segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A graça manifestou-se

«A graça de Deus, rica em bondade e ternura, já não está escondida, mas «manifestou-se», manifestou-se na carne, mostrou o seu rosto. Onde? Em Belém. Quando? Sob César Augusto, durante o primeiro recenseamento a que alude também o evangelista Lucas. E quem é o revelador? Um recém-nascido, o Filho da Virgem Maria. N’Ele manifestou-se a graça de Deus, Salvador nosso. Por isso, aquele Menino chama-Se Jehoshua, Jesus, que significa “Deus salva”. (…)

A graça de Deus manifestou-se a todos os homens. Sim, Jesus, o rosto do próprio Deus-que-salva, não Se manifestou somente para poucos, para alguns, mas para todos. É verdade que, no casebre humilde e pobre de Belém, poucas pessoas O encontraram, mas Ele veio para todos: judeus e pagãos, ricos e pobres, de perto e de longe, crentes e não crentes… todos. A graça sobrenatural, por vontade de Deus, destina-se a toda a criatura. Mas é preciso que o ser humano a acolha, pronuncie o seu «sim», como Maria, para o coração seja iluminado por um raio daquela luz divina. Os que acolheram o Verbo encarnado, naquela noite, foram Maria e José, que O esperavam com amor, e os pastores, que vigiavam durante a noite (cf. Lc 2, 1-20). Foi, portanto, uma pequena comunidade que acorreu a adorar Jesus Menino; uma pequena comunidade que representa a Igreja e todos os homens de boa vontade.»


Bento XVI, Mensagem de Natal “Urbi et orbi” 2008


Foto: Menino Jesus no local do Nascimento de Cristo na Basílica da Natividade em Belém

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Essa noite venerável revestiu-se de esplendor

São Francisco de Assis, «três anos antes da morte resolveu celebrar com a maior solenidade possível a festa do Nascimento do Menino Jesus, ao pé da povoação de Greccio, a fim de estimular a devoção daquela gente. Mas para que um tal projecto não fosse tido por revolucionário, pediu para isso licença ao Sumo Pontífice, que lha concedeu. Mandou preparar uma manjedoira com palha, e trazer um boi e um burrito. Convocaram-se muitos Irmãos; vieram inúmeras pessoas; pela floresta ressoaram cânticos alegres...

Essa noite venerável revestiu-se de esplendor e solenidade, iluminada por uma infinidade de tochas a arder e ao som de cânticos harmoniosos. O homem de Deus estava de pé diante do presépio, cheio de piedade, banhado em lágrimas e irradiante de alegria. O altar dessa missa foi a manjedoira. Francisco, que era diácono, fez a proclamação do Evangelho. Em seguida dirigiu a palavra à assembleia, contando o nascimento do pobre Rei, a quem chamou, com ternura e devoção, o Menino de Belém. O Senhor João de Greccio, cavaleiro muito virtuoso e digno de toda a confiança, que abandonara a carreira das armas por amor de Cristo e dedicava uma profunda amizade ao homem de Deus, afirmou que tinha visto um menino encantador a dormir na manjedoira, e que pareceu acordar quando São Francisco fez menção de pegar nele nos braços. É crível que se tenha dado esta aparição: há o testemunho não só da santidade do piedoso militar, como a veracidade do próprio acontecimento e a confirmação que lhe deram outros milagres ocorridos depois: o exemplo de Francisco correu mundo e ainda hoje consegue excitar à fé de Cristo muitos corações adormecidos; a palha dessa manjedoira, conservada pelo povo, serviu de remédio miraculoso para animais doentes e de preservativo para afastar muitas pestes. Assim glorificava Deus o seu servo, e mostrava, com milagres indesmentíveis, o poder da sua oração e da sua santidade.»


São Boaventura , Legenda Maior (LM 10, 7)


«Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa,
para vos enriquecer pela sua pobreza.»

(2 Cor 8,9)


Um Santo Natal a todos!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Foi em Maria e por Maria

«Deus Pai não deu ao mundo o seu Unigénito senão por Maria. Por mais ardentes que fossem os suspiros dos patriarcas e as súplicas que durante quatro mil anos lhe fizeram os profetas e os santos da antiga lei para obterem esse tesouro, só Maria o mereceu. Só ela encontrou graça diante de Deus pela força das suas orações e pela grandeza das suas virtudes. Diz Santo Agostinho que, não sendo o mundo digno de receber o Filho de Deus directamente das mãos do Pai, foi dado a Maria, para que os homens O recebessem através dela.
O Filho de Deus fez-se homem para nos salvar, mas foi em Maria e por Maria.
Deus Espírito Santo formou Jesus Cristo em Maria, mas só depois de lhe ter pedido o consentimento através dum dos primeiros ministros da sua corte.»


S. Luís Maria de Montfort,
Tratado da verdadeira devoção à SS. Virgem


A 18 de Dezembro, celebra-se a Festa da Expectação do Parto de Nossa Senhora, ou mais popularmente: “Nossa Senhora do Ó”.
De facto, na semana que precede a celebração do Natal do Senhor, na Liturgia das Horas, em Vésperas, são cantadas as antífonas do Magnificat, alusivas à vinda do Senhor, todas começadas pela letra “Ó”.
Estas antífonas fizeram com que à solenidade de 18 de Dezembro se desse o nome de «Festa do Ó» e à imagem da Senhora em fim de gestação: Nossa Senhora do Ó. Foto: Imagem quatrocentista da Senhora do Ó ou da Expectação, da Sé de Évora, Portugal.

Prémios

Sem Internet durante uma semana...
Alguns prémios para receber…
Pouco tempo para agradecer, estar na net...
Vai um grande obrigado "colectivo" aos blogues:
Via Cristo,
In aeternum amor Dei,
Miles Ecclesiae,
Teologar,
Ecclesiae Dei.
Todos merecem uma visita.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Há muitos séculos que celebramos

«Há muitos séculos que celebramos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a 8 de Dezembro. Há três séculos e meio (1646) tomámo-la por rainha e padroeira de Portugal. Há cento e cinquenta anos, o bem-aventurado Papa Pio IX definiu dogmaticamente esta verdade.(…)
Uma verdade referente a Maria e principalmente a Cristo. A Cristo, porque a verdade de Maria reflecte sempre a verdade essencial do seu Filho: “Declaramos, proclamamos e definimos que a doutrina que sustenta que a santíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda a mancha da culpa original no primeiro instante da sua concepção por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do género humano, é revelada por Deus e deve ser portanto firme e constantemente crida por todos os fiéis” (Pio IX, bula Ineffabilis Deus, 8 de Dezembro de 1854). (…)
Com aquela definição dogmática, Pio IX não inovava, antes esclarecia a fé da Igreja.»


D. Manuel Clemente



V- Dizei e anunciai agora, lábios meus,
R- as glórias e dons da Virgem Mãe de Deus.
V- Virgem soberana, sede em meu favor,
R- livrai-me do inimigo com vosso valor.
V- Glória ao pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
R- como era no princípio, agora e sempre. Ámen

(...)

Santa Maria, Rainha dos céus,
Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo,
dominadora do mundo,
que a ninguém desamparais nem desprezais;
ponde, Senhora, em mim os olhos da vossa piedade,
e alcançai-me do vosso amado Filho o perdão de todos os meus pecados,
para que, venerando agora afectuosamente a vossa Imaculada Conceição,
eu consiga depois a coroa da eterna bem-aventurança,
por mercê do mesmo vosso Filho Jesus Cristo, Senhor nosso,
que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina em unidade perfeita,
pelos séculos dos séculos.
Ámen.

do Ofício breve da Imaculada Conceição

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Alma Redemptoris Mater

Nestes dias que antecedem a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, porque não recordar uma das 4 antífonas marianas da Liturgia das Horas (Ofício Divino), própria desta altura do ano : “Alma Redemptoris Mater”.
No calendário litúrgico, esta oração a Nossa Senhora, é rezada sobretudo no tempo do Advento até à Festa da Apresentação do Senhor ao Templo (antes da reforma litúrgica « Festa da Purificação de Nossa Senhora »).
Herman de Reichenau, músico, matemático, astrónomo do século XI seria o compositor (também da "Salve Rainha").
Para os cristãos, Maria é Mãe de Jesus, o Redentor da humanidade.
Nesta oração, apelidada de “Estrela do mar” (uma das possíveis etimologias do nome “Maria”), Nossa Senhora é evocada na sua misericórdia, lembrando a sua perpétua virgindade e a sua protecção materna para com o povo cristão.
Fiéis e inspirados na tradição da Igreja, porque não usar então esta bela oração nestes próximos dias… ou cantá-la em latim? (ouvir ficheiro mp3 do blog)





Alma Redemptóris Mater, quæ pérvia cæli
Porta manes, et stella maris, succúrre cadénti,
Súrgere qui curat, pópulo : tu quæ genuísti,
Natúra miránte, tuum sanctum Genitórem,
Virgo prius ac postérius, Gabriélis ab ore
Sumens illud Ave, peccatórum miserére.



Santa Mãe do Redentor, porta do céu,
estrela do mar, socorrei o povo cristão
que procura levantar-se do abismo da culpa.
Vós que, acolhendo a saudação do Anjo,
gerastes, com admiração da natureza,
o vosso santo Criador,
ó sempre Virgem Maria,
tende misericórdia dos pecadores.
(Adaptação oficial em português)


Mãe nutriz do Redentor, que continuais a ser
porta aberta do céu e estrela do mar,
ajudai o vosso povo caído que quer levantar-se.
Vós que gerastes, com admiração da natureza, o vosso santo Criador;
Virgem antes e depois, que da boca de Gabriel
recebestes o “Avé”, tende misericórdia dos pecadores
(A minha versão...mais literal)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Deixemo-l'O

«Nosso Senhor pede-nos que O deixemos continuar em nós a vida que Ele começou na terra, no seio da Virgem Santa (…). Deixemo-l’O viver em nós, deixemo-l'O continuar em nós a sua vida solitária de Nazaré, deixemo-l’O continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-l’O continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-l’O prolongar em nós a sua vida de humildade, deixemo-l’O pela nossa fidelidade fazer penitência, “completar em nós o que falta aos seus sofrimentos”, deixemo-l’O pelo zelo das nossas almas continuar a “atear o fogo sobre a terra”, deixemo-l’O pelas nossas vigílias e pelas nossas orações continuar em nós a “passar as noites a orar a Deus” (…). Fazendo de todos os instantes da nossa vida, de todos os nossos pensamentos, de todas as nossas palavras, de todas as nossas acções, pensamentos, palavras, acções não mais naturais, não mais humanas, mas divinas, não mais de nós, mas de Jesus! Façamos de modo a poder dizer a todo o momento da nossa existência: ‘Eu vivo, mas não sou mais eu que vivo, é Jesus que vive em mim’!»



«O amor é inseparável da imitação. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida.»
«Imitemos, pois, Jesus por amor, contemplemos Jesus por amor, procedamos em tudo por amor a Jesus.»


Beato Carlos de Foucauld