sábado, 31 de março de 2007

Domingo de Ramos


O Domingo de Ramos é o pórtico de entrada na Semana Santa.
Neste dia a Igreja comemora a entrada de Jesus em Jerusalém, para consumar o seu mistério pascal. É uma entrada que prefigura e preludia a sua entrada, pela Ressurreição gloriosa, na Jerusalém Celeste. Jesus, porém, quis chegar ao triunfo passando pela Paixão e Morte. Por isso se lê, na Missa de Ramos, o evangelho da Paixão. Os fiéis são convidados a olhar para Jesus, o qual «sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos» (1 Pd 2, 21).

Glória, laus et honor tibi sit, Rex Christe Redémptor,
Cui pueríle decus prompsit hosánna pium.

Israel es tu rex, Davidis es ínclita proles,
Nómine qui in Dómini, Rex benedícte, venis.

Plebs hebraéa tibi cum palmis óbvia venit ;
Cum prece, voto, hymnis, ádsumus ecce tibi.



Glória, louvor e honra a Ti, ó Cristo, Rei e Redentor,
A quem inocentes crianças cantavam hossana.

És rei de Israel, da ínclita linhagem de David,
Vem em nome do Senhor, ó Rei bendito.

O povo hebreu foi ao teu encontro com palmas;
E nós vamos a Ti com súplicas, votos e hinos.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Hoje, dia de jejum e de oração pela paz

Os religiosos do mundo inteiro se propõem unir as orações e invocações a Deus para que cesse a violência e a guerra em Darfur, Iraque, Afeganistão, Sri Lanka, Uganda do Norte, Nepal, Colômbia, Israel, Palestina e Líbano e em todos aqueles lugares do mundo onde há discórdia e divisão.

«Orar pela paz significa orar pela justiça, por um adequado ordenamento das nações e nas relações entre elas. Quer dizer também rogar pela liberdade, especialmente pela liberdade religiosa, que é um direito fundamental humano e civil de todo indivíduo. Orar pela paz significa rogar para alcançar o perdão de Deus e para crescer, ao mesmo tempo, na valentia que é necessária em quem quer, por sua vez, perdoar as ofensas recebidas.»

João Paulo II

10 perguntas sobre a Semana Santa e a Páscoa

1. O que é a Semana Santa?
A Semana Santa é a última semana da Quaresma, na qual a Igreja se prepara para a Páscoa, meditando os últimos dias da vida de Cristo. Tem início no Domingo de Ramos e termina com o Tríduo Pascal.

2. O que é o Domingo de Ramos?
É o último domingo da Quaresma, antes da Páscoa, no qual é recordado, com a bênção e a procissão dos ramos, a entrada gloriosa de Cristo humilde em Jerusalém.

3. O que é o Tríduo Pascal?
O Tríduo Pascal é o ponto culminante do ano litúrgico, que se estende nos 3 dias da 5ª-feira Santa à Páscoa, no qual a Igreja celebra os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

4. O que é celebrado na 5ª-feira Santa?
Tradicionalmente, de manhã, o Bispo e todos os sacerdotes da diocese, concelebram a Missa Crismal onde os óleos santos são benzidos.
Ao fim do dia, dá-se início ao Tríduo Pascal, com a Missa da Ceia do Senhor que lembra a instituição da Eucaristia e o lava-pés de Jesus aos apóstolos.

5. O que acontece no fim da Missa da Ceia do Senhor?
As hóstias consagradas na Missa são guardadas num sacrário provisório, para serem distribuídas na 6ª-feira Santa. Os sinos calam-se até à Vigília Pascal, retira-se a toalha da mesa do altar, e os fiéis deixam a igreja em silêncio como sinal de respeito, pois é a noite em que Jesus, em agonia no horto, é traído e preso pelos soldados, prenúncio dos acontecimentos da 6ª-feira Santa.

6. O que comemoramos na 6ª-feira Santa?
A Igreja não celebra a Eucaristia mas a Celebração da Paixão do Senhor, na qual a cruz, elemento principal deste dia, é adorada pelos fiéis.
A 6ª-feira Santa lembra a condenação, os maus-tratos, o caminho da cruz (Via-sacra), a crucificação, a morte e a sepultura que Jesus aceitou para nossa redenção.
É dia de jejum e abstinência, de alguma tristeza e recolhimento, e é aconselhável guardar algum silêncio pelas 3 horas da tarde, hora da morte do Senhor.

7. O que é o Sábado Santo?
É um dia de silêncio e espera.
Não se pode celebrar os sacramentos do Baptismo e do Matrimónio. A partir do pôr-do-sol, a Igreja começa a celebração da Ressurreição do Senhor com a Vigília Pascal.

8. O que é a Vigília Pascal?

A Vigília Pascal é a noite santa, “mãe de todas as santas vigílias”, na qual a Igreja aguarda a Ressurreição de Cristo com expectativa vigilante e jubilosa.

9. O que acontece na Vigília Pascal?
- Bênção do lume e do círio pascal, símbolo da luz de Cristo ressuscitado.
- Anúncio da Páscoa e leitura das grandes etapas da História da Salvação na liturgia da Palavra.
- Volta-se a cantar o “Glória”, a ouvir os sinos, e entoa-se o cântico pascal por excelência: o “Aleluia”.
- Bênção da água baptismal, profissão de fé, e baptismo dos catecúmenos (pessoas que se prepararam para o Baptismo ao longo da Quaresma).
- Liturgia eucarística.

10. O que celebra a Igreja no Domingo de Páscoa?
A Igreja celebra, com grande alegria, o dia mais importante de todo o ano litúrgico: a Ressurreição do Senhor. A Páscoa é o triunfo de Cristo sobre a morte, que aparece vivo aos apóstolos e às santas mulheres. É fonte de júbilo e de esperança para os cristãos. Com a Páscoa inicia-se o Tempo Pascal.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Páscoa ecuménica

Em espírito, estamos quase às portas de Jerusalém, pelas quais entraremos, dentro de alguns dias, no mistério da Redenção.
Em 2007, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebrarão a Semana Santa e a Páscoa nas mesmas datas.
A fé comum na Ressurreição une os cristãos católicos, ortodoxos e protestantes; no entanto, o dia da Páscoa os separa…uma oportunidade para entender o porquê.

Segundo o Novo Testamento, a morte e ressurreição de Cristo estavam ligadas à festa judaica de Páscoa (Pessah).
As primeiras comunidades cristãs celebravam-na na primeira lua a seguir ao equinócio de Março.
Nos finais do século II, algumas Igrejas celebravam a Páscoa no mesmo dia que a festa judaica, sem olhar ao dia da semana. Outras celebravam no domingo a seguir.
No século IV, a Páscoa cristã era celebrada só ao Domingo, mas não havia consenso no cálculo da data.
O Concílio Ecuménico de Niceia (325) decidiu então fixar o dia no domingo a seguir à primeira lua da primavera, ligando os princípios de datação às normas que serviam para calcular a Páscoa no tempo de Jesus.
Actualmente, as Igrejas cristãs seguem dois calendários: o “juliano”, desde a reforma de Júlio César (46 a.C.), e o “gregoriano”, desde o pontificado de Gregório XIII (1582).
A diferença entre os dois calendários explica a diferença das festas religiosas.
O calendário gregoriano, que as Igrejas Católica e Protestante usam, não diverge muito do calendário astronómico, enquanto o calendário juliano, adoptado pelos ortodoxos, tem um atraso de 13 dias.
Além deste problema, os dois calendários alicerçam-se em tabelas convencionais de cálculo do ciclo lunar, mas a precisão científica dos nossos dias deveria permitir deixá-las, e conseguir uma data comum da Páscoa…mas falta entendimento.

Já em 325, no Concílio de Niceia, via-se o desacordo sobre a data da Páscoa como um escândalo. Como sempre, o diálogo ecuménico faz-se devagar, pacientemente, “o tempo da Igreja é o da eternidade”…mesmo assim, esperemos que em breve as várias Igrejas Cristãs possam celebrar, na unidade da fé e do dia, a Ressurreição de Cristo.

quarta-feira, 28 de março de 2007

No coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor

«A Caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto por membros diferentes, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos, compreendi que a Igreja tinha um coração, e que este coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o amor englobava todas as vocações, que o amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares…numa palavra, que era eterno!...
Então, no excesso da minha alegria delirante, exclamei: ó Jesus, meu amor…a minha vocação, encontrei-a finalmente, a minha vocação, é o amor!...
Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu…no coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor…assim serei tudo…assim será realizado o meu sonho!»


Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

terça-feira, 27 de março de 2007

Eucaristia: exigência de amor

O Padre Nicolas Buttet, fundador da Fraternidade Eucharistein, comenta de uma bela forma, o último documento papal sobre a Eucaristia “Sacramentum Caritatis”:

«O que é espantoso em Bento XVI, é como ele resumiu ou voltou a trazer todo o mistério cristão à sua própria essência, ao seu próprio coração, que está na Palavra de Jesus Cristo…o amor que Deus nos manifestou. A sua primeira encíclica foi “Deus é amor”, a sua exortação é sobre o Sacramento do Amor… (…)

O que não se entende hoje, é quanto este amor é exigente, e a Cruz é sinal desta exigência. Existe evidentemente uma herança que foi completamente esquecida: o testemunho dos mártires do século XX. São dezenas de milhões, os que foram fiéis à esta caridade até ao fim, num campo de concentração, em lugares difíceis. Creio que esta eucaristia que é loucura de amor, desconcerta, traz uma exigência extraordinária, significando que se há um celibato, uma exigência litúrgica, é porque o próprio amor é exigente. Ele é grande, belo, transfigura tudo, mas é exigente! (…)

É uma vez aceitando esta lógica que podemos então entender as exigências que daí procedem. Acabamos por reconhecer, quando as vivemos, o quanto elas nos embelezam e libertam; que o cristão, por fim, não escolha entra o fácil e o difícil, mas entre a dificuldade e o “difícil de outra maneira”, quer seja no matrimónio, que é uma forte exigência de viver dia após dia na fidelidade, quer seja no celibato, ele mesmo tão exigente, exigente de outra forma… e a exigência do amor é a única que pode mudar o mundo. (…)


Mas há uma inteligência do amor que deve ser descoberta, e não vem pelas teorias ou pelas palavras, mas pelo rosto d’Aquele que se suspendeu no madeiro da Cruz. E aí, vê-se até que ponto é amar até ao fim. O que relembra Bento XVI, é este grande movimento de amor que abraça o universo e o coração do homem, e no qual estamos todos chamados a entrar, levando nele a sua exigência. (…)

Para mim, esta exortação apostólica é luminosa, nesta perspectiva onde tudo provem do amor. Mas se o sentido do amor se perdeu, é claro que tudo isso não é só outra coisa do que uma série de disposições e de reajustes, ou centralizações como alguns médias afirmaram. Mas isto é perder de vista o impulso vital que anima todo o pontificado de Bento XVI: um amor vivo, vivificante, exigente, onde Amor e Verdade se abraçam, a única resposta à crise do mundo actual, à crise do coração do homem.»

segunda-feira, 26 de março de 2007

Angelus Domini

Hoje, a Igreja universal celebra a solenidade da Anunciação do Senhor, normalmente a 25 de Março, mas este ano deferido para dia 26, por causa do V Domingo da Quaresma.
Outro nome poderia ser aplicado para esta festa, um nome que realçaria melhor o mistério comemorado: a Concepção, a Encarnação de Cristo.
De facto, celebrar o anúncio do Anjo a Maria que disse “sim” à maternidade divina, é celebrar Jesus, Filho de Deus, que concebido pelo Espírito Santo, tome carne no seio da Virgem…é celebrar o primeiro dia de vida de Cristo como verdadeiro homem.
Jesus, o Filho, verdadeiro Deus, faz-se humilde, encarnando, aceitando a fragilidade humana, no ventre da Virgem humilde do “Fiat”.
Jesus e Maria submetem-se à vontade de Deus Pai no projecto de Salvação dos homens.


Ángelus Dómini nuntiávit Mariæ.
Et concépit de Spíritu Sancto.

Ecce ancílla Dómini.
Fiat mihi secúndum verbum tuum.

Et Verbum caro factum est.
Et habitávit in nobis.


O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
E Ela concebeu pelo Espírito Santo.

Eis a escrava do Senhor.
Faça-se em mim, segundo a vossa palavra.

E o Verbo Divino encarnou.
E habitou entre nós.

sábado, 24 de março de 2007

A miséria e a misericódia

Ó tu que foste surpreendida em flagrante adultério,
que não só perdeste publicamente a honra,
como estavas prestes a perder a vida pela mão dos escribas e fariseus,
como conseguiste deteriorar a beleza da tua dignidade, da tua humanidade?
Diz-nos! Alerta-nos!

Apresentaram-te a Jesus para armar uma cilada
e ter um pretexto para acusá-lo.
Diante de ti, Ele se inclinou e começou a escrever.
Estavas à espera da tua condenação,
mas Ele te surpreendeu,
a ti e à multidão, quando disse:
“Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”.
O que entendeste desta palavra? Ensina-nos!

Ao ouvirem tais palavras,
os que queriam a tua condenação foram saindo um após outro,
a começar pelos mais velhos,
e ficaste a sós com Jesus.
Ele perguntou onde estavam eles,
se eles te tinham condenado…
respondeste que ninguém o tinha feito.
Então Jesus, na sua misericórdia,
deu-te um juízo de absolvição:
“Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.
Como te sentiste? Comunica-nos!

Ó tu, a miséria humana,
a quem Jesus, a misericórdia,
restitui a beleza perdida da tua dignidade,
és sinal que todos valemos mais,
infinitamente mais, do que o nosso pecado.
Por ti, temos confiança!
Não há qualquer situação irremediavelmente destruída.
Alerta-nos!
Ensina-nos!
Comunica-nos como é a misericórdia do Senhor.


Inspirado do Evangelho segundo S. João 8, 1-11
e da homilia de D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima 13/10/2006

sexta-feira, 23 de março de 2007

Vera Cruz

A Quaresma é por excelência o tempo da contemplação da Cruz, na qual “foi suspenso o Salvador do mundo”.
Desde os primórdios do cristianismo, ela é reverenciada. O Apóstolo São Paulo já dizia: “Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gal 6,14).

Mas foi a partir do ano de 326, que o culto à verdadeira Cruz, aquela onde Jesus foi crucificado, se estabeleceu, com a imperatriz Helena, esposa de Constâncio Cloro, que, em peregrinação à Terra Santa, fez demolir, em Jerusalém, um templo dedicado a um dos deuses do império romano, construído no monte Calvário, para encontrar a relíquia da Cruz de Cristo.

Eis a linda lenda do descobrimento da verdadeira Cruz segundo Rufino Aquiles:
“Helena veio a Jerusalém, inspirada por Deus. Um sinal celeste indicou-lhe o lugar onde devia escavar. Daí retirou três cruzes, a de Cristo e as dos ladrões. Helena ficou perplexa porque não sabia como reconhecer entre elas o madeiro sobre o qual Jesus sofreu a sua dolorosa agonia. Macário, bispo de Jerusalém, que assistiu a imperatriz nas suas buscas, pediu que trouxesse num catre uma mulher à beira da morte. No contacto com a primeira cruz, a moribunda permaneceu insensível, a segunda cruz também não produziu qualquer efeito, mas quando a mulher tocou na terceira, logo se levantou e andou, louvando a Deus. Este milagre permitiu assim descobrir a verdadeira cruz. Helena dividiu a cruz em três partes, uma para Jerusalém, a segunda para Constantinopla, a terceira para Roma.”


Corredor dentro da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém,
que conduz ao sítio onde Santa Helena encontrou as 3 cruzes.

A importância da descoberta da relíquia, cuja suposta data seria a 3 de Maio de 326, estabeleceu naquele dia, no calendário litúrgico da Igreja, a festa da Invenção da Santa Cruz, que hoje ainda é celebrado com ênfase na cidade de Barcelos.

Muitas lendas foram criadas à volta da verdadeira Cruz, e na Idade Média, multiplicaram-se as relíquias da Cruz, claro, nem todas são verdadeiras…a minha paróquia tem uma…será que provem mesmo do madeiro do Calvário?

quinta-feira, 22 de março de 2007

O sacramento da Penitência

Na vida quotidiana, acontece agirmos mal, estragar algumas coisas e magoar.
Para apagar o mal que fizemos, pedimos perdão e reparamos o melhor possível.
Quando estamos doentes, chamamos o médico e tomamos os remédios que ele nos receita.
No que toca à alma, o” agir mal” são os nossos pecados, que nos fazem perder a graça…a amizade com Deus.
Pelo pecado, estragamos a beleza que há em nós e que Deus criou.
Da mesma maneira que a doença ataca o corpo, o cansa e o faz morrer, o pecado ataca a alma e mata a vida da graça, separa-a de Deus. Prejudicando assim a nossa alma, é necessário apagar o mal que fizemos a Deus, pedindo-lhe perdão de todo o coração e esforçando-nos para reparar o quanto nos é possível.
Para cuidar e curar a nossa alma do pecado, devemos chamar o médico das almas que é o próprio Deus, e tomar o medicamento que nos cura do mal: o sacramento da Penitência ou Reconciliação, que Jesus instituiu na tarde do Domingo da Ressurreição, confiando aos apóstolos e aos seus sucessores, o perdão dos pecados (Jo 20, 22-23).

Pregando na Palestina, Jesus mostrou o desejo de perdoar e de voltar a dar a paz aos pecadores: “Eu não vim para os justos, mas para os pecadores” (Mt 9,13). As parábolas da ovelha tresmalhada (Lc15, 4-7; Mt 18, 12-14), da dracma perdida (Lc 15, 8-10), do filho pródigo (Lc 15, 11-32) são sinais de que Cristo veio chamar os pecadores e salvar os corações atribulados…e continua a chamar e salvar.
“Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos, que não precisam de conversão” (Lc 15, 7).
Deus deseja a conversão dos pecadores, por isso instituiu o sacramento da Penitência. Se Jesus não o tinha instaurado, estaríamos na dúvida, perguntando-nos sempre se estaríamos perdoados ou não por Deus. Com este sacramento, temos a certeza que todos os nossos pecados são apagados.
São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, que passava até 17 horas por dia no confessionário para reconciliar os homens com Deus e entre eles, confidenciava:
“Dêmos esta alegria a este bom Pai: voltemos a Ele…e seremos felizes.”
“O bom Deus está sempre pronto em receber-nos. A sua paciência espera por nós.”
“Alguns dizem: ‘Fiz demasiado o mal, o bom Deus não pode mais perdoar-me’. É uma grande blasfémia. É colocar um limite à misericórdia de Deus, e não é nada assim: ela é infinita.”
“As nossas culpas são grãos de areia ao lado da grande montanha das misericórdias de Deus.”
“Quando o padre dá a absolvição, deve-se pensar numa única coisa: o sangue do bom Deus é derramado na nossa alma para lavá-la, purificá-la e torná-la tão bela como depois de receber o baptismo.”
“O bom Deus, no momento da absolvição, deita para trás das costas os nossos pecados, isto é, esquece-os, aniquila-os: jamais voltarão.”
“Nunca mais se falará de pecados perdoados. Estão apagados, já não existem!”


Que bom, dar-nos Deus o seu perdão, e revelar-nos a sua infinita misericórdia de Pai no Sacramento da Reconciliação!

quarta-feira, 21 de março de 2007

Santidade e conversão

«A santidade não consiste
em nunca ter errado ou pecado.
A santidade cresce
com a capacidade de conversão,
de arrependimento,
de disponibilidade para voltar a começar,
e sobretudo com a capacidade
de reconciliação e de perdão.
E todos podemos aprender este caminho de santidade.»

Catequese de Bento XVI a 31/01/2007

terça-feira, 20 de março de 2007

Procurar e encontrar Deus

«Aquele que encontrou Deus é como aquele que se enamora pela primeira vez; corre, voa, sente-se fora de si; todas as dúvidas são superficiais, no seu íntimo reina a paz. Pouco lhe importa a sua situação pessoal ou se as suas orações são atendidas. A única coisa que interessa é Deus estar presente…Deus é Deus. Diante disso, o coração se cala e descansa. Na alma do repatriado, existe ao mesmo tempo sofrimento e felicidade. Deus é ao mesmo tempo a sua paz e inquietude. Ele descansa n’Ele, mas não pode parar um momento. Ele deve descansar caminhando: ele deve aconchegar-se na inquietude. Cada dia, Deus se apresenta diante dele como um apelo, um dever, uma felicidade próxima mas ainda não alcançada.

Aquele que encontra Deus sente-se procurado por Ele, perseguido por Ele, e descansa n’Ele como num mar vasto e calmo. Essa procura de Deus só é possível nesta vida, e esta vida só tem sentido pleno nessa procura. Deus aparece sempre e em todo o lado, e não se encontra em nenhum sítio. Ouvimo-Lo no ruído das ondas, mas não diz nada. Em todo o lado, ele vem ao nosso encontro, mas nunca conseguimos agarrá-Lo; mas um dia, a busca terminará e será o encontro definitivo. Quando se encontra Deus, encontra-se e possui-se todos os bens deste mundo.
O apelo de Deus, que é o fio condutor de uma vida sã e santa, não é senão um cântico que desce das colinas eternas, doce e ao mesmo tempo ruidoso, melodioso e de contrastes. Um dia virá em que saberemos que Deus foi o cântico que embalou as nossas vidas. Senhor, torna-nos dignos deste apelo e de o correspondermos fielmente!»

Beato Alberto Hurtado, S.J

segunda-feira, 19 de março de 2007

O silêncio de São José

«O silêncio de São José não manifesta um vazio interior mas, ao contrário, a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas acções. Um silêncio graças ao qual José, em uníssono com Maria, conserva a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, comparando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas na sua providência. Não se exagera, se se pensa que precisamente do "pai" José, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que é o pressuposto da justiça autêntica, da "justiça superior", que um dia Ele ensinará aos seus discípulos (cf. Mt 5, 20).
Deixemo-nos "contagiar" pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disto, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus.»

Bento XVI, Angelus 18/12/2005


Avé José,
que a graça divina encheu.
O Salvador descansou nos teus braços
e cresceu sob o teu olhar.
Bendito és tu entre todos os homens
e bendito é Jesus, o Filho divino da tua esposa virginal.
São José, dado por pai ao Filho de Deus,
roga por nós, nas dificuldades da família,
de saúde e de trabalho
até aos nossos últimos dias,
e digna socorrer-nos na hora da morte.
Amen.

sábado, 17 de março de 2007

O Pai misericordioso

O Evangelho deste Quarto Domingo da Quaresma apresenta-nos, pela parábola do Filho Pródigo ou do Pai misericordioso, Deus que oferece o seu perdão ao homem que se aproxima dele arrependido.
Com esta história que Jesus conta aos discípulos para mostrar-lhes o rosto do Pai, revela-se Deus como sendo:
um Pai que respeita as nossas decisões, certas ou erradas.
• um Pai que ama, aceita o perdão dos seus filhos com um abraço e faz festa pela reconciliação.
• um Pai que reintegra os seus filhos, tratando-os como se nunca tivessem feito nada de errado.
Assim é o nosso Deus…um verdadeiro Pai de Amor e de Misericórdia.

Apenas uma coisa, só uma mesma, nos é pedido: dar o primeiro passo, o resto é com Ele!
Foi o que o filho pródigo fez, “levantar-me-ei e irei ter com meu pai”, a partir desse momento, tudo estava nas mãos do pai. Se nós dermos o primeiro passo, tudo estará nas mãos do Pai!

Pai, pequei contra ti.
Já não mereço ser chamado teu filho.
Tem piedade de mim, pecador.

Lc 15, 21. 18, 13

sexta-feira, 16 de março de 2007

A Primavera vem depois do Inverno

Daqui alguns dias, entraremos oficialmente na Primavera.
Mas para aqueles que param um pouco nas suas vidas agitadas, para olhar à sua volta, fazendo das coisas pequeninas do dia a dia, breves momentos de contemplação e de meditação, estes, já repararam que a natureza está diferente…mais florida, mais viva. Tudo puxa e cresce…a Primavera vem depois do Inverno. A vida triunfa na Criação.
Muitos já não sabem valorizar o milagre anual das árvores em flor, das sementes a crescerem, dos bolbos enterrados a germinar, saindo da terra pequenas flores que desabrocham nos nossos quintais, nas bermas das estradas.
Tudo isso é uma antevisão daquilo que os cristãos celebrarão dentro de algumas semanas, e do qual ainda se preparem neste tempo quaresmal. Se ainda vivem o deserto, e dentro de alguns dias, entrarão em Jerusalém e assistirão à Paixão e Morte de Jesus, a meta é a Páscoa…o Domingo em que Cristo vivo triunfa na Criação.

Olhar para os narcisos, os lírios, as tulipas, que, ainda há dias estavam escondidos na terra, desenvolveram-se, e agora resplandecem de beleza, é olhar para a nossa conversão em crescimento, ainda escondida no nosso coração, e que pelo Domingo da Ressurreição, se manifestará na alegria d’Aquele que voltou à vida.
Este fenómeno é também um recordar daquilo que é a vida do homem, daquilo que Jesus nos alcançou. Após os tempos invernosos da provação, da dificuldade, da cruz, às vezes muito longos, vem sempre o tempo da primavera, da alegria desejada em que a vida prevalece e vence.
Se as árvores, as flores, que são obrigados a seguir o processo natural das coisas, não optem por si passar do Inverno à Primavera, para o homem…já é diferente. Mesmo se o desejo de viver na verdade está profundamente enraizado no ser humano…tudo isso releva da escolha…da liberdade que Deus deu a cada um, ver e viver as coisas à sombra da cruz e à luz da Ressurreição.

“Troquemos o instante pelo eterno,
sigamos o caminho de Jesus.
A Primavera vem depois do Inverno,
a alegria virá depois da cruz.

Passa o tempo, com ele, as nossas vidas;
tal como passa o bem, passa a desgraça.
Passam todas as coisas conhecidas...
só o nome de Deus é que não passa.

Farei da fé, vivida cada dia,
a luz interior que me conduz,
à luz de Deus, da paz e da alegria,
à luz da glória eterna, à Luz da Luz.”

Hino da Liturgia da Horas

quinta-feira, 15 de março de 2007

Josémaria Escriba e a penitência

«A penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo se o teu corpo resista ou se o teu espírito pretende evadir-se em sonhos quiméricos. A penitência é acordar a horas. É também não deixar para logo, sem motivo válido, uma tarefa que te seja mais difícil ou te custe mais fazer do que outras.

A penitência consiste em saber conciliar as tuas obrigações para com Deus, os outros e ti próprio, mostrando-te exigente para contigo afim de encontrar tempo para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, mesmo se estás cansado, sem desejo ou frio.

A penitência é tratar os outros sempre com a maior caridade, a começar pelos teus mais íntimos. É ter a maior delicadeza em ocupar-se daqueles que sofrem, dos doentes, daqueles que passam por uma provação. É responder com paciência à troça e à moléstia. É interromper ou mudar os nossos planos quando as circunstâncias, os bons, e sobretudo justos interesses dos outros assim o requerem.


A penitência consiste em suportar com boa disposição as muitas contrariedades do dia; em não abandonar a tua ocupação mesmo se perdes por momentos o entusiasmo com que a começaste; é comer agradecido aquilo que te servem, sem os teus caprichos aborrecerem.

A penitência para os pais é, em geral, igual para todos os que têm uma missão de direcção ou de educação, é corrigir quando é necessário, de acordo com a natureza do erro e das condições daquele que necessita de ajuda, sem subjectivismos obstinados e sentimentais.

O espírito da penitência leva-nos a não nos prender de maneira desordenada ao nosso esboço monumental de projectos futuros, no qual teríamos já previsto as linhas e pinceladas magistrais. Que alegria damos a Deus quando renunciamos aos nossos rascunhos e retoques de artistas amadores, e que permitamos que seja Ele que junte os traços e as cores que lhe agradam mais!»

São Josémaria Escriba

quarta-feira, 14 de março de 2007

Queridos jovens...

«Queridos jovens!

Por ocasião da XXII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada nas Dioceses no próximo Domingo de Ramos, gostaria de propor à vossa meditação as palavras de Jesus: “Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei” (Jo 13, 34). (…)

Cultivai os vossos talentos não só para conquistar uma posição social, mas também para ajudar os outros "a crescer". Desenvolvei as vossas capacidades, não só para vos tornardes mais "competitivos" e "produtivos", mas para serdes "testemunhas da caridade". Juntai à formação profissional o esforço de adquirir conhecimentos religiosos úteis para poder desempenhar a vossa missão de modo responsável. Sobretudo, convido-vos a aprofundar a doutrina social da Igreja, para que a vossa acção no mundo seja inspirada e iluminada pelos seus princípios. O Espírito Santo faça com que sejais inovadores na caridade, perseverantes nos compromissos que assumis, e audaciosos nas vossas iniciativas, a fim de que possais oferecer o vosso contributo para a edificação da "civilização do amor". O horizonte do amor é verdadeiramente infinito: é o mundo inteiro!»


Mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial da Juventude a 1 de Abril de 2007.


Para ler e meditar a Mensagem na integra, cliquar aqui

terça-feira, 13 de março de 2007

Rosto de: Clara Badano

Clara Badano nasceu em 1971 em Sassello (Itália), filha de Ruggero e Teresa.

Aos nove anos, pelo Movimento dos Focolares, conheceu outras crianças, que já tinham como objectivo “escolher Deus” como ideal, na sua vida.

À medida que vai crescendo, sobressai nela o olhar límpido e a beleza. Aplica-se-lhe a expressão de S. Agostinho: “O amor torna-nos bonitos”. É uma grande desportista e gosta muito de cantar e dançar, vestindo-se com elegância. É muito exigente com os seus sentimentos. Está sempre rodeada de amigos e amigas.

Aos 17 anos, diante de uma reprovação a Matemática, procura amar o rosto abandonado de Jesus nessa contrariedade. Depois num certo dia, ao jogar ténis, sente uma dor fortíssima nas costas. Algumas recaídas levam a aprofundar os exames médicos e, por fim, chega o diagnóstico: um tumor dos mais graves e dolorosos. Recebe a notícia em silêncio e sem chorar.

No hospital, preocupa-se com os outros e esquece-se do forte sofrimento para ajudar uma rapariga toxicodependente. Depois de duas operações, a quimioterapia faz-lhe cair o cabelo. Diante de cada madeixa de cabelo que perde, repete um intenso: “Por ti, Jesus”.

Os pais ajudam-na a intuir que o amor de Deus se esconde nas situações mais incríveis. Ela aceita e coloca-se no amor. Assim, oferece as suas poupanças a um amigo que vai partir para África. A força vem-lhe de Jesus na Eucaristia, que recebe frequentemente e com muita alegria.

Os médicos espantam-se com a sua maturidade. O próprio cardeal de Turim vai visitá-la e pergunta-lhe: “Tens uns olhos estupendos, uma luz maravilhosa. De onde te vêm?” Ela responde: “Procuro amar muito Jesus”.

As últimas palavras para a mãe foram: “Sê feliz, porque eu sou feliz”. Duas mil pessoas participaram no funeral, experimentando uma serenidade e santidade contagiosas, sentindo-se levadas a escolher Deus como o tudo da sua vida.

Ainda hoje, Clara continua a entusiasmar muitos jovens a amarem Jesus como o grande segredo da felicidade…


O desafio de viver – Manual do 9º ano de Catequese
Ed. do Secretariado Nacional da Educação Cristã

Ler no site dos Focolares:
Clara (Chiara) Luce Badano

segunda-feira, 12 de março de 2007

Jovens e conversão

"Que os jovens sejam acompanhados nos caminhos da conversão. Um caminho possível e razoável, também para a juventude de hoje. (…)


Sabemos que a juventude deve ser uma prioridade do nosso trabalho pastoral, porque a juventude vive num mundo distante de Deus. É muito difícil dar-se, no nosso contexto cultural, o encontro com Cristo, com a vida cristã e com a vida de fé. Os jovens precisam de muito acompanhamento, para poder realmente encontrar essa estrada."

Bento XVI

sábado, 10 de março de 2007

Lede o Evangelho!

"São poucos os que leram inteiro um dos evangelhos, em voz alta, devagar, o lápis na mão para sublinhar as palavras que já não se usa, para que entrem nas cabeças, ou aquelas que dizem simplesmente, sem nenhum artífice, o quanto Ele nos ama!
Ele? Jesus ou seu Pai. É todo um só. É Ele que o diz.
Nunca acabaremos de ler e reler o Evangelho e de contemplar a sua maneira única de amar, de amar melhor, de amar sempre, de amar na mesma!

Vede:
Desenha-se um semeador um pouco estúpido…Ele semeia por todo o lado, sem economizar, não só na terra boa que dá lucro, mas também no caminho dos pássaros, nas pedras escaldantes e nos espinhos que abafam.
Os doze, um pouco sonsos, perguntam-se quem é o maior?
Ele chama uma criancinha.
Eles discutam sobre quantas vezes se deve perdoar?
Ele diz setenta vezes sete.
Querem fazê-lo rei?
Ele recusa este tipo de glória e foge para o monte orar.
Querem saber quem é o mais crente em Israel?
Ele diz que é um centurião romano e pagão.
Querem saber quem tem mais caridade em Israel?
Ele diz que é a pecadora que lhe perfuma os pés.
Ele ama a fidelidade dos esposos?
Ele é no entanto o único a defender a mulher adúltera.
Toda a gente o apontou do dedo pelos lados da Samaria?
Ele pede-lhe um pouco de água, ela é a única a quem confia que Ele é o Messias.
Aquela árvore que não dá fruto?
Ele diz para não cortá-la, de esperar ainda e continuar a cuidar dela.
Sua preferência é para os pobres?
Ele faz-se convidado na casa de Zaqueu escondido na árvore.
Ele, o Senhor e Mestre?
Ele ajoelha-se diante dos apóstolos e lhes lava os pés.
Crucificam-no zombando d’Ele?
Ele reza ao Pai para perdoar-lhes, porque não sabem o que fazem.
Querem tirar-lhe a vida?
Ele diz que a nos entrega.
Dão-lhe vinagre?
Ele oferece o seu sangue.
Acreditam que morreu para sempre, prisioneiro do seu túmulo?
Ele percorre os jardins da Judeia, o caminho de Emaús e as margens do Lago de Tiberiades.
Pedro o negou?
Ele confia-lhe a Igreja.
Paulo o perseguiu?
Ele encarrega-o da missão dos gentios.
Ele parece deixar-nos?
Ele é mais do que nunca presente pelo seu Espírito.
Temos medo do sofrimento e da morte?
Ele não pára de nos dizer que somos feitos para a vida eterna, a mesma do que a d’Ele; que nos espera e nos preparou um lugar.

Sim, lede o Evangelho, sozinhos ou em comunidade, para não fazê-lo dizer tudo e qualquer coisa.
Lede cada dia porque ele é Boa Nova, Tesoura inesgotável."



Homília de D. Garnier, arcebispo de Cambrai

sexta-feira, 9 de março de 2007

Hão-de olhar para Aquele que trespassaram

“A Quaresma é tempo propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d’Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de Deus.”

Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2007

quinta-feira, 8 de março de 2007

O louco de Deus

Nestes últimos dias, os trechos diárias do Evangelho da liturgia convidam os cristãos a adoptar uma atitude de serviço para com o próximo à imitação de Cristo Mestre.
Hoje, a Igreja universal faz memória de um “Santo da Caridade”, de um homem que nasceu em Portugal mas passou a grande parte da sua vida em Espanha, e que fez dos seus actos um verdadeiro testemunho de serviço e de amor para com os enfermos e os pobres.
Este homem é João de Deus, contagiado pela loucura de Deus “que dá asas ao ser humano e o faz voar até ao irmão que sofre”(1), no caso deste nosso Santo, até ao irmão doente mental.

“Se consideramos atentamente a misericórdia de Deus, nunca deixaremos de fazer o bem de que formos capazes: com efeito, se damos aos pobres por amor de Deus aquilo que Ele próprio nos dá, Ele promete-nos o cêntuplo na felicidade eterna. Feliz pagamento, ditoso lucro! Quem não dará a este bendito mercador tudo o que possui, se Ele procura o nosso interesse e, com os braços abertos, insistentemente pede que nos convertamos a Ele, que choremos os nossos pecados e tenhamos caridade para com as nossas almas e para com o próximo? Porque assim como o fogo apaga a água, assim a caridade apaga o pecado.”

Carta de São João de Deus à Duquesa de Sessa.

A Igreja dá graças por todas as mulheres e por cada uma

«A Igreja dá graças por todas as mulheres e por cada uma... A Igreja expressa seu agradecimento por todas as manifestações do ‘génio’ feminino aparecidas ao longo da história, no meio dos povos e das nações; dá graças por todos os carismas que o Espírito Santo outorga às mulheres na história do Povo de Deus, por todas as vitórias que deve à sua fé, esperança e caridade; manifesta sua gratidão por todos os frutos da santidade feminina»


João Paulo II, Carta apostólica «Mulieris dignitatem»

quarta-feira, 7 de março de 2007

Queres jejuar esta Quaresma ?

Jejua evitando de julgar o próximo ;
e enche-te de JESUS de Nazaré que está ao teu lado.

Jejua das palavras que magoam;
e enche-te de PALAVRAS AMÁVEIS.

Jejua do teu descontentamento;
e enche-te de GRATIDÃO.

Jejua das tuas vãs cóleras;
e enche-te de PACIÊNCIA.

Jejua do teu pessimismo;
e enche-te de CONFIANÇA EM DEUS.

Jejua das tuas preocupações;
e enche-te das MARAVILHAS que te rodeiam.

Jejua do teu contínuo stress;
e enche-te de ORAÇÃO que gera a calma.

Jejua da tua amargura ;
e enche-te de PERDÃO.

Jejua do teu desespero ;
e enche-te de ESPERANÇA.

Jejua dos teus pensamentos de fraqueza,
e enche-te das PROMESSAS que te fez o Senhor.

terça-feira, 6 de março de 2007

Cáritas

No próximo Domingo, por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, celebra-se, em todo o país, o Dia Nacional da Cáritas que, nos últimos anos, tem vindo a ser preparado ao longo da semana que o antecede, com um conjunto de iniciativas e com um peditório.
Este ano, o tema que a Cáritas propõe à reflexão é “Pela dignidade, igual oportunidade”, sensibilizando assim os portugueses para os proveitos de uma sociedade mais justa e solidária, e assim reforçar a importância da igualdade de tratamento entre as pessoas, sem distinção de origem racial ou étnica.
Viver a caridade e promover a justiça são exigências do Evangelho de que os cristãos não podem alienar-se, porque vai da essência da sua fé em Cristo, Filho de Deus.

Visitem o site da Cáritas (clicar)


«A caridade é a essência da religião que obriga o cristão a amar o próximo, isto é todo o ser humano, como a si mesmo. O cristão deve então ser apóstolo: não é um conselho, é um mandamento, o mandamento da caridade.
Os leigos devem ser apóstolos para com todos os que podem atingir: primeiro, com os próximos e os amigos, mas não só; a caridade não tem nada de estreito, ela abraça todos aqueles que o coração de Jesus abraça.
Com que meios? Por aqueles com que está relacionado, sem excepção: pela bondade, ternura, sentimento fraterno, exemplo da virtude…
Com algumas pessoas, sem nunca lhes falar de Deus ou da religião, aguardando com paciência como Deus paciente, sendo bom como Deus é bom, sendo um tenro irmão e orante; com outras, falando em função daquilo que podem entender…mas sobretudo ver em todo o humano um irmão…ver em todo o humano um filho de Deus.»

«Não há, creio eu, palavra do Evangelho que mais me tocou profundamente e transformou a minha vida do que esta: ‘Tudo aquilo que fazeis a um destes pequeninos, é a Mim que o fazeis.’ Se pensarmos nestas palavras que são do Verbo não criado, da sua boca que disse ‘Este é o meu Corpo…este é o meu Sangue’, com que força seremos movidos a procurar e a amar Jesus nestes “pequeninos”, nestes pecadores, nestes pobres.»

Beato Carlos de Foucauld

segunda-feira, 5 de março de 2007

Meditar a Palavra

"Ninguém medita títulos de jornais ou notas de rodapé em noticiários de televisão. Ninguém medita discursos de políticos em desgaste rápido nem romances baseados em supostos escândalos para consumo imediato. E, no entanto, tudo isso deixa marcas e faz o seu caminho, sensibilizando e alertando ou corroendo e destruindo. No fim, restam conchas vazias, à espera de conteúdos novos, tão passageiros como os anteriores. A Palavra de Deus não é de consumo rápido. Pede tempo, disponibilidade... Escutá-La significa deixá-La empapar o solo, como a água da chuva que primeiro refresca, depois fecunda – «Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá, senão depois de empapar a terra, de a fecundar e fazer germinar (...), o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não voltará para Mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão» (Isaías 55, 11)."

Meditação de Elias Couto sobre a Intenção Geral de Oração do Papa para o mês de Março: Que a Palavra de Deus seja cada vez mais ouvida, meditada, amada e vivida

sábado, 3 de março de 2007

No cimo do monte Tabor

No cimo do monte Tabor,
entre o Sinai e o Horeb,
Jesus, na tua oração,
teu rosto e tuas vestes
ficaram branco refulgente.


Em esplendor, Moisés e Elias,
a Lei e a Profecia,
apareceram e falaram
da tua morte, da tua glória
antecipadamente contemplada
por Pedro, Tiago e João,
do sono despertados.

Então, uma nuvem cobriu-te com sua sombra,
e no meio dela saiu uma voz,
que para sempre ficou gravada
na memória dos discípulos,
testemunhas da tua Transfiguração.
“Este é o meu Filho, o meu Eleito:
escutai-O”.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Jejuar para partilhar

O jejum tem como objectivo dar fome e sede de Deus e da sua Palavra. Abster-se ou renunciar a algo não é somente um gesto de penitência mas também um gesto de solidariedade com os pobres e um convite à partilha e à esmola.

No tempo da Quaresma, em todas as dioceses portuguesas, existe uma recolha de fundos chamada “Contributo penitencial”, que visa apoiar iniciativas locais mas também estrangeiras, para o desenvolvimento de projectos pastorais e de ajuda ao próximo. Os donativos dos cristãos neste contributo poderiam resultar da vivência do jejum e das renúncias quaresmais.

Neste tempo de preparação para a Páscoa, algumas paróquias ou instituições escolares organizam várias iniciativas para fazer do jejum um verdadeiro momento de entreajuda.
Aqui em Portugal, sei que existe nalgumas dioceses, e até na Pastoral universitária, uma campanha que consiste em abdicar de uma refeição habitual para comer uma sanduíche, num ou em vários dias da Quaresma. Este gesto recorda que nem toda a gente come à sua fome, mas também, faz com que a diferença monetária da sanduíche com a refeição normal seja revertida a favor de uma associação de solidariedade ou de um projecto caritativo.
Em França, para ajudar o “Secours Populaire” (Caritas) e o “Comité Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento” (CCFD), foi criada a campanha “Tigela de arroz”, que consiste no mesmo princípio do que a “sanduíche portuguesa”...só muda o alimento.
Pode-se adaptar estes exemplos ao gosto individual, em vez de pão ou de arroz, pode ser uma sopa ou outra refeição económica…o que interessa é jejuar para partilhar com quem necessita.

Outra iniciativa para viver o jejum com a esmola, é criar um “Mealheiro Quaresmal” em que todas as renúncias monetárias de tabaco, álcool, café, guloseimas e outras, segundo a criatividade e disponibilidade de cada um, podem ser poupadas e reunidas ao longo dos 40 dias numa caixinha, e depois, serem entregas a alguém ou a uma instituição que precisa da nossa ajuda monetária.

Mas o jejum não sendo só aplicável à comida, mas também ao tempo de lazer, de divertimento, de televisão, de Internet; a esmola pode ser vivida então como doação do seu tempo a favor do outro. Pode ser uma conversa mais atenta e demorada com um vizinho que vive só, algumas horas de participação nas actividades na Paróquia ou de trabalho voluntário nalguma associação.

Vivendo assim o jejum, na discrição que o Evangelho impõe e com alguma imaginação pessoal, vivemos a esmola, a partilha com o próximo...claro, sem esquecer a esmola do nosso amor a Deus na oração.

quinta-feira, 1 de março de 2007

A esmola

“'A oração, diz Santo Agostinho, tem duas asas que a fazem voar direito para o céu: o jejum e a esmola.' O capitulo 58 do livro de Isaías revela-nos a insuficiência do jejum que não é acompanhado de boas obras, eis as palavras que o profeta põe na boca de Javé como resposta ao seu povo que lamenta não ser atendido na oração: ‘O jejum que eu aprecio é este: abrir as prisões injustas, desatar os nós do jugo, deixar ir livres os oprimidos…repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu.’ E o Evangelho, confirmando estes conselhos, lembra que os verdadeiros filhos do Pai que está nos céus devem ultrapassar em virtude e em boas obras os publicanos e os pagãos, aspirando em serem perfeitos como o Pai o é, amando até os inimigos, retribuindo-lhes o bem pelo mal, orando pelos seus perseguidores (Mt 5).
‘Desejais, diz São Cirilo de Alexandria, apresentar a Jesus Cristo um verdadeiro jejum, um jejum puro? Olhai favoravelmente aqueles que lutam contra a pobreza.’ A esmola deve ser ela também, uma companheira fiel do jejum. Jejuai, orai, partilhai, e vivereis perfeitamente a vossa Quaresma.”


Sermão de um dominicano - 1929