segunda-feira, 30 de abril de 2007

Bento XVI e a pobreza

Há poucos dias, foi revelada uma carta que Bento XVI enviou à chanceler da República Federal Alemã, Angela Merkel, ao assumir a presidência da União Europeia e do G8, na qual lhe pede manter como prioridade a luta contra a pobreza, em particular na África.

“Alegra-me o facto de que o tema «pobreza» está agora na ordem do dia dos países do G8 com uma referência explícita à África. Este tema, de facto, merece a máxima atenção e prioridade para benefício dos Estados pobres, assim como dos ricos. (…)

A Santa Sé sublinhou repetidamente que os governos dos países mais pobres têm, por sua parte, a responsabilidade do bom governo e da eliminação da pobreza, mas que nisso é irrenunciável uma activa colaboração por parte de todos os sócios internacionais. Não se trata de uma tarefa extraordinária ou de concessões que poderiam ser abandonadas por causa de importantes interesses nacionais. Dá-se mais um grave e incondicional dever moral, baseado na pertença comum à família humana, assim como na comum dignidade e destino dos países pobres e ricos, que no processo de globalização se desenvolvem de uma maneira cada vez mais intimamente ligada. (…)

É necessário tomar também medidas a favor de um rápido cancelamento, completo e incondicional, da dívida externa dos países pobres altamente endividados e dos países menos desenvolvidos. Desta forma, hão de tomar-se medidas para que estes países não acabem de novo em uma situação de dívida insustentável. (...)


Depois, são necessários importantes investimentos no campo da pesquisa e do desenvolvimento de remédios para o tratamento da Sida, da tuberculose, da malária e de outras doenças tropicais. Os países industrializados têm de enfrentar a urgente tarefa científica de criar finalmente uma vacina contra a malária. Desta forma, é necessário pôr à disposição tecnologias médicas e farmacêuticas, assim como conhecimentos derivados da experiência no campo da saúde, sem pretender, em troca, exigências jurídicas ou económicas.

Por último, a comunidade internacional tem de seguir trabalhando por uma redução significativa do comércio de armas, legal ou ilegal, do tráfico ilegal de matérias-primas preciosas e da fuga de capitais dos países pobres, e tem de comprometer-se na eliminação tanto de práticas de lavagem de dinheiro como da corrupção dos funcionários nos países pobres. (…)

Membros de diferentes religiões e culturas de todo o mundo estão certos de que alcançar o objectivo da eliminação da pobreza extrema antes do ano 2015 é uma das tarefas mais importantes de nosso tempo. Compartilham também a convicção de que esta meta está ligada indissoluvelmente à paz e à segurança no mundo.”

sábado, 28 de abril de 2007

Bom Pastor dos homens

Senhor Jesus,
que és um só com o Pai,
recebeste d’Ele um rebanho
que ninguém pode arrebatar da tua mão.
Desse rebanho, conheces cada ovelha.
Elas escutam a tua voz e seguem-te.

O teu rebanho tem outro nome…Igreja.
Ressoe a tua voz no mundo,
Bom Pastor dos homens,
para que muitos façam parte dela.
Ressoe a tua voz nos corações dos fiéis
para que cada um siga a vocação a que o Pai apela nela.

Dá, Senhor Jesus, a vida eterna às tuas ovelhas,
assim nunca perecerão,
e poderão contemplar o teu rosto,
por toda a eternidade,
Tu que vives e reinas com o Pai
na comunhão perfeita do Espírito Santo.
Ámen.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Não podemos rezar pelas vocações...

«Não podemos rezar pelas vocações, isto é, para que sacerdotes e consagrados sejam dados à Igreja, sem amar a Igreja e sem desejar a sua vitalidade. Seria uma contradição terrível rezar pelas vocações e desesperar da Igreja, menosprezá-la, ou imaginá-la definitivamente ultrapassada, condenada a um declínio irremediável.
Não se pode rezar pelas vocações sem rezar ao mesmo tempo pela fecundidade da Igreja, isto é, para que a Igreja venha a ser cada vez mais aquele Corpo vivo e organizado de que somos todos membros solidários e não justapostos.
Não se pode verdadeiramente rezar pelas vocações sem participar ao desenvolvimento pastoral do qual os sacerdotes e os leigos, homens e mulheres, aprendam a ser, cada um no seu lugar e segundo a sua missão, responsáveis da vida cristã e da vitalidade da Igreja.
Não se pode verdadeiramente rezar pelas vocações sem confiar nos jovens das nossas comunidades cristãs, paróquias, serviços e movimentos.
Não serve em nada rezar pelas vocações se, ao mesmo tempo, continua-se a recitar a ladainha lamentosa da desertificação dos jovens das nossas comunidades.
Rezar pelas vocações, é rezar para que as nossas comunidades permaneçam confiantes em Deus e, como Maria de Nazaré, se deixem arrebatar e conduzir pelo Espírito Santo que vem criar tudo de novo.
Que Deus nos faça participar na vida da nossa Igreja, no combate permanente para conhecer Jesus Cristo e viver segundo o seu Evangelho, na alegria de formar o Corpo de Cristo, alimentado pela Eucaristia, e que a nossa Igreja, viva na fé, tenha a alegria de gerar, dentro de ela própria, novas vocações, dadas por Deus e estimuladas por nós.»

D. Claude Dagens, Bispo de Angoulême – França



Senhor, a messe é grande
e as estações da tua graça superabundam de fruto…
mas os operários são poucos.
Manda, Senhor,
operários para trabalhar
no campo da tua Igreja,
para que o mundo cante todos os dias,
a certeza da tua presença.

(inspirado de Lc 10, 2)

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Apelo(s)

A vida do ser humano é marcada de apelos: apelo à existência (não se escolhe nascer), apelo a crescer, apelo a dar sentido à vida, apelo a viver a vida como serviço aos outros, à sociedade…não se fala de vocação de médico, jornalista, investigador ou soldado?
Os cristãos reconhecem serem chamados por Deus a viver em comunhão com Ele, a acolher a vida que Ele lhes propõe em Cristo. Deus não chama “directamente”, mas por mediações: acontecimentos, encontros, exemplos de outras vidas, palavras lidas ou escutadas… Cada um é livre da sua resposta e da forma que ela tomará.
Deus não obriga ninguém.


Mostra-me, SENHOR, os teus caminhos
e ensina-me as tuas veredas.
Dirige-me na tua verdade e ensina-me,
porque Tu és o Deus meu salvador.
Em ti confio sempre.

Lembra-te, SENHOR, da tua compaixão e do teu amor,
pois eles existem desde sempre.
Não recordes os meus pecados de juventude e os meus delitos.
Lembra-te de mim, SENHOR,
pelo teu amor e pela tua bondade.

O SENHOR é bom e justo;
por isso ensina o caminho aos pecadores,
guia os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer o seu caminho.
Todos os caminhos do SENHOR são amor e fidelidade,
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.

Por amor do teu nome, SENHOR,
perdoa o meu pecado, pois é muito grande.
Quem é o homem que teme ao SENHOR?
Ele lhe ensinará o caminho a seguir.
A sua vida decorrerá feliz,
e os seus descendentes possuirão a terra.

Salmo 24 (25), 4-13

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vocações



«Que a Virgem Maria, que respondeu prontamente ao chamamento do Pai, dizendo “Eis a escrava do Senhor” (Lc 1, 38), interceda para que no seio do povo cristão não faltem os servidores do amor divino, ou seja, sacerdotes que, em comunhão com os seus bispos, anunciem fielmente o Evangelho e celebrem os sacramentos, cuidem do Povo de Deus, e estejam preparados para anunciar o Evangelho a todas as pessoas. Que a sua ajuda faça crescer nos nossos dias o número de pessoas consagradas, que contra a corrente, vivam os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência, dando profeticamente testemunho de Cristo e da sua mensagem libertadora de salvação.»


Bento XVI


sábado, 21 de abril de 2007

Senhor, Tu sabes...

“Senhor, Tu sabes que Te amo.
Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.
Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo.”


“Segue-Me.”

Jo 21, 15-17.19

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Mais do que "ver", querem "ouvir" o Santo Padre

Na praça de São Pedro, “a grandíssima maioria segue o Papa em "religioso silêncio"; são muito poucas as interrupções com palmas, e há também quem, em folhas de papel ou agendas, escreve uma outra frase pronunciada pelo Papa. Sendo jornalista na Rádio Vaticano durante o inteiro pontificado de João Paulo II, e tendo seguido Karol Wojtyla nalgumas viagens na Europa, pude verificar a maneira como vibravam as multidões às suas palavras, mas também como se sentia uma certa "distracção" acerca do que o próprio Papa dizia. Com Bento XVI é diferente: silêncio, concentração e meditação. A resposta, ou melhor a explicação para esta diferença de atitude talvez resida no facto que com João Paulo II os fiéis, peregrinos e turistas queriam "ver" o Papa; com Bento XVI, mais do que ver, querem "ouvir" o Santo Padre. (…)

O número cada vez maior de fiéis que acorrem a Roma para o escutar é a demonstração tangível de quanto o povo cristão, e não só, aprecia os ensinamentos de Bento XVI, a profundidade unida á simplicidade, a clareza de exposição unida à profundidade da sua teologia.

E é pena que pouco, muito pouco, às vezes mesmo nada, dos temas e questões fundamentais do Magistério de Bento XVI, atinentes também a organização e vida da sociedade civil, seja relançado pelos grandes meios de comunicação social.”

António Pinheiro, Rádio Vaticano



Pelos 2 anos de pontificado:
A Bento XVI,
Sumo Pontífice e Pai universal,
paz, vida e salvação perpétua.
Benedicto Sexto Decimo,
Summo Pontíficiet universáli Patri
pax, vita et salus perpétua.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Caridade ou amor

«Não falemos de amor…mas de caridade como São Paulo (1 Cor13). Porquê?

O amor já é uma grande coisa. É importante amar o outro por aquilo que ele é. Mas amar o outro por ele mesmo não é suficiente. É um começo. O que é necessário é amar o seu irmão porque Deus o ama.

A caridade é amar a Deus, e porque amo a Deus, amo toda a pessoa humana, o outro, meu irmão, meu próximo, porque ele é uma criatura de Deus por Ele amado.
Se me contento em amar o outro por ele mesmo…esse amor é incompleto. Se amo o outro porque amo a Deus…então é caridade.

O amor que tenho para com Deus não espera senão um amor recíproco e fiel. E é o verdadeiro amor que me leva a amar o meu irmão, todo o ser humano, porque amo a Deus. E assim, vivemos a caridade…objectivo da nossa vida.

Mostro a Deus que o amo, que vivo a caridade, fazendo algo de concreto pelo meu irmão e aceitando tudo o que acontece na minha vida como prova do amor de Deus por mim.»


Adaptação de uma meditação sobre a caridade.


Mais do que um problema de uso ou de léxico das palavras "amor" e "caridade", o interessante dessa reflexão é mostrar a exigência do amor ao próximo no amor a Deus.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

"Jesus, eu confio em Vós"

«A renovação do mundo pode ser resumida numa palavra: a mesma que Jesus ressuscitado pronunciou como saudação e como anúncio de sua vitória aos discípulos: ‘A paz esteja convosco!’ (Lc 24, 36; Jo 20, 19.21.26). A Paz é um dom que Cristo deixou aos seus amigos (Jo 14, 27) como bênção destinada a todos os homens e a todos os povos. Não a paz segundo a mentalidade do “mundo”, como equilíbrio de forças, mas uma realidade nova, fruto do Amor de Deus, de sua Misericórdia. É a paz que Jesus Cristo ganhou pelo preço de seu Sangue e que comunica a todos aqueles que confiam n’Ele. “Jesus, eu confio em Vós”: nestas palavras se resume a fé do cristão, que é fé na omnipotência do Amor misericordioso de Deus.

Queridos irmãos e irmãs: enquanto vos agradeço novamente pela vossa proximidade espiritual por ocasião do meu aniversário e do aniversário de minha eleição como sucessor de Pedro, confio-vos a Maria Mater Misericordiae, Mãe de Jesus, que é a encarnação da Divina Misericórdia. Com a sua ajuda, deixemo-nos renovar pelo Espírito para cooperar na obra de paz que Deus está a realizar no mundo e que não faz barulho, mas se realiza nos inúmeros gestos de caridade de todos os seus filhos.»



Bento XVI, Regina Caeli 15/04/2007

sábado, 14 de abril de 2007

Eu também Te vejo ressuscitado


“Eu também estou a teus pés.
Eu também Te vejo ressuscitado…
E não somente me apareceste,
não somente me deste os teus pés a beijar…
encerraste-me nos teus braços
como a Virgem Santíssima…
E estás sempre aqui,
sempre diante de mim.

Oh! Que felicidade!
Jesus, meu amado,
estás diante de mim, ressuscitado…
e não morres mais…
Tu, que estás diante de mim,
és feliz para a eternidade…
É tão doce ver-Te!
Olhar para Ti!
Minha felicidade é acima de tudo tua:
a felicidade do céu, amar-Te e ver-Te feliz…”



Beato Carlos de Foucauld,
diante do sacrário na Páscoa 1898

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Chamados a ser testemunhas

«A fé dos Apóstolos em Jesus, o Messias esperado, tinha sido posta a uma prova duríssima pelo escândalo da cruz. Durante a sua prisão, condenação e morte, tinham dispersado, mas agora achavam-se novamente juntos, perplexos e desorientados. Mas o mesmo Ressuscitado faz-se presente diante da sua incrédula sede de certezas. Aquele encontro não foi um sonho, nem uma ilusão ou imaginação subjectiva; foi uma experiência verdadeira, apesar de inesperada e, precisamente por isto, particularmente comovedora. “Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: ‘A paz esteja convosco! ’ ”(Jo 20,19).

Diante daquelas palavras, a fé quase apagada nos seus corações reacende-se. Os Apóstolos referiram a Tomé, ausente naquele primeiro encontro extraordinário, "Sim, o Senhor cumpriu aquilo que tinha anunciado; ressuscitou realmente; nós vimo-lo e tocámo-lo!" Tomé, porém, permaneceu duvidoso e perplexo. Quando, oito dias depois, Jesus veio pela segunda vez no Cenáculo, disse-lhe: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé”. A resposta do Apóstolo é uma profissão de fé comovedora: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 27-28).» 1

«A tarefa do discípulo é testemunhar a morte e a ressurreição do seu Mestre e da sua vida nova. Por isso Jesus convida o seu amigo incrédulo a “tocá-lo”: quer torná-lo testemunha directa da sua ressurreição.
Caros irmãos e irmãs, também nós, como Maria Madalena, Tomé e os outros apóstolos, somos chamados a ser testemunhas da morte e ressurreição de Cristo. Não podemos conservar para nós a grande notícia. Devemos levá-la ao mundo inteiro: “ Vimos o Senhor! ” (Jo 20,25).
Que a Virgem Maria nos ajude a saborear plenamente a alegria pascal, para que, amparados pela força do Espírito Santo, nos tornemos capazes de difundi-la nos lugares onde vivemos e actuamos. Mais uma vez, Boa Páscoa a todos!» 2


1- Mensagem pascal de Bento XVI 08/04/2007
2- Bento XVI, Audiência 11/04/2007

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Rosto de: Faustina Kowalska

O próximo 2º Domingo de Páscoa, que celebraremos daqui alguns dias, é também dia da Festa da Divina Misericórdia, festa que nasceu de um desejo de Cristo, revelado à uma religiosa polaca do século XX, Irmã Faustina, e que João Paulo II instituiu em 2000, no dia da canonização dessa mesma irmã.

Irmã Faustina nasceu a 25 de Agosto de 1905 na Polónia. Era a terceira de dez filhos de Estanislau e Marian Kowalska, e recebeu como nome de baptismo: Helena.
Desde a infância, nutriu um gosto especial pela oração. Em casa, trabalhava muito, sempre obediente aos pais e compassiva para com os pobres. Frequentou somente três anos o ensino escolar, devido à escassa situação financeira da família. Adolescente, foi empregada de uma casa burguesa da cidade.

Aos 20 anos, ingressou no Convento das religiosas de Nossa Senhora da Misericórdia, e tomou o hábito com o nome de Irmã Maria Faustina. Viveu 13 anos na Congregação, desempenhando de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira.

A sua vida, aparentemente muito simples, escondia uma vida riquíssima de união com Deus. Desde a sua tenra idade, a irmã Faustina desejava ser uma grande santa, e assim correspondeu. Colaborava com a graça de Jesus na salvação dos pecadores até ao ponto de oferecer a sua vida em holocausto por eles. A sua vida religiosa era impregnada de sofrimentos mas também de graças extraordinárias…místicas.
Cristo dialogava com ela e lhe conferiu uma missão:
- Lembrar a verdade fundamental da nossa fé, revelada nas Escrituras, de que Deus ama cada ser humano de um Amor Misericordioso, mesmo o maior pecador.
- Transmitir a devoção à Divina Misericórdia.
- Inspirar um grande movimento de apóstolos da Divina Misericórdia, afim de fazer renascer a fé dos fiéis, no espírito desta devoção, para uma confiança evangélica de infância espiritual em Deus e no amor ao próximo.

Atingida por tuberculose, a Irmã Faustina oferece os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores e sempre fiel às revelações que ela beneficiou, morre a 5 de Outubro de 1938 com 33 anos.
A 18 de Abril de 1993, o Papa João Paulo II beatificou-a, e canonizou esta grande Apóstola da Divina Misericórdia a 30 de Abril de 2000.


Para saber mais sobre a devoção à Divina Misericórdia, clique:
Apostolado da Divina Misericórdia

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ícone da Ressurreição - Anastasis

Em 2007, os dois calendários seguidos pelas várias tradições cristãs coincidiram na data da Páscoa, assim, católicos, ortodoxos e protestantes celebraram no mesmo dia a Ressurreição de Cristo.
Na tradição oriental, o ícone da Ressurreição é representada pela descida aos infernos, à mansão dos mortos.
Ricos em símbolos, os ícones são “IMAGENS que visualizam a palavra bíblica e levam aos olhos o que a palavra transmite ao ouvido.”


O centro da composição é Cristo glorioso e luminoso.
Tendo arrombado as portas dos infernos, Cristo as esmaga e agarra o punho de Adão, que ele arranca com vigor das trevas da morte. Com Adão, é toda a humanidade que é arrancada por Cristo, que tomou a iniciativa da nossa salvação.
Ainda no primeiro plano, saindo do túmulo, Eva levanta as mãos cobertas pelo seu manto em sinal de reverência. Atrás dela, os justos e os profetas do Antigo Testamento.

À esquerda, os reis David e Salomão.
Perto deles, João Baptista, o precursor, aponta para Cristo.
Em cima de Cristo, os anjos, com as mãos cobertas em sinal de reverência, trazem a cruz e o cálice do sangue oferecido pela humanidade.
Ganchos, correntes rompidas jazem no buraco negro dos infernos cujo as altas encostas sublinham a profundeza e a distância com o céu.
No seu corpo transfigurado, Cristo escapa às leis do mundo, a gravidade da corrupção e da morte…Ele está suspenso no espaço. Vencedor da morte, Ele é transparência, abertura e comunhão.


Tendo descido ao túmulo, ó Imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos e,
levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres atemorizadas: rejubilai!
E aos apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.

Liturgia ortodoxa

terça-feira, 10 de abril de 2007

Círio pascal...luz de Cristo

A liturgia da Igreja, as suas orações, os seus textos, os seus gestos e símbolos, legada de geração em geração, mas sempre actual, é de uma grande riqueza espiritual para todos os fiéis…muitas vezes pouca entendida, mas na mesma saboreada na sua beleza.

Assim, no último sábado, na Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, os cristãos participaram numa Eucaristia bem diferente do habitual, composta de ritos exclusivos daquela noite, com uma estrutura litúrgica alterada, rica em símbolos e leituras…muito mais comprida no tempo.
Naquela noite foi acendido o círio pascal, que, entre todos os símbolos ligados à luz, é o que tem significados mais intensos e mais ricos: ele é símbolo de Cristo ressuscitado. Assim, o círio impõe-se pelas suas dimensões e pela nobreza da sua substância: o uso de cera branca de abelha é de tradição antiquíssima na Igreja e obrigatório.

No início da Vigília Pascal, o círio pascal é aceso no fogo novo benzido pelo sacerdote. Ornamentado de uma cruz, com as inscrições “alfa e ómega” e os algarismos do ano corrente, ele simboliza Cristo ressuscitado, luz do mundo, Senhor do tempo e da eternidade. Cinco grãos de incenso lhe são colocados em forma de cruz, símbolos das cinco chagas, doravante gloriosas, de Cristo. Cada um dos fiéis acende a sua vela da chama do círio pascal, sinal que a luz de Cristo é para todos e é transmitida de crente para crente a partir do próprio Cristo. Ele é levado em procissão, na frente do cortejo, e é aclamado três vezes: “A luz de Cristo! Graças a Deus!” Ao longo do Tempo Pascal, o círio será acendido em todas as celebrações litúrgicas para sinalizar a presença do Ressuscitado no meio dos seus. Ele acompanhará a vida do homem, desde o baptismo ao funeral porque Cristo é Emanuel, Deus connosco.

A pequeneza da chama do círio pascal pode parecer ridícula, mas no entanto ela dissipa as trevas, a noite é definitivamente vencida. Cada um pode acender a sua vela do círio pascal sem que a sua luz se atenua, é o milagre do Ressuscitado, o “já” e o “ainda não” da glória. Somos habitados por Cristo vivo mas é necessário deixá-lo transparecer nas nossas vidas. A coluna de fogo que abria o caminho dos hebreus no deserto irradiava os rostos do povo de Deus, com Cristo, é a seiva nova, a primavera de Deus, a luz do Ressuscitado que se manifesta.


Exulte de alegria a multidão dos Anjos,
exultem as assembleias celestes,
ressoem hinos de glória
para anunciar o triunfo de tão grande Rei.
Rejubile também a terra,
inundada por tão grande claridade,
porque a luz de Cristo, o Rei eterno,
dissipa as trevas de todo o mundo.
Alegre-se a Igreja, nossa mãe,
adornada com os fulgores de tão grande luz,
e ressoem neste templo as aclamações do povo de Deus. (…)

Nesta noite de graça, aceitai, Pai santo,
este sacrifício vespertino de louvor,
que, na solene oblação deste círio,
pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja.
Agora conhecemos o sinal glorioso desta coluna de cera,
que uma chama de fogo acende em honra de Deus:
esta chama que,
ao repartir o seu esplendor,
não diminui a sua luz;
esta chama que se alimenta de cera,
produzida pelo trabalho das abelhas,
para formar este precioso luzeiro.

Oh noite ditosa, em que o céu se une à terra,

em que o homem se encontra com Deus!
Nós Vos pedimos, Senhor,

que este círio, consagrado ao vosso nome,
arda incessantemente para dissipar as trevas da noite;
e, subindo para Vós, como suave perfume,
junte a sua claridade à das estrelas do céu.
Que ele brilhe ainda quando se levantar o astro da manhã,
aquele astro que não tem ocaso:
Jesus Cristo vosso Filho, que,
ressuscitando de entre os mortos,
iluminou o género humano
com a sua luz e a sua paz,
e vive glorioso pelos séculos dos séculos.

Amen.


Precónio Pascal

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A palavra da fé na ressurreição salva!


"A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração. Esta palavra é a palavra da fé que anunciamos. Porque, se confessares com a tua boca: «Jesus é o Senhor», e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça, e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação."



Rom 10, 8b-10

sábado, 7 de abril de 2007

Vencida foi a morte



Vencida foi a morte,
Jesus ressuscitou.
Mudou-se a antiga sorte.
A vida triunfou.
O sol pelas alturas
abriu em flor de luz;
na terra as almas puras
aclamam a Jesus.

Cântico pascal

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Peregrinação a Jerusalém 2ª parte

«Às oito horas da manhã, estávamos perto da capela da Cruz. O bispo estava sentado, diante de nós. À frente dele, uma mesa coberta de uma toalha. Na mesa, estava um pequeno cofre aberto, e via-se o precioso pedaço da verdadeira cruz de Jesus que se guarda em Jerusalém. Um a um, passámos diante do bispo. Como os outros, toquei o madeiro da cruz com a fronte, depois com os olhos, e por fim beijei-o. Ninguém o toca com as mãos. Só o bispo carrega com suas mãos as duas extremidades do madeiro. À volta dele, os sacerdotes vigiam. Conta-se que um dia, alguém mordeu o madeiro da cruz para roubar um pedaço. Por isso é vigiado.




A homenagem à Cruz durou até ao meio-dia. Ao meio-dia, estávamos todos lá fora, perto da capela. Até às três horas foi lido dos evangelhos, a narração da Paixão de Jesus; e também todas as passagens que tratavam da Paixão de Jesus nos Actos dos Apóstolos, ou nas cartas de São Paulo; e ainda os passos do Antigo Testamento que recordam os sofrimentos e a morte de Jesus. Entre as leituras, há orações e hinos. Tudo isso prolonga-se até às três horas. Mais uma vez, não era possível conter as lágrimas ao pensar em tudo o que o Senhor sofreu por nós.
Às três horas, foi lido o trecho do evangelho segundo São João que conta a morte de Jesus. Depois, fomos para a grande igreja. Toda a gente ficou em oração até às sete horas da tarde. Às sete, leu-se o passo do evangelho da sepultura.
Estávamos completamente esgotados. Muitos regressaram a casa. Mas alguns permaneceram para uma segunda noite de oração.»

Crucem tuam adorámus, Dómine,
et sanctam resurrectiónem tuam laudámus et glorificámus:
ecce enim propter lignum venit gáudium in univérso mundo.


Adoramos, Senhor, a tua cruz,
louvamos e glorificamos a tua santa ressurreição:
por este lenho veio a alegria ao mundo inteiro.



Fotos: oração diante da pedra onde foi depositado o corpo de Jesus descido da cruz, antes da sepultura, e capela do Calvário, onde os fiéis podem beijar a fenda da rocha onde a cruz foi erguida.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Peregrinação a Jerusalém 1ª parte

Nos finais do século IV, os peregrinos chegam à Terra Santa dos quatros cantos do mundo cristão. Entre eles, Etéria, que deixou o testemunho escrito da sua peregrinação. Dois terços do manuscrito foram perdidos, daí saber-se pouco dela, senão que ela visitou a Terra Santa entre 381 e 384, vindo da Galiza ou da Aquitánia.
Como todos os peregrinos, Etéria deseja seguir os passos de Cristo. Ela deseja reviver pela oração, a história da Salvação nos sítios onde se realizaram.
A narração de Etéria esteve perdida durante 700 anos. A única cópia ainda existente do manuscrito era do século XI e conservado em Arezzo, onde, esquecida, foi redescoberta em 1884.
Hoje e amanhã, convido-vos a ler o testemunho de Etéria sobre o Tríduo Pascal na Jerusalém do século IV.


«Na Quinta-feira Santa, às duas horas da tarde, reunimo-nos na grande igreja. Aí, o bispo celebrou a missa uma primeira vez. Às quatro horas, fomos perto da capela da Cruz. O bispo celebrou uma segunda vez a missa, e toda a gente comungou. Depois, na igreja da Ressurreição, o bispo fez uma oração especial para os catecúmenos que serão baptizados na noite de Páscoa. Era perto das seis horas quando regressámos a casa.

Comemos apressadamente. Logo depois, subimos até à igreja do Jardim das Oliveiras. Ficámos lá até à meia-noite. Cantámos, rezámos, ouvimos os trechos do evangelho que narram o último diálogo de Jesus com seus amigos.
À meia-noite, subimos até ao cume do Monte das Oliveiras, à igreja da Ascensão. Ficámos lá em oração até o cantar do galo.
Quando o galo cantou, iniciámos a descida lentamente. Na igreja do Jardim das Oliveiras, escutámos o evangelho que conta as longas horas de oração que Jesus passou neste jardim antes da sua Paixão.

Depois, continuámos a descida, todos a pé, pequenos e grandes. Íamos vagarosamente porque todos estavam cansados. Ainda era noite escura. Chegámos ao lugar onde Jesus foi preso. Havia pelos menos duzentos archotes que alumiavam. Ouvimos o relato da captura de Jesus. Ninguém conseguia conter as lágrimas. Eram clamores e gemidos que se faziam ouvir de longe.
Descemos para a cidade. Chegámos à porta da cidade à hora em que se começou a distinguir os vizinhos. No interior da cidade, toda a gente, preparada, estava lá, pequenos e grandes, ricos e pobres. Fomos à capela da Cruz, e ouvimos o evangelho que narra o julgamento de Jesus diante de Pilatos. Começava a ser mesmo dia. O bispo instigou-nos: “Ide descansar um pouco, cada um em sua casa! Voltai às oito horas para prestar homenagem à cruz de Jesus”. »


Fotos: actuais igrejas do Santo Sepulcro e da Ascensão

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Unidos a Cristo na perseguição

A Semana Santa é uma boa oportunidade para intensificar e valorizar a nossa oração por aqueles que, unidos à Paixão de Cristo, sofrem perseguição por causa da fé.
No último mês de Janeiro foi publicado um relatório do "Release International", estimando que, em 2007, 250 milhões de cristãos serão perseguidos. O grupo, com sede no Reino Unido, afirmou que a maior parte da perseguição ocorrerá nos países onde predominam o Islamismo, o Comunismo, o Hinduísmo e o Budismo, ressaltando que "a perseguição cresce mais rapidamente no mundo islâmico".Os abusos cometidos contra os cristãos incluem sequestros, conversões forçadas, prisões, destruição de igrejas, torturas, estupros e execuções.

Na Exortação “Sacramento da Caridade”, Bento XVI recorda mais uma vez a coragem dos cristãos perseguidos e que a liberdade religiosa é um direito fundamental do homem em qualquer parte do mundo:
“Devemos verdadeiramente dar graças ao Senhor por todos os bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos que se prodigalizam a anunciar o Evangelho e vivem a sua fé sob risco da própria vida. Não são poucas as regiões do mundo onde o simples ir à igreja constitui um testemunho heróico que expõe a vida da pessoa à marginalização e à violência. Nesta ocasião, quero também reiterar a solidariedade da Igreja inteira a quantos sofrem por falta de liberdade de culto. Nos lugares onde não há a liberdade religiosa, sabemos que falta, no fim de contas, a liberdade mais significativa, pois é na fé que o homem exprime a decisão íntima relativa ao sentido último da própria existência; por isso, rezemos para que se alargue o espaço da liberdade religiosa em todos os Estados, a fim de os cristãos e os membros das outras religiões poderem livremente viver as suas convicções, pessoalmente e em comunidade.”

terça-feira, 3 de abril de 2007

"Tenho sede!"

"Tenho Sede!"

“Jesus teve sede mas, ao invés de água, deram-lhe vinagre. Também para nós Jesus vive a dizer: "Tenho sede! Tenho sede de homens e mulheres, adultos e jovens, que caminhem comigo. Que não tenham medo de correr riscos, que não se apeguem a títulos, cargos e aos bens transitórios deste mundo. Que estejam dispostos a levar a boa nova a todas as criaturas. Tenho sede de justiça e de trabalho para todos, pois afinal meu Pai não criou o mundo só para alguns, mas indistintamente para todos. Tenho sede de pessoas que não aceitem o erro, porque é muito difícil combatê-lo. Tenho sede de ver a humanidade inteira totalmente feliz! Saciem pois essa minha sede, e a minha redenção pela cruz estará plenamente realizada!"


Sermão das 7 palavras de Cristo na cruz
Revista Família Cristã

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Por intercessão de João Paulo II

Pode não ser a mais bela fotografia do servo de Deus João Paulo II, mas é daquelas imagens difíceis de esquecer e que dizem muito, por estar cheia de mensagens perceptíveis a cada um, neste caso, do que é seguir Cristo até ao fim, num abraço à Cruz.


Ó Trindade Santa,
nós vos agradecemos
por ter dado à Igreja o papa João Paulo II
e por ter feito resplandecer nele
a ternura da vossa Paternidade,
a glória da cruz de Cristo
e o esplendor do Espírito de amor.

Confiado totalmente na vossa infinita misericórdia
e na materna intercessão de Maria,
ele foi para nós uma imagem viva de Jesus Bom Pastor,
indicando-nos a santidade
como a mais alta medida da vida cristã ordinária,
caminho para alcançar a comunhão eterna convosco.

Segundo a vossa vontade,
concedei-nos, por sua intercessão,
a graça que imploramos,
na esperança de que ele seja logo inscrito
no número dos vossos santos.
Amen.