domingo, 31 de dezembro de 2006

Por este ano que passou...


Nós Vos louvamos, ó Deus,
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora,
Pai eterno e omnipotente.


Os Anjos, os Céus e todas as Potestades,
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus do Universo,
o céu e a terra proclamam a vossa glória.


O coro glorioso dos Apóstolos,
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia
por toda a terra a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade,
Pai, Filho e Espírito Santo.


Senhor Jesus Cristo,
Rei da glória, Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem,
tomastes a condição humana
no seio da Virgem Maria.


Vós despedaçastes as cadeias da morte
e abristes as portas do céu.
Vós estais sentado à direita de Deus,
na glória do Pai, e de novo haveis de vir
para julgar os vivos e os mortos.


Socorrei os vossos servos, Senhor,
que remistes com vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória,
na assembleia dos vossos Santos.


Salvai o vosso povo, Senhor,
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia
através dos tempos
e conduzi-o às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos
todos os dias da nossa vida
e louvaremos para sempre o vosso nome.


Dignai-Vos, Senhor, neste dia,
livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia,
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus,
não serei confundido eternamente.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Peregrinação de Confiança através da Terra

Desde o dia 28 de Dezembro de 2006 até 1 de Janeiro de 2007, Zagreb, capital da Croácia, acolhe dezenas de milhares de jovens de toda a Europa e de outras partes do mundo no vigésimo nono «Encontro Europeu de Jovens», no quadro da «Peregrinação de Confiança através da Terra» da Comunidade de Taizé.
Jovens que escolheram uma maneira bem diferente de celebrar a Passagem de Ano!
A Comunidade de Taizé (nome da aldeia de Borgonha – França, onde ela está estabelecida) foi fundada em 1940 pelo Irmão Roger, que permaneceu como seu Prior até à data de sua morte a 16 de Agosto de 2005, e é dedicada à reconciliação.
A comunidade é ecuménica, constituída por mais de cem homens de várias nacionalidades e tradições cristãs (protestantes e católicos). A vida na comunidade evidencia-se na oração e na meditação cristã.
Para mim, a vivência sincera do ecumenismo, a beleza espiritual, estética e musical de Taizé encaixam perfeitamente comigo…e não sou o único, uma vez que é notória a atracção que aquela comunidade consegue junto de jovens e adultos por todo o mundo.
Que esta comunidade continue a ser, como um dia afirmou João Paulo II, uma “primavera para a Igreja” e para todos os homens.



«Deus eterno, louvado sejas pela vida oferecida do nosso irmão Roger.
Pela sua vida e pela sua morte,
ele motivou-nos a seguir o caminho da confiança em ti,
o Deus vivo cujo amor e o perdão são sem limites.
Mesmo com uma fé muito pequena,
podemos abandonar-nos na tua Palavra
e no sopro do teu Espírito Santo.
Por Cristo, tu unes-nos numa só comunhão,
que é a comunhão da Igreja.
E envias-nos com a nossa fragilidade humana
para transmitirmos um mistério de esperança.
Que se erga então a paz sobre a terra,
essa paz do coração que o nosso irmão Roger tanto desejou
para cada ser humano.»

Irmão Alois, prior de Taizé
Foto: Irmão Roger

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Conversão natalícia

Paul Claudel foi um diplomata, poeta, dramaturga e ensaísta francês, membro da Academia Francesa.
Nasceu em 1868 e morreu em 1955.
De família católica, nem por isso ele era uma pessoa de fé, pelo menos até 1886. Com 18 anos, no dia de Natal, na famosa Catedral Notre-Dame de Paris, dá-se a sua conversão. Ele narrou assim o facto:
“De repente o meu coração foi tocado e acreditei. Acreditei com uma tal força de adesão, elevação de todo o meu ser, convicção tão poderosa, certeza que não deixa lugar a qualquer tipo de dúvida, que desde então, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acasos de uma vida agitada, não puderam abalar a minha fé, nem por assim dizer tocá-la.”
A fé de Paul Claudel não foi unicamente uma componente da sua vida mas envolveu-o profundamente. Esta comunhão de Claudel com Deus deu à luz mais de 4000 páginas de textos, nas quais ele professa um verdadeiro amor a Deus e à Criação, no seu mistério e dramaturgia.
Sem a fé, a sua obra torna-se incompreensível, pelo menos em profundeza.
O misticismo de Claudel faz dele o maior poeta católico desde Dante.

O cineasta português Manoel de Oliveira realizou uma obra deste autor, “Sapato de cetim” em 1985.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Inocentes do passado e do presente

“O mesmo Filho é a Palavra, o Logos; a Palavra eterna fez-se pequena - tão pequena a ponto de caber numa manjedoura. Fez-se menino, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Assim, Deus nos ensina a amar os pequeninos. Assim nos ensina a amar os frágeis. Deste modo, nos ensina a respeitar as crianças. O menino de Belém dirige o nosso olhar a todas as crianças que sofrem e são abusadas no mundo, os nascidos como não nascidos. Dirige-o a crianças que, como soldados, são introduzidas num mundo de violência; a crianças que são obrigadas a mendigar; a crianças que sofrem a miséria e a fome; a crianças que não experimentam sequer amor. Nelas todas é o menino de Belém que nos interpela; interpela-nos o Deus que se fez pequeno. Rezemos nesta noite, para que o esplendor do amor de Deus acaricie todas estas crianças, e peçamos-lhe que nos ajude a fazer o que podamos para que seja respeitada a dignidade das crianças; para que desponte a luz do amor da qual mais precisa o homem, e não das coisas materiais necessárias para viver”.

Homilia de Bento XVI da Missa de Natal

Os meus olhos estão consumidos pelas lágrimas e estremecem as minhas entranhas, enquanto os meninos e as crianças de peito desfalecem nas praças da cidade.
Lam 2, 11

Meninos inocentes morreram por Cristo;
por ordem de um rei cruel foram executados meninos de peito.
Agora seguem o Cordeiro Imaculado
e cantam sem cessar: Glória a Vós, Senhor.

(Ant. Bened da festa dos SS. Inocentes)


quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

De Jesus e de mim predilecto...

O Evangelista João foi conhecido como o apóstolo do amor. As características que lhe são atribuídas são: coragem, lealdade, percepção espiritual, amor e humildade. O amor é o assunto central das suas Epístolas.
João e seu irmão Tiago foram chamados de “Boanerges” (filhos do trovão) por Jesus. Sua mãe, Salomé, era irmã de Maria, mãe de Jesus; portanto, João era primo de Jesus. Após a morte e ressurreição de Cristo, ele acolheu a Virgem Maria em sua casa. De pescador do mar da Galileia, tornou-se líder da Igreja de Jerusalém.
Após a destruição de Jerusalém, entre os anos 70/95, João provavelmente começou a ministrar em Éfeso e Província da Ásia. Foi exilado na Ilha de Patmos, na costa da Ásia, onde escreveu o Apocalipse. De acordo com a tradição, voltou a Éfeso, onde morreu e foi sepultado por volta do ano 100. (Fonte: Estudos Bíblicos Editora Aleluia)




Discípulo virgem,

recebeste a honra de ser adoptado

como filho pela Virgem imaculada;

tornaste-te irmão daquele que te escolheu

e fez de ti o seu Teólogo.


Discípulo do Salvador,

na Cruz, Cristo confiou a ti, Teólogo virgem,

a Puríssima Theotókos;

então cuidaste dela como a pupila dos teus olhos:

intercede pela salvação de nossas almas.


Apóstolo predilecto do Cristo Deus,

apressa-te em ajudar um povo sem defesa.

Aquele que te concedeu reclinar a cabeça sobre o seu peito

te acolha aos seus pés a fim de interceder por nós.

O Teólogo, suplica-lhe para que dissipe a nuvem persistente do paganismo

e pede por nós a paz e uma misericórdia abundante


da Liturgia Bizantina da Festa da dormição de S. João

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Palavras de: Bento XVI


"Mas, tem ainda algum valor e significado um "Salvador" para o homem do terceiro milénio? Será ainda necessário um "Salvador" para o homem que alcançou a Lua e Marte, e se dispõe a conquistar o universo; para o homem que investiga indefinidamente os segredos da natureza e chega até decifrar os códigos maravilhosos do genoma humano?
Necessita de um Salvador o homem que inventou a comunicação interactiva, que navega no oceano virtual da Internet e, graças às mais modernas tecnologias dos meios de comunicação, já fez da Terra, esta grande casa comum, uma pequena aldeia global?
Apresenta-se confiante e auto-suficiente artífice do próprio destino, fabricante entusiasta de indiscutíveis sucessos este homem do vigésimo primeiro século.

Parece, mas não é assim.
Nesta época de abundância e de consumo desenfreado, ainda se morre de fome e de sede, de doença e de pobreza. Ainda existe quem é servo, explorado e ofendido na sua dignidade; quem é vítima do ódio racial e religioso, e é impedido, por intolerâncias e discriminações, por intromissões políticas e coerções físicas e morais, de professar livremente a própria fé.
Há quem vê o próprio corpo e dos seus seres queridos, especialmente crianças, destroçado pelo uso das armas, pelo terrorismo e por todo o tipo de violência numa época em que se invoca e proclama o progresso, a solidariedade e a paz para todos. Ou mais, que dizer daquele que, privado de esperança, é obrigado a deixar a própria casa e a pátria para encontrar noutra parte condições de vida dignas para o homem?
Que fazer para ajudar quem é enganado pelos falsos profetas de felicidade, quem é frágil nas relações e incapaz de assumir responsabilidades estáveis para o próprio presente e para o futuro, encontra-se percorrendo o túnel da solidão e, com frequência, termina escravo do álcool e da droga?
Que pensar de quem escolhe a morte pensando de exaltar a vida? "

"Caros irmãos e irmãs, onde quer que estejam, chegue a vós esta mensagem de alegria e de esperança: Deus se fez homem em Jesus Cristo, nasceu da Virgem Maria e renasce hoje na Igreja. É Ele quem traz para todos o amor do Pai celestial. É Ele o Salvador do mundo! Não temam, abri vosso coração, acolhei-O, para que o seu Reino de amor e de paz se torne herança comum de todos. Feliz Natal!"



Mensagem de Natal na Benção Urbi et Orbi

Tempo de Natal


O teu nascimento ó Cristo, nosso Deus,
fez resplandecer no mundo a luz do conhecimento.
Nela os servos dos astros, ensinados pela estrela,
aprendem a adorar-Te, Sol de justiça,
e a conhecer-Te, Oriente do alto.
Glória a Ti, Senhor!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos.
Ámen.

A Virgem hoje trouxe ao mundo o Eterno,
e a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Os anjos e os pastores louvam-n'O,
e os magos com a estrela se aproximam,
pois nascestes para nós menino, ó Deus eterno.

Tropário e Kondakion da Liturgia Bizantina do Natal do Senhor

sábado, 23 de dezembro de 2006

Um Santo Natal na alegria do Deus Menino



"Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura."

Lc 2, 11-12

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

O Papa do sorriso

Nas últimas Quarta e Quinta-feira, a RTP exibiu um filme em dois episódios sobre a vida do Papa João Paulo I, o Papa do sorriso, o “Papa Luciani”…que foi sujeito a alguma crítica da parte do Vaticano, por causa de alguns temas tratados na fita.
Se em geral, este Papa é recordado pelo seu breve pontificado, a sua vida de pastor, antes e durante a ocupação da cadeira de São Pedro, não deveria ser em nada esquecida pelos cristãos, pois, ele foi um exemplo de serviço humilde e bondoso a Deus, aos homens, à Igreja, e de vivência simples e verdadeira do Evangelho.


Assim se exprimiu o Cardeal Ratzinger (Bento XVI) sobre o Papa do sorriso, durante sua visita a Belluno ao Centro Luciani:
“A bondade e a grande humildade de Luciani tocaram-me. Lembro-me de quando eu, jovem arcebispo de Munique, em Bressanone, onde estive num breve período de férias, Luciani veio visitar-me, com muito simplicidade. Sua bondade de coração tocou-me imenso.
Mas bondade e humildade não significaram fraqueza. Luciani era um homem de grande fé, de grande cultura. O seu livro “Ilustríssimos” (cartas a grandes nomes da História), demonstra quanto leu, quanto reflectiu. Luciani teve também uma grande cultura teológica; sua tese de doutoramento foi em Rosmini. Falando com ele, fui percebendo quanto era um homem essencial. Que foi simples, mas não foi de nenhum modo um simplista. Teve uma cultura forte e uma firmeza doutrinal. Por todas estas razões, Luciani é uma figura que eu estimo muito “.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

A Visitação: modelo de Evangelização

Numa meditação, o Beato Carlos de Foucauld escrevia:
(Fala Jesus): “Antes mesmo de nascer, Eu trabalho para esta obra, a santificação dos homens…e incito a minha mãe a trabalhar comigo para isso (…). Trabalhai para a santificação do mundo, trabalhai nisso como a minha mãe; sem palavras, em silêncio, ide estabelecer os vossos piedosos retiros no meio dos que me ignoram…e levai aí o Evangelho, não pregando-o de boca, mas pregando-o com o exemplo, não anunciando-o, mas vivendo-o; santificai o mundo, levai-me ao mundo…como Maria me levou a João…”
Assim, como modelo de docilidade na evangelização, o Irmão Carlos apresenta-nos Maria no seu mistério da Visitação. Ela evangeliza e santifica João Baptista no seio de Isabel “não pelas suas palavras, mas levando em silêncio Jesus, junto dele, na sua residência”.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

No fim...

No fim do caminho, não há caminho, mas o termo da peregrinação.
No fim da subida, não há subida, mas o cume.
No fim da noite, não há noite, mas a aurora.
No fim do Inverno, não há Inverno, mas a Primavera.
No fim da morte, não há morte, mas a vida.
No fim do desespero, não há desespero, mas a esperança.
No fim da humanidade, não há homem, mas o Homem Deus.
No fim do Advento, não há Advento, mas Natal.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Tempo de espera

Parece que os cristãos adormeceram….
Baixaram os braços…
Percebe-se!
Há tanto tempo que Ele veio!

Perderam a sua Palavra…ela já não os estimula.
Estão cansados. Ficam entre eles e falam sempre dos mesmos problemas.
Têm medo de sair. Não ousam.
Mais uma vez perderam a audácia de empreender cada manhã
a edificação de um mundo mais humano pelo qual Deus os criou.

Perderam a esperança.
”Seremos ainda bons, perguntam-se angustiados,
para o anúncio da extraordinária noticia que derruba as escuras estruturas antigas
e indica os planos de um mundo renovado na fraternidade?”

Perderam a alegria.
Percebe-se!
As causas são tantas para o acanhamento;
primeiro o hábito de viver e acreditar,
depois a falta de entusiasmo devido à inevitável usura quotidiana,
o fracasso em cada esquina, o ardor do amor que se apaga,
e sobretudo, os acontecimentos do mundo e a sua lista de horrores,
de pazes falhadas, de economias em crise,
de pobreza em progressão e de miséria que se instala.

É tempo de eles entrar em Advento!
É tempo de eles caminhar para o Natal
para não esquecer a presença d’Aquele que algures,
num lugar abandonado, veio no meio deles
para partilhar plenamente a humana condição,
a sua existência de cada dia, as angústias, os sonhos,
o amor e o desejo infinito que está nela…

Advento, Natal, Epifania…
É o tempo em que o próprio Deus vem acordar a esperança dos seus filhos
dando-lhes o seu Filho por irmão.
É o tempo em que os cristãos, reanimados pela presença de Cristo nascido entre eles, reencontram a perseverança de viver como homens e mulheres dignos desse nome…
a obstinação de transformar a terra em humanidade digno desse nome…
Caminhos do Advento 1997

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

José, não temas...


«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.»Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.

Mt 1, 20-23

sábado, 16 de dezembro de 2006

III Domingo do Advento

Ó João, que devemos fazer?
Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma!
Quem tiver mantimentos faça o mesmo!

E nós que conhecemos a Lei?
Não exijais nada além do que vos foi prescrito.

E nós que somos soldados?
Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo.

Ó João, vemos-te baptizar com água…
Sim, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, de quem não sou digno de desatar as correias das sandálias, e Este, baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com fogo!
Ele tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga!


Inspirado de Lc 3, 10-18

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Mais diálogo ecuménico

Bento XVI e o Primaz Christodoulos, da Igreja Ortodoxa da Grécia, assinaram ontem, quinta-feira 14 de Dezembro, no Vaticano, uma Declaração comum em que assumem a necessidade de, através de um “diálogo teológico construtivo”, se procurar “restabelecer a plena unidade” entre os cristãos.

O documento indica que a unidade é essencial para “anunciar Cristo ao mundo, sobretudo às novas gerações”, exortando os líderes religiosos a trabalharem pelo diálogo entre religiões. Nesse sentido, é pedido que se combata a intolerância e a violência religiosa. “As religiões têm um papel a desempenhar para assegurar o surgimento da paz no mundo e não devem, de forma alguma, fomentar a intolerância e a violência”, referem.

Para além das questões teológicas e doutrinais, a Declaração refere-se a temas da actualidade, como os progressos da investigação científica, deixando um convite a que se respeite “o carácter sagrado da pessoa humana”. Ambos manifestam inquietação perante práticas científicas que implicam “experimentações com seres humanos que não respeitam a dignidade e a integridade da pessoa humana em todos as etapas da existência”.

O Santo Padre e o Primaz grego demonstram assim o “desejo de colaborar para o desenvolvimento da sociedade, numa cooperação construtiva para o serviço dos povos e do ser humano”.


Icone dos Apóstolos Pedro e Paulo simbolizando o diálogo ecuménico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.

Noite escura


Canções da alma que se regozija em ter chegado ao maior estado de perfeição, que é o da união com Deus, pelo caminho da negação espiritual.

Numa noite escura
com ânsias em amores inflamada
Oh, ditosa aventura!
saí sem ser notada,
estando já minha casa sossegada.
Às escuras, mas segura,
Pela secreta escada disfarçada
Oh, ditosa aventura!
às escuras, disfarçada,
estando já minha casa sossegada.
Na noite ditosa,
em segredo, como ninguém me via,
nem eu via coisa alguma,
a não ser aqueloutra luz e guia
aquela que no coração meu ardia.
Ela me guiava
melhor estrela que a luz do meio-dia
aonde me esperava
quem bem eu sabia
no lugar onde ninguém se via
Oh, noite que conduziste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que uniste
Amado com amada,
No amado a amada tornada!
No meu peito florindo
que inteiro para ele somente se guardava
aí caiu dormindo
e eu o admirava
e a aragem por entre os cedros refrescava
O ar d'ameia
quando pelos seus cabelos as minhas mãos corria
com a sua mão serena
no meu regaço acariciava
e todos os meus sentidos suspendia.
Dei-me ao abandono e perdi-me de mim
declinei meu rosto sobre o Amado;
cessou tudo, e deixei-me…,
deixando o meu cuidado
entre as açucenas abandonado.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Imaculada Conceição

Tota pulchra es, Maria,
et macula originalis non est in te.
Vestimentum tuum candidum quasi nix,
et facies tua sicut sol.
Tota pulchra es, Maria,
et macula originalis non est in te.
Tu gloria Jerusalem, tu laetitia Israel,
tu honorificentia populi nostri.
Tota pulchra es, Maria.


És toda formosa Maria,
em ti não há mancha original.
As tuas vestes são brancas como a neve,
e o teu rosto igual ao sol.
És toda formosa Maria,
em ti não há mancha original.
Tu és a glória de Jerusalém,
tu és a alegria de Israel,
tu és a honra do nosso povo.
És toda formosa Maria.


Foto: Altar-mor com imagem da Imaculada Conceição no Sameiro - Braga

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Mais do que rainha é mãe!

“Oh!, quanto amo a Virgem Maria! Se fosse padre, como apregoaria as suas grandezas! Pintam-na de uma santidade inacessível, quando no-la deviam apresentar como imitável, pois mais do que rainha é mãe! Tendo ouvido dizer que eclipsa com o seu brilho a todos os santos, como o sol ao nascer ofusca o resplendor das estrelas. Que doutrina tão desarrazoada! A glória dos filhos eclipsada por sua Mãe! Eu penso o contrário e tenho por certo que o esplendor de Maria há-de realçar consideravelmente o esplendor dos escolhidos. A Virgem Santíssima! Que simples me parece a mim que foi o seu viver!”


Santa Teresa do Menino Jesus

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

As velas do Advento

Estamos no Advento, tempo em que nas nossas assembleias acendemos nos quatro domingos que antecedem o Natal, uma vela em cada um deles, simbolizando assim a luz do Natal que se aproxima trazendo esperança e paz. Mais a festa do Nascimento de Cristo está perto, mais existe luz. Foi um pastor luterano alemão que, após a primeira guerra mundial, tomou a iniciativa de colocar as velas na coroa do Advento, outro símbolo deste tempo litúrgico que antecede o Natal.

A coroa é um antigo símbolo de significados diversos, evoca o sol e anuncia o seu regresso. Feita de ramos sempre verdes, ela é sinal de vida. De forma circular, ela recorda o tempo das festas que voltam cada ano. Simboliza a segunda vinda de Jesus, que o Advento não é só a espera do Natal mas também a espera do regresso de Cristo no fim dos tempos. Ela pode também representar a Aliança entre Deus e dos homens, e das suas promessas.

As velas, além de representar os domingos do Advento, têm outro sentido, que poucos conhecem. Elas simbolizam as grandes etapas da salvação antes da vinda do Messias.

A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva.

A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida.

A terceira lembra a alegria do rei David que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna.

A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Sé de Braga


Hoje, o calendário litúrgico assinala a memória de três bispos da minha diocese de Braga, São Martinho de Dume, São Frutuoso e São Geraldo. Três homens que se distinguiram, em épocas diferentes da história, como grandes pastores do povo de Deus.
Quando penso em bispo, vem-me logo ao pensamento a Sé Catedral, a Igreja mãe da diocese, onde está a cadeira episcopal; e de facto, nas vezes que vou a Braga, é quase certo uma romaria à Sé…aquele edifício, aquelas pedras, aqueles altares fortalecem-me na fé. Parece que dentro daquele templo, o acreditar parece certeza, a dúvida desvanece, nada me pode abalar porque as paredes são cidadela contra o inimigo.
A arte sacra é uma manifestação da presença do divino na vida quotidiana…a Sé de Braga é para mim um baluarte seguro onde sinto os braços de Deus forte.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Vocação certa?

Ontem, o programa “8º dia” da TVI, mostrou uma realidade muita esquecida por todos nós, e que existe dentro da Igreja: os sacerdotes e religiosos(as) que deixaram de “exercer”, que romperam com uma vida totalmente dedicada ao serviço de Deus.
Estes, regressaram a uma vida laical, muitas vezes empenhadíssima no seio das suas comunidades paroquiais, constituíram família, são pais, mães, avós, exercem uma profissão…
Mas o que sucedeu com eles para abandonar uma vida consagrada a Deus?
Porque mudaram de estado de vida?
Serão traidores da vocação que no passado abraçaram?
E as promessas feitas no compromisso vocacional?
Como é que Deus não preencheu as suas vidas?
Será que se enganaram na vocação, e para serem fiéis a Deus e a eles próprios, preferiram abandonar uma vida que não lhes correspondia? Cada caso é um caso, Deus é que sabe…mas acho que para muitos, foi o engano vocacional, de facto, eles não correspondiam ao carisma da vida sacerdotal ou religiosa, por isso deixaram-na para encontrar algo mais adequado à sua vivência de fé.
O Concílio Vaticano II abriu também novas perspectivas, tornou mais evidente que não é preciso ser padre, irmão ou irmã consagrados para viver a santidade, a vida íntima com Deus, alias, nunca o foi, o Evangelho não é elitista…todos são chamados por ele a habitar na amizade do Senhor.
Resta à Igreja aproveitar todos os que, de boa vontade, querem ajudá-la a anunciar a Boa Nova…acolher. Hoje, com a falta de sacerdotes, muitos falam de aproveitar estes padres casados, que romperam com a vida sacerdotal, para “fazer deles” diáconos permanentes…e porque não? Têm uma boa formação e vida espiritual...nunca há mãos suficientes para trabalhar na messe do Senhor, na pastoral, na catequese...
Como sempre, rezemos para que Espírito Santo sopre, inspire, ilumine a Igreja nestes novos caminhos e desafios que se abrem diante dela.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Rezar com: Carlos de Foucauld

Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criaste,
Nada mais quero, meu Deus.

Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo.

E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és... Meu Pai!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Rosto de: Carlos de Foucauld

Todos temos referências, modelos, pessoas de quem nos inspiramos…homens ou mulheres que nos dizem muito.
Para mim, um deles é o Beato Carlos de Foucauld, um francês que viveu nos finais do século XIX até ao inicio do século XX…uma verdadeira testemunha de fé.
O carisma do Irmão Carlos resume-se nas duas palavras do seu lema «Jesus-Caritas».
De facto, Jesus Cristo foi o grande Amor do Padre Foucauld.
Procurou imitá-Lo na vida oculta de Nazaré, contemplou-O na adoração eucarística na humilde capelinha do deserto escaldante de Tamanrasset, na Argélia, terra muçulmana.
Em 1908, escreveu ao seu bispo: «Os meios que Jesus nos deu para continuar a obra de salvação no mundo, os meios de que Ele se serviu no Presépio, em Nazaré e sobre a Cruz são: pobreza, humilhação, abandono, perseguição, sofrimento, cruz. Eis as nossas armas».
A forma como o Irmão Carlos imitou Jesus ainda seduz muitos jovens e menos jovens em todo o mundo, procurando seguir o exemplo deste padre, vivendo pobres no meio dos pobres, em pequenas fraternidades de irmãozinhos ou irmãzinhas de Jesus, dispostos a viver no silêncio, escondidos, partilhando a vida dos mais desprezados. São contemplativos no meio do mundo, dão testemunho do amor de Deus entre os pequeninos de que Jesus nos fala no Evangelho.
O carisma de Foucauld dirige-se também a qualquer pessoa…afinal, este carisma não é outra coisa senão a humilde vivência da vida de Jesus em Nazaré, uma vida escondida, na oração íntima com Maria e José, uma vida de trabalho e de contacto simples com o próximo, tudo no abandono e na confiança em Deus.
Hoje celebra-se a memória deste beato.