quantos lutam

«É preciso afirmar, com vigor, a absoluta e suprema dignidade de toda vida humana. Com o passar dos tempos, o ensinamento que a Igreja incessantemente proclama não muda: a vida humana é bela e deve ser vivida em plenitude, mesmo quando é frágil e envolvida no mistério do sofrimento. É a Jesus, crucificado, que devemos dirigir o nosso olhar: morrendo na Cruz, Ele quis compartilhar a dor de toda a humanidade. Em seu ‘sofrer por amor’, percebemos uma suprema co-participação aos sofrimentos dos pequenos doentes e de seus pais. (…)
'Na Cruz está o “Redentor do homem”, o Homem das dores, que assumiu sobre si os sofrimentos físicos e morais dos homens de todos os tempos, para que estes possam encontrar no amor o sentido salvífico dos próprios sofrimentos e respostas válidas para todas as suas interrogações'.»


Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente 11/02/2009



«Acontece infelizmente – bem o sabemos – que o sofrimento prolongado quebre os equilíbrios melhor consolidados duma vida, abale as mais firmes certezas da confiança e chegue por vezes até a fazer desesperar do sentido e valor da vida. Há combates que o homem não pode sustentar sozinho, sem a ajuda da graça divina.(…)
Mais do que qualquer outrem, Eles (Jesus e Maria) são capazes de nos compreender e perceber a dureza do combate que travamos contra o mal e o sofrimento. (…)
Queria, humildemente, dizer àqueles que sofrem e a quantos lutam e se sentem tentados a virar as costas à vida: Voltai-vos para Maria! No sorriso da Virgem, encontra-se misteriosamente escondida a força para continuar o combate contra a doença e a favor da vida. Junto d’Ela, encontra-se igualmente a graça para aceitar, sem medo nem mágoa, a despedida deste mundo na hora querida por Deus.»

Bento XVI, Missa com os doentes, Lourdes 15/09/2008



Ler a Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pelas suas Chagas fomos curados

Ele foi trespassado por causa das nossas culpas
e esmagado por causa das nossas iniquidades.
Caiu sobre ele o castigo que nos salva:
pelas suas chagas fomos curados.


Is 53, 5

Trespassaram as minhas mãos e os os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.


Salmo 21 (22), 18b

Hão de olhar para Aquele que trespassaram.


Zac 12, 10


Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O.

Lc 23, 33

Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto,
não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.

Jo 19, 33-34

«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».

Jo 20, 25.27

Suportou os nossos pecados no seu Corpo sobre a cruz,
a fim de que, mortos para os nossos pecados,
vivamos para a justiça.
«Pelas suas Chagas fomos curados».

1 Pe 2, 24

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sejam amadas porque são fontes de graça

«O culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos Apóstolos depois da ressurreição, foi sempre uma devoção muito viva entre os portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e instituições. Os Lusíadas sintetizam (I, 7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira de Portugal com as Chagas de Cristo. Assim, os Romanos Pontífices, a partir de Bento XIV, concederam para Portugal uma festa particular, que ultimamente veio a ser fixada no dia 7 de Fevereiro.»


Secretariado Nacional de Liturgia


Terço das Santas Chagas
ou Coroa da Misericórdia


Com um terço normal

ORAÇÕES INICIAS:
- Ó Jesus, Divino Redentor, tende misericórdia de nós e de todo o mundo. Ámen.
- Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e de todo o mundo. Ámen.
- Graça e misericórdia, ó meu Jesus, nos perigos presentes. Cobri-nos do vosso Preciosíssimo Sangue. Ámen.
- Eterno Pai, tende misericórdia de nós pelo Sangue de Jesus Cristo, vosso único Filho. Tende misericórdia de nós, nós Vos pedimos. Ámen. Ámen. Ámen.

NAS CONTAS GRANDES DO TERÇO (em lugar do Pai-Nosso):
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.*


NAS CONTAS PEQUENAS DO TERÇO (em lugar da Ave-Maria):
Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas.*


NO FIM DO TERÇO (repetir 3 vezes):
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.*


As invocações “Eterno Pai, eu Vos ofereço…” e “Ó meu Jesus, perdão e misericórdia…” foram reveladas à Irmã Visitandina Maria Marta Chambon (1841-1907) pelo próprio Jesus.
Desde 1868, o Convento da Visitação de Chambéry (França), onde vivia a Irmã Maria Marta, utilizou as jaculatórias ensinadas pelo Senhor, para rezar um "Terço das Santas Chagas".
As religiosas tomaram o costume de começar este Terço com umas orações inspiradas a um sacerdote de Roma.
A iniciativa deste Terço, agradável ao Senhor, começou assim a ser praticada e divulgada.
Encarregada por Cristo em reavivar a devoção às suas Chagas, a humilde Irmã Chambon recebeu d’Ele as seguintes revelações:
“Concederei tudo o que me pedirem, invocando as minhas Santas Chagas. É necessário difundir esta devoção.”
“Na verdade, esta oração não é da terra mas do Céu…e pode alcançar tudo.”
“As minhas Santas Chagas sustêm o mundo…que elas sejam amadas constantemente porque elas são fontes de graça. É necessário invocá-las muitas vezes, imprimir nas almas esta devoção.” “Quando sofreis, levai prontamente as vossas penas às minhas Chagas, e sereis aliviados.”
“Repeti muitas vezes junto dos doentes esta jaculatória: ‘Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas’. Esta oração confortará o corpo e a alma.”
“O pecador que dirá: ‘Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas’, alcançará a conversão.”
“As minhas Chagas serão o abrigo das vossas chagas.”
“Não conhecerá a morte a alma que expirará nas minhas Chagas…elas dão a verdadeira vida.”
“A cada palavra da Coroa da Misericórdia (Terço das Santas Chagas), deixo cair uma gota de meu Sangue na alma de um pecador.”
“A alma que honrou as minhas Santas Chagas, oferecendo-as ao Pai Eterno pelas almas do purgatório, será acompanhada pela Santíssima Virgem e pelos Anjos na hora da morte, e, na minha glória a receberei para coroá-la.”
“As Santas Chagas são o Tesouro dos tesouros pelas almas do purgatório.”
“A devoção às minhas Chagas é o remédio nestes tempos de iniquidade.”
“Das minhas Chagas brotam frutos de santidade. Meditando nelas, encontrareis sempre um novo alimento de amor.”
“Minha filha, se mergulhares as tuas obras nas minhas Santas Chagas, terão valor; qualquer acto recoberto de meu Sangue satisfará o meu Coração.”
“É necessário oferecer as minhas Santas Chagas ao meu Eterno Pai; por elas, e por meio de minha Mãe Imaculada, virá o triunfo da Igreja.”


A Congregação para a Doutrina da Fé, por um decreto de 23 de Março de 1999, concedeu às Religiosas da Ordem da Visitação, assim como às pessoas que desejam rezar em união com elas, a faculdade oficial de venerar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo com as invocações que foram reveladas à Serva de Deus, Irmã Maria Marta Chambon, religiosa da Visitação, que faleceu com fama de santidade a 21 de Março de 1907, no Mosteiro de Chambéry, França.


* Indulgência de 300 dias por cada vez, concedida por SS. Pio XI – 16/01/1924

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Nas nossas mãos o brilho das velas

Hoje, a Igreja celebra a Apresentação do Senhor no Templo.
Antes da reforma litúrgica era chamada festa da Purificação de Nossa Senhora, e popularmente é conhecido como festa de Nossa Senhora da Candelária, das Candeias e de tantos outros títulos que Maria tem e são lembrados neste dia.
A festa de hoje é das mais antigas que existem no cristianismo.
Quatro séculos depois do nascimento de Jesus, já se faziam procissões, pregações e celebrações muito solenes. Hoje, no início da Eucaristia, velas trazidas pelos fiéis são benzidas e acesas em honra de Cristo que vem como luz das nações.
A Igreja escolheu o 2 de Fevereiro como Dia da Vida Consagrada.



«Levemos em nossas mãos o brilho das velas, para significar o esplendor divino d’Aquele que Se aproxima e ilumina todas as coisas, dissipando as trevas do mal com a sua luz eterna, e também para manifestar o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro de Cristo.
Assim como a Virgem Mãe de Deus levou ao colo a luz verdadeira e a comunicou àqueles que jaziam nas trevas, assim também nós, iluminados pelo seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, devemos acorrer pressurosos ao encontro d’Aquele que é a verdadeira luz. (…)
Eis que veio a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Todos nós, portanto, irmãos, deixemo-nos iluminar, para que brilhe em nós esta luz verdadeira.
Nenhum fique excluído deste esplendor, nenhum persista em continuar imerso na noite, mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos juntos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna; associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de acção de graças ao Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.»


Dos Sermões de São Sofrónio, bispo do século VII