quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Como uma peregrinação virtual

Já vamos a meio da Quaresma, e se este tempo é um apelo para ir ao deserto, ele é também um convite à caminhada, acompanhando Jesus na sua subida para Jerusalém onde Ele sofrerá a sua Paixão.
Chegada esta altura do ano, facilmente anseio pela Terra Santa.
Aliás, a Quaresma é para mim como uma renovação anual de um desejo e de uma esperança: pisar um dia a terra onde Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou…passar por onde o Senhor passou.
Desde os primeiros séculos, os cristãos peregrinam para a Palestina e de modo particular para Jerusalém. O que viam e viviam lá os estimulava a perpetuar a experiência do país de Jesus nas suas cidades e aldeias natais…não deve ser fácil esquecer aquela terra.
Por isso surgiram por toda a Europa, na Idade Média, pela mão dos Franciscanos, guardiães dos lugares santos, pequenas reproduções da Paixão de Cristo: a Via-Sacra. Os cristãos começaram assim a percorrer nas terras onde viviam, o caminho doloroso de Jesus, como outrora os peregrinos o percorriam nas ruas de Jerusalém, do palácio de Pilatos ao Santo Sepulcro, meditando os sofrimentos de Cristo.
Como uma peregrinação virtual, o exercício da Via-Sacra é uma caminhada, que podemos seguir fisicamente numa igreja, parando diante de 14 estações, ou até sem nos mover (o importante é caminhar e parar espiritualmente em cada estação), meditando os vários episódios da Paixão de Jesus.
Esta caminhada de comunhão aos sofrimentos de Cristo e de compaixão torna-se também caminho de conversão. Seguindo Jesus no caminho da cruz, percebemos o quanto Ele nos amou e como devemos imitá-l’O nesse amor, para assim ter parte na sua Ressurreição.


"Quem quiser seguir-me,
negue-se a si mesmo,
toma a sua cruz e siga-me".
(Mt 16,24)

“Se morremos com Cristo,
também com Ele viveremos;
se sofremos com Cristo,
também com Ele reinaremos”.
(2 Tm 2, 11-12)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Já começaram a revestir-se de roxo

Estamos em plena Quaresma, e algumas cidades e aldeias daqui do Minho, já começaram a revestir-se de roxo e de símbolos alusivos à Paixão de Cristo, afim de preparar a Semana Santa, conclusão do tempo quaresmal, na qual a Igreja se prepara para a Páscoa, meditando os últimos dias da vida do seu Senhor.
Se a Quaresma é essencialmente um tempo de renovação interior, que transforma o exterior sem grande ruído, mas tudo com discrição, ela torna-se aqui no norte do país, uma manifestação bem visível e pública da fé de um povo num Deus que aceitou morrer para redimir os pecados de todos os homens.
Assim, muitos cristãos do Minho se preparam para a Páscoa, “coração e centro do ano litúrgico e da nossa existência”, através dos sacramentos, de uma oração mais intensa, de um jejum que abre a Deus, ao essencial da vida e à partilha com o próximo, mas também, com vias-sacras, procissões e sermões públicos, ao modo e segundo os costumes de cada comunidade.
Admito que, às vezes, o estilo barroco de muitas igrejas de Braga e arredores, com a sua talha dourada ostensiva, a sobrecarga de elementos decorativos, ou algumas procissões, pesadas com tanta magnificência ou ruidosas por causa da falta de respeito dos espectadores, me perturbam. Mas nesta altura do ano, parece-me quase essencial e normal que seja assim.
Cortejos “bíblicos” ou reconstituições “históricas” da caminhada de Jesus para o Calvário também são ofertas de vivência da Semana Santa em muitas comunidades cristãs, sobretudo onde não existe uma grande tradição ligada aos últimos dias da Quaresma.
Apesar de eu não aderir muito, e preferir o recolhimento, a intimidade e a simplicidade, gosto de saber que tudo isso acontece, porque cada um deve procurar viver o mistério da Paixão de Jesus segundo o que mais lhe toca no coração. Uns de uma maneira, outros, de outra.
O essencial é celebrar o amor de Cristo por nós, que se manifesta na sua morte na cruz.



Barcelos, Famalicão, Guimarães e quase todas as sedes de concelho da região de Braga têm as suas procissões dos “Passos” ou do “Enterro do Senhor”.
Fica aqui o site da Semana Santa em Braga (basta clicar).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

É preciso...

“O jejum físico, que durante algum tempo não estava na modo, aparece hoje como necessário.(…) O jejum físico é uma coisa importante, porque somos corpo e alma, e a disciplina do corpo, a disciplina também material, é importante para a vida espiritual que é sempre uma vida encarnada numa pessoa que é corpo e alma.
Este é um aspecto. Hoje outros aspectos se desenvolvem e se manifestam.
Parece-me que o tempo da Quaresma poderia precisamente ser também um tempo de jejum de palavras e de imagens. Precisamos de um pouco de silêncio, precisamos de um espaço sem um bombardeamento permanente de imagens. Por isso é muito importante hoje tornar acessível e compreensível o significado dos 40 dias de disciplina exterior e interior, para nos ajudar a entender que uma dimensão da Quaresma, esta disciplina física e espiritual, é a de criar espaços de silêncio e também espaços sem imagens, para abrir de novo o coração à verdadeira imagem e à verdadeira palavra.”


Bento XVI aos sacerdotes de Roma 07/02/2008


É preciso...
Jejuar para ter fome de Deus...
Calar-se para deixar Deus falar...
Criar silêncio para escutar Deus...
Fechar os olhos para contemplar a Deus…

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Deserto e monte

Há já alguns dias que, tomando com Jesus o caminho do deserto, caminhamos para a Páscoa.
O deserto é uma experiência:
- de descoberta de nós próprios, da nossa fragilidade;
- de encontro com Deus.
É também ponto de partida para uma nova missão.
Podemos encontrar algumas semelhanças entre a experiência do deserto e aquilo que nos proporciona a subida de um monte, recordando ainda o Evangelho da Transfiguração do 2º Domingo da Quaresma.


Desde sempre, o monte é associado a crenças religiosas.
A montanha transmite poder, força, eternidade.
Ao subí-la, o céu, habitual residência de Deus, fica mais perto.
Por isso, na tradição bíblica, o monte é lugar de encontro com Deus, lugar de culto e de revelação.
No monte do Horeb e no Sinai, Moisés ouve o apelo de Deus na sarça ardente, e recebe as tábuas da Lei como sinal de aliança.
O profeta Elias também sobe à montanha para receber a revelação de Deus, já não no meio de trovões mas num vento suave.
No Evangelho, Jesus retira-se frequentemente para o monte afim de rezar.
É também lá que Ele se revela: não cedendo à tentação do poder, ensinando a nova lei das bem-aventuranças, e aparecendo transfigurado a Pedro e aos irmãos Zebedeu.
Perto da sua Paixão, é no monte das Oliveiras que Cristo se recolhe, e é no Calvário, pequena colina, que Ele morre.
É ainda do monte que Jesus envia os discípulos em missão.

Nesta Quaresma, subamos também ao monte, onde Deus se revela, procurando nele um pouco de frescura e de calma, um lugar onde possamos meditar, orar, abrir-nos à presença divina.
Quem sobe adivinha o esforço que o espera. Não vai ser fácil, mas a visão do alto já o habita.
Quem sobe, sabe que não pode ir muito carregado, ou cansará depressa, e que só deve levar o essencial.
Um bom guia é certamente necessário, e este guia é Jesus, mais ainda, o próprio Jesus é o cume para onde o caminhante se dirige.
Como o deserto, a subida do monte é caminho de conversão, onde o esforço, a procura do essencial e a graça divina permitem chegar à meta.


"Quem poderá subir à montanha do Senhor?
O que tem as mãos inocentes e o coração limpo,
o que não ergue o espírito para as coisas vãs."
(Salmo 24)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

quadragésima.com

O tempo da Quaresma é um tempo de descoberta da nossa identidade como cristãos. É um tempo de encontro connosco próprios e com Deus. É um tempo especial de introspecção e reflexão. Porque não havemos de o fazer aqui, na net, e de uma forma mais comunitária, ajudando-nos uns aos outros?! Deste objectivo nasce esta proposta, a “quadragésima.com”.

Regras da "quadragésima.com":

1- Ao receber a “quadragésima.com” o blogger deve reflectir na sua relação com Deus e descobrir uma frase, bíblica ou não, que a defina;
2- Depois de o fazer deve re-escrever num post estas regras, as frases já assinaladas pelos anteriores bloggers (com o respectivo link), e escrever a sua;
3- No post deve incluir quem deseja convidar (pode e deve manifestá-lo no blog da pessoa convidada);
4- Não é permitido fazer mais que um convite ao mesmo tempo;
5- O blogger que, recebendo a “quadragésima.com”, não estiver interessado em aceitá-la, deve indicá-lo ao seu emissário para que este lhe dê seguimento através de outro blogger;
6- Não podem aceitar mais que uma vez a “quadragésima.com”; se o convite aparecer, mesmo vindo de outra “frente”, devem igualmente informar o emissário do segundo convite;
7- A “quadragésima.com” realiza-se em 3 frentes: frente “Deus-Pai”; frente “Jesus”; frente “Espírito Santo”; estas frentes funcionarão quase como equipas, para tentar chegar ao maior número de bloggers possível (não se trata de encontrar vencedores, mas empenhados);
8- A “quadragésima.com” será encerrada na Sexta-feira Santa, dia 21 de Março, pelas 12.00 horas, hora em que o último blogger receptor deve endereçá-la, já com a sua frase,para este endereço, para publicitarmos todas as frases que definem a nossa relação com Deus nesta Quaresma de 2008.

Obrigado por aceitares a quadragésima.com.

As frases:

0 - “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.” Jo 10, 11 - Confessionário frente “Espírito Santo”

1- ''De maneira semelhante é que o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois não sabemos o que devemos pedir em nossas orações, mas é o próprio Espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis''. Rom. 8,26 –Partilhas em Fá Menor

2- «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» Jo 14,25-26 - Que é a Verdade?.

3- «E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá. Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.» - Lc.11, 9-13 - A Capela.

4- "De facto, não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo como nós, excepto no pecado." - Hb. 4, 15 - A Partilha.

5- «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer'.» (Jo.16,12-15) - Mafaoli

6- «Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai» [Mateus 6, 6] - Pró-Catequista

7 –"Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." (Jo 13, 34-35) - Deus em Tudo e Sempre

8 – A Maria João de Deus em Tudo e Sempre escolheu-me parar continuar a "quadragésima.com". Eis a frase que eu escolhi:

“Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos. Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos.”
(Mc 10, 43-45)

Pena as regras ser de uma só citação…porque na Bíblia, não falta escolhas.

Agora passo o testemunho a Silêncio para Deus

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O mundo promete

A Quaresma é tempo para voltar ao essencial, de libertação…de regresso a Deus.
Uma oportunidade para ler algumas frases da Irmã Lúcia, que faleceu por estes dias há 3 anos, e que certamente nos ajudarão nesta caminhada quaresmal.
«O mundo promete facilidades e prazeres e rodeia-nos de muitas tentações aliciadores, mas falsas e nascidas da ignorância, porque o mundo ou, antes, os que seguem as máximas do mundo desconhecem o bem que rejeitam e perdem, quando se afastam de Deus. Todos correm em busca da felicidade, mas não encontram, porque a procuram onde ela não existe, e assim, como é errada a estrada, quanto mais a seguem mais se afastam da felicidade.
Deus é o único Ser onde está a felicidade, para a qual, aliás, nos criou. Mas Deus não está na satisfação dos prazeres sensuais da carne, dos sentidos, nem das paixões, do orgulho, da soberba, da cobiça, etc.
Deus encontra-Se nas almas puras, nos corações humildes e nas consciências rectas, livres do apego às coisas da terra, como sejam honras, prazeres, riquezas, etc. É que as pessoas assim libertas identificam-se com Deus, e a vida de Deus nelas; e Ele comunica-lhes uma participação sempre crescente nos Seus dons.»



Irmã Lúcia, Apelos da Mensagem de Fátima



Ontem, o Cardeal Saraiva Martins, em Coimbra, anunciou a antecipação, por decisão de Bento XVI, do início do processo de beatificação da mais velha dos pastorinhos de Fátima.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Há 150 anos...

Há 150 anos, de 11 de Fevereiro a 16 de Julho de 1858, apareceu 18 vezes em Lourdes (Pirinéus franceses), a Virgem Maria a Bernardete Soubirous.
A mensagem de Lourdes é de oração e de penitência, onde Maria se revela como a “Imaculada Conceição” (16ª aparição), confirmando assim o dogma proclamado três anos antes pelo Papa Pio IX.
As aparições de Nossa Senhora à jovem Bernardete são sóbrias: muito silêncio e poucas palavras. É na 9ª aparição, a 25 de Fevereiro, que a Virgem indica uma nascente de água perto do rochedo onde ela aparecia:“Ide beber à fonte e lavai-vos”. Desde então aquele manancial mina água sem cessar, uma água banal, nem “benta” (como muitos confundem), mas que se tornou um dos grandes sinais de Lourdes, por causa dos muitos milagres a ela devidos.
Na fé, pelos elementos naturais e os sacramentos, é sempre Deus que cura, na comunhão de Maria e dos santos, e pela oração dos fiéis.
A água da gruta de Massabielle, não é nenhum amuleto..."é como um medicamento. É necessário a fé, a oração. Esta água não teria nenhuma virtude sem a fé!" afirmou a vidente Bernardete.
Maria manifestou também o desejo que Lourdes fosse um lugar de oração e de peregrinação (13ª aparição). Já no tempo das manifestações marianas acorriam milhares de pessoas até lá, e em 1876, foi edificada a actual basílica do Santuário de Lourdes.
Naquela pequena terra perdida no meio das montanhas, Nossa Senhora escolheu assim Bernardete (1844-1879), uma pobre aldeã, para sua mensageira, e convidou-a a trabalhar na conversão dos pecadores. Bernardete, que abraçou a vida religiosa nas Filhas da Caridade, foi canonizada pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1933, e o seu corpo permanece incorrupto no Convento de Nevers, onde viveu.
Lourdes tornou-se um dos lugares de maior peregrinação do mundo, com milhões de pessoas a ir lá todos os anos, e onde muitos doentes foram curados nas suas águas milagrosas.


Ó Maria,
que disseste a Bernardete
de ir beber à fonte e lavar-se,
hoje, também nós, ouvimos o teu apelo.
Fomos imergidos na água do baptismo
e a vida de teu Filho Jesus encheu os nossos corações.
Mãe imaculada,
ensina-nos a rejeitar o pecado
e a lavar-nos na infinita misericórdia de Deus.
Caminha connosco nos caminhos da fé
para podermos saciar a nossa sede,
bebendo à fonte de água viva
que jorrou do Coração trespassado de teu Filho.
Mãe de ternura,
guarda-nos sob o teu olhar e na tua protecção;
roga por nós ao Senhor,
para que Ele nos dê a força e a alegria
de partilhar com todos os que têm sede,
a água pura da fé, da esperança e da caridade.
Ámen.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Deserto da tentação...deserto da libertação

"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Demónio"
(Mt 4, 1)

A tentação faz parte inevitavelmente da vida do homem, e sem as tentações do deserto, Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, não teria assumido plenamente a sua condição humana.
Assim, como verdadeiro homem, Jesus, Filho de Deus, também viveu o que Santo Agostinho um dia disse sobre a experiência humana da tentação:
«Na sua viagem terrena, a nossa vida não pode escapar-se à provação da tentação, porque o nosso progresso se realiza pela nossa provação; ninguém se conhece a si mesmo sem ter sido provado, e não pode ser coroado sem ter vencido, não pode vencer sem ter combatido, e não pode combater se não encontrou o inimigo e as tentações.»
Desde o princípio, o homem leve este combate contra o inimigo e as tentações.
No deserto, Cristo vem reviver concretamente este combate velho como o mundo e dar-lhe um novo desfecho.
Três tentações, três vitórias de Jesus, pelas quais o homem reencontra a sua liberdade original.
«Jesus Cristo, no deserto foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo, és tu que eras tentado, porque Cristo tinha de ti a carne, para te dar a salvação; tinha de ti a morte, para te dar a vida; tinha de ti os ultrajes, para te dar as honras; por isso tinha de ti as tentações para te dar a vitória. Se é n’Ele que somos tentados, é n’Ele que dominamos o demónio. (…) Se Ele não tinha sido tentado, Ele não te teria ensinado, a ti que deves ser submetido à tentação, como alcançar a vitória.» (S. Agostinho)
Com Jesus, homem livre, não tenhamos medo de enfrentar o deserto da tentação que é também o deserto da libertação!
Afinal, Cristo mostrou-nos, quando colocados diante de escolhas que devemos fazer, a maneira de agir num acto livre: seguir a Palavra de Deus.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma

«Caríssimos, no propósito de vos falar do santo jejum da Quaresma, como poderia começar melhor o meu sermão senão pelas palavras do Apóstolo, mensageiro de Jesus Cristo, repetindo estas palavras que acabamos de ler: ‘Eis o tempo favorável, eis o dia da salvação’ (2 Cor 6, 2)?
Apesar de o Senhor nos cumular de graças a toda a hora, e a sua divina misericórdia nos ajudar sempre, é no entanto necessário que a alma se entregue com maior zelo à prática da virtude, e abrace maiores esperanças neste tempo, onde o cumprimento dos mistérios da nossa redenção nos convida especialmente a exercer muitos actos de piedade, para podermos celebrar com pureza de coração e de espírito, o mistério santo e incomparável da Paixão de nosso Senhor.
Deveríamos adorar constantemente estes divinos mistérios com a mesma piedade, com o mesmo amor, e sermos sempre puros diante de Deus como o devemos ser pela festa da Páscoa.
Mas poucas pessoas possuem fervor suficiente para isso; a fraqueza da carne nos impede de perseverar na recta observância destes divinos preceitos; e as tarefas e preocupações desta vida causam tão grande distracção que até as almas mais virtuosas não conseguem preservar-se do pó do mundo; por isso, Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma para purificar as nossas almas, e pelas nossas boas acções e o nosso piedoso jejum, resgatar as faltas que cometemos ao longo do ano.»


São Leão Magno, Sermão I sobre a Quaresma





Como se manifesta a penitência na vida cristã?
A penitência manifesta-se de muitas maneiras, em especial pelo jejum, a oração e a esmola. Estas e muitas outras formas de penitência podem ser praticadas na vida quotidiana do cristão, especialmente no tempo da Quaresma e no dia penitencial de Sexta-feira.


Compêndio do Catecismo da Igreja Católica



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É o primeiro passo

Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma, este período de 40 dias que nos separa da Páscoa. Para os cristãos, é dia de jejum e de abstinência. Por jejum, não se entende privação total de alimento, mas uma ascese que consiste em libertar-se do supérfluo, do inútil, e Deus sabe o quanto somos tentados pelo inútil, quer na alimentação, quer nos prazeres da vida, aos quais muitas vezes somos incapazes de renunciar.
Hoje, a Igreja convida a jejuar e a abster-se de tudo o que é inútil na nossa vida. A cada um de encontrar aquilo a que renunciará, não num espírito de “mortificar-se por mortificar-se”, nem por dolorismo, mas tudo para reencontrar o desejo de Deus, e através disso, melhor escutá-l’O e ir ao encontro do próximo.


Também hoje, a Igreja nos convida na Eucaristia a receber as “cinzas”. Por meio deste rito, o sacerdote diz a cada um dos participantes: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!”, isto é, ao longo deste tempo quaresmal que começa agora, afastemo-nos das faltas, renunciemos ao egoísmo, à violência…voltemo-nos para Aquele que nos cura. Voltemo-nos para Aquele que se prepara para morrer na cruz.
Por isso, Quarta-feira de Cinzas é um dia importante: é o primeiro passo que acompanha os passos de Cristo até à sua paixão, até à sua morte e ressurreição.

Bom início de Quaresma a todos!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Vela

Na vida do homem, a vela pode ter vários significados.
Mas à luz da fé, ela é símbolo de oração.
É verdade que ela não pode rezar, mas pode convidar ao recolhimento.
Assim, a vela é presença calorosa e luminosa que convoca à oração, e, quando a deixamos consumir-se no tempo, sinal da nossa prece que perdura diante de Deus.
Na Igreja primitiva, a vela (o círio) era igualmente símbolo de Cristo, Deus e homem.
A cera, sinal da sua natureza humana oferecida em sacrifício por nós, e a chama, a sua divindade, são símbolos que ainda dizem muito aos cristãos de hoje.
Pela natureza humana de Jesus resplandece a sua divindade.
Por isso, na vela reconhecemos também um sinal de Cristo no meio de nós, que com a sua luz ilumina as nossas vidas e nos aquece de seu amor.

Para acender uma vela, clicar aqui

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cristo, luz das nações

A 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação de Jesus ao templo, é costume, antes da Missa, benzer velas, que servirão para “uso doméstico” dos fiéis, e levá-las em procissão. Acesas em honra de Cristo que vem como luz das nações, este cortejo de entrada é sinal da Igreja que caminha guiada pela luz do seu Senhor. É também dia dos consagrados e de especial oração por eles.


Cristo, luz das nações
e glória de Israel,
para cumprir a Lei
vem hoje ao santo templo.

Simeão O recebe
nos braços e proclama
como sinal de esperança
e de contradição,

Pedra angular do Reino
e da nova Aliança,
salvação e ruína
de muitos corações.

Pela espada de dor
na alma da Virgem Mãe,
sua luz nos revele
a luz da salvação.

Glória ao Pai e ao Filho,
Sol que ilumina o mundo,
com o Espírito Santo,
agora e sempre.




Hino da Liturgia das Horas
para a festa da Apresentação do Senhor