sábado, 30 de junho de 2007

Dom total ao Reino

Pelo caminho, alguém disse a Jesus:«Seguir-Te-ei para onde quer que fores».Jesus respondeu-lhe:«As raposas têm as suas tocase as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me».Ele respondeu:«Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai».Disse-lhe Jesus:«Deixa que os mortos sepultem os seus mortos;tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro:«Seguir-te-ei, Senhor;mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família».Jesus respondeu-lhe:«Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».


Lc 9, 57-62


Não podemos ver estas exigências como normativas: noutras circunstâncias, Cristo mandou cuidar dos pais (cf. Mt 15,3-9); e os discípulos – nomeadamente Pedro – fizeram-se acompanhar das esposas durante as viagens missionárias (cf. 1 Cor 9,5)… O que estes ensinamentos pretendem dizer é que o discípulo é convidado a eliminar da sua vida tudo aquilo que possa ser um obstáculo no seu testemunho quotidiano do Reino. (...)
O “caminho do discípulo” é um caminho exigente, que implica um dom total ao Reino. Quem quiser seguir Jesus, não pode deter-se a pensar nas vantagens ou desvantagens materiais que isso lhe traz, nem nos interesses que deixou para trás, nem nas pessoas a quem tem de dizer adeus… O que é que, na nossa vida quotidiana, ainda nos impede de concretizar um compromisso total com o Reino e com esse caminho do dom da vida e do amor total?


Meditações dominicais dos Padres Dehonianos




Neste último dia do mês de Junho… mês do Sagrado Coração de Jesus, porque não fazer uma consagração a este mesmo Coração, com as palavras de Santa Margarida-Maria Alacoque, entregando assim o nosso amor, a nossa vida e pessoa, ao dispor de Cristo, para melhor amá-l’O e segui-l’O?


Eu (nome...)
dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo,
a minha pessoa e a minha vida,
as minhas acções, penas e dores,
não querendo servir-me de parte alguma do meu ser,
a não ser para O honrar, amar e glorificar.
É esta minha vontade irrevogável,
pertencer-Lhe e fazer tudo por seu amor,
renunciando completamente ao que não for do seu agrado.

Eu Vos tomo, Sagrado Coração,
por único objecto do meu amor,
protector de minha vida,
penhor de minha salvação,
remédio de minha fragilidade e inconstância,
reparador de todos os meus defeitos
e asilo seguro na hora da morte.
Sede, Coração de bondade,
a minha justificação junto de Deus Pai,
e afastai de mim a sua justa indignação.

Ó Coração de amor,
em Vós coloco toda a minha confiança,
pois tudo receio de minha fraqueza e malícia,
mas tudo espero da vossa bondade.
Destruí em mim
tudo o que Vos possa desagradar ou resistir.
Que o vosso puro amor
se grave tão profundamente no meu coração,
que eu não possa jamais esquecer-me
nem separar-me de Vós.
Peço-Vos,
pela vossa bondade,
que o meu nome fique inscrito em Vós,
pois eu quero fazer consistir
toda a minha felicidade e glória,
em viver e morrer como vosso servo.

Amen.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Pedro e Paulo...boas escolhas?

Humanamente falando, Jesus pode surpreender quando chama e reparte as tarefas… Será que Pedro, o pescador rezingão da Galileia, o renegado da hora da Paixão, foi a melhor escolha para governar a Igreja? O discípulo predilecto teria feito um óptimo candidato!
E Paulo, o mais temerário dos perseguidores…o pregador ideal?
Mistério da escolha de Deus e da sua liberdade! Sem esquecer os outros apóstolos, Jesus dá à Igreja, para a estabelecer solidamente, dois pilares tão diferentes e tão inseparáveis.
Pedro é o arrependido, aquele que, em nome dos outros, professa a fé revelada pelo Pai: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo!”
Paulo põe todas as suas forças ao serviço do seu amor a Cristo e ao próximo.
Acreditar e amar: dois verbos para dizer uma mesma missão da Igreja.
Pedro e Paulo, para sempre unidos no serviço à Igreja, ontem e hoje!
As primeiras comunidades cristãs reconheciam o papel particular de Pedro.
Acreditamos que o seu Sucessor na Cátedra de Roma tem a missão de também ele confirmar a fé, ligar e desligar.
Paulo, sempre rompeu as barreiras; semeou igrejas entre as nações. Nunca mais o seu alento parou.
Os cristãos podem discutir indefinidamente como o bispo de Roma deve exercer o seu ministério, mas não podemos deixar de ouvir as palavras de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja!”
E tantas vezes, Pedro se faz também, como Paulo, incansável peregrino do Evangelho…
Hoje é dia de festa! Após a Solenidade da Ressurreição, a primeira festa que a Igreja antiga estabeleceu no seu calendário foi a dos apóstolos Pedro e Paulo.
Celebrar o Chefe dos Doze e o Apóstolo das nações, é pedir a Cristo, Cabeça da Igreja, que o testemunho e os ensinamentos destes dois grandes santos continuem a viver em nós e nos alegrar.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Palavras de: Margarida-Maria Alacoque

«É preciso retirar-nos para a chaga do Sagrado Coração como um pobre viajante que procura um porto seguro para se colocar ao abrigo dos escolhos e das tempestades do mar tempestuoso do mundo, onde estamos expostos a um contínuo naufrágio.»

«Escolhei o Coração de Nosso Senhor para vosso oratório sagrado. Entrai lá para aí fazerdes as vossas preces e orações, a fim de que elas sejam agradáveis a Deus. Aí encontrareis com que dar o que lhe deveis.»

«Encontrais-vos enfraquecidos no serviço de Deus...não vos perturbeis.
Para vos satisfazerdes neste ponto, nada tendes a fazer senão unir-vos em tudo o que fizerdes ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No começo, para vos preparar, e no fim, para vos aprazer.
Não podeis fazer nada na oração? Contentai-vos em oferecer a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento do altar, os seus ardores, para reparar as vossas tibiezas. Dizei em cada uma das vossas acções:
'Meu Deus, quero fazer ou sofrer isto no Coração sagrado do vosso divino Filho; é segundo as suas santas intenções que Vo-lo ofereço para reparar tudo o que há de impuro e de imperfeito nas minhas'.
Ele suprirá em tudo o que poderá faltar-vos da vossa parte. Ele amará a Deus por vós, e amá-l’O-eis n’Ele e por Ele.»


«Este divino Coração é uma fonte inesgotável onde há três canais que correm sem cessar: primeiramente, o da misericórdia pelos pecadores donde brota o espírito de contrição e de penitência;
o segundo, o da caridade por todos os necessitados, e particularmente por aqueles que tendem à perfeição, que aí encontrarão com que vencerem os obstáculos;
do terceiro, correm o amor e a luz para aqueles que quer unir a si para lhes comunicar a sua ciência e as suas luzes.
Procuremos neste divino Coração tudo aquilo de que tivermos necessidade; recorramos a ele em todo o tempo e em todo o lugar. É um tesouro escondido e infinito que não pede senão a abrir-se a nós.»


Santa Margarida Alacoque (1647-1690),
grande promotora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Livros...leituras

Em resposta ao desafio que me foi feito pela Maria João do blog “Deus em tudo e sempre”, vou revelar os livros ou pequenas obras literárias que li recentemente ou que me marcaram.

No primeiro lugar, porque é uma presença diária, o Livro dos livros... a “Bíblia”.
Para mim, ela é fonte fresca onde me sacio. Nesta verdadeira biblioteca inspirada pelo Espírito Santo, estão os Evangelhos, e como as duas “Teresas”, a de Ávila e a do Menino Jesus, posso dizer que a sua simples leitura bastaria para a minha vida. Os livros dos “Salmos”, de “Ben Sirá” (“Eclesiástico”) ou as cartas do Novo Testamento me são também muito agradáveis.

Há já algum tempo que li a “História de uma alma” de Santa Teresa do Menino Jesus, mas frequentemente o abro, folheando-o ao acaso, deixando sempre surpreender-me com as belas páginas da “pequena via” da jovem carmelita de Lisieux, que inspiram uma vivência da fé, confiança, amor e abandono a Deus, através dos pequenos gestos, palavras, pensamentos e orações do dia a dia.

Recentemente, li as “Obras espirituais” da Beata Isabel da Trindade, e comecei a ler algumas obras de São João da Cruz. O espírito do Carmelo anda muito à minha volta…não é ele senão outra coisa do que a procura da presença de Deus na vida do homem, a união com Ele, Aquele para o qual devemos todos tender?

“Gritar o Evangelho” do beato Carlos de Foucauld, “Como amar a Deus” do Padre Antoine Crozier e a Encíclica “Haurietis aqua” de Pio XII (só para citar estes) figuram nas leituras feitas há poucos dias.

Com um espírito muito curioso, é-me muito habitual imprimir folhas de citações, artigos, textos, meditações que vou encontrando na internet…amontoando assim em “formato A4”, tesouros de conhecimento em algumas áreas. Não são livros propriamente dito, mas tudo compilado até parecem.
Boas leituras para todos!

Convido estes três bloguistas, se assim eles quiserem e só para chatear estes, a partilhar connosco as suas leituras:
Estorias da carochinha
Reflexões
Silêncio para Deus

sábado, 23 de junho de 2007

Seguir o Mestre

-«Vou fazer-vos uma pergunta…
a mesma que fiz um dia ao meus discípulos:
Quem dizeis que Eu sou?»
-«És o Messias de Deus,
Aquele que sofreu muito,
que foi rejeitado pelo seu povo,
que morreu e ressuscitou ao terceiro dia!»
-«E quereis vir comigo?»
-«Sim. Que devemos fazer?»
-«Renunciai a vós mesmo,
tomai a cruz todos os dias
e segui-me.»
-«Porquê?»
-«Pois bem...quem quiser salvar a sua vida,
há-de perdê-la;
mas quem perder a sua vida por minha causa,
salvá-la-á.»


Inspirado de Lc 9, 18-24



«Porque temes, pois, tomar a cruz, pela qual se caminha para o reino de Deus?
Na cruz está a saúde e a vida.
Na cruz está o refúgio contra os inimigos, a doçura da graça, a força da alma, a alegria do espírito, a perfeição das virtudes, o cume da santidade.
Não há salvação nem esperança da vida eterna senão na cruz.
Toma, pois, a tua cruz e segue a Jesus Cristo, e caminharás na vida eterna.
Este Senhor foi adiante, levando às costas a sua.
Nela morreu por teu amor, para que tu leves também a tua e nela desejas morrer.»

Imitação de Cristo L2, XII

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A exigência do amor ao próximo

«Os bens presentes, de onde vieram?
Se dizes que vêm da sorte, és um ateu porque não reconheces o Criador, e não percebes a vontade d’Aquele que te providenciou.
Se confessas que eles vêm de Deus, diz-nos a razão pela qual os recebestes.
Será Deus injusto, Ele que distribua de maneira desigual os bens necessários à vida?
Porque será este rico e aquele pobre?
Tu que cobres todos os teus bens nas pregas de uma insaciável avareza, pensas não prejudicar ninguém despojando tantos infelizes?
Quem é então o avarento? É aquele que não se contenta daquilo que lhe basta.
Quem é o espoliador? É aquele que desvia os bens dos outros.
E não és avarento?
Não és espoliador, tu que, dos bens que recebeste a administração, fazes teu próprio beneficio?
Aquele que despoja um homem de suas vestes será chamado de ladrão, e aquele que não veste a nudez do infeliz, podendo fazê-lo, não merece o mesmo nome?
Ao faminto pertence o pão que reservas;
ao homem nu, o manto que guardas nas malas;
aos descalços, as sandálias que apodrecem em tua casa;
ao necessitado, o dinheiro que conservas enterrado.
Assim cometas tantas injustiças como as pessoas a quem poderias dar.»

São Basílio (329 - 379), Padre da Igreja,
teólogo e escritor cristão do século IV,
considerado o fundador do monaquismo oriental.



«Se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser “piedoso” e cumprir os meus “deveres religiosos”, então definha também a relação com Deus.
Neste caso, trata-se duma relação “correcta”, mas sem amor.
Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus.
Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama.
Os Santos — pensemos, por exemplo, na Beata Teresa de Calcutá — hauriram a sua capacidade de amar o próximo, de modo sempre renovado, do seu encontro com o Senhor eucarístico e, vice-versa, este encontro ganhou o seu realismo e profundidade precisamente no serviço deles aos outros.
Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas, ambos vivem do amor proveniente com que Deus nos amou primeiro.»


Bento XVI, Encíclica “Deus caritas est”



Foto: Visita de Bento XVI à “Fazenda da Esperança”, Centro de recuperação de jovens dependentes de drogas e álcool, Brasil, 12 de Maio 2007

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A síntese da religião

O Senhor nos diz: “A síntese da religião, é o meu Coração, olhar o meu Coração recorda o amor que Deus tem por vós e o amor que deveis dar a Deus. (…)
Ele deseja que eternamente O possuais, e que sejais transformados n’Ele, de uma certa maneira divinizados; é este amor por vós, infinito pelo bem infinito que Ele vos quer, que o meu Coração recorda.”


B. Carlos de Foucauld



“O culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é na substância o culto do amor que Deus tem por nós em Jesus, e ao mesmo tempo, a prática do nosso amor para com Deus e os outros homens. Este culto propõe o amor de Deus para connosco como objecto de adoração, acção de graças e imitação; ele tem com finalidade conduzir-nos à perfeição e à plenitude do amor que nos une a Deus e aos outros homens, seguindo cada vez mais alegres o mandamento novo que o divino Mestre deixou aos apóstolos como herança sagrada, quando lhes disse: ‘Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei…’”


Pio XII, “Haurietis aquas in gáudio”

segunda-feira, 18 de junho de 2007

8º Centenário da Conversão de Francisco de Assis

Bento XVI visitou no passado domingo o túmulo de Francisco de Assis, por ocasião do oitavo centenário da conversão do santo fundador dos franciscanos…uma conversão ao amor de Cristo na pobreza.

Francisco de Assis, de nome de baptismo: João (Giovanni) e da família dos Bernardone, nasceu em 1182. Ele conheceu uma infância confortável. Filho de um rico comerciante, prepararam-no para suceder um dia ao pai. E como tinha dinheiro, tinha também muitos amigos: era o príncipe da juventude dourada de Assis. Sonhava em ser cavaleiro, mas a sua primeira experiência com as armas não correu muito bem: após um ano de conflito com a cidade vizinha de Perusa, ele é feito prisioneiro, e permanecerá no cárcere dois ano. Doente, ele é libertado, e volta a sonhar com a cavalaria. Mas, pouco a pouco, ele tem a intuição que tem algo maior para fazer... Porque não renunciar à glória das armas para servir a Cristo?
Ele inicia assim uma vida de oração intensa, procura o recolhimento, e aproxima-se dos pobres, dos leprosos, dos excluídos por excelência. O próprio Francisco, no seu Testamento, rubrica a data da sua conversão no convívio com os leprosos: “Praticava a misericórdia para com eles, e esperei pouco para sair do século…” Ele deixa o mundo para retirar-se a capela da São Damião nos arredores de Assis, onde Cristo comunica com ele através de um crucifixo. “Francisco, vai e restaura a minha casa, que, como vês, está em ruína…” Para Francisco, a visão em São Damiano é decisiva, associada com a experiência de Cristo Sofredor nos pobres e excluídos.
“A partir deste dia, o seu coração foi tão impressionado e tão dilacerado com a lembrança da Paixão do Senhor, que todo o resto da sua vida, ele guardou na sua alma, a memória dos estigmas do Senhor Jesus. A coisa veio a ser conhecida mais tarde, quando as chagas do Senhor se imprimiram no corpo de Francisco” (Tres Soc. 5, n°14).
Tendo ouvido a voz do Crucificado, Francisco pensou que Cristo queria reconstruir a capela de São Damiano. Pôs mãos à obra, mas o seu pai reclamou o dinheiro que serviu para a obra e fez comparecer o filho diante do tribunal do bispo. Ali, diante da família e dos amigos do pai, o jovem Francisco despojou-se de tudo, até das vestes e proclamou: “Doravante, não chamarei pai a Pedro Bernardone, mas ao Pai dos céus!”.
Partiu para o campo e levou uma vida de eremita e de penitente. Rapidamente, começou a pregar o Evangelho, e, alguns companheiros de infância, e jovens dos arredores, juntaram-se a ele. Procurando no Evangelho uma pista sobre a sua vocação, ficou tocado pelo envio dos discípulos em missão. Com os seus companheiros, Francisco decide aplicar à letra aquele trecho evangélico, começando uma obra de vida de pregação itinerante numa pobreza radical, que ainda hoje, perdura na Igreja e pelo mundo, através daqueles que se reclamam do carisma do Poverello de Assis.
Bendito seja Deus em São Francisco!

sábado, 16 de junho de 2007

Coração de Maria

«Jesus não só vive e habita continuamente no Coração de Maria, como é também Ele próprio o Coração do seu Coração. Por isso, aproximar-se do Coração de Maria, é encontrar Jesus; honrar o Coração de Maria, é invocar Jesus. Este Coração admirável é o exemplo e modelo dos nossos corações; e a perfeição cristã consiste em ser imagens vivas do santo Coração de Maria. E como o Pai eterno deu a Maria o poder de conceber seu Filho no seu Coração e no seu seio virginal, assim lhe deu também poder de O formar e de O fazer nascer nos corações dos filhos de Adão. Logo ela colabora na obra da nossa salvação usando com amor espantoso este poder especial. E como ela trouxe e trará eternamente o seu Filho Jesus no seu Coração, ela trouxe e trará sempre com Ele todos os membros deste divino Chefe, como seus filhos muito amados e fruto de seu Coração materno, de que faz oblação contínua e sacrifício perpétuo à divina Majestade.»

São João Eudes (1601-1680), fundador da Congregação de Jesus e Maria – Padres Eudistas

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Transborda de amor divino e humano

«Nada se opõe em que adoremos o Sacratíssimo Coração de Jesus Cristo enquanto participação e símbolo natural muito expressivo deste amor inesgotável que o nosso divino Redentor não cessa de sentir para com o género humano.
Apesar de já não estar submisso às vicissitudes desta vida mortal, ele não deixa por isso de continuar a viver e bater, ele está unido de maneira indivisível à Pessoa do Verbo divino, e, nela e por ela, à vontade divina. Porque o Coração de Cristo transborda de amor divino e humano, e que ele está cheio dos tesouros de todas as graças que o nosso Redentor alcançou ao longo da sua vida pelos seus sofrimentos e pela sua morte, ele é fonte eterna deste amor que o seu Espírito derrama em todos os membros do seu Corpo místico.
O Coração do nosso Salvador espelha a imagem da divina Pessoa do Verbo e da sua dupla natureza humana e divina, e nele podemos considerar a soma de todo o mistério da nossa Redenção.»

Pio XII, Carta Encíclica sobre o culto e devoção ao Sagrado Coração,
“Haurietis aquas in gáudio”




Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus;
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade;
Coração de Jesus, fonte de vida e de santidade;
Tende piedade de nós!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Santo António e o Coração de Jesus

« Sim, a chaga do lado de Jesus é um sol que ilumina o homem. Porquê? Porque na abertura do Coração do Senhor, foi aberta a porta do Paraíso, de onde vem o esplendor da luz eterna. Nas coisas da natureza, é dito que o sangue do lado da pomba apaga as manchas dos olhos; da mesma maneira, o sangue que a lança do soldado fez jorrar do Coração de Jesus abriu os olhos ao cego de nascença, isto é, ao género humano.»

Sermão para o 1º Domino de Advento

«Se Jesus Cristo é o refúgio, o lugar mais recôndito onde a alma religiosa deve abrigar-se é no refúgio do Lado. (…) A chaga do seu Lado leva-nos ao seu Coração e é aí que Ele chama a alma que Ele quer desposar. Ele lhe tende a mão, Ele lhe abre o seu Lado e o seu Coração, para que aí venha esconder-se. Retirando-se nas profundezas do refúgio, a pomba se protege das perseguições da ave rapina; ela encontra uma morada tranquila onde descansa serenamente. Assim a alma religiosa encontrará no Coração de Jesus, um refúgio seguro contra as maquinações de Satanás, um delicioso asilo… Não fiquemos à entrada, mas penetremos até ao abismo desse refúgio, (…) à fonte da qual jorra o sangue redentor, no mais intimo do Coração de Jesus. A alma aí encontrará a luz, as consolações, a paz, as delícias eternas.»

Sermão sobre o salmo 54


Santo António de Lisboa para os portugueses,
Santo António de Pádua para o resto do mundo.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

São Barnabé e Chipre

Hoje, a Igreja faz memória de São Barnabé apóstolo, companheiro de São Paulo na pregação do Evangelho aos gentios. Natural da Ilha de Chipre, ali também morreu segundo a tradição. A festa litúrgica de São Barnabé é assim uma oportunidade para falar hoje da presença do Catolicismo nesta Ilha do Mediterrâneo, e de ler uma das catequeses de Bento XVI que tratou deste santo, num conjunto de ensinamentos sobre as figuras dos primórdios da Igreja a que o Santo Padre consagrou as audiências de quarta-feira no inicio do ano 2007.

A presença da Igreja Católica na ilha do Chipre é diminuta, dado que 78% da população pertence à Igreja Ortodoxa da Grécia e outros 18% são muçulmanos. No total de 800 mil habitantes, apenas 13 mil são católicos, o que representa uma percentagem de 1, 28%.
Por tudo isto, a presença da Igreja no país não tem um grande impacto na sociedade e está mais limitada à celebração litúrgica, dentro das comunidades católicas, de tradição maronita – a única das igrejas católicas orientais, que não tem uma facção separada de Roma. Uma arquieparquia (divisão eclesiástica correspondente à nossa arquidiocese) e 13 paróquias espalham-se pelos 9 mil km2 da ilha, contando apenas com 12 padres e 50 religiosos.



«“Barnabé significa "filho da exortação" (Act 4, 36) ou "filho da consolação" e é sobrenome de um judeu-levita originário de Chipre. Tendo-se estabelecido em Jerusalém, ele foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo, depois da ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade entregando a quantia aos Apóstolos para as necessidades da Igreja (cf. Act 4, 37). Foi ele quem se fez garante da conversão de Saulo junto da comunidade cristã de Jerusalém, a qual ainda desconfiava do antigo perseguidor (cf. Act 9, 27). Tendo sido enviado a Antioquia da Síria, foi buscar Paulo a Tarso, onde se tinha retirado, e transcorreu com ele um ano inteiro, dedicando-se à evangelização daquela importante cidade, em cuja Igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. Act 13, 1). Assim Barnabé, no momento das primeiras conversões dos pagãos, compreendeu que tinha chegado a hora de Saulo, o qual se retirara para Tarso, sua cidade. Foi ali procurá-lo. Assim, naquele momento importante, quase restituiu Paulo à Igreja; deu-lhe, neste sentido, novamente o Apóstolo das Nações. Da Igreja antioquena Barnabé foi enviado em missão juntamente com Paulo, realizando o que classifica como primeira viagem missionária do Apóstolo. Na realidade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, sendo ele o verdadeiro responsável, ao qual Paulo se juntou como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na actual Turquia, com as cidades de Attalia, Perge, Antioquia de Psídia, Listra e Derbe (cf. Act 13-14). Juntamente com Paulo foi depois ao chamado Concílio de Jerusalém onde, depois de um aprofundado exame da questão, os Apóstolos com os Anciãos decidiram separar a prática da circuncisão da identidade cristã (cf. Act 15, 1-35). Só assim, no final, tornaram oficialmente possível a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo.


Os dois, Paulo e Barnabé, entraram depois em contraste, no início da segunda viagem missionária, porque Barnabé tinha em mente assumir como companheiro João Marcos, mas Paulo não queria, tendo-se separado o jovem deles durante a viagem anterior (cf. Act 13, 13; 15, 36-40). Portanto, também entre santos existem contrastes, discórdias, controvérsias. E isto parece-me muito confortador, porque vemos que os santos não "caíram do céu". São homens como nós, com problemas também complicados. A santidade não consiste em nunca ter errado ou pecado. A santidade cresce na capacidade de conversão, de arrependimento, de disponibilidade para recomeçar, e sobretudo na capacidade de reconciliação e de perdão. E assim Paulo, que tinha sido bastante rude e amargo em relação a Marcos, no final encontra-se com ele. Nas últimas Cartas de São Paulo, a Filemon e na segunda a Timóteo, precisamente Marcos aparece como "o meu colaborador". Portanto, não é o facto de nunca ter errado que nos torna santos, mas a capacidade de reconciliação e de perdão. E todos podemos aprender este caminho de santidade. Em todo o caso Barnabé, com João Marcos, partiu para Chipre (cf. Act 15, 39) por volta do ano 49. Daquele momento em diante perdem-se os seus vestígios. Tertuliano atribui-lhe a Carta aos Hebreus, ao que não falta a plausibilidade porque, pertencendo à tribo de Levi, Barnabé podia ter interesse pelo tema do sacerdócio. E a Carta aos Hebreus interpreta-nos de modo extraordinário o sacerdócio de Jesus.” »


Audiência de Bento XVI a 31/01/2007

sábado, 9 de junho de 2007

Eu te ordeno: levanta-te.

“Apareceu no meio de nós um grande profeta;
Deus visitou seu povo.”

De todo o mal…
De todo o pecado…
Do choro e do luto…
Até da solidão e da angústia…
Até da sofrimento e da crise…
Até da rejeição e da incompreensão…
Até da miséria, da fome e da guerra…
Até da morte…
Ele me diz…Ele te diz,
cheio de compaixão e de amor:
“Eu te ordeno: levanta-te.”

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Rosto de: Karl Leisner, matrícula 22356, padre

Há dias, tomei conhecimento de um belo testemunho de amor ao sacerdócio: Karl Leisner, que hoje, quero partilhar convosco.

Nascido na Alemanha em 1915, Karl passa a sua juventude em Clèves onde participa activamente nos movimentos da juventude católica nos anos 30.

Estes anos são também determinantes para a sua evolução espiritual e religiosa: os seus jornais e as suas meditações mostram a importância que atribui à leitura da Palavra de Deus e à Eucaristia. Animado de um sentido profundo de responsabilidade, quer transpor a sua fé católica na sua vida, ir mais longe na oração e no amor do próximo. Mesmo nas situações mais difíceis, no campo de concentração, ele guardará a alegria, a paz, que tocarão os soldados SS. O seu amor pela liberdade, pelas discussões sem constrangimento, pela natureza, fazem dele um excelente director de jovens, mas tornarão mais duros os rigores da detenção.

No início dos anos 30, Karl Leisner é estudante em Clèves. Aplica-se em estabelecer uma disciplina interior e a conservar uma vida espiritual intensa. Esta vontade de viver de acordo com as regras que se fixou o ajude a proteger-se da influência nazi, e mais tarde a sobreviver nas condições mais difíceis. No sofrimento, encontrará ainda a força de vir em ajuda aos outros. A partir de 1933, é um oponente determinado à Hitler e ao seu regime.

Antes mesmo de passar o "baccalauréat", em 1934, escolhe fazer estudos de teologia para se tornar padre. Durante o seu primeiro semestre em Münster, é-lhe confiado a responsabilidade dos movimentos da juventude diocesanos. Tenta continuar a reunir os jovens e dar-lhes armas, no plano interior, de modo que sejam capazes de opor-se ao nazismo. As suas actividades são supervisionadas pela Gestapo que confisca os jornais que redige.

Em 1936-37, durante um semestre de estudos à Fribourg-en-Brisgau, encontra uma jovem rapariga e pensa abandonar o apelo ao sacerdócio para fundar uma família. Sai deste tempo de dúvidas, reforçado na sua vocação: a sua vida será doravante orientada pelo desejo de se tornar padre. As linhas que escreve durante este período contêm meditações de uma grande riqueza: “Deves crer, deves ousar. Vai de Cristo no nosso país. É o que há de maior! Sacrifício, combate, coragem! ““Cristo, minha vida, meu amor, minha paixão, abraça-me, ilumina-me " (14 de Abril de 1938).

A 25 de Março de 1939, é ordenado diácono; mas pouco depois, atingido de tuberculose, interrompe qualquer actividade para se tratar. Denunciado à Gestapo devido a comentários imprudentes contra o regime, é encarcerado em Fribourg-en-Brisgau antes de ser conduzido ao campo de Sachsenhausen.

O 13 de Dezembro de 1940, é transferido ao campo de Dachau sob o número 22356. Cerca de 2800 padres alemães, austríacos, polacos e de outros países da Europa, bem como pastores protestantes, são presos no “Block 26”. Há lá padres de 144 dioceses, de 40 ordens diferentes. A partir de 1941, os padres têm o direito de celebrar a missa todos os dias numa capela, da manhã até às 17 horas, antes da chamada. Os padres esforçam-se sempre por manter no campo uma vida espiritual.
As privações, o trabalho e os rigores do inverno agravam a doença de Karl que, a partir de 1941, é obrigado a juntar-se ao “block” dos doentes, barraca onde os enfermos apinham-se num espaço estreito. Karl Leisner guarda contudo sempre à esperança a ser ordenado padre.

A detenção e a transferência para Dachau de Dom Piguet, bispo de Clermont-Ferrand, no Outono 1944, tornam possível a ordenação de Karl no campo. Um padre jesuita encarrega-se de convencer Dom Piguet da importância e do valor simbólico desta ordenação : “A ordenação de um padre neste campo de exterminação de padres seria uma vingança de Deus e um sinal de vitória do sacerdócio sobre o nazismo.» Os preparativos começam secretamente: conseguir a autorização do bispo da diocese e a do bispo de Münster, arranjar os óleos santo e os ornamentos necessários, criar um anel de bispo e uma croça episcopal sobre a qual são gravadas as palavras “Victor dentro vinculis" (Vencedor dos grilhões), palavras que resumem a situação. Karl Leisner é ordenado clandestinamente na capela do campo de Dachau a 17 de Dezembro de 1944. A sua primeira missa é a 26 de Dezembro de 1944.
A sua doença entra numa fase final. É libertado do campo a 4 de Maio de 1945 e transferido imediatamente ao sanatório de Planegg, perto de Munique, onde morre a 12 de Agosto de 1945.

Karl Leisner torna-se muito rapidamente um modelo para os jovens da sua região. A 23 de Junho de 1996, no estádio olímpico de Berlim, o papa João Paulo II beatifica Karl Leisner, e também Bernhard Lichtenberger, sacerdote e teólogo, que morreu no campo de concentração de Dachau em 1943.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Canta, ó lingua...

Canta, ó língua, o mistério
deste Corpo glorioso,
e do Sangue precioso
derramado sobre o mundo,
fruto de ventre fecundo,
Rei de todas as nações.

Foi-nos dado e nasceu
para nós da Virgem pura.
Nesta terra, Ele desceu,
semeou sua Palavra.
Cumprindo aqui o seu tempo,
grande sinal nos deixou.

Na noite santa da Ceia,
com os irmãos, reunido,
observando todo o rito
daquilo que é prescrito,
por suas mãos, em alimento,
aos doze, se entregou.

O Verbo encarnado torna
pelo seu Verbo, pão e vinho,
no seu Corpo e no seu Sangue.
Para além do entendimento,
a fé é o suficiente
do sincero coração.

Este grande sacramento,
inclinados, adoremos;
os antigos manuscritos
dão lugar a novo rito.
Sirva a fé de complemento
na fraqueza dos sentidos.

Seja dado ao Pai e ao Filho,
o louvor, o júbilo,
saudação, honra, virtude
assim como a bênção.
Ao que de ambos procede
demos o mesmo louvor.
Ámen





Pange lingua gloriosi
Corporis mysterium,
Sanguinisque pretiosi,
quem in mundi pretium
fructus ventris generosi,
Rex effudit gentium.

Nobis datus, nobis natus
ex intacta Virgine
et in mundo conversatus,
sparso verbi semine,
sui moras incolatus
miro clausit ordine.


In supremae nocte cenae
recum bens cum fratribus,
observata lege plene
cibis in legalibus,
cibum turbae duodenae
se dat suis manibus.

Verbum caro, panem verum
Verbo carnem efficit:
fitque sanguis Christi merum,
et si sensus deficit,
ad firmandum cor sincerum
sola fides sufficit.


Tantum ergo Sacramentum
veneremur cernui:
et antiquum documentum
novo cedat ritui:
praestet fides supplementum
sensuum defectui.

Genitori, Genitoque
laus et iubilatio,
salus, honor, virtus quoque
sit et benedictio:
procedenti ab utroque
compar sit laudatio.
Amen.







Hino "catequético" de São Tomás de Aquino sobre a Eucaristia.
As duas últimas estrofes, o "Tantum ergo" costumam ser entoadas antes da benção do Santíssimo Sacramento.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Pertenço inteiramente ao Coração de Jesus

“Pelo sangue, sou albanesa.
Pela minha nacionalidade, indiana.
Pela minha fé, sou uma religiosa católica.
Por aquilo que é minha vocação, pertenço ao mundo.
Por aquilo que é meu coração, pertenço inteiramente ao Coração de Jesus.”


B. Madre Teresa de Calcutá

sábado, 2 de junho de 2007

Adoramos um Deus em Trindade e a Trindade em Unidade

A fé católica, pois, é esta:
Adoramos um Deus em Trindade e a Trindade em Unidade.
Sem confundirmos as Pessoas ou dividir a substância.
Porque uma é a Pessoa do Pai,
outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm uma só divindade,
Glória igual e co-eterna Majestade.
O que o Pai é, tal é o Filho e tal o Espírito Santo.
O Pai é incriado, o Filho é incriado e o Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, o Filho é imenso e o Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno e o Espírito Santo é eterno.
No entanto não são três eternos, mas Um.
Bem como não há três imensos, nem três incriados,
mas Um Incriado e Um Imenso.
Semelhantemente o Pai é Omnipotente, o Filho Omnipotente
e o Espírito Santo Omnipotente.
E contudo não são três Omnipotentes, mas um Omnipotente.

Assim também o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus.
Do mesmo modo o Pai é Senhor, o Filho é Senhor e o Espírito Santo é Senhor.
E apesar disso, não são três Senhores, mas Um só Senhor.
Porque, como a verdade cristã nos obriga a confessar
que cada uma das Pessoas por si só é Deus e Senhor,
assim a religião católica proíbe-nos dizer
que há três Deuses ou três Senhores.
O Pai não foi feito por ninguém, nem foi criado, nem gerado.
O Filho é do Pai somente; não foi feito, nem foi criado, mas gerado.
O Espírito Santo é do Pai e do Filho;
não foi criado, nem gerado, mas, deles procede.
Há, pois, um só Pai, e não três Pais;
um só Filho, e não três Filhos;
um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há primeiro nem último;
nem um é maior ou menor do que o outro;
mas as três pessoas são justamente
de uma mesma eternidade e igualdade.
De sorte que no todo como já se disse,
cumpre adorar a Unidade na Trindade
e a Trindade na Unidade.
Aquele, pois, que quiser salvar-se,
deve assim pensar e crer na Trindade.


Do Credo dito de “Atánasio”,
também chamado "Quicumque"
Século IX

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A minha devoção pelos Três, pelo “Amor”.

«Deixo-te a minha devoção pelos Três, pelo “Amor”.
Vive, no interior, com Eles no céu da tua alma;
o Pai te há-de cobrir com a sua sombra,
colocando como que uma nuvem entre ti e as coisas terrenas
para te guardar toda sua,
Ele há-de comunicar-te o poder
para que o ames com um amor forte como a morte;
o Verbo há-de imprimir na tua alma, como um cristal,
a imagem da sua própria beleza,
para que sejas pura da pureza dele, luminosa, da sua luz;
o Espírito Santo virá transformar-te numa lira misteriosa que,
no silêncio, sob o toque divino,
há-de produzir um magnifico cântico ao Amor;
então serás “o louvor da sua glória”,
o que eu tinha sonhado ser na terra.
És tu quem me substituirás;
é que serei “Laudem gloriae” perante o trono do Cordeiro,
e tu “Laudem gloriae” no centro da tua alma;
entre nós, será sempre um.
Crê sempre no Amor.»

B. Isabel da Trindade


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