sábado, 28 de junho de 2008

Ano Paulino

«Desde o início, a tradição cristã considerou Pedro e Paulo inseparáveis um do outro, embora cada um tenha tido uma missão diferente a cumprir: Pedro, em primeiro lugar, confessou a fé em Cristo, e Paulo obteve o dom de poder aprofundar a sua riqueza. Pedro fundou a primeira comunidade dos cristãos provenientes do povo eleito, e Paulo tornou-se o Apóstolo dos pagãos. Com carismas diversos trabalharam por uma única causa: a construção da Igreja de Cristo. (…)
Queridos irmãos e irmãs, como nas origens, também hoje Cristo precisa de apóstolos prontos a sacrificar-se a si mesmos. Precisa de testemunhas e de mártires como São Paulo: outrora violento perseguidor dos cristãos, quando no caminho de Damasco caiu no chão fulgurado pela luz divina, passou sem hesitação para o lado do Crucificado e seguiu-O sem titubear. Viveu e trabalhou por Cristo; por Ele sofreu e morreu. Como é actual, hoje, o seu exemplo!
E exactamente por isso, estou feliz por anunciar oficialmente que ao Apóstolo Paulo dedicaremos um especial Ano jubilar, desde 28 de Junho de 2008 até 29 de Junho de 2009, por ocasião do bimilenário do seu nascimento, inserido pelos historiadores entre os anos 7 e 10 depois de Cristo.»


Bento XVI,
Homilia das primeiras vésperas de São Pedro e São Paulo,
28/06/2007

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Tesouro da Igreja

«”A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo”…
A Eucaristia é o nosso mais belo tesouro. Ela é o sacramento por excelência; ela nos introduz por antecipação na vida eterna; ela contém todo o mistério de nossa salvação; ela é a fonte e o cume da acção e da vida da Igreja, como recorda o Concílio Vaticano II. Por isso é particularmente importante que os pastores e os fiéis aprofundem permanentemente este grande sacramento. Cada um poderá assim confirmar a sua fé e cumprir sempre melhor a sua missão na Igreja e no mundo, lembrando que há sempre uma fecundidade da Eucaristia na vida pessoal, na vida da Igreja e do mundo. (…)


“Mistério da fé”: eis que o proclamamos em cada missa. Desejo que cada um se compromete em estudar este grande mistério, de modo particular, lendo e estudando, individualmente ou em grupo, o texto do Concílio sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium, para testemunhar com coragem este mistério. Cada um conseguirá assim perceber melhor cada um dos aspectos da Eucaristia, entendendo a sua profundeza e vivendo-a com maior intensidade. Cada frase, cada gesto tem o seu significado e esconde um mistério. Espero de todo o coração que este congresso servirá de apelo aos fiéis a tomar este compromisso para a renovação da catequese eucarística, afim de que eles próprios tomem plenamente consciência do que é a Eucaristia e ensinem por sua vez as crianças e os jovens a reconhecer o mistério central da fé e a construir suas vidas à volta deste mistério. Encorajo especialmente os sacerdotes a dar a devida honra ao rito eucarístico, e peço a todos os fiéis de respeitar o papel de cada um, tanto o do sacerdote como o do leigo, na acção eucarística. A liturgia não nos pertence: é o tesouro da Igreja.»


Bento XVI, Homilia "via satélite" no Congresso Eucarístico Internacional

terça-feira, 24 de junho de 2008

Era um grande homem

«A Igreja não celebra o nascimento de nenhum profeta, de nenhum patriarca, de nenhum apóstolo: ela celebra só dois nascimentos*, o de João e o de Cristo. O próprio tempo em que cada um nasceu é um grande mistério. João era um grande homem, mas era todavia um homem. Era um tão grande homem que só Deus lhe estava acima. ‘Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’. É o próprio João que disse: ‘’Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’.
Se Ele é maior do que tu, como O ouvimos dizer, Ele que é maior do que tu: ‘Entre os nascidos de mulher, não há maior do que João Baptista?’ Se entre os homens não há maior do que tu, quem é Aquele que dizes ser maior?
Queres saber quem Ele é? ‘No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.’
Mas este Deus, este Verbo de Deus pelo qual tudo foi feito, que nasceu antes da origem dos tempos e por quem foram feitos os mesmos tempos, como é que no tempo Ele tem um dia de nascimento? Sim, como este Verbo que criou os tempos tem no tempo um natal?
Queres saber como? Ouve o Evangelho: ‘O Verbo encarnou, e habitou entre nós’. O nascimento de Cristo não é então o nascimento do Verbo, mas o da sua humanidade. (…)


João nasceu, Cristo também nasceu; João foi anunciado por um anjo, Cristo também foi anunciado por um anjo. Grande milagre dos dois lados! Foi uma mulher estéril que com o contributo de um velho marido deu à luz ao servo, ao precursor; foi uma Virgem que sem o contributo de homem se tornou mãe do Senhor, do mestre. João é um grande homem, mas Cristo é mais do que homem, porque Ele é o Homem Deus. João é um grande homem, mas para exaltar a Deus, este homem se humilhou. ‘Eu não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias’. (…)
Era necessário que o homem, e por isso o próprio João se humilhasse diante de Cristo; era também necessário que Cristo, Homem Deus, fosse exaltado: eis o que recorda o nascimento e as mortes de Jesus e de João. É hoje que nasceu João: a partir de hoje os dias diminuem. É no dia de Natal que nasceu Cristo: é a partir deste dia que os dias crescem.
Na morte, João foi degolado, Jesus foi elevado na cruz.»

S. Agostinho




Senhor, celebramos hoje a glória do Precursor,
São João Baptista,
proclamado o maior entre os filhos dos homens,
anunciamos as vossas maravilhas:
antes de nascer, ele exultou de alegria,
sentindo a presença do Salvador;
quando veio ao mundo,
muitos se alegraram pelo seu nascimento;
foi ele, entre todos os Profetas,
que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo;
nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo
e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes;
por fim deu o mais belo testemunho de Cristo,
derramando por Ele o seu sangue.

Prefácio da Missa do Nascimento de S. João Baptista




* Só mais tarde, no século VII, aparecerá no calendário litúrgico da Igreja de Roma, a festa da Natividade da Virgem Maria.

sábado, 21 de junho de 2008

Presença eucarística

«A Eucaristia ultrapassa toda a capacidade humana de compreensão.
É necessário aceitá-la com uma fé profunda e um profundo amor.
Jesus quis deixar-nos a Eucaristia para que não esqueçamos o que Ele veio fazer e revelar-nos.
Poderíamos nós imaginar o que seria das nossas vidas sem a Eucaristia?»


Beata Teresa de Calcutá


«Jesus ficou na Eucaristia por amor…por ti.
Ficou, sabendo como os homens O receberiam
e como tu próprio O receberias.
Ficou para que O comesses,
para que O visitasses e Lhe contasses os teus problemas;
para que, frequentando-O na oração junto do sacrário e na comunhão,
te enamorasses por Ele cada vez mais,
e que fizesses com que outras almas – muitas almas! –
seguissem o mesmo caminho.»

S. José Maria Escrivá





«Estais aqui, meu Senhor Jesus, na Santa Eucaristia;
estais aqui, a um metro de mim, no sacrário!
O vosso corpo, a vossa humanidade,
a vossa divindade, o vosso ser todo inteiro está aqui;
como estais perto, meu Deus,
meu Salvador,
meu Jesus,
meu Irmão,
meu Esposo,
meu Bem-amado…»

Beato Carlos de Foulcaud

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Se as almas compreendessem

Para os católicos, inclusive praticantes, às vezes custa entrar no mistério da Eucaristia. Comunicam sua convicção por costume. E, contudo, a Eucaristia é vital na fé de um católico. Como se pode ajudar os fiéis a compreenderem o significado profundo da Eucaristia?

O Padre Nicolas Buttet responde:
A beata do Quebec, Dina Bélanger, beatificada em 1993 por João Paulo II, escreveu um dia no seu diário: «Se as almas compreendessem o tesouro que possuem na divina Eucaristia, teriam de proteger os sacrários com muros inexpugnáveis, já que, no delírio de uma fome santa e devoradora, iriam elas mesmas alimentar-se do Pão dos Anjos. As igrejas transbordariam de adoradores consumidos de amor pelo divino prisioneiro, tanto de dia como de noite».
Ainda não chegamos a isso!
É verdade que o mistério é tão grande, o fosso tão enorme entre o que os nossos sentidos percebem - o pão - e o que nossa fé crê - Jesus -, que não é fácil entrar no mistério. Penso que há três coisas a desenvolver: uma catequese eucarística que passa pelas palavras e os exemplos. «Entremos na escola dos santos, grandes intérpretes da piedade eucarística autêntica», disse João Paulo II ao final de sua encíclica sobre a Eucaristia.
Em segundo lugar, é preciso realçar a consagração na missa e o sacrário nas igrejas. Sempre me impressiona a pouca devoção durante a celebração eucarística na consagração. É um momento que é um pouco descuidado. Pode-se acreditar com palavras, mas com os gestos que se fazem nestes momentos, não há equívocos.(…)
Estava eu na China. Um velho catequista, Zacarias, que arriscou a sua vida por anunciar Jesus e que está a caminho dos seus 100 anos, tinha conservado, num local escondido de sua casa, um sacrário com o Santíssimo Sacramento. Feliz, ele me revelou o seu tesouro detrás de uma porta secreta... Logo depois de entrar nesse pequeno local, Zacarias se ajoelhou, prostrou-se com o rosto no chão e começou algumas orações. Eu compreendi que era Jesus quem estava lá! Não havia nenhuma dúvida!
Em terceiro lugar, é preciso redescobrir a adoração eucarística e a devoção eucarística fora da missa. Este mistério é tão grande que a liturgia só não nos permitirá nunca aprofundá-lo suficientemente. Só uma exposição prolongada ao mistério da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento permite entrar progressivamente no espanto eucarístico. Penso neste testemunho de Maxime de 21 anos: «Para mim, a Eucaristia é o centro de minha vida. Jesus Eucaristia me tirou do inferno das drogas. Graças à Eucaristia, minha vida foi transformada e estou agora feliz de viver para servir a Cristo. A Eucaristia é a minha força para amar, para seguir e servir a Cristo através das alegrias e das penas. Deus ama-nos infinitamente e não nos abandonará jamais».
Ler a 1ª parte da entrevista do site Zenit ao Padre Nicolas Buttet
Ler a 2ª parte




O Padre Nicolas Buttet é o fundador da “Fraternidade Eucharistein”, que ele fundou em 1997. A fraternidade conta com três casas e uma vintena de irmãos e irmãs, postulantes e noviços. Inspira-se na vida de São Francisco de Assis: simplicidade evangélica e abandono à Providência. A vida da comunidade está centrada em Cristo Eucaristia, celebrado no sacrifício da missa e adorado no Santíssimo Sacramento.
A fraternidade abre as suas portas a jovens que desejam viver um tempo de reflexão, serviço e oração após a formação profissional, e também a jovens em dificuldades devido à droga, ao álcool ou à depressão para ajudá-los a encontrar um novo rumo para as suas vidas.
O Padre Nicolas Buttet participa esta semana no Congresso Eucarístico Internacional do Quebec.
Site da Fraternidade Eucharistein

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Credo do Santíssimo Sacramento"

Nesta semana do Congresso Internacional Eucarístico no Quebec, convido cada um a ler e a meditar a célebre obra de São Tomás de Aquino (1225-1274): “Lauda, Sion, Salvatorem”, sequência litúrgica para a missa de Corpo de Deus.
São Tomás é o autor do “Ofício do Santíssimo Sacramento” e de algumas orações e cânticos relativos à Eucaristia, também muito famosos, como o “Pange língua/Tantum ergo”, “Panis Angelicum”, "Adoro Te devote", etc…
Verdadeiro hino de louvor e de amor à presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento, o “Lauda, Sion, Salvatorem” define clara e rigorosamente o que devemos acreditar do mistério eucarístico. É um hino catequético que podemos muito bem apelidar de “Credo do Santíssimo Sacramento”.


Sião louva o teu Salvador,
louva o teu chefe e pastor
com os teus cânticos e hinos.

Não temas em fazê-lo,
pois nunca é demais louvá-l’O,
Ele que excede todo o louvor.

O Pão vivo que dá vida,
é para nós, hoje, apresentado
como digno de ser louvado.

É o Pão que, na verdade,
na mesa da Ceia Sagrada,
aos doze foi distribuído.

Louvemo-l’O com júbilo,
com alegria do coração,
com amor e devoção.

Neste tão solene dia,
celebremos com alegria,
a instituição do banquete divino.

Na mesa do novo rei,
a Páscoa da nova Lei
à Páscoa antiga põe fim.

Cede ao novo, o velho rito,
o oculto é revelado,
a noite tornou-se dia.

O que Cristo fez na Ceia,
mandou que em sua memória
pelos tempos se fizesse.

Seguindo o seu mandamento,
consagramos pão e vinho
em vítima de salvação.

É dogma para o cristão,
que em Corpo, torna-se o pão,
e que em Sangue, torna-se o vinho.

Para além da ordem natural,
o que não se entende e não se vê,
o proclama a nossa fé.

Os dois humildes sinais
escondem uma realidade
de sublime divindade.

No Corpo que nos alimenta,
no Sangue que nos sacia,
está Cristo por inteiro.

Todo inteiro se recebe.
Não O quebra, nem O divide,
todo aquele que O consome.

Come-O um, comem-n’O mil,
tanto este como aquele
mas nem por isso O aniquilem.

Para desigual sorte,
para a vida ou para a morte,
bons e maus O consomem.

Que efeitos diferentes,
para o mesmo alimento:
para os maus, ele é a morte,
para os bons, ele é a vida!

Não duvidas, acredita!
Que na hóstia repartida
em diversos fragmentos,
está Cristo completo.

Nada em Cristo é dividido,
nem sequer diminuído,
nem em forma, nem em estado,
somente a hóstia é quebrada.

Eis aqui o Pão dos anjos,
pão do homem no caminhar.
Dos filhos pão verdadeiro,
que aos cães não se pode dar.

Desde há muito prefigurado,
em Isaac sacrificado,
no pascal cordeiro imolado,
no maná aos nossos pais doado.

Bom Pastor, pão verdadeiro,
de nós, tende piedade!
Alimentai-nos e protegei-nos.
Os bens eternos revelai-nos.

Tudo sabeis e tudo podeis,
Vós que na terra sois alimento.
No banquete celeste aceitai-nos
na companhia dos vossos eleitos.
Ámen.


A tradução do hino é minha.

domingo, 15 de junho de 2008

Congresso Eucarístico Internacional

Na região do Quebec, no Canadá, realiza-se de 15 a 22 de Junho, o 49º Congresso Eucarístico Internacional.
Este Congresso Eucarístico Internacional continua a longa história dos Congressos Eucarísticos que se iniciaram na segunda metade do século XIX em França.
Foi uma mulher, Emília Tamisier (1834-1910), inspirada por São Pedro Juliano Eymard (1811-1868), “apóstolo da Eucaristia”, que tomou a iniciativa de organizar, com a ajuda de outros leigos, sacerdotes e bispos, e com a aprovação do Papa Leão XIII, o primeiro Congresso Eucarístico Internacional em Lille, no norte da França, cujo tema era: “A Eucaristia salva o mundo”.
Os primeiros congressos exprimiam a fé viva na presença real da pessoa de Cristo no Sacramento da Eucaristia na adoração solene e em grandiosas procissões.
Com o pontificado de Pio XI, os congressos começaram a serem celebrados rotativamente em todos os continentes, ganhando assim uma dimensão missionária.
Apareceram os Congressos Eucarísticos Nacionais, Diocesanos, com a finalidade de sempre: “dar a conhecer melhor, amar e servir a Nosso Senhor Jesus Cristo no seu mistério eucarístico, centro da vida da Igreja e da sua missão para a salvação do mundo” (Artigo 2 dos decretos da Comissão pontifical para os Congressos Eucarísticos Internacionais).
Mas todos os Congressos Eucarísticos Internacionais, enquanto acontecimento da Igreja universal, convidam as Igrejas particulares de cada país à uma nova evangelização: anunciar Cristo que se encontra com o seu povo na Eucaristia.

Há dias, o Beato Francisco, pastorinho de Fátima, fez 100 anos.
Ele é um grande exemplo de amor à presença viva de Cristo na Eucaristia, a “Jesus escondido”, como ele, a Jacinta e a Lúcia gostavam de chamar o Santíssimo Sacramento.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário. Ele “passou horas a olhar e a deixar-se olhar, a amar, a ‘consolar Jesus’”.
Doente e acamado, ele dirá muitas vezes à sua prima Lúcia: “Olha, vai à igreja, e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que mais tenho pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido”.
Que o pequeno Francisco seja para todos os cristãos, no Quebec e em todo o mundo, um grande exemplo de amor pela Eucaristia.





Oração para o 49º Congresso Eucarístico Internacional

Deus nosso Pai,
nós Te bendizemos e Te damos graças,
por teu Filho Jesus,
dom do teu amor para a vida do mundo.

Olha para a tua Igreja
que celebra na alegria e na esperança
o 49º Congresso Eucarístico Internacional.

Renova a nossa fé na Santa Eucaristia,
memorial da morte e ressurreição de teu Filho.
Que o teu Espírito Santo nos dê a sua luz e a sua força
para sermos fiéis testemunhas do Evangelho.

Alimenta-nos da tua Palavra e do teu Pão de vida
para que, unidos a Maria, Mãe de teu divino Filho e da Igreja,
dêmos muito fruto para a salvação do mundo.
Nós to pedimos por Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Ámen.


Imprimatur :
Cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Quebec

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Centenário do Francisco

«O Francisco era de poucas palavras; e para fazer a sua oração e oferecer os seus sacrifícios, gostava de se ocultar até da Jacinta e de mim. Não poucas vezes o íamos surpreender, de trás duma parede ou dum silvado, para onde, dissimuladamente, se tinha escapado, de joelhos, a rezar ou a pensar como ele dizia, em Nosso Senhor triste por causa de tantos pecados. Se lhe perguntava:
- Francisco, por que não me dizes para rezar contigo e mais a Jacinta?
- Gosto mais – respondia – de rezar sozinho, para pensar e consolar a Nosso Senhor que está tão triste.
Um dia, perguntei-lhe:
- Francisco, tu, de que gostas mais: de consolar a Nosso Senhor ou converter os pecadores, para que não fossem mais almas para o inferno?
- Gostava mais de consolar a Nosso Senhor. Não reparaste como Nossa Senhora, ainda no último mês, se pôs tão triste, quando disse que não ofendessem a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido? Eu queria consolar a Nosso Senhor e depois converter os pecadores, para que não O ofendessem mais.»


Memórias da Irmã Lúcia



Oração para pedir a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e agradeço-Vos as aparições da Santíssima Virgem em Fátima.
Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus
e por intercessão do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos que,
se for para vossa maior glória e bem das nossas almas,
Vos digneis glorificar diante de toda a Igreja
os bem-aventurados Francisco e Jacinta,
concedendo-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos pedimos.
Ámen.


Imprimatur: Fatimae, 13 Maii 2003
+Serafim, Episc. Leir.-Fatimensis

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Evangelização

Depois do post "Internet, um novo continente a evangelizar", os comentários e as perguntas que dele surgiram, veio outra interrogação…e se calhar aquela pela qual deveríamos todos começar por colocar antes de qualquer discussão sobre a presença dos cristãos na Internet: “O que é evangelizar?"
Quase como um desabafo e ao mesmo tempo um convite feito a cada um de vós que parastes neste blog, a uma reflexão colectiva sobre o que é a evangelização, confesso que estes dias serão de meditação pessoal sobre este tema.
Neste momento, parece-me necessário parar, perguntar, para saber o porquê daquilo que me parece tão óbvio e natural como o desejo de partilhar e anunciar a minha fé em Cristo.
O Ano Paulino que Bento XVI convocou para toda a Igreja ,e que começa no fim deste mês de Junho, é mais um motivo para reflectir sobre o papel de cada um no anúncio do Evangelho nas suas várias formas.
Uma coisa é certa, aos meus ouvidos ecoa a voz de Cristo, que como outrora aos discípulos, me diz: ““Ide e anunciai o Evangelho a todo o mundo” (Mc 16,15)...e hoje também na Internet.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Internet, um novo continente a evangelizar

10 anos após os primeiros sites católicos, o objectivo para a Igreja não é de somente estar presente na web, mas de responder à sede de espiritualidade que lá se exprime. A Internet oferece um conjunto de instrumentos para transmitir uma experiência cristã. (…)



De uma ponte à outra da web, os internautas, crentes ou não, colocaram no universo virtual perguntas existenciais e interrogações espirituais. Assim, em 2007, nos Estados Unidos, a pergunta mais vezes feita no Google foi: “Quem é Deus?” Uma sede espiritual de que a Igreja Católica toma cada vez mais consciência. Na Itália, um cardeal estimulava recentemente as religiosas a debater nos “fóruns”, enquanto o jesuíta António Spadaro exortava os católicos a serem missionários virtuais no "Second Life".
No entanto, quando se escreve “Deus” no Google, é preciso ir à segunda página para ver aparecer o primeiro site católico. Se a Internet é de facto um território, como o descrevem os especialistas da blogosfera, não significa por isso plantar lá uma cruz para evangelizar.
Cativar o internauta exige um bom conhecimento das capacidades da web para reter o interesse. Todavia, os sites católicos têm a tendência de funcionar em rede mais ou menos fechada. (…)

Poderá o mundo virtual corresponder realmente aos internautas na sua interioridade? Sim, responde o dominicano Yves Bériault que, já há 13 anos, oferece um serviço de acompanhamento espiritual no site "Spiritualité2000". «Encontrei muito alimento espiritual no seu site. Foi a minha igreja virtual», escreveu-lhe recentemente uma internauta da Tunísia. Este religioso do Quebec recebe perto de 350 pedidos de acompanhamento virtual por ano, um em cada dez vindo de uma pessoa que não acredita.
«Uma vez, recebi um mail de injúrias. Apesar disso, respondi com um “Feliz Natal” e encorajei a dirigir-se ao Deus que ele mandava para…» Dois dias depois, o padre Beriault recebia um pedido de desculpas e iniciou uma correspondência com um casal em sofrimento que tinha «a impressão que Deus os tinha abandonado». «A Internet é como uma catedral, concluiu. Encontra-se visitantes, simples turistas, pessoas à procura, outras que pensam no suicídio, insultam…» Um lugar público que o anonimato próprio da Internet oferece a cada um a liberdade de fazer perguntas muito pessoais.
«Para mim, é mais um instrumento de “pré-evangelização”, afirma a irmã Catherine Sesboué. A Internet permite fazer cair muitas ideias feitas ou de cólera contra a Igreja.» «É uma porta aberta para a Igreja, acrescenta Mathilde Henry. Trata-se de lhe dar um rosto acolhedor, aberto, caloroso, que dá vontade de entrar.» Mas a Internet não se basta a si mesma. É necessário propor ao internauta um grupo que o sabe acolher: « A evangelização é comunitária e deve reenviar para o terreno.»


Artigo do Jornal “La Croix”

terça-feira, 3 de junho de 2008

Eu vos convido

«Cada pessoa precisa de um “centro” na sua vida, de uma fonte de verdade e de bondade à qual recorrer na sucessão das diferentes situações e no cansaço da vida quotidiana.
Cada um de nós, quando se recolhe, precisa sentir não somente o palpitar do coração, mas, de maneira mais profunda, o palpitar de uma presença fiável, perceptível com os sentidos da fé e que, no entanto, é muito mais real: a presença de Cristo, coração do mundo.
Eu vos convido, portanto, a renovar no mês de Junho a vossa devoção ao Coração de Cristo, valorizando também a tradicional oração de oferecimento do dia e tendo presentes as intenções que proponho a toda a Igreja.»

Bento XVI, Ângelus 01/06/08

Ofereço-Vos, ó meu Deus,
em união com o Santíssimo Coração de Jesus,
e por meio do Imaculado Coração de Maria,
as orações, os trabalhos,
as alegrias e os sofrimentos deste dia,
em reparação de todas as ofensas
e por todas as intenções
pelas quais o mesmo Divino Coração
está continuamente intercedendo
e sacrificando-se nos nossos altares.
Eu vo-las ofereço de modo particular
pelas intenções do Apostolado da Oração
neste mês e neste dia.