segunda-feira, 30 de julho de 2007

A sua vontade

«Não peças para que as tuas vontades se cumpram: elas não concordam necessariamente com a vontade de Deus.
Pede antes, segundo o ensinamento recebido, dizendo: ‘Faça-se a tua vontade em mim’; em tudo, pede-Lhe que a sua vontade seja feita; pois Ele deseja o bem e os obséquios da tua alma, enquanto tu, não procuras necessariamente isso.»

Evagre le Pontique, Tratado sobre a oração

sábado, 28 de julho de 2007

O Pai-nosso de Francisco de Assis

Santíssimo Pai nosso, nosso Criador, nosso Redentor, nosso Salvador e Consolador!

Que estás nos céus:
Nos anjos e nos santos, iluminando-os, para que te conheçam, porque tu, Senhor, és luz; inflamando-os, para que te amem, porque tu és amor; habitando neles e enchendo-os, para que gozem a bem-aventurança, porque tu, Senhor, és o sumo bem, o bem eterno, donde procede todo o bem, e sem o qual não há bem algum.

Santificado seja o teu nome:
Que o conhecimento de ti mais se clarifique em nós, para conhecermos qual a largueza dos teus benefícios, a grandeza das tuas promessas, a alteza da tua majestade, e a profundeza dos teus juízos (Ef 3, 18).

Venha a nós o teu Reino:
De modo a reinares em nós pela graça, e a levares-nos a entrar no teu Reino, onde a visão de ti é clara, o amor por ti é perfeito, ditosa a tua companhia e gozaremos de ti para sempre.

Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu:
Para te amarmos de todo o coração (Lc 10, 27), pensando sempre em ti; sempre a ti desejando com todo o nosso espírito; sempre a ti dirigindo todas as nossas intenções, e em tudo procurando a tua honra; e com todas as veras empregando todas as nossas forças e potências do corpo e da alma ao serviço do teu amor e de nada mais. E para amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, atraindo todos, quanto possível, ao teu amor, alegrando-nos dos bens dos outros como dos nossos, e compadecendo-nos dos seus males, e não fazendo a ninguém qualquer ofensa (2 Cor 6, 3).

O pão nosso de cada dia, o teu dilecto Filho nosso Senhor Jesus Cristo, nos dá hoje, para memória, e inteligência e reverência do amor que nos teve, e de quanto por nós disse, fez e suportou.

E perdoa-nos as nossas ofensas:
Por tua inefável misericórdia, por virtude da Paixão do teu amado filho Nosso Senhor Jesus Cristo, e pelos méritos e intercessão da bem-aventurada Virgem Maria e de todos os Santos.

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido:
E o que não perdoamos plenamente, faz, Senhor, que plenamente perdoemos, a fim de que, por teu amor, amemos de verdade os inimigos, e por eles a ti devotamente intercedamos, a ninguém pagando mal com mal. (1 Ts 5, 15) e em ti procuremos ser úteis em tudo.

E não nos deixes cair em tentação:
oculta ou manifesta, súbita ou renitente.

Mas livra-nos do mal:
passado, presente e futuro.


São Francisco de Assis


quinta-feira, 26 de julho de 2007

Os cristãos do Oriente

Desde os primeiros tempos da evangelização, os cristãos se espalharam na Mesopotâmia, na Península arábica, nas margens do Nilo e do Mediterrâneo. A presença do Cristianismo é bem anterior à do Islão (século VII).

Hoje, estima-se perto de 11 milhões de cristãos no Médio-Oriente, mas é difícil ter um número real por causa do seu êxodo massivo desde há umas duas décadas nalguns países. Estes cristãos são repartidos no seio de 11 Igrejas orientais de ritos diferentes.

Egipto: 8 a 10 milhões de cristãos (principalmente coptas), ou seja, 10% da população. 225 mil católicos.
Líbano: 1,5 milhões de cristãos, 40 % da população. 1 milhão de católicos (maronitas, melquitas, latinos…). A diáspora representa 6 milhões de pessoas.
Síria: 850 000 cristãos, 4,5% da população.
Iraque: 600 000 cristãos (menos de 3% de população). 400 000 caldeus (católicos). O Iraque contava perto de 1 milhão de cristãos em 1980, e 1,2 milhões em 1987. Por causa da situação caótica do país, a avaliação numérica fica aleatória.
Jordânia: 350 000 cristãos (6% da população). 120 000 católicos.
Israel: 150 000 cristãos (2& da população).
Territórios palestinianos: 60 000 cristãos (menos de 2% da população).
Irão: 135 000 cristãos (0,3% da população). 20 000 católicos.
Turquia: 80 000 cristãos (0,1% da população). 10 000 católicos.

Fonte: Obras do Oriente 2006




«No Médio Oriente, junto com sinais de esperança no diálogo entre Israel e a Autoridade Palestiniana, nada de positivo, infelizmente, vem do Iraque, ensanguentado por contínuas matanças, enquanto fogem as populações civis; no Líbano a paralisia das instituições políticas põe em perigo o papel que o País está chamado a desempenhar na área do Médio Oriente e hipoteca gravemente seu futuro. Não posso esquecer, enfim, as dificuldades que as comunidades cristãs enfrentam quotidianamente e o êxodo dos cristãos daquela Terra bendita que é o berço da nossa fé. Àquelas populações renovo com afecto minha proximidade espiritual.»

Bento XVI, Ubi et Orbi Páscoa 2007


Foto: A Cúpula da Rocha (Mesquita de Omar) em Jerusalém, visto pelas janelas da Igreja das Nações no Monte das Oliveiras.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Rosto de: Charbel Makhlouf

A Igreja de Cristo é bela, porque celebra no seu calendário litúrgico, tantos santos de etnias e culturas diferentes…sinais da presença do Evangelho em todo o mundo!

A 24 de Julho, celebra-se a memória de São Charbel (ou Sarbélio) Makhlouf, símbolo de união entre Oriente e Ocidente.
Beatificado no dia 5 de Dezembro de 1965 e canonizado no dia 9 de Outubro de 1977, foi o primeiro confessor do Oriente venerado de acordo com o procedimento da Igreja Católica.
Libanês, São Charbel foi membro da Ordem Libanesa Maronita e filho da Igreja Maronita.
“Maronita” porque deve o seu nome a um anacoreta oriental, São Maron (Marun), falecido em 410.
A Igreja Maronita, cujo centro se encontra no Líbano, tem como língua litúrgica o aramaico, a língua falada por Cristo; e ao longo dos séculos permaneceu sempre católica, apostólica, romana. Ela foi à única Igreja oriental que ficou sempre ligada ao Santo Padre.

São Charbel, nasceu em 1828, numa pequena aldeia chamada Beka´Kafra, no Líbano.Desde criança sentia-se atraído pelo Senhor.
Gostava de rezar nas grutas para satisfazer a sua sede de Deus.
Aos 23 anos de idade, percebeu que era o momento de se entregar a Deus como monge, na Ordem Libanesa Maronita.
Deixou a sua casa, sem se despedir da mãe e família. Não queria que eles sofressem com a dor da despedida.
Mudou o seu nome de Yússef (José) para Charbel (um mártir do século II). Desse modo, esquecia o passado, morrendo para o mundo e vivendo para Deus. Fez os votos de pobreza, castidade e obediência.
Após seis anos de preparação, foi ordenado sacerdote e passou a viver no mosteiro de Annaya. Jamais se queixou da vida comunitária ou das incompreensões que sofria.
Era profundamente humilde e, anos mais tarde, pediu permissão para viver isolado, como eremita, consagrando-se ao trabalho no campo, à oração e à penitência.
No dia 16 de dezembro de 1898, o P. Charbel ao recitar durante a Missa a prece "Pai da verdade, eis o Vosso Filho, vítima do vosso agrado! Aceitai-o", foi atacado pela paralisia. Depois de dias de agonia, na noite do Natal desse mesmo ano, deixou a vida terrena, e nasceu para o céu.
No mosteiro de Annaya (Líbano), o túmulo de São Charbel é visitado por muitos peregrinos ao longo do ano. Além de muitas graças e curas alcançadas ao visitar o sepulcro do santo eremita, numerosos cristãos afastados dos sacramentos ou mesmo da Igreja, mudam de conduta e adoptam uma vida coerente e cristã.

O insistente apego dos cristãos maronitas pelas montanhas libanesas, faz com que São Charbel, como São Marun (séc IV-V), o Beato Nimatullah Kassab Al-Hardini (séc XIX) e a Beata Rafqa (séc XIX-XX), sejam símbolos de resistência e defesa ao longo de séculos, da fé e identidade cristãs do Líbano no meio de um Islão imponente.

domingo, 22 de julho de 2007

Acolher

«Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia.
Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele.
Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro;
prostrou-se por terra e disse:
’Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos,
não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo.’»

Gn 18,1-3

«Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.»

Lc 10, 38-42



Há muitas maneiras de acolher as pessoas.
Cheio de delicadeza, Abraão vai ter com os seus três misteriosos visitantes, prosterna-se diante deles, convida-os a não passar sem parar diante da sua casa, prepara um festim…
Também Marta prepara uma refeição que certamente partilhará com os seus irmãos, Lázaro e Maria, para o amigo convidado, Jesus.
Outra maneira de acolher é a de Maria, irmã de Lázaro e Marta. Ela senta-se aos pés de Jesus, o escuta, fazendo-lhe companhia.

Os portugueses têm fama de acolher bem…e quase sempre à volta da mesa. Há sempre algo para petiscar com as visitas.
Acolher é uma bela maneira de amar o próximo.
O Senhor convida-nos a sermos também nós, outros Abraão, Marta, Maria, no acolhimento que Lhe reservamos, na escuta da sua Palavra, mas também, no amigo, no vizinho, no pobre, no refugiado, no marginalizado. Podemos reconhecer o próprio Jesus na visita que bate à nossa porta.
A nós de ouvir a Palavra do Senhor e de a pôr em prática.
“Se alguém me tem amor guardará minha palavra, meu Pai o amará e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada.” Jo 14, 23

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O pai, os filhos, a mãe...a oração

«Ouçam: um pai fazia anos.
Organizaram uma pequena festa em sua casa.
Chega a hora; ele já sabe da festa e diz: “Vamos ver as coisas bonitas que me vão mostrar!”.
Vem primeiro o filho mais novo, a quem ensinaram um poema, que ele decorou. Pobre menino! Lá, na frente do pai, recita o seu poema. “Parabéns!”, diz o pai, “gostei muito, estiveste muito bem, querido”. De cor.

Apresenta-se o segundo filho, que já está na escola. Ah, ele não se contentou em aprender um poemazinho de cor; preparou um pequeno discurso, coisa dele, farinha do seu saco. Mesmo sendo breve, ele faz-se de orador. “Eu nunca poderia acreditar”, diz o pai, “que fosses tão bom para fazer discursos, querido”. O pai está contente: veja só, que belos pensamentos!... Não é uma obra-prima, mas...
Terceira: a menina, a filhinha. Ela preparou simplesmente um ramo de cravos vermelhos. Não diz nada. Vai até o pai, não solta um pio: mas está comovida, fica tão vermelha que não se sabe quem é mais vermelho, ela ou os cravos. E o pai diz: “Dá para ver como gostas de mim; estás tão emocionada”. E nem sequer uma palavra. Mas ele agradece as flores, especialmente porque a vê tão comovida e tão cheia de afeição. Depois vem a mãe, a esposa. Não dá nada. Ela olha para seu marido e ele olha para ela: simplesmente um olhar. São tantas coisas. Aquele olhar traz de volta todo o passado, toda uma vida. O bem, o mal, as alegrias, as dores da família. Não há mais nada.
Estes são os quatro tipos de oração.
O primeiro é a oração vocal: quando rezo o Rosário com atenção, quando rezo o Pai-Nosso, a Ave-Maria; então somos pequenas crianças.
O segundo, o pequeno discurso, é a meditação. Sou eu que penso e faço o meu discurso ao Senhor: belos pensamentos e até sentimentos profundos…fiquemos bem entendidos.
O terceiro, o ramo de cravos, é a oração afectiva. A menina, tão emocionada e tão afectuosa. Aqui não são necessários muitos pensamentos, basta deixar falar o coração. “Meu Deus, eu amo-Te.” Mesmo que alguém faça só cinco minutos de oração afectiva, é melhor do que a meditação.
A quarta, a esposa, é a oração da simplicidade e do simples olhar, como se diz. Ponho-me diante do Senhor, e não digo nada. Olho para ele da maneira como puder. Essa oração parece valer pouco, mas pode ser superior às outras.
Considerem cada uma dessas formas: oração.
A primeira também. Costuma-se dizer: é a de uma criança, está apenas a começar. Mas Santa Teresa (de Ávila) escreveu que a pessoa pode tornar-se santa com a primeira oração. Determinadas pessoas, muito humildes, não aprenderam a meditar, mas rezam bem as orações vocais, com o coração.»

D. Albino Luciani (João Paulo I, o Papa do sorriso)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Rosto de: Bartolomeu dos Mártires

Dom Frei Bartolomeu dos Mártires foi muito cedo reconhecido pelo Povo de Deus como o “Arcebispo Santo”... no entanto, poucos portugueses o conhecem.

Bartolomeu do Vale, nascido em Lisboa em 1514, adoptou o nome de Bartolomeu dos Mártires por devoção a Nossa Senhora dos Mártires, em cuja paróquia foi baptizado. Professou aos 15 anos na Ordem de S. Domingos, onde recebeu sólida formação religiosa e doutrinal. Foi Mestre de Filosofia e Teologia nas escolas dominicanas de S. Domingos de Benfica, Batalha e Évora, contribuindo para a renovação dos estudos teológicos em Portugal.


Nomeado Arcebispo de Braga em 1558, entregou-se inteiramente à sua missão episcopal. Chamado a participar no Concílio de Trento, as suas intervenções influenciaram a orientação do Concílio, evidenciando dotes de Pastor zeloso e humilde, vigoroso e competente. S. Carlos Borromeu considerou-o “modelo de bispos e espelho de virtudes cristãs”. Após o regresso, empenhou-se na dedicação pastoral às comunidades da diocese, formação dos ministros do Evangelho, introdução de reformas preconizadas pelo Concílio de Trento e luta pela liberdade da Igreja de Braga face às autoridades civis, entre outros aspectos.


Pediu a resignação do cargo de Arcebispo Primaz em 1581, pedido que foi aceite no ano seguinte. Continuou o trabalho de pregação e de formação catequética, até ao fim da sua vida terrena, a 16 de Julho de 1590, em Viana do Castelo. Desde cedo se espalhou a sua fama de santidade, sendo designado pelo povo de Braga e Viana como “O Santo”.


A proclamação oficial da santidade de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires processou-se em ritmo lento. Introduzida a causa de Beatificação em 1631, o reconhecimento da heroicidade das suas virtudes só se verificou em 1845, por decreto do Papa Gregório XVI. Ele só será beatificado em Roma pelo Papa João Paulo II, 411 anos após a sua morte, no dia 4 de Novembro de 2001.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Terra fértil

Uma vez mais virá sobre nós o espírito do alto.
Então o deserto se converterá em “carmelo”,
e o “carmelo” será como uma floresta.
Na terra, agora deserta, habitará o direito,
e a justiça no “carmelo”.
A paz será obra da justiça,
e o fruto da justiça será a tranquilidade
e a segurança para sempre.
O povo de Deus repousará numa mansão serena,
em moradas seguras e em lugares tranquilos.

Is 32, 15-18

Não procures na Bíblia a palavra “carmelo” neste texto de Isaías…ela é normalmente traduzido por “pomar”, “terra fértil”.
É preciso ir ao hebraico para a encontrar, porque na realidade, significa “vegetação generosa”… aquilo que se pode contemplar no Monte Carmelo.
O Monte Carmelo eleva-se entre os confins da Galileia e Samaria, em Israel, perto de Haifa, cidade marítima.
Na Idade Média, a Ordem do Carmelo teve como berço esse mesmo Monte, daí o seu nome, e o seu espírito está caracterizado pelo Profeta Elias, que viveu lá uma vida de recolhimento, oração e penitência, defendendo a fé no Deus Único no meio dos pagãos.
Outro elemento da espiritualidade da família carmelita é a devoção a Maria, “Nossa Senhora do Carmo”, que hoje a Igreja celebra com este título.
Não se pode compreender o Carmelo sem a presença viva de Maria.
Ela é a Mãe e a Irmã (assim chamavam os primeiros eremitas do Carmelo), o modelo da vida contemplativa, que ensina a acolher, meditar e conservar a palavra de Deus no coração.



Ó Maria, Rainha e Beleza do Carmelo, roga por nós!
Santos e Santas do Carmelo celeste, rogai por nós!

domingo, 15 de julho de 2007

O próximo

«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

Lc 10,30-37




É bem conhecida de todos a história do Bom Samaritano e o contexto em que Jesus a contou.
À pergunta feita a Jesus pelo doutor da lei: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?», o Senhor responde com o mandamento do amor: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Mas para ilustrar o amor ao próximo, Jesus conta a bela história do Bom Samaritano.
Esta parábola ensina-nos 3 coisas sobre o próximo.
O próximo é, primeiro, aquele que está próximo de mim.
Em segundo, o próximo é aquele que está em necessidade: nesta parábola, é o homem espancado pelos salteadores.
Finalmente, é aquele que se faz próximo da pessoa em necessidade, é «o que teve compaixão dele», respondeu o doutor da lei.
Assim, o próximo se encontra nas duas pontas da relação de amor, é a pessoa amada mas também a pessoa que ama!
Viver segundo o Evangelho, é fazer-se próximo de qualquer um que precisa de ajuda, não interessa a sua religião, a sua etnia, a sua amizade ou inimizade por nós.

Senhor,
que eu encontre alguém para me ajudar
quando preciso de auxílio.
Que eu me faça próximo do outro
quando é ele que me chama.
Ámen.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Ele ensina sem ruído


«Compreendo e sei por experiência ‘que o reino de Deus está dentro de nós’. Jesus não precisa de livros nem de doutores para instruir as almas; Ele, o Doutor dos doutores, ensina sem ruído de palavras… Nunca O ouvi falar, mas sei que está em mim, a cada instante, Ele me guia e inspira o que devo dizer ou fazer. Descubro exactamente na hora em que preciso das luzes que nunca antes vira, mas não é habitualmente durante a oração que são mais abundantes, é sobretudo no meio das ocupações do dia…»




Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Os instrumentos para fazer o bem segundo São Bento


OBEDECER AOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS

Primeiramente,
"Amar o Senhor Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças".
Depois, "Amar ao próximo como a si mesmo".
Em seguida, não matar.
Não cometer adultério.
Não furtar.
Não cobiçar.
Não levantar falso testemunho.
Honrar todos os homens,
e não fazer a outrem o que não queres que te seja feito.

RENUNCIAR E AMAR O PRÓXIMO

Renunciar a ti mesmo para seguir a Cristo.
Disciplinar o corpo.
Não ser guloso.
Amar o jejum.
Ajudar os pobres.
Vestir os nus.
Visitar os enfermos.
Sepultar os mortos.
Socorrer na tribulação.
Consolar os que sofrem.
Afastar-se das coisas do mundo.
Nada preferir ao amor de Cristo.
Não satisfazer a ira.
Não reservar tempo para a cólera.
Não guardar malícia no coração.
Não conceder paz simulada.
Não se afastar da caridade.
Não jurar para não vir a perjurar.
Dizer a verdade de coração e de boca.
Não retribuir o mal com o mal.
Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que te são feitas.
Amar os inimigos.
Não retribuir maldição aos que amaldiçoam, mas antes abençoá-los.
Suportar a perseguição pela justiça.
Não ser soberbo.
Não ser dado ao vinho.
Não ser glutão.
Não ser apegado ao sono.
Não ser preguiçoso.
Não ser murmurador.
Não dizer mal dos outros.

GUARDAR O CORAÇÃO PURO PARA DEUS

Colocar toda a esperança em Deus.
O que encontrares de bem em ti, atribuí-lo a Deus e não a ti mesmo.
Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra tua, e a ti mesmo atribuí-lo.
Temer o dia do juízo.
Ter pavor do inferno.
Desejar a vida eterna com todo o fervor espiritual.
Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreender-te.
Vigiar a toda hora as acções da tua vida.
Ter a certeza que Deus te vê em todo o lugar.
Destruir logo contra Cristo os maus pensamentos que chegam ao coração
e revelá-los a um conselheiro espiritual.
Guardar a tua boca da palavra má ou perversa.
Não gostar de falar muito.
Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso.
Não gostar do riso excessivo ou ruidoso.
Ouvir de boa vontade as santas leituras.
Entregar-se frequentemente à oração.
Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos,
as faltas passadas e daí por diante emendar-se delas.
Não satisfazer os desejos da carne.
Odiar a própria vontade.

OBEDECER E VIVER NA VERDADE

Obedecer em tudo as ordens do abade, mesmo que este, esperemos que não, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor:
`Fazei o que dizem, mas não o que fazem'. (Mt 23, 3)
Não querer ser considerado santo antes de o ser,
mas primeiramente sê-lo,
para depois corresponder à verdade.
Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus.
Amar a castidade.

AMAR A TODOS

Não odiar a ninguém.
Não ter ciúme. Não cultivar a inveja.
Não amar a rixa.
Fugir da vanglória.
Venerar os mais velhos.
Acarinhar os mais novos.
Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos.
Reconciliar-te, antes do pôr do sol,
com aqueles com quem tiveste desavenças.
E nunca desesperar da misericórdia de Deus.

Eis os instrumentos da arte espiritual.
Se forem postos em prática por nós, dia e noite, sem cessar, e oferecidos no Dia do Juízo, seremos recompensados pelo Senhor com o prémio que Ele mesmo prometeu:
"O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, isto preparou Deus para aqueles que o amam". (1 Cor. 2, 9)
Os claustros do mosteiro onde permanecemos em comunidade são a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.




Capitulo IV da Regra de São Bento

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Rosto de: Agostinho Zhao Rong

Nos últimos dias de Junho , o Papa Bento XVI mandou uma carta aos católicos da China, que, infelizmente, segundo algumas associações de defesa dos direitos humanos e organizações católicas, foi censurada na Internet pelas autoridades chineses, e que agora circula “discretamente”, de mão em mão, entre os membros das comunidades cristãs daquele país.
Segundo as mesmas fontes, logo a seguir à divulgação da carta do Santo Padre, de manhã cedo, o governo chinês convidou os bispos da Igreja "oficial" a uma sessão de esclarecimento da leitura que devia ser feita do documento papal.
Para saber mais sobre a situação da Igreja Católica na China,
clique aqui.

Hoje, a liturgia faz memória de Santo Agostinho Zhao Rong e companheiros mártires, recordando assim aos cristãos espalhados por todo o mundo, o anúncio do Evangelho na China, proclamado muitas vezes com o sangue daqueles que escolheram seguir a Cristo e a sua Igreja.

Agostinho Zhao Rong era um soldado chinês que escoltou Monsenhor Dufresse até a cidade de Beijin e o acompanhou até sua execução por decapitação. Ele ficou muito impressionado com a serenidade e a força espiritual de Defresse que, apesar de torturado, não renegou a fé em Cristo. Foi assim que Agostinho se viu tocado pela luz da fé e rogou para que Defresse o convertesse. Depois, foi baptizado e enviado ao Seminário de onde saiu ordenado sacerdote diocesano. Quando foi reconhecido como cristão, ele também sofreu terríveis suplícios antes de morrer decapitado, em 1815. ..mas nunca renegou a sua fé em Cristo.

Após a II Guerra Mundial ocorreu a revolução comunista chinesa, provocada por motivos políticos reprimidos há anos, com novas ondas de perseguições aos cristãos. Porém, o motivo foi exclusivamente religioso, como comprovaram os documentos históricos. Desde então uma sangrenta exterminação aconteceu matando um número infindável de catequistas leigos, chineses convertidos, sacerdotes chineses e igrejas. Todos os nomes não puderam ser localizados, porque a destruição e os incêndios continuaram ao longo do novo regime político chinês. A última execução em massa de cristãos na China, que se tem notícia, foi em 25 de Fevereiro de 1930.

No ano do Jubileu de 2000, o Papa João Paulo II canonizou Agostinho Zhao Rong e 119 Companheiros Mártires da China. Eles passaram a ser venerados no dia 09 de Julho, pois constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos os cristãos do mundo.

domingo, 8 de julho de 2007

Eu vos envio...

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles:
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.»


Lc 10, 1-9



Com o envio dos 72 discípulos, Jesus revela a nossa responsabilidade de cristãos.
É muito frequente pensar que anunciar a Boa Nova é trabalho para os sacerdotes e agentes pastorais. Mas hoje, no Evangelho, Jesus nos diz que cada um é responsável no anúncio do reino de Deus…
Para Jesus e os evangelistas, todos os discípulos de Cristo devem proclamar a Boa Nova. Mas devem proclamá-la muito mais pelo modo de vida do que pela palavra. Jesus não diz praticamente nada da mensagem a transmitir, Ele não fala do conteúdo da fé mas dos comportamentos concretos dos mensageiros: pobreza, humildade, paz.
Não é fácil agir cristãmente num mundo secularizado e materialista, onde muitos vivem como se Deus não existisse. Por isso entendemos as palavras de Cristo: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Vivemos hoje o mesmo problema que os cristãos dos primeiros tempos viveram, eles que formavam uma pequena comunidade no meio de um mar de paganismo, superstição e fatalismo.
Devemos transmitir o Evangelho às famílias, nos locais de trabalho, no mundo da economia, da política, da cultura…
Porém, não somos enviados para converter, fazer proselitismo, mas para mostrar às pessoas que Deus as ama e que também nós as amamos, que desejamos trazer-lhes a paz…e Deus fará o resto.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sem ela, a nossa religião desabaria inteiramente

«Cada um de vós sabe que a Caridade é a base fundamental da nossa religião; sem ela, a nossa religião desabaria inteiramente, porque não seremos verdadeiramente católicos enquanto não realizarmos, isto é, enquanto não conformarmos toda a nossa vida com os dois Mandamentos em que está a essência da Fé Católica: amar a Deus com todas as nossas forças e amar o próximo como a nós mesmos… Com a Caridade, semeia-se nos homens a verdadeira paz que só a fé de Jesus Cristo nos pode dar, irmanando-nos uns com os outros. Sei que esta vida é escarpada, difícil e cheia de espinhos, enquanto a outra parece, à primeira vista, mais bela, mais fácil e mais agradável; mas, se pudéssemos sondar o íntimo daqueles que desgraçadamente andam pelos caminhos perversos do mundo, veríamos que neles nunca há a serenidade que provém de quem enfrentou mil dificuldades e renunciou a um prazer material para seguir a lei de Deus.»

Beato Pedro Jorge Frassati

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O homem das oito bem-aventuranças

Hoje é dia de Santa Isabel de Portugal, mas prefiro falar de um jovem italiano do início do século XX, que no 4 de julho de há 82 anos, regressou para a casa do Pai, deixando um exemplo de entrega ao próximo por amor de Deus.

Natural de Turim, Pedro Jorge (Pier Giorgio) Frassati nasceu em 6 de abril de 1901, de pais ricos, mas quase sem vida religiosa. A mãe, Adelaide Ametis, era pintora; o pai, Alfredo Frassati, fundou o jornal “La Stampa” e destacou-se como senador e embaixador da Itália na Alemanha.
Espontaneamente o pequeno Frassati absorveu os ensinamentos do Evangelho mergulhando, por escolha pessoal, numa fé viva ao descobrir a força da presença de Jesus na Eucaristia. Passava horas em adoração diante do sacrário, ali encontrando sentido para sua vida.
Contra a vontade da família, o rapaz se inscreveu na Acção Católica. Um dia, na universidade onde estudava Engenharia de Minérios, perguntaram-lhe se ele era beato… “Não, sou cristão!”, respondeu ele com bondade. Em 1918, Pedro Jorge, dono de bela aparência e de físico de atleta – ele praticava alpinismo – inscreveu-se na Conferência de São Vicente de Paulo. Foi logo considerado um dos melhores confrades, o mais generoso nas ofertas, o que visitava mais famílias, o mais ponctual e o que mais observava a regra.
Luciana, sua irmã e confidente, revelou que o rapaz decidira viver no mais absoluto desprendimento. Em casa, ele era tido como um tolo por ser visto sempre com poucas liras no bolso porque, pensava, para ajudar as pessoas pobres devia dar, não o supérfluo, mas o necessário. Procurava convencer os outros a fazer o mesmo. Um amigo contou que Frassati o convidara para ser vicentino. Ele, porém, lhe disse que sentia dificuldade de entrar nas casas dos pobres, pois temia contrair doenças. Pedro Jorge, com muita simplicidade, respondeu-lhe que visitar os pobres era visitar Jesus.
Entre os sofrimentos de Pedro Jorge, merece ser lembrado o seu amor profundo por Laura Hidalgo, uma jovem de condição humilde, sentimento que ele teve de renunciar pelos preconceitos da família.
No fim de junho de 1925, quando começa a sentir enxaqueca e falta de apetite, ninguém lhe dá atenção porque a sua avó estava agonizante e ele parecia um rapaz robusto. Atingido por poliomielite fulminante, os pais, apavorados, perceberam a gravidade da doença mas já tarde.
Antes de morrer, Frassati pediu à irmã para buscar na escrivaninha uma caixa de injecções que não tinha conseguido entregar a um dos seus pobres e quis escrever um bilhete com as instruções e o endereço. Tentou, mas devido à paralisia só saiu um rascunho de letras quase incompreensível. É o seu testamento…as últimas energias para a última caridade. Faleceu em 4 de julho de 1925, aos 24 anos de idade.
Chamado de “O homem das oito bem-aventuranças” por João Paulo II durante a cerimónia da sua beatificação, em 20 de maio de 1990, o saudoso Papa fez uma tocante confissão: “Frassati era um jovem de uma alegria transbordante, uma alegria que superava também muitas dificuldades da sua vida porque o período juvenil é sempre um período de prova de forças... Também eu, na minha juventude, senti a influência de Pedro Jorge e, como estudante, fiquei impressionado com a força do seu testemunho cristão”.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

As duas Igrejas na China

No passado fim-de-semana, Bento XVI enviou uma carta ao Governo da China a pedir o respeito de uma autêntica liberdade religiosa, rejeitando a ideia de uma Igreja submissa às autoridades chinesas e independente do Vaticano.
Neste documento, o Santo Padre apelou à hierarquia e aos fiéis das duas Igrejas católicas chinesas a uma maior aproximação, rumo à unidade.
Antes de o mundo conhecer o conteúdo da carta, Bento XVI encomendou a várias congregações religiosas, uma oração especial para o bom acolhimento das suas palavras pelas autoridades políticas e pelos fiéis católicos daquela região do mundo.
Façamos também nós uma união espiritual com o Santo Padre, através da nossa oração pessoal, para que a sua carta dê muitos frutos nas terras de Cantão.


A fé cristã foi introduzida pela primeira vez na China na dinastia dos Yaun, no século XIII, mas só começou a desenvolver-se em 1582 com o missionário jesuíta Matteo Ricci.
O Catolicismo é uma das cinco religiões autorizadas na China do século XXI, e é vigiada por uma “associação patriótica”.
A Associação Patriótica Católica da China (APCC) foi criada na controvérsia e no conflito, aquando da chegada ao poder do marxista Mao Tsé Tung, nos anos 50 do século XX.
A controvérsia resulta na “política da tripla autonomia”, que obriga as organizações religiosas chinesas a serem independentes nos planos administrativo, financeiro e de propagação da fé.
Esta política religiosa da China comunista criou a divisão entre a Igreja “oficial”, autorizada pelo Governo chinês e pela APCC, e a Igreja Católica, “clandestina”, fiel a Roma.
Apesar de não haver grandes divergências entre as duas maneiras de viver o catolicismo, só os fiéis da Igreja clandestina reconheçam a autoridade do Vaticano e recusam o controlo político da fé. Nalgumas áreas, as duas Igrejas estão muito divididas, noutras, colaboram abertamente. É também sabido, que alguns membros da Igreja “oficial” (APCC) fizeram secretamente a paz com Roma.
Neste clima de falsa liberdade religiosa, as autoridades chinesas continuem hoje a perseguir os fiéis católicos da Igreja clandestina. Ameaças, multas, prisões e às vezes o martírio (camuflado pelas autoridades), podem ser o resultado de uma fé fiel a Cristo e à sua Igreja, porque fiel ao Santo Padre.
A nossa oração pelos cristãos perseguidos, da China ou de outra parte do mundo, não pode cessar!