quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Bento XVI e Bartolomeu I





Segundo Bento XVI, a sua presença na Divina Liturgia na igreja ortodoxa de São Jorge serve para “renovar o compromisso comum para prosseguir o caminho do restabelecimento, com a Graça de Deus, da plena comunhão entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla”.

“A Igreja Católica está pronta a fazer todos os possíveis para superar os obstáculos e procurar, juntamente com os nossos irmãos e irmãs ortodoxos, meios cada vez mais eficazes de colaboração pastoral para esse fim".

“Somos chamados, juntamente com todas as outras comunidades cristãs, a renovar a consciência da Europa, no que se refere às suas raízes, tradições e valores cristãos, dando-lhes uma nova vitalidade”.

Santo André

Hoje, a Igreja celebra Santo André, irmão de São Pedro, chamado de “Protoklit” ou “o Primeiro chamado”, porque, ouvindo João Baptista dizer que Jesus era o Cordeiro de Deus , ele aceitou o convite que Cristo lhe fez em segui-lo, e nunca mais o deixou.
A escolha da data da visita de Bento XVI a Bartolomeu I é muito simbólica.
O Papa, Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro visita o Patriarca de Constantinopla, sucessor do Apóstolo André que fundou a comunidade cristã daquela região do mundo…é um encontro de irmãos!
Se de costume, para representar o diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, são usadas as figuras dos Apóstolos Pedro e Paulo abraçando-se, hoje, podíamos retratar o ecumenismo destes dias com os rostos de Pedro e André…a amizade de Roma e Constantinopla.



Por intercessão dos Apóstolos Pedro e André,
Senhor Jesus, dá a unidade aos teus discípulos,
para que o mundo acredite que foste enviado pelo Pai.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Perto de Éfeso...



A "Casa de Maria", que Bento XVI visitará durante sua viagem à Turquia, é um dos mais importantes locais de peregrinação católica do país, embora sua autenticidade seja questionada.
Foi com base nas indicações detalhadas da vidente alemã, Anne Catherine Emmerich, beatificada pela Igreja Católica, que em 1881 um padre francês, l'abbé Gouyet, teve a ideia de procurar as ruínas da casa nas colinas próximas a Éfeso, no oeste da Turquia.
Essas descobertas e buscas arqueológicas sucessivas permitiram revelar as ruínas dos locais onde os pastores gregos ortodoxos celebravam Maria, contrariando a tradição bizantina que estabelece em Jerusalém o local da morte da Virgem.
Desde 1892, os vestígios foram autenticados pelo arcebispo católico de Smyrne, o actual Izmir, ao qual Éfeso e redondezas estão submetidas.
As ruínas, inicialmente propriedade de uma religiosa católica, receberam a primeira grande peregrinação em 1896, com mais de 1.300 pessoas que subiram pelas trilhas dos pastores até a "Casa de Maria".
A partir de então, as visitas aumentam cada vez mais. Dezenas de milhares de pessoas, católicas mas também muçulmanas, visitam a casa todos os anos. Os Papas Paulo VI e João Paulo II lá estiveram, respectivamente, em 1967 e em 1979.


Na dispersão dos Apóstolos, Maria acompanhou João, como recomendara Jesus na Cruz (Jo 19,16-27). O Apóstolo João teria migrado para Éfeso, daí, talvez, a ligação de Maria com aquela zona geográfica.
Foi também em Éfeso que foi declarado em 431, o dogma da Maternidade divina de Maria (Maria, Mãe de Deus, a Theotokos)



Ó João, estrela cintilante da Igreja
que espelha a luz do Pai,
revelando-nos o mistério do Verbo,
fruto eterno do seu seio,
fonte de toda a vida e verdade;

Ó discípulo predilecto do Verbo feito carne,
que na Ceia repousaste a cabeça no seu coração,
colhendo assim todos os segredos do Filho muito amado do Pai
e Salvador dos homens,

Ó filho estimado de Maria
que recebeste de Jesus crucificado o tesouro do seu lado,
sendo assim a testemunha do seu coração ferido,

Nós te pedimos, apesar da nossa indignidade,
das nossas fraquezas e infidelidades,
sê nosso protector, para que sejamos verdadeiros filhos do Pai,
vivendo na sua luz, e no ardor do coração ferido do Agapetos,
sob o poder vivificador do Espírito Paráclito,
em Maria, mãe de Jesus e nossa mãe.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

O que é isso de: Patriarca de Constantinopla e Ortodoxia?

Com a viagem do Santo Padre à Turquia, vale a pena recordar ou aprender algo sobre a Tradição Cristã Ortodoxa, para estarmos a par dos desafios que Bento XVI tem no que toca à unidade dos cristãos.

Quem é o Patriarca Ecuménico de Constantinopla?

O Patriarca Ecuménico de Constantinopla é o principal bispo da Igreja Ortodoxa, o Primeiro entre os Iguais. Diferentemente do que ocorre na Igreja Católica Apostólica Romana, todos os patriarcas são autónomos e independentes, cabendo ao patriarcado de Constantinopla apenas a função de mediador entre os demais patriarcados e de representar a Igreja Ortodoxa de uma forma geral.
O actual Patriarca Ecuménico é Sua Santidade,Patriarca Bartolomeu I, desde o ano de 1991, com quem o Papa Bento XVI se encontrará na sua viagem à Turquia.

O que é a Igreja Ortodoxa?
A Igreja chamada Ortodoxa é o conjunto das Igrejas Orientais que se encontram separadas de Roma desde o século XI.
Etimologicamente, os ortodoxos são os que professam a doutrina verdadeira.
Na história eclesiástica, este nome reserva-se aos fiéis da Igreja Bizantina, que se separou da Igreja de Roma, primeiro com o cisma de Fócio (séc. IX) e em termos definitivos no tempo do patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário que, declarado herege pelo legado do Papa, acusou a Igreja de Roma de herética (15.7.1054).
Também se consideram Ortodoxos os fiéis (chamados melquitas) dos patriarcados de Alexandria, Antioquia e Jerusalém, a que mais tarde se juntaram outras Igrejas da Europa de Leste.
É de referir que os vários patriarcados são autónomos e nem sempre se encontram em sintonia.
Chamam-se uniatas, as Igrejas e os fiéis que regressaram à união com a Igreja Católica.
Para a separação dos ortodoxos contribuíram, além de erros de uma e outra parte (para os quais o Papa já pediu publicamente perdão), factores políticos e diferenças de língua, de cultura, de ritos litúrgicos e de disciplina, sem que tenha havido ou haja ainda diferenças substanciais de doutrina.
Apesar da separação, a Igreja Católica manifesta grande estima por estas “Igrejas irmãs” e reconhece a sucessão apostólica dos seus bispos e a validade dos sacramentos nelas administrados; e aceita que, em caso de necessidade, aos sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Unção dos Doentes administrados por sacerdotes ortodoxos, sejam admitidos fiéis católicos, e vice-versa.
Na procura da unidade perdida (ecumenismo), a Igreja Católica vê sobretudo nas Igrejas Ortodoxas valores necessários à revitalização do Cristianismo Universal hoje ameaçado pelo processo de laicização.
“Enciclopédia Católica Popular”

Confesso que sou um entusiástico do diálogo ecuménico, alias, penso que a unidade dos cristãos deve ser uma intenção sempre presente nas nossas orações…afinal, é um desejo de Cristo que haja uma só Igreja e um só Pastor.
Como já puderam notar, aprecio muitíssimo a arte bizantina, imagem de marca da Ortodoxia no mundo.
Abram-se os corações ao Espírito Santo para que haja unidade!

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Palavras de: Bento XVI

“O caminho para chegar” ao Reino, onde Deus será tudo em todos, “é longo e não é possível tomar atalhos: é necessário que toda a pessoa acolha livremente a verdade do amor de Deus. Ele é Amor e Verdade, e tanto o amor como a verdade não se impõem nunca: tocam à porta do coração e da mente e, ali onde podem entrar, oferecem paz e alegria. Esta é a maneira de reinar de Deus; este é seu projecto de salvação, um «mistério», no sentido bíblico do termo, ou seja, um desígnio que se revela pouco a pouco na história.”

Angelus 26/11/06 – Solenidade de Cristo Rei

sábado, 25 de novembro de 2006

Oração

Ó Filho do Homem, que vens sobre as nuvens do céu,
a Ti, o poder; a Ti, a honra; a Ti, a realeza!


Que todos os povos, nações e línguas te sirvam,
porque o teu poder é eterno e jamais passará,
porque o teu reino não será destruído.

(inspirado de Dan 7, 13-14)

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Rosto de: Pedro Quatorze

Voltei a ter net…o mau tempo queimou-me o modem.
Pedro Quatorze…conheces?
Não foi canonizado, nem beatificado…ainda está vivo.
Para mim, é uma testemunha de força de vontade e um exemplo de que o mal pode ser vencido quando se luta contra ele.
Em 2000, o canal português SIC, fez uma reportagem sobre este jovem, cujas imagens marcaram o espírito dos portugueses…imagens de agonia de um Pedro toxicodependente em tratamento num quarto isolado… imagens que mostravam muito bem o quanto é difícil
sair de 10 anos de droga.
No último sábado 18 de novembro de 2006, o mesmo canal de televisão mostrou a vida actual do Pedro, e hoje, é uma pessoa que tem o seu emprego, a sua companheira, o seu carro, está a estudar para psicologia, tem uma vida igual à de muitos, com os seus sonhos, limpa de narcóticos…
A reportagem emocionou-me muito, e senti necessidade de falar dele neste blog.
Elevei a Deus uma oração de acção de graças pelo rumo que tomou a vida deste ex-consumidor; pedi também por todos os que ainda vivem este flagelo e desejam sair dele.
Não sei se o Pedro tem fé…mas acredito que Deus é misericordioso, e sempre pronto a ajudar. Acredito que bastou a este jovem dispor sinceramente o seu coração à acção divina, nem que fosse um milésimo de segundo, para que Deus aproveitasse aquele momento, para lhe dispensar a graça necessária afim de seguir no caminho da desintoxicação. Acredito que muitos intercederam junto de Deus pelo Pedro, e podem ver hoje os frutos das suas súplicas.
Duas perguntas em jeito de conclusão…boas para um exame de consciência:
Qual é a nossa atitude diante do problema da droga ou dos problemas da sociedade?
E nós, que nos afirmamos cristãos…seguidores de Cristo, seremos dignos do nome de que nos reclamamos, segundo estas mesmas atitudes?

A reportagem sobre o Pedro Quatorze está disponível em SIC - Perdidos e achados: O que é feito do Pedro?

sábado, 18 de novembro de 2006

Oração

Senhor Jesus, Filho do Homem, quando voltarás?

Quando Te veremos vir sobre as nuvens,
com grande poder e glória?

Quando reunirás os teus eleitos dos quatros pontos cardeais,
da extremidade da terra à extremidade do céu?




Só o Pai conhece a hora e o dia!

Ajuda-nos a permanecermos vigilantes e orantes em todo o tempo,
para podermos comparecer diante de Ti, no dia do Juízo.

Vem, Senhor Jesus!

(inspirado de Mt 24-32)

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Fé em debate na Antena 3

Um dia desta semana, estava eu a conduzir o carro e a ouvir na rádio, o programa da Antena 3, “Prova Oral”, que debatiam sobre religião…não sei exactamente o tema, mas falava-se de fé e de catolicismo. Além da pouca cultura religiosa dos locutores, e não é pejorativo quando escrevo isso, mas um constato, alias, eles afirmavam não frequentar as igrejas fora dos casamentos dos amigos, nem interessar-se por Deus, desde que deixaram de ser obrigados a ir à catequese, fiquei triste e chocado, com o testemunho dos cristãos, daqueles que ouvi, que ligaram para dar a opinião deles.
De facto, afirmavam-se crentes, católicos, mas, pareciam saber pouco mais daquilo que os apresentadores do programa conheciam sobre Cristo e a Igreja.
A fé e a coerência da vida que ela implica, a relação intima com Deus, a vida no seio da Igreja, que não é perfeita, isso sabemos todos, mas nem por isso deve ser considerada como uma fachada de bons costumes, eram menosprezadas a favor destas afirmações:
- “Acredito porque sou português e um bom português é católico.”
- “Tenho fé, sou livre, faço o que me apetece”, ora isso não é parecido com a liberdade que Deus nos deu, mas com libertinagem
- “Não faz mal pecar, até tenho orgulho disso, no fundo o que interessa é amar a Deus”. Ora como é que alguém pode dizer que ama a Deus se não quer ouvi-Lo, nem se empenhar em cumprir a sua Lei, e ter orgulho em transgredi-la.
- No Vaticano, tudo é revestido de ouro e é o estado mais rico do mundo.
- A Mãe de Jesus deixou de chamar-se Maria…agora é Fátima.
Enfim, estes são algumas das ideias que foram transmitidas pelos nossos cristãos no meio de tantos outros preconceitos ou faltas enormes de conhecimento e de adesão verdadeira à fé.
Muitos cristãos estagnam no descobrimento de Deus, contentam-se com os saberes que adquiriram na catequese, na família, na tradição religiosa do país…saberes da infância, para crianças, que necessitam de actualização para a idade adulta...e isso, não vai contra o caminho da infância de Santa Teresa do Menino Jesus, que consiste na confiança simples em Deus, à maneira dos mais pequeninos, mas numa fé clara e percebida.
Resta à Igreja, hierarquia e leigos, que querem à sério viver e proclamar o Evangelho como família de crentes, fomentar um cristianismo iluminado, consciente, sempre com aquelas dúvidas que humanamente são normalíssimas…quem consegue encaixar na cabecinha o grande mistério do Deus infinito, mas vivido “com as tripas”, porque mais do que nunca, num mundo que rotula, que conhece o outro através do preconceito e das falsas verdades estabelecidas, a Boa Nova de Jesus tem que ser anunciada pelas palavras e acções certas, que o Espírito Santo inspira aos corações abertos à sua acção.

Rezar com: Isabel da Trindade



Ó meu Deus, Trindade que eu adoro,
ajudai-me a esquecer-me inteiramente
para me fixar em Vós, imóvel a pacifica
como se a minha alma estivesse já na eternidade.

Que nada possa perturbar a minha paz,
nem fazer-me sair de Vós, ó meu Imutável,
mas que cada minuto me faça penetrar mais
na profundidade do vosso Mistério.

Pacificai a minha alma,
fazei nela o vosso céu,
a vossa morada querida
e o lugar do vosso repouso.

Que eu nunca Vos deixe só,
mas que aí permaneça com todo o meu ser,
bem desperta na minha fé,
toda em adoração,
toda entregue à vossa Acção criadora.


Esta é a primeira parte da famosa elevação à Santíssima Trindade da Beata Isabel da Trindade.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Palavras de: Isabel da Trindade

Isabel da Trindade deixou-nos o testemunho de uma vida unida a Deus: “Quanto se é feliz quando vivemos na intimidade de Deus, quando fazemos da vida um coração a coração, uma troca de amor, quando sabemos encontrar o Mestre no fundo da alma."

"Ah, se O conhecesses um pouco, a oração nunca mais te aborreceria. Parece-me um descanso, um sossego : vamos simplesmente Àquele que se ame, permanece-se junto d’Ele como uma criancinha nos braços de sua mãe e deixa-se ir o nosso coração.”

"Amai sempre a oração…e quando digo a oração, não é tanto impor-se quantidades de orações vocais a recitar cada dia, mas é esta elevação da alma para Deus através de todas as coisas que nos estabelece com a Santíssima Trindade à maneira de uma comunhão contínua, simplesmente fazendo tudo sob o seu olhar.”

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Semana dos Seminários

"A Semana dos Seminários que decorre de 12 a 19 de Novembro, é para as Dioceses de Portugal ocasião para propor às comunidades cristãs que dirijam o olhar, o coração, mas também, a inteligência para estas outras comunidades eclesiais educativas e formativas onde vivem os que se preparam para o Sacramento da Ordem.
O que está em causa nesta semana afecta a vida pessoal de cada cristão, enquanto que, da nossa oração, do nosso apoio e da nossa acção e testemunho depende a receptividade e a sustentabilidade daqueles que receberam ou estarão para receber o apelo e o dom à vocação sacerdotal."

Pe. Jorge Madureira,
Secretário da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios


Oração do Papa Bento XVI,
para o 43º dia mundial de orações pelas vocações

(7 de maio de 2006)

Ó Pai, fazei com que surjam, entre os cristãos,
numerosas e santas vocações ao sacerdócio,
que mantenham viva a fé
e conservem a grata memória do vosso Filho Jesus
pela pregação da sua palavra
e pela administração dos sacramentos
com os quais renovais continuamente os vossos fiéis.

Dai-nos santos ministros do vosso altar,
que sejam atentos e fervorosos guardiães da Eucaristia,
o sacramento do supremo dom de Cristo
para a redenção do mundo.

Chamai ministros da vossa misericórdia,
os quais, através do sacramento da Reconciliação,
difundam a alegria do vosso perdão.
Fazei, ó Pai, que a Igreja acolha com alegria
as numerosas inspirações do Espírito do vosso Filho
e, dóceis aos seus ensinamentos,
cuide das vocações ao ministério sacerdotal
e à vida consagrada.

Ajudai os Bispos, os sacerdotes, os diáconos,
as pessoas consagradas e todos os baptizados em Cristo
para que cumpram fielmente a sua missão
no serviço do Evangelho.

Nós Vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. Ámen.
Maria, Rainha dos Apóstolos, rogai por nós.